quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O sepultamento de Zapata e a carta a Lula

Esperei até agora (17:28 pm) para fazer esta edição, porque o site do Diretório Democrático Cubano anunciou que iria divulgar um áudio (ou vídeo) da passeata nos funerais de Zapata Tamayo em Holguín. Entretanto, como eles ainda não disponibilizaram, deixo para outra oportunidade, ou, quem sabe, até fechar esta edição o vídeo já esteja disponível e o coloco no final. Mas haverá outros dois, que não vi circulando pelo Brasil que dizem muito, de uma e outra parte envolvidas neste evento hediondo que vale a pena assisti-los.

Como este fato teve repercussão internacional, com protestos e artigos de repúdio vindos de todos os países livres, os jornalões brasileiros resolveram informar mas com aquele estilo porco de chamar o ditador de “presidente” Raúl Castro. O Pravda Tupinikin (O Globo) foi um dos primeiros a comentar este assassinato ainda ontem mas, como não podia deixar de ser, não ouviu a voz da dissidência. Na matéria eles só ouviram o lado dos criminosos, onde um cínico e nauseabundo alcoólatra Raúl Castro teve a petulância de dizer que “A tortura não existe, não houve tortura e não houve execução. Isso acontece na base de Guantánamo”, referindo-se à base americana, mas os entrevistadores, por serem coniventes e/ou mal informados, não concordaram com ele respondendo-lhe que sim, que há incontáveis presos políticos em várias prisões cubanas em Guantánamo e que sofrem as mais desumanas torturas e maus-tratos, como receberem comida deteriorada e com vermes, dividir cela com ratos e baratas, tomas água infectada e com fezes, etc.

E mais adiante, com a maior cara de pau, este assassino sentencia: “Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos”. Para quem não conhece a história destes mártires cubanos, em fevereiro de 2003, aproveitando que o mundo estava com os olhos postos na guerra Estados Unidos x Iraque, Fidel jogou nas masmorras de sua ilha pessoal 75 dissidentes, alegando que todos eles “eram mercenários traidores da pátria” e que “eram agentes da CIA a serviço do Império”. Zapata se encontrava no meio desses “traidores”, daí que os Estados Unidos são os responsáveis pela prisão, tortura, espancamento, negação de atendimento médico e, finalmente, o óbito. E Lula lá, se fingindo de morto, disse que “Se tivessem pedido pra conversar comigo, eu teria conversado com eles e qualquer presidente teria conversado. Não nos recusamos a conversar”. E mais adiante, visivelmente irritado, disse: “Se essas pessoas tivessem falado comigo antes, eu teria pedido para ele parar a greve e quem sabe teria evitado que ele morresse. Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por uma greve de fome”. Ora, a questão não é “convencê-lo a parar a greve fome” mas interceder junto à ditadura para que ela libertasse todos os presos políticos, condenados injusta e fraudulentamente! Se Lula tivesse tido acesso aos dissidentes, teria sido gentil e intercederia em favor deles, ou agiria do mesmo modo “intercedeu” pelos boxeadores que buscaram asilo político durante o PAN? Quem não lembra disso? Mas Lula não fez nem fará nunca, porque ele é conivente com todos esses crimes que se cometem em Cuba, na Venezuela, na Bolívia, em qualquer país cujo governante é membro do Foro de São Paulo e ainda mais com o terrorismo das FARC!

Bem, mas o fato é que esta carta existe sim, e vai ser publicada hoje aqui no Notalatina com a fonte primária. Ocorre que ela não pôde ser entregue porque a embaixada brasileira em Havana RECUSOU-SE a receber os opositores, muito certamente, obedecendo ordens superiores, do Brasil e de Cuba, para não atender “gente desse tipo”.

Ainda com relação às notícias veiculadas pelos jornais brasileiros, o colunista da Folha de São Paulo, Clovis Rossi, em artigo publicado ontem sob o título “Quando o silêncio é cumplicidade”, parecendo estar condenando o governo brasileiro pelo silêncio em relação à morte de Zapata Tamayo, começando pela ignorância de dizer que o falecido era “operário como Lula”. Não, “seu” Rossi, Zapata Tamayo não era “operário” mas pedreiro! Não o compare com esta criatura abominável e hipócrita que só nos envergonha mundo afora! Não macule a honra de um homem que o Sr. não conheceu nem sabe NADA a respeito dele! E fechou o artigo com uma frase tão canalha, tão infame, tão miserável que preciso comentar aqui. Disse o comunista Rossi: “Zapata, se tivesse sido brasileiro dos anos 70, talvez aderisse à luta pelos direitos humanos e, hoje, estaria sendo homenageado por membros do governo Lula. Morre em Cuba, e o governo Lula faz silêncio”.

“Seu” Rossi, em primeiro lugar, o senhor sabe, perfeitamente bem, que nos anos 70 os únicos defensores dos direitos humanos eram os militares, porque esta raça de víboras que se adonou do poder, não defendia liberdade e democracia mas uma ditadura nos mesmos moldes, financiada e mantida, seja ideológica, seja em treinamento de guerrilha e terrorismo, por Cuba. Nem Zapata Tamayo nem qualquer outro dos quase 300 presos políticos da Ilha-Cárcere JAMAIS pegou em arma, JAMAIS explodiu bombas nem carros em seres humanos indefesos, JAMAIS assaltou bancos nem cofres abarrotados de dólares, JAMAIS seqüestrou pessoas ou aviões, JAMAIS praticou atos de terrorismo! JAMAIS, “seu” Rossi! A única arma desta gente, “seu” Rossi, é a palavra. A única coisa que eles pedem é para ter liberdade de ir e vir, direito a ter opinião diferente da ditadura, direito à propriedade privada. Em suma, direito de ser gente livre – como já foram um dia – e não escravos, percebe?

É simplesmente nojento, ler os noticiários brasileiros! Infelizmente o vídeo do sepultamento de Zapata ainda não chegou, mas relato o que se passou durante o velório e enterro. Primeiro, as dificuldades da senhora Reina Tamayo para conseguir levar os restos mortais de seu filho à Banes, Holguín, onde residiam, sendo acompanhada por um forte aparato da Segurança do Estado que exigia pressa em enterrá-lo. Chega à Banes no fim da tarde, onde vários ativistas acorrem à sua residência para assinar o livro e prestar-lhe as condolências. Ante o impedimento para que o ex-preso político Jorge Luis García Pérez, o “Antunes” pudesse estar presente, disse a senhora Reina: “As Damas de Branco e muitos irmãos estão comigo. Porém, se eles não deixam Antunes chegar, eles vão saber quem é esta mãe!

Segundo informações de outros ativistas, agentes do regime impediram que opositores de outras cidades pudessem se deslocar até o local do enterro, e desde o dia 23, data do falecimento de Zapata 25 pessoas já foram presas. Durante o cortejo fúnebre, hoje pela manhã, as pessoas gritavam “Liberdade!” e “Viva Zapata Tamayo!”. Durante o sepultamento no cemitério Sur La Güira, Reparto Mariana Grajales, às 7:30 da manhã de hoje, a corajosa e destemida dona Reina, como uma verdadeira leoa ferida, disse em homenagem ao filho morto: “Não admito mensagens de Raúl Castro para esta mãe porque eles assassinaram premeditadamente Orlando Zapata Tamayo. Cínico! Não permito que agora mande mensagens; meu filho já leva impregnado em seu corpo os golpes, as marcas e o negro do golpe efetuado em Holguín”. E seguiu seu corajoso e emocionado discurso ante a tumba do filho morto: “Esta mãe diz: Raúl, Fidel, não me digam nada! Queria falar de frente com eles para dizer-lhes cínicos, descarados, mataram meu filho, o levaram até onde vocês queriam por sua postura contestadora, por seus princípios, por seu valor! O levaram até aí porém não importa, aqui resta sua mãe, aqui resta sua família que levarão a cabo sua luta pacífica pelos direitos humanos. A palavra de Zapata Tamayo era morrer pela liberdade e pela democracia do povo cubano e viver eternamente nela. Que descanse em paz, Orlando Zapata Tamaya!”

Enquanto isso, Lula, que nunca sabe de nada, nem sabia da existência ou mesmo morte deste mártir do comunismo castrista, refestelava-se com os irmãos ditadores em “Punto Cero” esta casinha simplória que vocês vêem ao fundo da foto. Em matéria publicada no site do Juventud Rebelde, Lula declara-se “alegre por haver efetuado esta visita a Cuba” e reconheceu que o Brasil tem o propósito de ser o primeiro aliado em matéria de investimentos para o seu desenvolvimento. Dá asco saber que os US$ mais de 300 milhões vão ser arrancados do nosso bolso para financiar os luxos destes assassinos e o pior: à nossa revelia! No vídeo que segue no final desta edição vejam os sorrisos de contentamento deste ser abjeto, junto com o outro nauseabundo Franklin Martins, no momento em que assinavam o compromisso de entregar nosso ouro ao bandido. E o outro vídeo, também no final, uma manifestação ocorrida ontem na Espanha, em frente à embaixada cubana.

Segue agora a tradução da carta que não quiseram receber na Embaixada do Brasil em Cuba, para depois posar de vítimas de que não sabiam da existência da mesma. Quem quiser ver o original com as assinaturas, basta acessar aqui. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro

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Havana, 21 de fevereiro de 2010

Sr. Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente

República Federativa do Brasil

Estimado Sr. Presidente:

Ao tomar conhecimento de sua próxima visita a Cuba, integrantes dos 75 prisioneiros de consciência, injustamente condenados duramente na Primavera de 2003, abaixo-assinantes, nos dirigimos ao Sr. para solicitar-lhe que nas conversações que manterá com os máximos representantes do governo cubano, contemple nossa situação e a dos demais prisioneiros políticos pacíficos cubanos, e advogue por nossa libertação. Igualmente aspiramos a que o Sr. se interesse pelo prisioneiro de consciência Orlando Zapata Tamayo, que desde dezembro vem mantendo uma greve de fome para reclamar seus direitos e hoje encontra-se em condições de saúde perigosas para a sua vida no Hospital Nacional de Reclusos, na Prisão Combinado del Este.

O Brasil, pelo caminho da democracia e da paz, alcançou altos níveis de desenvolvimento e reduzido consideravelmente a pobreza, e por tal motivo constitui um exemplo demonstrativo de que mediante o respeito e a livre expressão, a justiça social e o alento à criação, podem se alcançar elevadas cotas de prosperidade para os povos. Com isso, ademais, conseguiu prestígio e autoridade moral e ética internacionalmente. Seu desempenho, Presidente, foi encomiável em tal sentido.

O Sr. poderia ser um magnífico interlocutor para obter que o governo cubano se decida a fazer as reformas econômicas, políticas e sociais urgentemente requeridas, avançar no respeito dos direitos humanos, conseguir a ansiada reconciliação nacional e tirar a nação da profunda crise em que se encontra. O Sr. poderia contribuir significativamente para a felicidade e o progresso do povo cubano. Em tal sentido, posteriormente a sua visita, os representantes diplomáticos brasileiros, ao mesmo tempo em que mantenham sua relação com as autoridades cubanas, deveriam escutar as opiniões da sociedade civil, inclusive os familiares dos prisioneiros de consciência e políticos, assim como da oposição pacífica.

Receba o testemunho de nossa consideração e respeito.

(Seguem as assinaturas de 53 dos 75 presos da “Primavera Negra”).





quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Assassinado Orlando Zapata Tamayo pelo regime comunista cubano

*1968 - † 2010

Quando esta edição for publicada já será o dia seguinte ao de uma morte que abalou e comoveu o mundo hispânico, especialmente os cubanos. No Brasil isto não vai ser comentado, nem numa discreta notinha de rodapé porque “não pega bem”, porque o país está atolado até a medula em escândalos e porque as preocupações brasileiras estão voltadas para a candidatura presidencial. É sempre assim: no Brasil, Cuba só é destaque quando Lula vai lamber as botas dos assassinos ditadores que esta imprensa servil tem o descaramento de chamar de “presidentes”. Ou então, quando o genocida Fidel é condecorado com alguma menção indecente, como ser indicado para “Prêmio Nobel da Paz”.

Mas o Notalatina, que começou sua existência na rede denunciando os crimes ocorridos nas masmorras castristas, não vai se furtar a esta denúncia e à homenagem a um mártir da revolução cubana, Orlando Zapata Tamayo, assassinado pelo regime castro-comunista, após 85 dias de greve de fome, maus-tratos, tortura física e psicológica, tudo isto resultante de uma prisão injusta durante a “Primavera Negra de Cuba”, ocorrida em 18 de fevereiro de 2003.

Depois que assumiu a Presidência do Brasil Lula esteve várias vezes em Cuba. Os opositores ao regime escreveram várias cartas e solicitaram entrevistas com ele, na tola esperança de que Lula pudesse interceder a seu favor mas, nem resposta às cartas nem encontro com os dissidentes este cúmplice de genocidas quis, obviamente porque esta gente não merece sua atenção. Hoje Lula estará em Cuba atendendo convite feito pelo ditador Raúl Castro e a morte de Zapata Tamayo não entrará na agenda, porque, certamente pensarão com alivio os dois criminosos comunistas, “é um ‘gusano’ a menos”.

A Constituição Cubana de 1986, garante:

Sobre “Direitos, Deveres e Garantias Fundamentais”:

Artigo 49. “Todos têm direito a que se atenda e proteja sua saúde. O Estado garante este direito”.

Artigo 53. “Todos os direitos de reunião, manifestação e associação são exercidos pelos trabalhadores, manuais e intelectuais, os camponeses, as mulheres, os estudantes e demais setores do povo trabalhador, para o qual dispõem dos meios necessários a tais fins. As organizações sociais e de massas dispõem de todas as facilidades para o desenvolvimento de tais atividades nas quais os membros gozam da mais ampla liberdade de palavra e de opinião, baseados no direito irrestrito à iniciativa e à critica”.

Artigo 57. “A liberdade e inviolabilidade de sua pessoa são garantidas a todos os que residem no território nacional. (...) O detido ou preso é inviolável em sua integridade pessoal”.

Há mais capítulos e artigos desta Constituição que são apenas fachada para uma farsa criminosa, mas fico apenas com estes para acusar o regime comunista dos ditadores Castro de violar a própria Carta Magna, contra aqueles que discordam de suas regras, como se pode ver com o assassinato de Orlando Zapata Tamayo e dos quase 300 presos políticos.

Zapata foi preso em fevereiro de 2003 e condenado – num julgamento sumaríssimo e com provas e testemunhas falsas, como todos ou demais – a 3 anos de prisão, sendo esta pena aumentada mais tarde para 36 anos por delitos de “desacato”, “desordem pública” ou “resistência”. Zapata não foi o primeiro a morrer nestas circunstâncias, tampouco será o último, pelo menos enquanto esta maldição vigorar na Ilha. No livro “Cuba e castrismo: Greves de Fome no presídio político”, seu autor José A. Albertini relata os casos de dez presos políticos que morreram durante greves de fome em distintos períodos. São eles: Francisco Aguirre Vidaurreta e Luis Álvarez Ríos, El Príncipe, em 1967; Roberto López Chávez, Isla de Pinos em 1967; Carmelo Cuadra Hernández, La Cabaña, em 1969; Santiago Roche Valle, Kilo Siete, em meados da década de 1970; Pedro Luis Boitel Abrahan, El Príncipe, em 1972; Olegario Chalot Espileta, Boniato, em 1973; Reinaldo Cordero Izquierdo, Cinco e Meio, em 1973; Enrique García Cuevas, Cárcel Pretensazo, em 1973; José Barrios Pedré, Prisão Nieves Morejón, em 1977 e em 23 de fevereiro de 2010, Orlando Zapata Tamayo, hospital da Prisão de Combinado del Este em Havana.

E para provar a farsa dos próprios artigos desta Constituição de fachada, além da hediondez da morte de Zapata Tamayo, as notícias que me chegavam ontem, no início da noite, davam conta de que as residências dos opositores em Holguín, cidade natal de Zapata, estavam cercadas com policiais que impediam a saída ou entrada dos residentes ou amigos que ali quisessem entrar. Os telefones foram cortados e até a mãe de Zapata, a senhora Reina Tamayo Danger, que foi levada às pressas ao hospital para se certificar da morte do filho, estava impedida de falar com as pessoas. O jornalista José Ramón Pupo Nieves contou que puseram uma guarda nas escadas de sua casa, configurando-se assim a prisão domiciliar. Quer dizer, o regime comete um crime hediondo e os culpados e penalizados são os amigos do morto!

Às 10:30 da manhã de ontem, o Diretório Democrático Cubano, com sede em Miami, emitiu um vídeo onde alguns líderes opositores falaram por telefone com membros do Diretório, em uma entrevista coletiva, e davam as últimas notícias sobre Zapata, cuja vida já se extinguia. Vejam no vídeo abaixo:




No princípio da noite veio a dolorosa confirmação. E fico me perguntando: onde está a Igreja Católica cubana que não moveu uma palha na defesa deste ativista ou ofereceu consolo à sua mãe durante todo o período que durou esta tragédia? Onde está o Vaticano e seus puxa-saco do regime comunista da Ilha que nem uma vez se dirigiu, ou dirigiu uma palavra de conforto aos dissidentes ou de repreensão ao regime? Onde estão os incontáveis organismos de “direitos humanos” que emudeceram ante tal barbaridade?

Em 2008, quando faziam 40 anos do abate do monstruoso e frio assassino Ernesto Guevara, a Câmara dos Deputados fez uma sessão em sua homenagem. Mas nenhum desses hipócritas e pervertidos parlamentares irá hoje a tribuna denunciar este crime porque Orlando Zapata Tamayo era apenas um cubano pobre, pedreiro, negro e defensor da liberdade e democracia em seu país. Nenhuma destes “nobres” parlamentares irá derramar uma lágrima ou dirigir uma carta de pêsames à família enlutada, mas certamente fará discursos inflamados sobre o convênio assinado por Cuba e Brasil de importar a revolução através de seus agentes, que vêm implantar em cinco estados o programa “Si, yo puedo” de alfabetização.

Porém, Zapata não será esquecido, nem em Cuba, nem por todos aqueles que prezam a liberdade e por ela se arriscam e até doam suas vidas.

Segue abaixo um comunicado da organização “Diretório Democrático Cubano” sobre os fatos que levaram à morte este mártir da revolução cubana. Que Deus o acolha em Seu Reino entre os justos, onde não há mais dor nem sofrimento, e que console a família nesse momento tão doloroso. Que Deus nos abençoe a todos e nos fortaleça em Sua misericórdia e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro

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Diretório condena assassinato de Orlando Zapata Tamayo pelo regime castrista

Miami, 23 de fevereiro de 2010 – Diretório Democrático Cubano – O valente defensor da liberdade do povo cubano, Orlando Zapata Tamayo, morreu hoje assassinado pelo regime castrista, que negou-se a garantir seus direitos básicos. Zapata Tamayo, prisioneiro de consciência reconhecido pela Anistia Internacional, exigia tal garantia mediante uma greve de fome de mais de 80 dias de duração. Este grande da resistência cubana permanecia injustamente encarcerado desde 20 de março de 2003.

“Os abusos cometidos contra Orlando Zapata Tamayo comprovam que a tortura e o terror contra o povo são políticas de Estado sob o regime castrista. Esta morte é uma prova da prática do terrorismo de Estado”, assinalou Janisset Rivero, Secretária Nacional Adjunta do Diretório.

Em outubro de 2009, Zapata foi brutalmente golpeado por militares da prisão estadual de Holguín de tal forma, que lhe provocaram um hematoma interno na cabeça sendo obrigados a operá-lo. Começou sua greve de fome em 3 de dezembro de 2009 na prisão de segurança máxima Kilo 8 de Camagüey. Durante 18 dias, o major Filiberto Hernández Luis, diretor dessa prisão, negou água a Zapata, que era a única coisa que ingeria. O efeito desta tortura foi induzir-lhe uma falência renal. Em meados de janeiro Zapata foi transferido ao hospital Amalia Simoni da cidade da Camagüey, onde o deixaram quase nu com um forte ar condicionado ligado, o que lhe provocou uma pneumonia. Apesar de seu critico estado de saúde, o regime o transferiu na semana passada ao hospital da Prisão de Combinado del Este em Havana, onde não existiam condições para tratá-lo.

O Diretório Democrático Cubano assinala, além disso, que este crime soma-se à longa lista de atrocidades cometidas pelo regime dos irmãos Castro, que incluem milhares de fuzilamentos e um sem-número de casos de cubanos que têm padecido injusta prisão.

Também encontram-se injustamente privados de liberdade e em terríveis condições de saúde, os também presos de consciência Ariel Sigler Amaya e Normando Hernández Gonzalez, casos que requerem o apoio e a solidariedade dos cubanos e da comunidade internacional.

“Já assassinaram Orlando Zapata Tamayo, já acabaram com ele. A morte de meu filho foi um assassinato premeditado. Agradeço a todos os irmãos que lutaram para não deixar meu filho morrer. Aconteceu outro Pedro Luis Boitel em Cuba” [1], disse Reina Tamayo Danger ao Diretório Democrático Cubano.

O Diretório Democrático Cubano condena este horrendo crime, e alça sua voz para que o regime de Raúl Castro e os principais responsáveis pela morte deste defensor do direitos humanos, sejam condenados por este ato de lesa-humanidade.

A morte de Zapata Tamayo não será em vão e iluminará o caminho da resistência cívica em Cuba até conseguir a liberdade.


[1] Pedro Luis Boitel é caso mais mencionado, por tratar-se de um jovem, quase adolescente, preso injustamente nas masmorras cubanas, e que morreu de inanição em 24 de maio de 1972 após 53 dias de greve de fome, conforme nos relata Armando Valladares em seu livro “Contra toda Esperanza”, editado pela Kosmos-Editorial S.A, Panamá, 1985, de quem foi companheiro de cela e assistiu seu martírio.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Nota oficial e denúncia

Faço hoje uma edição especial do Notalatina apenas para publicar uma nota oficial e fazer uma denúncia, pois, embora tenha muito assunto e já faça muito tempo que não o atualizo, estive e continuo com outras ocupações que me impedem de me dedicar ao blog. Mas, creio que na próxima semana será possível atualizá-lo.

NOTA OFICIAL

Face à realização no próximo dia 1º de março do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão realizado pelo Instituto Millenium, sob o patrocínio do Instituto Mises Brasil e vários apoios e “colaborações institucionais”, vimos a público declarar o seguinte:

1. Desde o início das negociações para a organização deste fórum, nos pronunciamos, como então delegados de UnoAmérica, absolutamente contrários à sugestão de incluir notórios comunistas e esquerdistas de vários matizes como palestrantes;

2. Face à necessidade imperiosa da utilização deste evento como trampolim político por parte de um representante de UnoAmérica em São Paulo, por nós infelizmente nomeado, comunicamos ao presidente Alejandro Peña Esclusa que o mesmo nos informara que os organizadores iniciais, incluindo a Associação Comercial de São Paulo, negaram-se a convidá-lo por ser “figura tida como direitista ligado a facções radicais e golpistas da Venezuela” e, portanto, persona non grata num evento desta amplitude. Consideramos que um evento apoiado por UnoAmérica, do qual o presidente da mesma era excluído, não fazia o mínimo sentido;

3. Sugerimos a realização de um “Segundo Seminário sobre Liberdade, Democracia e Império das Leis”, nos moldes do 1º que foi um grande sucesso em 2006 – com a presença do ex-presidente uruguaio, ex-chanceler equatoriano, figuras de notório saber conservador e liberal – somente com palestrantes comprometidos de fato com a liberdade, e tal sugestão foi rejeitada porque um evento “mais aberto” reuniria maior numero de participantes, como se popularidade fosse sinal de verdade! Rejeitamos in limine participarmos de tal pantomima. Como nossa idéia fosse sequer considerada, comunicamos ao presidente Esclusa e demais membros de UnoAmérica que, a partir daquela data, deixávamos de ser delegados brasileiros desta organização, sem prejuízo de continuarmos publicando em nossa mídia eletrônica todas as suas comunicações exceto as produzidas por UnoAmérica-Brasil;

4. Verificamos agora que esta farsa está consumada. Com a presença de um ex (?) terrorista e seqüestrador, notórios comunistas e esquerdistas, e inclusive o convite a um ministro do Governo comunista brasileiro;

5. Nosso comprometimento histórico com a causa da liberdade nos obriga a denunciar como absoluta farsa teatral este evento e, finalmente, declaramos de público nossa demissão como Delegados de UnoAmérica, bem como nossa retirada como “especialistas” do Instituto Millenium.

Heitor De Paola

Graça Salgueiro

A denúncia refere-se à suspeita de patrulhamento, ou rastreamento ou controle do meu uso da Internet, bem como do recebimento de correspondência ou encomendas via correios. No dia 6 de dezembro comprei pela Internet um livro na Colômbia, cujo preço foi alto, pago em dólar e que eu necessitava muito tê-lo para meus estudos. No site dizia que eu receberia um e-mail com a confirmação da compra mas, por via das dúvidas, salvei a finalização da compra.

Esta confirmação nunca veio, bem como o livro até princípios de janeiro. Então, diante de tanta insegurança escrevi uma mensagem para a livraria pedindo informações acerca do envio e não obtive resposta. 69 dias depois da compra feita sem receber o livro, nem resposta à minha mensagem, enviei outra mas tive o cuidado de pôr em cópia oculta um amigo meu colombiano que ficou indignado com a desatenção e prontificou-se a interceder em meu favor. Quando telefonou, ficou sabendo pelo gerente de vendas que TODAS as mensagens que enviei foram respondidas que em seguida remeteu para este amigo as cópias, onde onde constava meu e-mail corretamente.

Resolvi, então, escrever para este senhor me desculpando mas utilizando um e-mail de “reserva” cujas respostas recebi sem problemas. Ocorre que este endereço utilizado é completamente desconhecido, a ponto de sequer receber spams nele. Hoje fazem 74 dias e o livro ainda não chegou nem sei se vai chegar. A livraria me forneceu outro livro, sem custo, como pedido de desculpas pelo atropelo e este amigo vai enviar-me por outras vias. Em maio do ano passado fiz igualmente uma compra na Colômbia e só recebi os livros 47 dias depois, com o papel todo rasgado, apresentando visíveis sinais de violação de correspondência e, o mais curioso, é que levou apenas 8 dias para chegar no Brasil e todo o restante do tempo ficou retido na aduana brasileira.

Meu amigo Pedro Corzo, autor de incontáveis documentos históricos sobre a ditadura cubana, me enviou no dia 18 de janeiro sua última obra, “Cuba, La porfia de la razón”, e até hoje também continuo sem saber quando receberei.

Ao lado disso tudo, tenho recebido ultimamente em meu e-mail principal, boletins informativos do PT, sem que NUNCA tenha me inscrito para tal. Como eles conseguiram meu e-mail? Por que as mensagens enviadas da livraria colombiana não chegavam para mim, embora o endereço estivesse escrito corretamente? Quem está tentando controlar a minha vida privada? Minha correspondência eletrônica está sendo rastreada e violada, por quê e por quem? Essas são perguntas que me fiz durante algum tempo e hoje resolvi torná-las públicas, porque ao que tudo indica alguém, como no Big Brother, está “de olho” em nós, controlando nossas vidas de todas as formas possíveis, e o governo ainda nega que exista censura ou patrulhamento ideológico.

Está aí a denúncia feita e a solicitação para que entreguem meus livros, porque eles são propriedades pessoais minhas!

Comentários: G. Salgueiro

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

4 de fevereiro - Dia da Infâmia na Venezuela

4 de fevereiro é um dia de luto na Venezuela, porque nesta mesma data do ano de 1992, o psicopata assassino Hugo Rafael Chávez Frías dava início a uma tentativa de golpe para derrubar o então presidente eleito constitucionalmente Carlos Andrés Perez Jiménez.

O golpista, ele sim, golpista assassino, iniciou a rebelião mas, como todo covardão comunista, ficou escondido longe do tiroteio das balas que ceifariam 100 vidas inocentes, entre elas a de uma menininha de 9 anos, na flor da idade, e que não tinham nada a ver com sua degeneração mental com sede desmedida de poder.

Este monstro que gosta de acusar todos que são contra seu desejos criminosos de "golpistas", desde que reassumiu o poder comemora esta data como o "dia da vitória" mas todos os venezuelanos de bem, que sabem distinguir o que é um GOLPE ASSASSINO de uma defesa à vida, hoje estão de LUTO.

Somo meus lamentos, minhas preces e o luto pelas vítimas deste maldito dia aos dos venezuelanos, porque não posso tolerar tanta ignomínia, tanta barbárie insana, tanta mentira, tanta farsa, como insistem aqui no Brasil também, ao chamar os verdadeiros golpistas de 64, os terroristas hoje encastelados no poder, de "heróis" e "mártires".

Que esta data entre para a História como o "Dia da Infâmia" e que os brasileiros vejam, através deste vídeo que acabei de receber, quem é o golpista venezuelano, quem é o mega-assassino de gente inocente. Maldito seja, Hugo Rafael Chávez Frías! Que sua alma não tenha sossego nem descanso um só minuto de sua porca e ensagüentada vida, até que a Justiça Divina estenda seu longo braço salvador na Venezuela!

Comentários: G. Salgueiro

Venezuela importa assassino cubano para reprimir a oposição

Eu havia prometido na edição passada que na próxima falaria da exitosa operação realizada pela Força Aérea Colombiana em conjunto com a Aviação do Exército, na qual deram baixa a um grande número de terroristas que faziam o anel de segurança de Alfonso Cano, Comandante Supremo das FARC, dentre eles “Yaritza” ou “A Mona”, amante de Pablo Catatumbo, e hoje soube de mais uma comandante guerrilheira abatida nesta operação, Marley Yurley Quezada, cognome “La Pilosa”, amante de “El Paisa”. Entretanto, fatos novos aconteceram ontem na Venezuela, gravíssimos e que a imprensa brasileira não fala nem vai falar, por isso adio o tema das FARC para falar de novo da Venezuela.

Diante do caos generalizado e descontrolado, e das pressões – até mesmo dentro do governo – vindas de todos os lados para que renuncie (ver “Venezuelanos clamam pela renúncia de Chávez”), Chávez cedeu mais uma vez às ordens vindas desde Havana, (segundo ele, “pedido” diretamente feito por Fidel Castro), e apresentou ontem ante as câmeras de televisão a Ramiro Valdés, com estas palavras: “Está conosco à frente dessa comissão um dos heróis da revolução cubana, o comandante Ramiro Valdés” que, segundo Chávez, veio para ajudar a resolver o problema elétrico na Venezuela.

Ora, mas “quem” é Ramiro Valdés e quais as suas funções em Cuba? Antes de falar no maldito personagem, lembro que em Cuba os problemas de água e energia são constantes e quase tão velhos quanto a revolução, então, com que autoridade ou competência um país manda um seu emissário para resolver problemas em outro, quando o dele próprio sofre de uma calamidade sem solução?

Bem, para começar, “Ramirito”, como é conhecido em Cuba, não entende NADA de energia; vejamos um pouco de sua Folha Corrida:

Militar e político, um dos participantes da revolução cubana, nasceu em Artemisa, cidade de Havana, em 28 de abril de 1932. Desde 1976 ostenta o grau de “militar honorífico” de Comandante da Revolução. Desde 1959 ocupou vários cargos de relevância especial na ditadura de Fidel Castro. Foi designado como chefe militar na região central e posteriormente segundo chefe da Fortaleza de La Cabaña, até a fundação dos órgãos da Segurança do Estado dos quais foi seu chefe.

Desde a criação do Ministério do Interior, em 1961, ocupou os seguintes cargos: 1961-1968, Ministro do Interior; 1968-1972, Vice-Ministro das Forças Armadas; 1972-1976, Vice-Primeiro Ministro para o setor da construção; 1976-1994, Vice-Presidente do Conselho de Ministros; 1976-1986, Vice-Presidente do Conselho de Estado; 1979-1985, novamente ministro do Interior.

A partir de 1985 sua responsabilidade política minguou, embora seguisse ocupando o cargo de Vice-Presidente até 1994. Em 1996, é designado presidente do grupo empresarial Copextel, encarregado do desenvolvimento de importações eletrônicas e informáticas e das Comunicações. Com a ascensão de Raúl Castro ao poder, foi novamente designado no ano de 2009, a Vice-Presidente do Conselho de Ministro e meses depois a Vice-Presidente do Conselho de Estado.

Como se pôde constatar, este criminoso nunca exerceu qualquer função relacionada com a energia mas sim à repressão, aos fuzilamentos em La Cabaña, e à subversão no hemisfério, onde, segundo meu amigo Pedro Corzo, “É importante destacar que o atual Vice-Presidente do Conselho de Ministros e Vice-Presidente do Conselho de Estado em Cuba, foi o braço executor da subversão castrista no hemisfério. As incursões dos sicários da revolução cubana na Venezuela, Bolívia, Colômbia e o resto dos países do continente contaram com a assessoria de Valdés”, e aqui eu complemento que o Brasil também deve ter recebido esta assessoria, daí porque NÃO ACREDITO que esta notícia seja divulgada pelos jornais brasileiros porque a PTPol, que é comandada por José Dirceu, JAMAIS deixará vazar informação de tal monta!

Em outro trecho, destaca Pedro: “Ramiro Valdés assumiu a direção do Departamento de Investigações do Exército Rebelde (DIER), uma força policial que se especializou em reprimir brutalmente as organizações clandestinas e guerrilheiras que confrontaram o novo regime, desde o próprio ano de 1959. O “Departamento”, como ficou conhecido, foi uma espécie de embrião do que seria o Departamento de Segurança do Estado, um organismo que levou à prisão mais de meio milhão de homens e mulheres, e executou cerca de seis mil pessoas. Com exceção de Valeriano Weyler, nenhum outro indivíduo na história de Cuba foi responsável direto por tantos atos de maldade e crimes como “Ramirito”.

Estas informações fazem parte do livro “Cuba: Perfiles Del Poder”, do meu querido amigo Pedro Corzo e que, ao que me consta, só eu tenho um exemplar no Brasil, apesar de que desde que foi lançado em 2008, com o qual fui presenteada, tendo traduzi-lo para divulgar no Brasil mas nenhuma editora até hoje se mostrou interessada porque senão, como ficariam as verbas publicitárias que recebem do governo se andassem na contra-mão da ideologia do Partido-Estado?

Neste livro Pedro apresenta o histórico dos cinco principais líderes da revolução que são, respectivamente, Fidel Castro Ruz, Raúl Castro Ruz, Ramiro Valdés Menéndez, Camilo Cienfuegos e Ernesto Guevara de la Serna. O capítulo dedicado a Valdés encontra-se entre as páginas 64 e 83, mas o site “Gentiuno” da Venezuela, publicou fragmentos desse livro sobre o nefasto personagem que pode ser lido aqui.

Está claro que o objetivo desta intromissão não é encontrar a solução para os problemas energéticos, pois como demonstrei na última edição, foi o desprezo absoluto pelo investimento em manutenção que deteriorou as tubulações geradoras de água e energia. Este repressor assassino de milhares de vidas inocentes foi enviado para orientar como reprimir com “mais eficiência” aqueles que se oponham à ditadura chavista, além de controlar com mão de ferro todos os meios de comunicação como, emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, sites de inernet, redes de relacionamento como Twitter, FaceBook além de, como já ocorre em Cuba, os correios eletrônicos.

Os cubanos exilados nos Estados Unidos desde ontem estão alertando os venezuelanos, de dentro e fora da Venezuela, para ficarem em estado de alerta máximo. As organizações de venezuelanos no exterior estão convocando para manifestações em frente às embaixadas e consulados latino-americanos nos Estados Unidos, com o objetivo de entregar um comunicado solicitando aos Governos da região que apliquem a Carta Interamericana Democrática da Venezuela. Entretanto, para minha vergonha mas nenhuma surpresa, os venezuelanos residentes em Miami realizaram um protesto em frente às sedes diplomáticas do Brasil e da Espanha, pela atitude submissa e cúmplice dos chanceleres desses países, em relação ao Governo venezuelano.

O site venezuelano “Analítica.com” escreveu a respeito desta indesejada “visita”: “Já não somos Venezuela, senão Cubazuela; já se sabe que quem controla a saúde, as Forças Armadas, os cartórios de registro (de identificação) e as notarias, são funcionários cubanos. E neste artigo, a jornalista Angelica Morabeals diz que a “assessoria” de Valdés vai custar à Venezuela US$ 2,4 blihões adicionais a Cuba. Ainda neste artigo ela afirma que o ministro da Energia, Alí Rodríguez Araque trabalhará “muito estreitamente com Valdés”. Ora, para quem não sabe, Araque foi treinado em guerrilha em Cuba e saiu de lá como “comandante”, do mesmo modo que o “Comandante Daniel”, aquele brasileiro-cubano que nós conhecemos bem, daí que dá para se ter uma idéia do que realmente este assassino foi fazer na Venezuela...

E para concluir a edição de hoje, apresento dois vídeos inéditos no Brasil: o primeiro mostrando como é a violência policial em Cuba, num programa apresentado pela jornalista cubana exilada em Miami, María Elvira, chamado “María Elvira Live”, com a participação do ex-oficial da contra-inteligência cubana, Delfin Fernández, “agente Oto”, e o ex-major da Inteligência cubana, Roberto Hernández Llano. E o outro vídeo mostra os estudantes venezuelanos lutando contra a ditadura do século XXI. Observem neste vídeo mais ampliada, a foto que postei na última edição mostrando o mais novo material de repressão dos policiais e que mais se assemelha a um instrumento de tortura medieval. Assistam e comparem os dois vídeos e observem que a forma de repressão de um país e outro já são quase idênticas.

Amigos, desde 2002 que eu alerto aqui neste blog para o perigo que corríamos com essas associações de Lula com Chávez e muita gente desdenhou de mim, além de me colarem rótulos estúpidos para que me preocupasse com os problemas do meu país. Pois bem, agora até os jornais falam do perigo chavista mas, como estamos perto do carnaval, é provável que pouca gente dê atenção a esses alertas que faço mas vou continuar fazendo até que me cortem a língua ou arranquem minhas mãos para que não possa digitar e denunciar tanto crime comunista entrando por nossa porta. Insisto para que prestem muita atenção nestas denúncias de hoje e que divulguem, porque os jornais NÃO vão falar disto e o chanceler Celso Amorim também já declarou que “não vai se imiscuir nos assuntos internos da Venezuela”, certamente porque deseja isto para o Brasil também. Fiquem com Deus e até a próxima!

Traduções e comentários: G. Salgueiro


Maria Elvira Live y la Violencia Policial en la Habana

Estudiantes venezolanos contra la Dictadura del siglo XXI

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Venezuela: uma bolha prestes a estourar

A Venezuela, hoje, está funcionando assim como uma bolha, prestes a estourar. Há meses que a popularidade de Chávez vem despencando, conforme eu já havia denunciado nesta postagem, e o seu desespero já transborda além das fronteiras do país. A pressão cubana pelo golpe final se intensifica e, como não consegue agir com a rapidez que lhe é exigida, Chávez dispara para todos os lados e joga a culpa nos estudantes, na “oligarquia”, no presidente Uribe e nos “yanques”.

Com o fechamento do que restava da RCTV, os estudantes voltaram às ruas para protestar pacificamente, como sempre fizeram, e foram recebidos com mais violência ainda. Agora existe uma “arma” que mais se assemelha a um instrumento de tortura medieval, conforme pode-se ver na foto, do mesmo modo que a desproporção de ataques de três policiais contra UM único estudante.

Mas os defensores dos direitos humanos não vêem isso ou, se calhar, não acham que haja qualquer desrespeito, afinal, se é contra um “anti-revolucionário” da ditadura do camarada bolivariano, vale tudo.

E as renúncias vêm seguindo-se umas às outras como um castelo de cartas ruindo. Apesar da lealdade ao bolivarianismo chavista e de continuarem sendo tão comunistas quanto antes, essas renúncias obedecem a uma revolta em não quererem se sujeitar ao domínio cubano. Há já muitos anos que os agentes cubanos ocupam postos de comando no Estado, usurpando o legítimo direito dos venezuelanos: a primeira invasão se deu em 2002, quando para destruir a greve geral da PDVSA (com o apoio do recém-eleito Lula, que enviou um navio com gasolina para o “cumpanhêro”), o ditador Chávez demitiu 22.000 funcionários especializados e os substituiu pelos cubanos que não entendem NADA de petróleo, o que está acabando com a estatal petroleira; introduziu as malfazejas “missões”, com um contingente de mais de 20.000 agentes cubanos disfarçados de médicos, professores e técnicos desportivos; colocou como dirigentes de todas as Notarias (cartórios de registros civil e de imóveis) do país mais agentes cubanos, além de sua guarda pessoal – quase 100 escoltas, como seu amo Fidel – e da infiltração nas Forças Armadas. A esse respeito, lembro do caso dos soldados incendiados por um lança-chamas, feito por um oficial cubano que em seguida foi mandado de volta à Cuba para abafar o caso, e que o Notalatina denunciou na ocasião.

Os cubanos ainda dominam as telecomunicações, o serviço de Inteligência, a internet, e a aduana do aeroporto de Caracas. É pouco? Pois bem, no dia 25 de janeiro houve uma reunião no Fuerte Tiuna, sede do Ministério da Defesa e onde também encontra-se o escritório dos comandantes das FARC, quando Chávez resolveu comunicar que iria dar nacionalidade venezuelana a quatro coronéis cubanos, promovê-los a generais de brigada e nomeá-los como chefes de unidades de elite do Exército venezuelano. Ramón Carrizales, como Ministro da Defesa não gostou, rebelou-se mas informou aos comandantes das Forças. Estes por sua vez não admitiram de modo algum, gerando um clima ainda mais tenso que culminou com a renúncia de Carrizales. Seguiram a ele sua esposa, Yubirí Ortegay, Ministra do Ambiente, o presidente do Banco Central da Venezuela, Eugenio Vázquez, Jesse Chacón, Ministro da Ciência e Tecnologia (este por causa do envolvimento de seu irmão em escândalos bancários) e, finalmente, o ministro da Energia Elétrica, Angel Rodríguez. Todos alegaram “motivos pessoais” com exceção de Rodríguez, que não conseguiu resolver o problema dos cortes de energia e falta de água que estão à beira de colapsar, e cujo motivo vocês verão numa série de fotos que apresento no final da edição.

Nos dias seguintes, 26 e 27, esta reunião prosseguiu com os Altos Comandos militares venezuelanos para tentar resolver a crise que se instalou no seio do governo chavista, provocada por uma série de exigências por parte da Chefatura da Missão Militar cubana na Venezuela. Havana quer impor a Caracas uma agenda bem estruturada de medidas destinadas a “garantir e assegurar a estabilidade e permanência do regime bolivariano no poder”, segundo me informa uma fonte militar daquele país. Os cubanos não confiam na lealdade dos altos comandos venezuelanos, talvez por fruto de experiência própria onde todos desconfiam de todos e duvidam até da própria sombra.

Especula-se que nesse encontro, diante da oposição dos militares à rendição cubana, Chávez descontrolou-se, quebrou coisas e se feriu na mão, do mesmo modo como ocorreu na reunião sobre os resultados do referendo que ele perdeu mas não queria aceitar. Seus anéis de segurança cubanos tiraram-no de lá às pressas e o levaram para o Palácio de Miraflores. Comenta-se que houve tiros e que o Vice-Ministro de Segurança Cidadã saiu ferido numa ambulância mas os meios de comunicação não querem tocar no assunto com medo de mais represálias, como já está ocorrendo. Sem que ninguém houvesse comentado nada, à noite Chávez foi à televisão “desmentir” que tivesse se ferido mostrando apenas um band-aid no dedo.

Segundo a advogada Rocío San Miguel, especialista em temas militares, “o novo Ministro da Defesa, que foi premiado com o cargo por haver permitido nos quartéis a palavra de ordem “Pátria, Socialismo ou Morte”, está determinado a consolidar a Milícia Nacional Bolivariana, converter as FAN no braço armado da revolução e unificar a FAN remodelando seus componentes”. Em menos de um ano foram criados 150.000 “milicianos operários” nas empresas públicas, além de 20.000 patrulhas socialistas integradas por 15 trabalhadores cada, o que daria um “exército” de 300.000 chavistas armados. A intenção de Chávez é criar uma Força Multinacional da ALBA, como já estão tentando criar no MERCOSUL, conformada pelos oficiais de Cuba, Nicarágua, Bolívia e Venezuela.

No programa de domingo passado, “Alô, Presidente”, Chávez foi claríssimo em suas ameaças quando disse: “Hoje é impossível um golpe de direita na Venezuela, agora, uma rebelião de esquerda, que aprofunde as mudanças, é possível e eu poderia comandá-la, se me obrigam eu a comandaria. Não quero que siga no ritmo que estamos vindo”. Vejam no vídeo abaixo as claras ameaças à oposição:



Por todas estas coisas é que Chávez está enlouquecendo e o povo começando a ficar farto de tanta bravata sem os resultados prometidos. Antes era só o problema do abastecimento que, do mesmo modo que hoje vige em Cuba, as filas existem – e são enormes – para tudo. Desde o princípio do ano passado as coisas vêm piorando com uma insegurança desmedida, a criminalidade campeando solta e impune, os racionamentos de energia e água cujos reservatórios só dão para abastecer até abril, tudo por conta da má administração, falta de manutenção e desvio dos recursos provenientes do petróleo que hoje só servem para comprar armas, financiar ditaduras falidas e o terrorismo das FARC.

Segundo dados de “Capital Market Finance”, a PDVSA começou seu endividamento em abril de 2007; em outubro de 2009 já estava em US$ 3 bilhões e para tentar saldar essa dívida começou a emitir bônus. De abril de 2004 até o final de 2009, a dívida financeira da PDVSA alcançou a cifra de 476%. É admissível isso, quando a partir da gestão chavista o preço do barril de petróleo chegou a marcar US$ 140 e arrecadou nos 11 anos de Chávez no poder, nada menos que US$ 448.179 bilhões!

Por todas estas razões, o povo está se movimentando para pedir a renúncia de Chávez e conformou-se o Polo Constitucional, agrupamento que reúne todos os descontentes, baseados nos Artigos 333 e 350 da Constituição. Este agrupamento não é um partido político e reúne gente de todas as profissões (inclusive militares), donas de casa, empresários, trabalhadores de todas as áreas, sindicatos, agremiações estudantis. No áudio “Por que exigir a renúncia de Chávez?” Alejandro Peña Esclusa explica o que motivou pessoas tão distintas a se unirem em prol de um único objetivo: exigir a renúncia de Chávez, pois esperar pelas eleições de 2012 será suicídio, será a destruição total do país.

E quando eu estava encerrando esta edição tomei conhecimento de uma notícia muito alvissareira, de que numa operação conjunta entre a Força Aérea Colombiana e a Aviação do Exército, descobriram o acampamento de Alfonso Cano, cabeça principal das FARC, onde foi dado baixa um grande número de terroristas que faziam seu anel de segurança, inclusive a amante de “Pablo Catatumbo” (membro do Secretariado), “Yaritza” ou “A Mona”. Mas amanhã comento com mais detalhes. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro


Estas são apenas 3 amostras de uma série de 22 fotos, onde o estado de absoluta deterioração é impressionante e mostra o risco de um colapso total a que estão expostos os venezuelanos.