segunda-feira, 15 de abril de 2013

A fraude foi a grande vencedora das eleições na Venezuela

A Venezuela celebrou ontem eleições presidenciais, fraudulentas deste a data, uma vez que o pleito deveria ter sido convocado pelo menos desde janeiro deste ano, quando se anunciou a impossibilidade de Chávez voltar a governar, e em vez de Nicolás Maduro deveria estar governando até novas eleições o presidente da Assembléia, Diosdado Cabello. O CNE, órgão eminentemente chavista, fez vista grossa a essas irregularidades e ainda deu posse oficialmente a Nicolás Maduro no dia 8 de março.

Na edição do dia 4 de abril o Notalatina havia anunciado que a vitória seria de Maduro, não sem fraude, pois esta foi uma das deliberações do Foro de São Paulo (FSP) que realizou um encontro em Caracas, em edição extraordinária, no dia 1º de abril. 

Embora toda a imprensa brasileira tenha anunciado que as eleições ocorreram em um clima de “paz e tranqüilidade”, não foi isto que vi e que era denunciado freneticamente por venezuelanos via Twitter e FaceBook durante todo o dia. Denunciavam que Maduro mandou fechar as fronteiras do país para dificultar o acesso de possíveis opositores e destaco o que assisti pelo canal Globovisión: no Liceu de Montalban, onde ocorreu mais fraudes em número e em diversificação, umas senhoras denunciavam haver chegado ao local às 5 h. da manhã e já passadas as 4 da tarde ainda não haviam votado. Dnunciavam que chegou um ônibus com 100 (CEM) cubanos, com cédulas novas, para votar naquela unidade mas que não pertenciam à comunidade. Nesta mesma localidade, o site La Patilla denuncia (com fotos e um vídeo que recomendo) que motorizados armados ameaçavam as pessoas; que um cidadão que chegou com o deputado Carlos Sierra, do PSUV, foi detido pela Polícia, pois trazia consigo 40 cédulas de identidade. Que os militantes chavistas continuavam fazendo campanha abertamente - quando era expressamente proibido pelo CNE a partir do dia 10 -, e o próprio Maduro não cessou de utilizar todos os canais de rádio e televisão em seu favor. Através do Twitter, um eleitor publica foto de urnas sendo levadas pela Guarda Nacional sem ser auditadas. Também através do Twitter Henrique Capriles denunciava: “Exigimos à reitora Tibisay Lucena o encerramento total das mesas de votação, estão tratando de votar com mesas encerradas. Fazer RT!”.

E como se fraudou, finalmente, as eleições? No dia 10 de abril, a ex-juíza eleitoral Ana Mercedes Díaz, que trabalhou no CNE por 25 anos, denunciou no programa de Jaime Bayly que as fraudes vêm ocorrendo desde o ano de 2004 e nunca mais pararam. Dentre uma das maneiras de se fraudar está na tinta utilizada para captar a impressão digital, que deveria ser indelével mas não é, onde pode-se apagar a digital impressa no papelete quantas vezes se deseje e no lugar ir colocando outras. Esta falha na qualidade da tinta foi também uma das incontáveis denúncias feitas pelos eleitores no Twitter ontem à tarde e parte da noite. A entrevista da Drª Ana Mercedes foi publicada em dois vídeos que podem ser vistos aqui e aqui, mas não deixem de ver, se quiserem compreender porquê há anos se denuncia o cometimento de fraude eleitoral na Venezuela.

O CNE tardou demais em apresentar os resultados e as expectativas eram imensas. O comando de Capriles estava seguro, pois tinha cópia das atas, que a vitória era do seu candidato. Em anos anteriores parece que a MUD (Mesa de Unidade Nacional) não teve fiscais em todas as mesas do país mas este ano sim, daí que puderam ter cópia de todas as atas. E o resultado dava Henrique Capriles com um vitória colossal, conforme pode-se ver no gráfico e na relação por estados abaixo. E enquanto aguardávamos, recebi essa informação que foi divulgada pelo Twitter, de alguém que trabalha no CNE:

“Com 95% de atas escrutinadas: Capriles 7.800M, Maduro 6.400M. Sou membro do CNE
Passa urgente para que se vejam de mãos atadas”.




E já passava da meia-noite quando finalmente os reitores do CNE resolveram apresentar os resultados, quando, segundo informação desse órgão, já se havia apurado 99,12% dos votos e àquela altura se poderia afirmar que o resultado era irreversível. Segundo Tibisay Lucena, com 78% de participação, Maduro alcançou 7.505.403 votos, com 50,66%, e Capriles 7.270.403 votos e 49,07%

Hoje pela manhã recebi outra informação grave que traduzo literalmente, de pessoa que trabalha no CNE e por motivos óbvios não pode se identificar: 

“Amiga, tremendo porre por aqui. Só Vicente (o único dos cinco reitores não-chavista G.S.) dá a cara. Já baixaram a diferença para 100 mil votos e ainda faltam os do exterior, esses não chegaram. Era mentira o que disseram. Difunde por favor para que as pessoas saibam da verdade e possamos mover as massas.
Querem proclamar Nicolás hoje mesmo à tarde.
No fiquemos calados! AGORA OU NUNCA!”.

Quer dizer, demoraram a anunciar os resultados porque estavam vendo de que maneira poderiam arranjar as coisas e anunciar o resultado determinado pelo Foro de São Paulo e pela ditadura cubana, mesmo sabendo que, além de mentir nos números que tinham em mãos, ainda faltavam os votos do exterior e que me foi informado que nos Estados Unidos, onde vivem mais de 9.000 famílias exiladas, a vitória foi de Capriles.

Tão logo Tibisay anunciou a farsa, Maduro fez um discurso histérico e desconexo desde o Palácio de Miraflores. Dalí ele gritava cheio de ódio contra a oposição, colocando no final de seus grunhidos o Hino Nacional cantado por Chávez. Capriles demorou a se pronunciar mas quando o fez, foi corajoso e preciso. Se em outubro de 2012 ele tivesse tomado a atitude de ontem, a Venezuela hoje não estaria passando por tudo isto de novo e talvez, a esta altura, Chávez e seu legado, sobretudo os agentes cubanos, fossem apenas partes de uma história nefasta, de um pesadelo maligno que durou 14 anos e foi parar no rol do esquecimento. 

Em seu discurso calmo e comedido Capriles dirigiu um alerta a Maduro que resume tudo: “Se você antes era  ilegítimo, agora está mais carregado de ilegitimidade”. No vídeo que apresento abaixo, de parte do seu discurso, Capriles disse que não vai aceitar os resultados apresentados pelo CNE e que exige uma auditoria com cada uma das urnas, 100% dos votos. Denunciou ainda que o resultado apresentado pelo CNE está baseado em 3.200 “incidências” e que quer que se conte voto por voto. Sobre o pedido de auditoria, José Miguel Insulza, Secretário Geral da OEA, afirmou que “respaldava” a iniciativa e que colocaria à disposição da Venezuela uma equipe de experts da OEA, “de reconhecido prestígio e longa experiência nesta matéria”. Apesar desse apoio, temo pelo que vão fazer tais “experts”, pois eles sempre avalizaram as fraudes cometidas por Chávez ao longo de mais de 10 anos, uma vez que a única eleição que lhe deu uma vitória “limpa”, foi a primeira, em 1998.

E hoje Capriles voltou a se pronunciar diante de seus leitores e pediu às autoridades eleitorais que suspendam a proclamação de Maduro até que se faça a re-contagem dos votos. A Maduro ele disse através de uma conferência de imprensa: “Se você vai e corre hoje covardemente a se proclamar, você é um presidente ‘ilegítimo e espúrio’”. Em seguida, dirigindo-se a seus eleitores, conclamou a um panelaço, caso o CNE desrespeite a solicitação de auditoria e dê posse a Maduro antes de se concluir a re-contagem. E concluiu dizendo: “Queremos um panelaço que se ouça no mundo inteiro para fazer sentir nossa indignação porque não se quer dar a conhecer a verdade expressada nas urnas no dia de ontem”. Vejam no vídeo abaixo.

Tenho fé que desta vez os venezuelanos, vendo a coragem e a força moral apresentada por Capriles agora, não deixem que a ditadura cubana e o FSP decidam seus destinos. Que vão às ruas fazer o panelaço, que façam muito barulho para que o mundo inteira conheça que Chávez implantou uma ditadura violenta na Venezuela e que o povo não agüenta nem aceita mais. Que Deus abençoe a Venezuela e seu “bravo povo”, que a paz, a democracia, a liberdade e a prosperidade possam voltar àquela terra de gente tão querida. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro


 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Santos faz passeata em apoio às FARC

Opositores à marcha pró-FARC providenciaram uma enorme faixa denunciando Santos, posta estrategicamente no Capitólio, sede do parlamento 

Na edição passada o Notalatina denunciou que o Grupo de Trabalho (GT) do Foro de São Paulo (FSP) havia se encontrado em meados de março no México, para agendar as ações a serem seguidas por todos os países-membros em relação às eleições presidenciais na Venezuela, além de manifestações em memória de Chávez. Mas não foi apenas isso. Ontem eles se encontraram em Bogotá, no luxuoso Hotel Tequendama (procurem no Google. Comunistas adoram os luxos do capitalismo!), para apoiar a eleição do agente cubano Nicolás Maduro no próximo domingo (14) e a marcha em favor das FARC que ocorreu hoje na Colômbia.

A marcha foi convocada por Santos porque ele pretendia mostrar ao mundo que os colombianos o apóiam e apóiam esta patifaria que não pretende devolver a paz ao país posto que, para as FARC, só haverá paz quando ELES estiverem no poder - e poder total -, e a Colômbia for um país comunista a mais, fechando o círculo vermelho dentro do continente. Tudo isso está descrito no seu Plano Estratégico que Santos conhece mas finge não saber da existência. O ex-presidente Uribe sempre rechaçou e conhece bem o FSP mas Santos aderiu a ele prazerosamente desde que tomou posse e declarou Chávez seu “mais novo melhor amigo”. 

Essa marcha foi, na verdade, convocada pelas FARC através de seu “braço político”, a chamada “Marcha Patriótica”, que é coordenada pela embaixadora das FARC, a ex-senadora Piedad Córdoba, vulgo “Teodora de Bolívar”. Hoje o ministro da Defesa declarou que parte do financiamento dessa manifestação veio do dinheiro sujo do narco-tráfico das FARC, entretanto, Juan Manuel Santos em seu delírio psicótico não se ruborizou nem teve o mínimo respeito ao levar para a manifestação soldados mutilados e em cadeiras de rodas, vítimas desses terroristas. Este ser infeliz desconhece o que é dignidade, respeito ou honra porque a única coisa que lhe interessa é a re-eleição, e em caso de não conseguir, o Prêmio Nobel da Paz ou o cargo de Secretário Geral da OEA, conforme analisa brilhantemente o Coronel Villamarín neste artigo. Na foto abaixo vê-se no semblante do soldado o constrangimento de estar ali numa marcha promovida por e para seus algozes, enquanto Santos finge solidariedade empurrando-lhe a cadeira de rodas.

Santos empurra a cadeira de rodas de soldado mutilado pelas FARC, levado à marcha em apoio aos seus verdugos, numa afronta à sua dignidade.
A mídia nacional e internacional divulgou fotos mostrando um mar de gente que acudiu à marcha, entretanto, o que ninguém revela é “quem” e “como” participou. Os colombianos de bem desejam a paz, como qualquer pessoa normal que não agüenta mais ver tanto sangue inocente derramado, mas não uma paz com impunidade, não uma paz que premie os incontáveis e atrozes crimes e atos de terrorismo com o perdão e anistia para os bandidos das FARC não compareceram. Pessoas que foram observar para registrar, ou que trabalhavam próximo à Praça de Bolívar onde culminou a concentração, afirmaram que foram contratados 400 ônibus para deslocar indígenas e camponeses até Bogotá, que receberam o equivalente a R$ 100,00 mais alimentação. Além disso, conforme mostra a foto abaixo, veio uma delegação chavista da Venezuela para fazer propaganda política para Maduro e apoiar as FARC, seus parceiros. 

Delegação chavista venezuelana faz propaganda política para Maduro na marcha das FARC

O que mais se viu na “marcha para a paz” foi bandeiras de países ou movimentos comunistas, que nunca foram promotores da paz em lugar nenhum onde existem. Segundo o Semanário Voz, órgão do partido Comunista Colombiano e criador das FARC, foi designada uma “importante delegação de partidos de esquerda para acompanhar a marcha pela paz”, decisão tomada no encontro do GT-FSP no México.

Que fazem bandeiras comunistas e terroristas em marcha "pela paz"?

O mais insólito deste evento foi que o terrorista prefeito de Bogotá, Gustavo Petro e o próprio presidente Santos, deram o dia de hoje como feriado para obrigar todos os funcionários públicos a participar da marcha, sob pena de perder o emprego. Isto me lembrou dos eventos em Havana, em que Fidel Castro fazia concentrações na Praça da Revolução, e que toda a população era obrigada a participar sob pena de retaliações contra seus filhos ou prisão. Foram essas as pessoas que participaram da marcha, forçadas ou compradas, nada comparável à estupenda marcha contra as FARC ocorrida em 4 de fevereiro de 2008. 

E por que a mídia não denuncia isto e finge que foi um espetáculo de civismo e apoio ao nati-morto “processo de paz”? Segundo me comentou um distinto amigo colombiano, as empresas colombianas se debilitaram muito com o governo Santos e já não dispõem de tantos recursos para investir em publicidade, então, recorrem às propagandas governamentais. Todos os ministérios têm propagandas na mídia de maneira que elas estão com o rabo preso com o governo. Se contam o que de fato está acontecendo no país, e nesse caso específico da marcha, a retaliação não se faz esperar: cortes de verba, intervenção, processos e demissões de jornalistas mais ousados e/ou uribistas, como ocorreu há não muito tempo com José Obdulio Gaviria, William Calderón e o ex-vice-presidente Francisco Santos que, apesar de ser primo de Juan Manuel, é seu frontal, corajoso e declarado  opositor.

No último fim de semana ocorreu mais um cessar fogo militar, para que se pudesse transportar mais dois terroristas a Havana. Alguém informou ao ex-presidente Uribe que denunciou o fato em sua conta de Twitter, dando o local com as coordenadas onde ia se dar o traslado. Isso provocou a ira do governo que afirmou tratar-se de “risco à segurança nacional”, quer dizer, há que se proteger - e sigilosamente - a vida de um terrorista, mesmo que para tal se deixe parte do país a mercê dos ataques das FARC por dois dias. O comandante das Forças Militares, general Alejandro Navas, disse que ia abrir um inquérito para averiguar de onde saiu a informação e os partidários de Santos querem processá-lo por “traição à Pátria”. É uma total inversão de valores!


Há seis meses as FARC estão nessa farsa de “negociações de paz” com o governo sem que a sociedade saiba, até hoje, em que pontos se avançou, embora Santos insista em que vão “por bom caminho”. O que todos têm visto é que os terroristas mentem e vão continuar mentindo porque é do seu mister, e até que consigam dobrar Santos totalmente. O governo dos Estados Unidos denunciou que, como era de se esperar e aconteceu nas outras tentativas, nesse período de negociações as FARC compraram à rede Al-Qaeda mísseis terra-ar, conforme pode-se comprovar neste vídeo aqui.


Mas, enquanto isso, as FARC continuam manipulando o país e o mundo com esta farsa, chegando mesmo a gravar um vídeo conclamando a população a participar da marcha, que o desejo “sincero” deles é o fim do “conflito armado”, num discurso totalmente dissociado da realidade de seus atos hediondos. Vejam o que diz o mais novo integrante do grupo de negociadores, “Pablo Catatumbo”, um dos membros do Comando Central:





Durante o governo do ex-presidente Uribe, com seu magnífico plano de Segurança Democrática, as FARC se esconderam e negavam participar de organizações às quais pertencem e têm direito a voz e voto, como o Foro de São Paulo. Agora, com o protagonismo internacional que Santos lhes proporcionou, elas não mais temem ser citadas publicamente com pronunciamentos feitos nesse foros. No XVII Seminário Internacional do Partido do Trabalho do México, que também é membro do FSP, a delegação das FARC enviou uma mensagem onde, entre outras coisas, pedem o fim das Forças Armadas e declaram, sem meias palavras, que seu objetivo é a sociedade comunista. Dizem eles: Os ares bolivarianos que percorrem nosso continente, unidos ao ressurgimento da resistência nacional, depois dos horrores do terrorismo de Estado, que ainda não acabou de açoitar nossa pátria, permitem-nos pensar que é possível dobrar o militarismo assentado na Colômbia e guiado desde a Casa Branca e conseguir uma saída incruenta ao conflito social e armado de mais de 60 anos”. E mais adiante: Consideramos inadiável a construção de novo poder, de democracia popular, não é pleonasmo, encaminhada para o socialismo como passo inicial à sociedade comunista.

Mais claro, impossível! E mesmo tendo conhecimento de tudo isso, Santos, em seu psicótico egocentrismo, defende e vende o país a um bando narco-terrorista que há malditos 60 anos ensangüenta o país com seus atos hediondos. Isto não tem perdão! Não há palavras adequadas que possam descrever fielmente o mal que este traidor apátrida está cometendo contra seu próprio povo e país, mas a história o julgará como o mais infame, o mais degenerado, o mais desumano de todos os colombianos. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O Foro de São Paulo e a ingerência nas eleições presidenciais latino-americanas

O Foro de São Paulo e a ingerência nas eleições presidenciais latino-americanas

Walter Pomar, Secretário Executivo do Foro de São Paulo, preside reunião do Grupo de Trabalho para apoiar candidatura de Maduro como "herdeiro" de Chávez

Enquanto o mundo cristão realizava as celebrações da Semana Santa e Páscoa, o Grupo de Trabalho (GT) do Foro de São Paulo (FSP) organizava um encontro extraordinário para o dia 1º de abril, considerando que poucos dias depois faria um mês de declarada oficialmente a morte de Chávez. No início do mês de março de 2013, o Comitê Executivo do FSP reuniu-se no México onde ficou acordado que nos dias 25 e 26 daquele mês convocariam um encontro mundial de intelectuais, escritores, poetas e artistas em Caracas para homenagear Chávez. Foi no México também onde se decidiu que o XIX Encontro anual do FSP será dedicado a Chávez e ao apoio a Nicolás Maduro na eleição presidencial. 

Durante esse encontro no México, o presidente do Parlatino (Parlamento Latino-americano) e também presidente do PSUV, o venezuelano Rodrigo Cabezas, lembrou que o discurso de encerramento do XVIII do FSP, realizado em Caracas por Chávez, foi marcante. Foi naquele encontro que, sabendo que não teria condições de concorrer às eleições pelo seu já deteriorado estado de saúde, Chávez decidiu com os ditadores Castro que iria se candidatar e que Maduro seria seu sucessor. Para Cabezas, o discurso final de Chávez “marcou o Foro e também a Revolução Bolivariana, constituiu um exemplo então e mais agora que estamos frente a um processo que transborda as nações, pertence a um continente em constante mudança e transformação”. E acrescentou: “Por isso o Foro de Caracas é considerado pela esquerda como um ‘antes e um depois’, um renascer das forças de esquerda”.

O GT do FSP reúne-se quatro vezes ao ano, trimestralmente, onde são discutidos os pontos a ser abordados no próximo encontro anual, e dele participam apenas os delegados de alguns países-membros, em média de 12 a 15. Desta vez, entretanto, a reunião foi extraordinária e contou com a participação de delegados de 27 organizações, movimentos e partidos políticos comunistas de 18 nações da região porque eles tinham pressa em organizar o apoio à candidatura de Maduro e, aproveitando-se da imagem ainda fresca de Chávez, prestar-lhe homenagens que não passam de puro jogo de marketing. Daí tantos delegados, daí a urgência do encontro que violou os regulamentos do CNE, uma vez que as campanhas eleitorais foram autorizadas a começar no dia 2 de abril e o encontro deu-se no dia 1º.

Como parte das atividades deste evento, constou a aposição de uma placa no Quartel da Montanha - onde se encontra o esquife de Chávez - com a seguinte inscrição: “Hugo Chávez Frías, venezuelano, latino-americano e caribenho, líder da Revolução Bolivariana, porta-voz da unidade e da integração de Nossa América, íntimo irmão dos povos do mundo, socialista do século XXI”. A esse respeito, Walter Pomar (PT), Secretário Executivo do FSP, declarou que defende o legado integracionista de Chávez e que, para a continuação desse legado é fundamental que “Nicolás Maduro seja eleito presidente da Venezuela, assim como Dilma na eleição do próximo ano no Brasil, que o bloco kirchnerista continue governando na Argentina, que Evo Morales, Rafael Correa e Daniel Ortega sejam re-eleitos, porque são eles que mantêm a fortaleza do processo de integração”.

O GT do FSP aprovou a Declaração de Caracas (ainda não foi publicada, só citada) na qual “a esquerda socialista, nacionalista, progressista e revolucionária da América Latina e do Caribe declara o comandante Hugo Chávez herói da região”. Lula também foi convidado mas não compareceu, enviando um vídeo do mesmo modo como fez no XVIII Encontro ocorrido em Caracas, respaldando seu apoio à candidatura de Chávez. Mesmo alegando que não queria interferir nos assuntos internos da Venezuela, Lula não se ruboriza em fazer exatamente o que nega com palavras. Dentre outras coisas, disse ele: “Não quero interferir em assuntos internos da Venezuela, mas não posso deixar de dar meu testemunho sincero. Maduro presidente, é a Venezuela que Chávez sonhou”. Do mesmo modo como sempre fez no Brasil, Lula cuspiu nas leis eleitorais venezuelanas, meteu-se em assunto que não é de sua alçada e descaradamente fez campanha para Maduro. Vejam no vídeo abaixo:


 


Outra das deliberações desse encontro é a realização de atos em memória de Chávez no dia 5 de abril, quando se comemora um mês do seu anunciado falecimento, e apoio a Maduro em toda a América Latina e ao redor do mundo. Segundo informa o site do PT, “a mesma articulação política que reuniu organizações e personalidades no comitê “Brasil está com Chávez” retoma o trabalho para apoiar a candidatura de Maduro”. Me soa como uma afronta que se use o nome do país, que envolve todos os cidadãos, numa campanha onde apenas os partidários desta ideologia assassina apóiam os atos totalitários de regimes como os de Cuba, Coréia do Norte e da mesma Venezuela. Isto demonstra cabalmente que o PT é um Partido-Estado autoritário, onde o pensamento e as determinações deles são leis que não podem ser desacatadas. Esta gente não me representa, nem pode falar ou apoiar um terrorista usurpador em meu nome!

Este evento do dia 5 de abril é organizado pelo “Comitê de Campanha Brasil com Chávez está com Maduro” e é apoiado por: Foro de São Paulo, ALBA Movimentos, PT, PCdoB, PSOL, MST, CEBRAPAZ, Levante Popular da Juventude (aquele que agrediu velhos militares e pixou muros e calçadas de suas casas) e Consulta Popular. Neste encontro ilegal e extraordinário também se elaborou o programa do XIX Encontro que vai ser em São Paulo, entre 29 de julho e 4 de agosto cuja programação pode-se ver aqui.

Na edição do Notalatina do dia 25 de março, eu publiquei uma nota em que se denunciava que Nicolás Maduro não era venezuelano e sim colombiano de Cúcuta, mas deixei claro que não havia confirmação da veracidade de tal denúncia. Ontem o Canal RCN publicou uma reportagem provando que a mãe dele de fato é natural desta cidade colombiana, conforme eu havia publicado. Nesta reportagem há um vídeo onde se mostra a cédula eleitoral da senhora Teresa de Jesús Moros de Maduro, a qual não foi dado baixa, indicando que ela está viva com a idade de 83 anos. Entretanto, como não votou nas últimas eleições, o repórter concluiu, muito apressadamente e sem qualquer prova, que ela “não vive mais na Colômbia”. Ora, ela pode não ter ido votar por causa da idade avançada ou outro motivo qualquer! E o que mais chama a atenção é que, sendo os pais colombianos - dele não se tem notícia, apenas que estudou em Ocaña, Norte de Santander - como Nicolás Maduro é venezuelano? Onde vivem hoje os pais dele, alguém tem notícia? Ao que tudo indica, estamos diante de outro caso de falsidade - ou mistério - sobre a nacionalidade de um candidato à Presidência da República e que, como no caso Obama, ninguém se atreve a investigar e denunciar aos órgãos competentes porque todos os três poderes venezuelanos foram seqüestrados pelo chavismo que farão vistas grossas a esse possível crime.

Outro fato gravíssimo que os conspiradores do Foro de São Paulo não deixam o povo saber, para poder continuar cultuando esse pseudo-herói e usando sua imagem em benefício de seu falso sucessor, é que no dia 17 de outubro de 2012, depois de se submeter a exames em Havana e ser informado de que lhe restavam uns 60 dias de vida, Chávez transportou 13 toneladas de ouro das reservas do Banco Central venezuelano que foram transportados em um avião russo, que partiu do aeroporto de La Calota às 6 horas da manhã do dia 20 de outubro até o aeroporto de Rancho Boyero em Cuba. Além disso, ele tirou das reservas internacionais 20 bilhões de dólares americanos que foram depositadas no Banco Central de Cuba. Daí que as reservas da Venezuela dispõem de apenas 1.200 milhões e por isso as restrições de divisas para importar necessidades básicas como alimentos, medicamentos, reagentes para laboratórios e equipamentos médicos, gerando uma grave situação alimentar, provocando um desabastecimento severo no país, como temos visto a corrida por frango, farinha de trigo e de milho, papel higiênico, etc., e ameaça eclodir uma situação calamitosa de vastas proporções no país nos próximos meses.

É necessário que se conheça os planos do Foro de São Paulo para a Venezuela e todo o nosso continente, apoiando ditadores larápios que usurpam não só as funções dos três poderes, como as riquezas das nações como se fossem bens pessoais. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro

sábado, 30 de março de 2013

Mensagem de Páscoa



O Notalatina traz em sua edição de hoje, os votos de uma Santa, Luminosa e Abençoada Páscoa de Cristo a todos, com uma mensagem singela mas cheia de significado sobre esta festa máxima para nós Cristãos: a Ressurreição de Cristo nosso Deus.

No vídeo abaixo, apresento um hino que sempre me encantou porque ele reflete a alegria desse momento que deve ser festejado com júbilo e gratidão. O coral da igreja de São Barnabé, da Igreja Católica Ortodoxa de Costa Mesa-CA, canta o belo tropário “O Anjo exclamou”, que é a saudação que o Anjo fez à Santíssima Virgem Maria para anunciar que Cristo já havia ressuscitado e que isto era motivo de júbilo. E é isso que desejo a todos: rejubilemos de alegria, e louvemos a Cristo nosso Deus que deu Sua vida por nós.

Cristo ressuscitou! Em verdade ressuscitou!


O Anjo exclamou à Cheia de Graça: 
Virgem pura, rejubila!
De novo digo, rejubila! Teu Filho ressuscitou do túmulo ao terceiro dia.
Resplandece, resplandece, oh! nova Jerusalém,
pois a glória do Senhor brilhou sobre ti.
Exulta agora e alegra-te Sião!
E Tu oh! Mãe de Deus, toda pura,
rejubila na Ressurreição do Teu Filho!


The Angel cried to the Lady full of grace: 
Rejoice, rejoice O pure Virgin!
Again, I say rejoice! Your son is risen
from his three days in the tomb.
With himself he has raised all the dead.
Rejoice, rejoice O ye people"
Shine, Shine! Shine O new Jerusalem
The Glory of the Lord has shown on you
Exult now, exult and be glad O Sion. 
Be radiant, O Theotokos, in the Resurrection
the Resurrection of your Son.

Comentários: G. Salgueiro

segunda-feira, 25 de março de 2013

Como agente cubano, Maduro ousa fazer o que nem Chávez se atreveu

A estrela dourada criada por Fidel Castro para usar no boné, agora reluz na lapela de Maduro, o seu "ungido" desde sempre

Faltando menos de um mês para as eleições presidenciais na Venezuela, o Notalatina volta ao tema já abordado nas duas edições anteriores porque cada vez com maior ousadia, Nicolás Maduro já não esconde sua filiação à ilha caribenha e aos ditadores Castro. Sua tática é usar o nome do falecido ditador Chávez 200 vezes por dia, chegando à absurda soma de 3.456 vezes em apenas 16 dias de campanha. Utilizando a técnica da Programação Neuro-Lingüística (PNL) que atinge as pessoas mais humildes e ignorantes que, beneficiadas pela quantidade de esmolas vindas do Governo viam em Chávez um benfeitor, um pai adorado, sem se dar conta de que em troca se tornavam seus escravos, Maduro vai inoculando no imaginário popular a idéia de que nada mudou e Chávez estará “em espírito” guiando a nação. E enquanto vão sofrendo uma brutal lavagem cerebral, Maduro vai pondo em prática os ensinamentos de agitação de massas que recebeu em Havana na década de 80.

Maduro procura fundir Chávez e ele mesmo a Cuba. Nas fotos que ilustram esta edição de hoje pode-se vê-lo usando camisas estilo guayabera com um toque militar como Raúl e Fidel Castro, além da estrela dourada criada por Fidel para uso no boné e na lapela. Como se isto não fosse pouco, o Hino Nacional de Cuba foi tocado em cadeia de rádio e televisão como agradecimento à missão Bairro Adentro que, num convênio firmado entre Chávez e Fidel através da ALBA, mantém até o momento 32.000 médicos cubanos na Venezuela e 14.243 médicos venezuelanos formados em Cuba em 6 anos, em troca do petróleo. Sabe-se, entretanto, que tanto os médicos cubanos quanto os venezuelanos formados em Cuba, recebem mais da metade do curso em formação política na doutrinação marxista-leninista, que devem pôr em prática nas visitas domiciliares dos bairros de periferia pois a massas são os idiotas úteis que lhes garantem o poder. Vale a pena também conhecer o novo juramento desses novos médicos que, diferente do resto do mundo, não fazem o juramento de Hipócrates mas sim, juram por Chávez e pela manutenção da revolução:

“Compatriotas, doutores integrais comunitários, vocês juram diante da memória e do exemplo do Comandante Hugo Chávez... não dar descanso a seus braços e repouso às suas almas no cumprimento da tarefa sagrada de se dedicar por inteiro à luta pela saúde integral da comunidade, da saúde preventiva, com mística revolucionária e socialista para construir a pátria nova e grande? Se assim for, que Deus os abençoe e proteja. Hoje, em nome da República e da Constituição, os declaramos médicos da pátria de Bolívar. Vão pelos caminhos cumprir seu juramento, que é da alma pura, da verdade, da juventude que se formou em valores”. Quer dizer, esses “médicos” juram ser revolucionários comunistas, e não salvar vidas.


Como Fidel e Raúl Castro, Maduro agora usa uma guayabera com detalhes militares mas na cor marrom. Seria uma alusão ao uniforme caqui das SS hitleristas, já que ele faz uma saudação igual? Vejam em edições anteriores. (Foto no Palácio de Miraflores da Reuters)

Na edição passada o Notalatina publicou a primeira parte da entrevista concedida por “Hernando” ex-agente de inteligência do Departamento América, órgão pertencente ao Ministério de Interiores (MININT), onde ele fala sobre o passado de Maduro e por quê ele é o ungido da ditadura cubana. Nesta edição de hoje apresentamos as duas partes restantes. No vídeo 2, “Hernando” esclarece que quando Fidel Castro resolveu apoiar Chávez foi porque as coisas assim se apresentaram na Venezuela. Chávez já era presidente e a oportunidade não podia ser desperdiçada. Agora que Chávez já não existe mais, o caminho ficou livre para emplacar Maduro, o verdadeiro eleito e preparado pelos Castro. Uma revelação bombástica que ele faz nesse vídeo é que Maduro é a pessoa que tem mais aproximação com as FARC, o ELN e TODA e extrema-esquerda latino-americana porque os conheceu em Havana. Vejam abaixo:





No vídeo 3 ele conta que quando ainda o mundo não conhecia Maduro, em Cuba ele andava com oficiais da Inteligência porque a ditadura necessitava dele para treinamento no exterior. Diz ainda que dentro do chavismo, e inclusive nas Forças Armadas, todos sabiam que Maduro era inamovível e que seria o substituto nato de Chávez, daí que não foi surpresa sua nomeação e falsas as acusações de intrigas entre ele e Diosdado Cabello. Este vídeo é IMPORTANTÍSSIMO e INSISTO que assistam para saber como age a ditadura castrista no mundo, pois o que este ex-agente fala diz respeito a nós também, uma vez que o governo brasileiro tem laços estreitíssimos com Cuba, há agentes treinados dentro do nosso país, na embaixada, nas universidades, e espalhados por lugares do nosso território onde sequer imaginamos. 


    


Nesse vídeo ele também deixa claro que a oposição NÃO VAI VENCER AS ELEIÇÕES, porque havia muita coisa a fazer para “depurar” mas, com o curto prazo de um mês e desconhecimento de como é o processo, a Mesa de Unidade Nacional (MUD) não tem a menor chance de vencer. E lembro uma coisa que Olavo de Carvalho sempre afirmou com relação ao PT mas que serve também para a Venezuela, pois todos pertencem ao Foro de São Paulo (FSP), é que estes, uma vez chegando ao poder, não iriam mais sair porque não são partidos políticos comuns como os demais, mais organizações, com metas, projetos e estratégias bem elaboradas não para “vencer eleições” mas para tomar o poder. E comunistas quando traçam suas metas não têm pressa. Há projetos que aguardam mais de 30 anos para mostrar seus resultados, como o próprio FSP, e agora com a chegada do agente cubano Nicolás Maduro na Venezuela. Eles são organizados e pacientes, uma lição que deveria nos servir para algo.

Agora, desde janeiro tem circulado uma notícia pelas redes sociais e que, como continua circulando, resolvi publicá-la apenas como registro pois não tenho nenhuma comprovação de sua veracidade. Diz-se que Maduro não é venezuelano e sim colombiano, e insistem para que a MUD intime o CNE a solicitar a certidão de nascimento original dele, que seja examinada por peritos e, em caso dele não apresentar (ou fazer como Obama), que se solicite os bons ofícios da Chancelaria Colombiana para investigar a informação. Fizemos na ocasião uma busca pelo Google e lá aparece sempre Caracas como seu local de nascimento, entretanto, leiam o que diz a nota que está circulando: 

“Sabiam por que quando nomearam Maduro como presidente nunca mostraram onde nasceu, nem a seus pais? Por que? Porque resulta que Maduro não é venezuelano, é colombiano. Nascido em Cúcuta, Estado no Norte de Santander, no bairro Carora. Sua mãe colombiana ainda vive no mesmo bairro, sua casa está em muito mal estado e o senhor Maduro tem pena de falar de sua mãe. Seu pai morreu, era de Aruba. Estudou até o 6º grau, esteve em maus passos, desde muito pequeno trabalhou como cobrador de ônibus de fronteiras. Esteve preso na Colômbia e aos 18 anos fugiu sem documentos para Caracas. Conheceu Chávez na prisão que o nacionalizou, lhe deu o título de bacharel (equivalente ao 2º grau) e o colocou no metrô - onde desfalcou a caixa de poupança dos trabalhadores. Que tal?”.

Bem, creio que como isto está ganhando muita força e difusão, e citam até o bairro onde mora a suposta mãe de Maduro, a oposição tem a obrigação de investigar e cobrar do CNE que cumpra com o seu papel. Por hoje é só. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro

terça-feira, 19 de março de 2013

Maduro foi forjado pelo Departamento América de Cuba

Na última edição do Notalatina eu havia informado que o usurpador “presidente encarregado” da Venezuela, Nicolás Maduro, havia feito curso de guerrilha (treinamento político-militar) em Havana, tendo como seu tutor o “Comandante” Ramiro Valdés. Um dos cinco líderes da Revolução Cubana, Valdés foi trazido por Chávez à Venezuela para controlar os serviços de comunicação daquele país, quer dizer, espionar e controlar TUDO o que os venezuelanos falavam ao telefone ou pela internet. Sobre este assassino contumaz, fiz uma edição que vale a pena ler de novo aqui.

E por que estou relembrando esses fatos? Por acabo de receber a confirmação de que Maduro era, desde sempre, o “ungido” dos assassinos ditadores Castro para substituir Chávez, conforme sempre afirmei. E quem informa é alguém que o conhece desde a década dos 80, quando Maduro fez seu curso e treinamento através do Departamento América (DA), que é um departamento especializado em expandir a subversão com as idéias nefastas do socialismo pelo continente ibero-americano.

Assistam nesse vídeo o que diz “Hernando”, pseudônimo usado por um ex-analista de informação dos serviços de inteligência de Cuba, que trabalhou durante 18 anos no DA e depois escapou da ilha onde vive hoje com outra identidade.

Quando eu alertei sobre a vitória garantida de Maduro nas próximas eleições não estava me referindo apenas às já conhecidas fraudes eleitorais, mas também à posição e respaldo que Maduro tem com os Castro. Se Henrique Capriles não denunciar a montanha de irregularidades cometidas nos três poderes venezuelanos, não exigir a substituição de Tibisay Lucena da presidência do CNE (Conselho Nacional Eleitora) e não fizer todas essas denúncias através de órgãos internacionais que possam DE FATO dar apoio e exigir mudanças radicais na Venezuela, os venezuelanos podem começar a se preparar para viver dias piores do que os sofridos nas mãos de Chávez. Fiquem com Deus e até a próxima!



Comentários e traduções: G. Salgueiro

segunda-feira, 11 de março de 2013

Cuba transforma a Venezuela num condomínio fechado

Gloria al Bravo Pueblo que el yugo lanzó,
la ley respetando la virtud y honor.
¡Abajo cadenas! ¡Abajo cadenas! Gritaba el Señor
y el pobre en su choza libertad pidió
(...) A este santo nombre tembla de pavor
el vil egoísmo que otra vez triunfó!

"Heil, Chávez!" Consolida-se o culto à personalidade que transforma a Venezuela em um condomínio fechado onde só cabem os tiranos cubanos e seus eleitos
Assim começa e é o refrão do belo Hino Nacional da Venezuela, entretanto, desde as eleições daquele 7 de outubro de 2012, quando elegeram fraudulentamente Hugo Chávez como presidente, que ando à cata desse “bravo povo” que se deixou enganar e manipular pela traição de Henrique Capriles, que se calou sobre o crime constitucional da “continuidade do mandato” em 10 de janeiro último, e que permitiu - e referendou com seu silêncio - a usurpação de Nicolás Maduro como vice-presidente, presidente “encarregado” (que não é a mesma coisa de presidente interino) e agora candidato presidencial “por decreto testamentário do falecido”, segundo apresentou a presidente da Argentina Cristina Kirchner.

Não sei quantas pessoas assistiram à juramentação de Nicolás Maduro na última sexta-feira 8 de março. Eu assisti ao vivo, pela CNN em Espanhol. Durante 3 horas fiquei plantada na frente da televisão observando todos os detalhes. E me saltou aos olhos o que foi dito, primeiro por Diosdado Cabello alegando a “constitucionalidade” daquele ato obsceno ao qual foi efusivamente aplaudido, e depois no discurso de Maduro já como “presidente” empossado.

Segundo Cabello, antes de tomar o juramento de Maduro e após ler o Art. 233 da Constituição: “É público e constitucional que o presidente Chávez tinha 14 anos ininterruptos em posse do cargo. Isso não cabe dúvidas a ninguém”, referindo-se sobre a “continuidade administrativa” do governo, decretado pela presidente do TSJ. E acrescentou: “Não creio que esses setores da oposição não tenham se dado conta deste detalhe, porque levam 14 anos atacando e vilipendiando Chávez”. Entretanto, também é “público e constitucional” que Chávez juramentou-se novamente em 2006, inclusive pelas mãos da hoje “primeira dama”, Cilia Flores, que era a presidente da Assembléia Nacional na ocasião. Ora, se em 2006 ele teve que fazer novo juramento, assinar a ata e receber outra faixa presidencial, por que agora não, se era igualmente OUTRO período presidencial? Para que não restem dúvidas, vejam o vídeo abaixo da segunda tomada de posse de Chávez em 2006:





No seu juramento, Maduro disse: “Com a mão dura de um povo disposto a ser livre”. E quando recebeu a faixa presidencial: “Assumo esta faixa de Chávez, como presidente legítimo, para lançar adiante o socialismo bolivariano”. E em seu longo e enfadonho discurso, acrescentou: “Eu vou ser candidato presidencial, eu vou ser presidente da República e comandante-em-chefe da Força Armada, porque assim Chávez me ordenou que fosse e eu vou cumprir plenamente suas ordens”. Ora, nem o cargo, nem a faixa pertencem “a Chávez” mas ao Estado e ao Governo da Venezuela, mas nenhum dos presentes ao ato, inclusive uns 5 deputados da oposição e um membro da OEA viram nisso nada de anormal e aplaudiram! E lá estavam aplaudindo e sendo aplaudidos os ex-presidentes depostos LEGAL e CONSTITUCIONALMENTE, Manuel Zelaya e Fernando Lugo, por esta mesma malta que condenou como “golpe de Estado” ao Paraguai e Honduras.

Durante a transmissão Patricia Janiot, uma das âncoras de CNN em Espanhol, entrevistou um advogado constitucionalista (cujo nome não guardei e não publicaram o vídeo), apontou que TODA aquela situação estava irregular e inconstitucional. Segundo a análise desse advogado, em primeiro lugar o ato do TSJ em 10 de janeiro foi um arranjo inadmissível em qualquer país e um atentado ao Direito Constitucional. Em seguida, disse que aquele ato na Assembléia deveria ter sido convocado pelos parlamentares que informariam oficialmente ao CNE da vacância do cargo e só depois dar posse ao presidente da casa, como reza o Art. 233. Além disso, foi Maduro quem solicitou à presidente do CNE que marcasse a data para a convocação das eleições, numa total inversão de papéis. Aliás, dona Tibisay Lucena lá não apareceu e informou depois que não estava sabendo das novas eleições, marcando-as, finalmente, para o dia 14 de abril.

Além disso, transformar Maduro de vice-presidente em exercício, que já era ilegal, em presidente encarregado, foi outra manobra sórdida para dar-lhe o direito - aí sim, constitucional - a se candidatar ao cargo. Muitas pessoas no Brasil, que se metem a falar do que não conhecem, têm dito que Maduro estava como “presidente interino” mas este mesmo advogado explicou que não é a mesma coisa, uma vez que em todos os países democráticos o vice é votado pelo povo, através de uma composição feita com o candidato presidencial. Na Venezuela, conforme já expliquei em edições anteriores, ele é escolhido pelo presidente eleito e igualmente toma posse após a juramentação do mandatário. E como não foi eleito pelo povo, o presidente encarregado não é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, não pode nomear ministros, embaixadores e demais membros do governo. 

Após a cerimônia de posse Maduro nomeou Jorge Arreaza, genro de Chávez e ministro de Ciência e Tecnologia, para exercer a função de Vice-Presidente, o qual fez seu juramento por volta de 1 hora da manhã sob o ataúde de Chávez na Academia Militar. Não é apenas um culto à morbidez que move esta gente mas, sobretudo, um culto à personalidade em grau exponencial, pois imagino que nem Lenin nem Stalin tiveram algo parecido.

Através de amigos venezuelanos me chega uma correspondência de um militar que diz muito dessas atitudes bizarras que vimos nesses dias. Traduzo literalmente o que me foi enviado, dada a gravidade e que de certa forma confirma o que eu vinha apontando ao longo desse período. 

“A ausência de Maria Gabriela Chávez no funeral de seu pai deveu-se a que ela se opôs à extensão e agora exposição de Chávez na urna de cristal, e para completar, deixá-lo fora do 23 de janeiro (Bairro onde Chávez se abrigou após sair da prisão em 1994 e onde se encontra seu maior reduto e bandas delinqüenciais que o apóiam. MG), porque Maduro o está utilizando para ganhar a indulgência de seus seguidores e chegar ao poder. Os comandos médios militares não o querem e na terça-feira pela manhã esses comandos, para pressionar o governo, ameaçaram tomar o poder e dizer a verdade da morte de Chávez.

Como tudo se soube pelos telefones celulares grampeados, Maduro, para ficar bem, culpou e expulsou ao IL Monaco para não culpar os militares daqui que já haviam se comunicado com ele, por isso lançaram o primeiro comunicado. Maduro acreditou que os ânimos se acalmariam e não foi assim. Ao meio-dia os militares se aborreceram mais e por isso lançaram a segunda emissão contando do falecimento, que foi tudo improvisado e não havia nenhum militar quando deram a notícia. E tanto foi a pressão e o susto, que nesse mesmo momento não disseram dos 7 dias de luto nem nada, senão quase 2 horas depois. E sabem por que? Porque tiveram que planejar o de velar Chávez na Academia Militar e assim poder acalmar os militares. Quer dizer, acalmar os militares internos e planejar depois.

Chávez faleceu sim em dezembro, em Cuba e já está embalsamado. O processo durou 70 dias e utilizaram o processo egípcio, por isso não o traziam. Mataram Chávez em Cuba, pela má praxis médica e tudo sob a lupa atenta de Maduro e Cabello, o traíram, do mesmo modo que a maior parte de sua família, por poder e dinheiro. Comandos militares médios do Exército venezuelano, inconformados e aborrecidos com Maduro e Diosdado por não ter revelado a morte de Chávez no mesmo 31 de dezembro de 2012, planejam um “Golpe de Estado”.

Bem, essa carta é muito reveladora porque confirma o que sempre afirmou o Padre José Palmar, que foi ameaçado de morte (e revelei na edição passada) mas também diz nas entrelinhas por quê Diosdado Cabello aceitou pacificamente a usurpação de um cargo que por direito era seu. Maduro não é bem visto nem respeitado no meio militar, ao contrário de Cabello. Esse, entretanto, deixou-se “imolar” em nome da revolução, pois assim foi determinado pelos pais da “revolução bolivariana”, Raúl e Fidel Castro, aos quais Chávez obedecia cegamente, e porque é esse o pensamento de todo comunista: as determinações do partido estão cima de aspirações pessoais ou legais, porque esses são conceitos “burgueses”.

Do mesmo modo que Cabello, o ministro da Defesa, Diego Molero - que é chavista, por mais esdrúxulo que pareça a um militar - também defendeu o “legado de Chávez”, e não a Constituição, embora a invoque: “Nos encontramos coesos para cumprir a vontade de nosso líder Hugo Chávez. Senhor vice-presidente Nicolás Maduro, senhor presidente da Assembléia Nacional Diosdado Cabello, e todos os poderes constituídos do Estado venezuelano, contem com sua Força Armada, que é do povo e para o povo, disposta a dar tudo pelo tudo para fazer cumprir a Constituição. Fica claro, portanto, que não é a Constituição, as Leis ou os poderes constituídos mas Chávez, sua revolução e seus apaniguados que determinam as diretrizes do país. É o condomínio fechado, o clube privê dos Castro em quê se transformou a Venezuela.

E tudo começa a fazer mais sentido quando se conhece o passado e as origens de Nicolás Maduro. Maduro deriva de um grupo guerrilheiro, o “Movimiento de Izquierda Revolucionaria” (MIR). Expulso do Liceu de Caracas, se incorpora aos grupos encapuzados da Universidade Central da Venezuela (UCV) que copiaram esse modelo da guerrilha urbana de El Salvador e lá consegue se tornar o presidente da Federação dos Estudantes de Educação Média de Caracas. Alguns desses encapuzados são presos pela DISIP que descobre seus rostos e anuncia à imprensa que eles seriam julgados como “desocupados e malfeitores”.

A Liga Socialista consegue um acordo para enviar um reduzido grupo de ativistas, dentre os quais está Maduro a Havana, para receber treinamento e formação político-militar no Partido Comunista. Maduro não se ressalta como dirigente mas como “quadro” de ação, por isso quando voltou foi admitido no Metrô de Caracas não para trabalhar de fato, mas sim para obedecer a um plano político de se infiltrar nos sindicatos de serviços básicos, como o transporte, onde trabalhou como motorista de ônibus e vivia gozando de licenças médicas sucessivas. 

De limitada capacidade intelectual, após o falido Golpe Militar de 1992 Maduro junta-se a outras pessoas que clamavam pela liberdade dos militares presos, dentre eles Chávez que foi o mentor, e acaba conhecendo Cilia Flores que na ocasião era advogada e sumariadora da Polícia Técnica Judicial (PTJ) o que lhe permite chegar ao “Comandante prisioneiro Chávez”. Dessa amizade, tão logo assumiu o poder do país Chávez dá a Maduro oportunidade de ascensão e este, conhecendo as próprias limitações, complexo de vira-lata e subserviência natural, agarra-se a Chávez e torna-se o mais fiel de todos os seus seguidores. Por isso foi o indicado como seu sucessor, com as bênçãos dos Castro e de Ramiro Valdés que é uma espécie de seu tutor, dá ordens e determina o que e quando deve fazer as coisas. É a fraqueza de Maduro que o torna forte por isso se iludem aqueles que o subestimam.

Comandante Ramiro Valdés, "tutor" de Maduro,
 que segue suas ordens com um fiel cão de guarda
E o controle e domínio de Cuba sobre a Venezuela se ratifica nas palavras do próprio tirano Fidel Castro, no artigo escrito em homenagem a Chávez. Para ilustrar, copio apenas um trecho referindo-se à sua primeira visita à Venezuela após o início da revolução cubana, que resume TUDO o que a Venezuela vem e seguirá sofrendo nas mãos da ditadura mais longeva e criminosa da América Latina: 

“Assim que, portanto, ao vir falar assim ao povo da Venezuela, faço-o pensando honradamente e fundamente, que se queremos salvar a América, se queremos salvar a liberdade de cada uma de nossas sociedades, que, ao fim e ao cabo são parte de uma grande sociedade da América Latina, se é que queremos salvar a revolução de Cuba, a revolução da Venezuela e a revolução de todo os países do nosso continente, temos que nos aproximar e temos que nos respaldar solidamente porque sós e divididos fracassamos

E este ser abominável NUNCA tirou essa idéia da cabeça, tanto que fundou o Foro de São Paulo que hoje mostra seus frutos psicóticos, doentes, apodrecidos, a maldita Hidra Vermelha. Chávez se foi mas seu legado continua e só será exterminado definitivamente se a cabeça horrenda desta hidra for cortada. Por tudo isso creio que as eleições do dia 14 de abril já estão viciadas e a vitória será de Nicolás Maduro, o delfim ungido de Chávez, dos Castro e do Foro de São Paulo. Se a Mesa de Unidade Nacional (MUD), que até agora mostrou-se passiva em relação a todas estes crimes constitucionais não se impuser, não aproveitar o momento da campanha para provar que crimes foram cometidos contra o povo e o país, é melhor desistir desde já porque Maduro já é presidente da Venezuela. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro