segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Choro por ti, Venezuela...




Nós já vimos esse filme. Uma vez, duas, mil vezes... Mesmo assim, o gosto amargo da derrota que não devia surpreender a ninguém, está grudado no céu da boca. Sem estrelas. Numa noite escura e tenebrosa que insiste em permanecer. É mais uma crônica de uma morte anunciada tantas e tantas vezes. Porém, desta vez há desdobramentos graves e talvez irreversíveis para o continente.

Amanhã (08.10) começam em Oslo as “negociações” entre o governo Santos e os terroristas das FARC. Essa data, em que toda a comunalha celebra a morte do assassino Guevara, não foi escolhida por acaso. Na Colômbia os parlamentares, que agora estão criando até leis para garantir todos os direitos e a total impunidade aos crimes de lesa-humanidade das FARC, resolveram decretar o 8 de Outubro o “dia do guerrilheiro”. Em homenagem a quem? Tirofijo? Mono Jojoy? Alfonso Cano ou Guevara mesmo?. 

O presidente Uribe havia anunciado que incluir a Venezuela como mediador desse processo era dar oxigênio e protagonismo a Chávez na reta final de sua campanha. Isso era evidente para quem conhece os métodos e as práticas dos comunistas desde sempre. Além disso, no encerramento do último Encontro do Foro de São Paulo (FSP) Chávez anunciou, muito seguro, que “ia tomar [o governo] por nocaute”. Em outras oportunidades e discursos, e nesse mesmo do FSP, ele anunciou que sua vitória seria de 10 milhões de votos. Ao ser anunciada sua vitória, quando o escrutínio já estava com 90% das urnas apuradas, ele estava com mais 8 milhões de votos. Coincidência? Leiam as edições anteriores a essa eleição que tudo já havia sido dito.

Após o anúncio do CNE os candidatos fizeram seus discursos. Capriles não hesitou em acatar os resultados, elogiou a lisura do processo eleitoral, disse que “não houve derrota” e aceitou pacificamente o que a olhos vistos foi uma fraude monumental. Lembrei de outro candidato que concorreu às eleições presidenciais, também jovem, também fraudado e que do mesmo modo baixou a cabeça e se rendeu: Manuel Rosales que, como prêmio, foi perseguido por Chávez a ponto de ter de fugir do país e exilar-se no Peru. Não trago esse cálice amargo. Sobretudo porque recebi de um amigo a verdadeira apuração, estado a estado, e que mostra o esperado e as pesquisas mais sérias apontavam. Leiam no final.

Há algum tempo eu vinha mostrando o andar da carruagem e o tamanho do rombo que essas eleições deixariam nas esperanças dos venezuelanos que “ainda” se iludem, acreditando que comunistas jogam o jogo legítimo da democracia. E eis aí a vitória das FARC, do Foro de São Paulo, da ditadura cubana - que garantiu por mais algum tempo o sustento dos irmãos Castro -, e de todos os governos comunistas da região. Em seu discurso da vitória Chávez afirmou: “Que o candidato da direita tenha aceitado nosso triunfo é um grande passo para a construção da pátria bolivariana”. O mesmo ele disse a Rosales...

Embora eu tenha sempre afirmado que não admirava Capriles, por ele haver desprezado e tratado grosseiramente o presidente Uribe quando quis apoiá-lo, e por declarar que Lula era “seu modelo”, eu apostava minhas fichas como uma primeira opção para tirar Chávez do poder. Não posso esconder minha decepção. Não por Capriles mas porque Chávez vai permanecer. E vai apertar os torniquetes com os presos políticos. Pensei em meu amigo Alejandro Peña Esclusa, na juíza Maria Lourdes Afiune, dos delegados Vivas, Forero e Simonovis e tantos outros cujos nomes não recordo agora. E na imprensa, e nas empresas, nas propriedades privadas obscenamente expropriadas, nas centenas de vítimas do incêndio da petroleira, dos assassinados pelo regime, na miséria, na falta de comida, liberdade e segurança. Não resisti e chorei...

E porque me sinto de luto fechado esta edição não tem cor, nem fotos, nem vídeos. Só a tarja preta. E minha tristeza pelos venezuelanos que apostaram tudo em nome de sua liberdade e que foi surrupiada descaradamente, conforme os dados que seguem abaixo. Que fique registrado. Fiquem com Deus até a próxima!

AMAZONAS 
CHAVEZ: 42%
CAPRILES: 39%
N/S.N/C 19%

ANZOATEGUI
CHAVEZ: 28%
CAPRILES: 59%
N/S.N/C 12%

APURE
CHAVEZ: 44%
CAPRILES: 43%
N/S.N/C 13%

BARINAS
CHAVEZ: 44%
CAPRILES: 45%
N/S.N/C 11%

BOLIVAR
CHAVEZ: 41%
CAPRILES: 45%
N/S.N/C 14%

CARABOBO
CHAVEZ: 24%
CAPRILES: 63%
N/S.N/C 13%

COJEDES
CHAVEZ: 45%
CAPRILES: 41%
N/S.N/C 14%

DELTA AMACURO
CHAVEZ: 42%
CAPRILES: 37%
N/S.N/C 21%

FALCON
CHAVEZ: 34%
CAPRILES: 55%
N/S.N/C 11%

GUARICO
CHAVEZ: 37%
CAPRILES: 41%
N/S.N/C 22%

LARA
CHAVEZ: 33%
CAPRILES: 54%
N/S.N/C 13%

LIBERTADOR-CARACAS
CHAVEZ: 38%
CAPRILES: 50%
N/S.N/C 12%

MERIDA
CHAVEZ: 34%
CAPRILES: 53%
N/S.N/C 14%

MIRANDA
CHAVEZ: 23%
CAPRILES: 66%
N/S.N/C 11%

MONAGAS
CHAVEZ: 36%
CAPRILES: 49%
N/S.N/C 15%

NUEVA ESPARTA
CHAVEZ: 33%
CAPRILES: 54%
N/S.N/C 13%

PORTUGUESA
CHAVEZ: 38%
CAPRILES: 57%
N/S.N/C 15%

SUCRE
CHAVEZ: 31%
CAPRILES: 44%
N/S.N/C 15%

TACHIRA
CHAVEZ: 28%
CAPRILES: 59%
N/S.N/C 13%

TRUJILLO
CHAVEZ: 31%
CAPRILES: 44%
N/S.N/C 16%

VARGAS
CHAVEZ: 37%
CAPRILES: 41%
N/S.N/C 12%

YARACUY
CHAVEZ: 27%
CAPRILES: 55%
N/S.N/C 18%

ZULIA
CHAVEZ: 25%
CAPRILES: 62%
N/S.N/C 13%

EN EL EXTERIOR
CHAVEZ: 14%
CAPRILES: 79%
N/S.N/C 7%

TOTAL GENERAL VENEZUELA
CHAVEZ: 31%
CAPRILES: 56%

Comentários e traduções: G. Salgueiro

domingo, 7 de outubro de 2012

Chávez ganha as eleições, que tal?

Dona Tibisay Lucena acaba de informar que, de 90% das urnas escrutinadas, o resultado dá 54,42% a Chávez y 45,37% a Capriles!

Fraude, fraude, fraude, não há outra resposta a esta aberração, por isso o ditador estava tão tranqüilo!

Será que este maldito regime pensa que todo mundo é burro, cego e ignorante? Que alguém vai engolir esta farsa monumental assim, sem mais???

Votaremos depois com mais informações.


Eleições venezuelanas - Primeiro boletim



Sob um calor de 34º os venezuelanos acudiram em mais de 70% para votar por um novo presidente, o que mostra que as pessoas querem uma mudança, que não agüentam mais a ditadura castro-chavista, a miséria, a fome, a violência que sofrem há 14 anos.

Este é o primeiro boletim que o Notalatina apresenta dessas eleições que vão mudar da água para o vinho a situação na América Latina de um modo geral e do continente sul-americano em particular. As eleições acabaram há pouco, e enquanto o CNE ainda não apresenta os primeiros resultados das apurações, informo alguns fatos que ocorrem durante o dia. Embora houvesse medo de violência por parte das milícias chavistas, graças a Deus isto não ocorreu, embora houvesse sim, muita tentativa de intimidação e ameaças de indivíduos motorizados armados que passavam ao lado das longas filas gritando: “Chávez está te olhando, Chávez está te olhando!”.

Denúncias de fraude não podiam faltar. Uma moça denunciou via Twitter: Sou membro de mesa do Colégio Nacional de Zulia e antes de começar o processo, quero denunciar aqui: a máquina tinha 1.700 votos carregados”. De um jornalista de Noticias Caracol, informou-se que há cédulas de pessoas que hoje teriam 180 anos que estão habilitadas para votar na Venezuela.

Em dois países do outro lado do mundo já se sabe o resultado das votações: no Japão, Capriles teve 276 votos, enquanto Chávez obteve apenas 32. E na Austrália, Capriles teve 992 votos enquanto Chávez teve 0.

As quatro pesquisas independentes contratadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos dão a Capriles mais de UM MILHÃO DE VOTOS ACIMA de Chávez. A Fundação Interamericana pela Democracia dá a Henrique Capriles uma vantagem, em nível nacional, de 1 milhão e 300 mil votos sobre Chávez. Vale salientar que esta fundação acertou TODAS as pesquisas realizadas naqueles países onde se respeita a vontade do eleitor, desde o México até a Argentina. A consultora Varianza estima uma vitória de Capriles em torno de 51,3% contra 48,06 de Chávez.

Outra informação dá conta de que Chávez fechou a fronteira com a Venezuela a partir das 4:30 da manhã, o que impediria que eleitores venezuelanos que moram em cidades limítrofes a votar, porque, segundo se informou, são pessoas que tiveram que deixar seu país por perseguição do regime e, evidentemente, não iam votar em Chávez.

No exterior estão habilitados a votar 110.495 venezuelanos residentes em 88 países. Desses, 36.915 registrados nos Estados Unidos que deveriam votar nos 8 consulados habilitados. O maior problema ocorreu com o consulado de New Orleans, que recebe os votantes deste estado e os que votavam em Miami, uma vez que este consulado foi fechado por exigência dos Estados Unidos após um escândalo com a consulesa, que foi expulsa do país. Estou acompanhando ao vivo, de modo que muitas coisas que assisto apenas posso reportar. Um rapaz se queixava de que vieram 3 ônibus de New Orleans, que levaram 18 horas de viagem e quando chegaram não os quiseram deixar entrar. Eram, seguramente, maioria de eleitores de Capriles.

Depois de votarem, Capriles e Chávez fizeram declarações mais ou menos no mesmo tom. Capriles disse que “a primeira pessoa a quem chamarei após conhecer os resultados é Chávez”, e Chávez disse “serei um dos primeiros a reconhecer os resultados”. Faço questão de publicar o vídeo com esta declaração porque recordo que estas foram as mesmas palavras que ele disse com relação ao referendo para decidir a reforma constitucional, e que ao ver-se fragorosamente derrotado, ficou furioso e não aceitou, levando o CNE a fraudar os resultados deixando uma margem muito pequena, de modo que a perda não fosse tão vergonhosa. Diante do resultado, Chávez disse: “Esta foi uma vitória de merda!”.

Vejam a declaração dele no vídeo abaixo que faço questão de deixar registrado. A apuração começou mas ainda não temos resultados. Eu sempre afirmei que Capriles não é o candidato ideal, mas é o que de melhor que se apresenta no momento para derrotar Chávez e sua nefasta ditadura comandada desde Cuba, pela mão de ferro dos ditadores Castro. Por isso torço por ele. E torço para que não haja nenhum ato de terrorismo, conforme prometem seus fiéis aliados do Bairro 23 de Janeiro. Esse é o primeiro boletim mas o Notalatina está atento e vai seguir informando até o resultado final.

Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários: G. Salgueiro

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Na reta final, Capriles na cabeça!

Faltando apenas dois dias para as eleições na Venezuela, onde a esperança de terminar com o período de 14 anos de ditadura castro-comunista é crescente entre a população, o Notalatina, que há 10 anos vem denunciando os crimes cometidos por Chávez, não poderia se furtar a trazer mais informações que não são divulgadas pela mídia, nacional e internacional, sempre rendidas aos ditames da esquerda.

Leio em vários jornais da América Latina (porque há anos não leio nada publicado pela imprensa brasileira sobre os países vizinhos, uma vez que mentem, omitem e torcem os fatos) que há um “empate técnico” entre Chávez e Capriles, que no encerramento de campanha havia “um mar de gente a favor de Chávez” mas, como eles sabem que mentem em prol do bolivariano e não mostram nem fotos nem outra prova disso, com muito gosto provo que a mentira tem as pernas bem curtinhas.

Assistam abaixo a um vídeo do último comício de Chávez, onde o canal Globovisión, que fez a cobertura e esta gravação, afirma que Chávez não encheu “nem a metade da Avenida Bolívar”. Por outro lado, a foto do último comício de Capriles que ilustra essa edição, mostra a multidão que o apóia e essa foto tem uma história. Ela foi tirada de um apartamento do Hotel Alba, pela equipe de fotógrafos da Escola de Fotografia Roberto Mata, coordenada por Rodrigo Diamandi, de Liderazgo y Visión, e fotografada por Andrew Cavaleri, Lina Sabbagh, Kathiana Cardona e Hernán Yánez, em resposta à proibição de se tomar fotos aéreas, certamente para não expor o mico-mandante ao vexame de sua meia-dúzia de gatos pingados contra a multidão de Capriles. 

Foto tirada desde o Hotel Alba, pela equipe Andrew Cavaleri, Lina Sabbagh, Kathiana Cardona e Hernán Yánez

Pois bem, essa equipe ousada alugou um apartamento do hotel que pudesse dar uma visão bem ampla da Avenida Bolívar. A gerência do hotel desconfiou, invadiu o quarto e revistou tudo, chegando a pedir que os hóspedes deixassem o hotel. Eles negociaram com o gerente e, escondendo os equipamentos, puderam tirar essa foto histórica. A foto e o vídeo não mentem!
  

A respeito dessas eleições, as notícias veiculadas são gravíssimas pois, como era de se esperar - e ocorre em todas as eleições na Venezuela -, os seguidores de Chávez já informaram que vão “mandar chumbo” se a oposição “não aceitar a vitória de Chávez”. As pesquisas de opinião dão como certa a vitória de Capriles por mais de 7 pontos de vantagem, daí que temo que depois que o CNE (Conselho Nacional Eleitoral) anunciar a derrota de Chávez, suas milícias vão atacar com fúria e muito sangue vai correr. E isto não é especulação da minha parte, mas afirmações feitas pelo chefe dos “Tupamaros”, Alberto “Chino” Carías, em entrevista ao periódico ABC da Espanha. Traduzo parte dessa entrevista para que vocês possam conhecer o que disse este delinqüente que já tem em sua ficha policial mais de 10 assassinatos, todos impunes, acobertados por Chávez.

“O presidente Hugo Chávez disse que reconhecerá os resultados? 

Exatamente, porque Chávez ganhará. Porém, se a oposição desconhece isso e chama as guarimbas a partir das 16:00 horas, vamos enfrentá-las. (Observação minha: na matéria ele afirma que a Guarimba são “focos de violência” mas é exatamente o contrário: é uma resistência pacífica em que as pessoas se concentram nas ruas fechando passagens, SEM O USO DE QUALQUER TIPO DE ARMA OU VIOLÊNCIA).

Como farão? 

Com chumbo. Será um formigueiro. Estamos preparados e bem armados. Vamos em moto, carro ou a pé. E se vemos agitação na rua, colocamos o capuz e tiramos as armas.

O que vocês vão fazer se a autoridade eleitoral declarar Capriles ganhador? 

Passamos à resistência ativa. Ativaremos todas as células para denunciar a extrema direita. Um governo de Capriles teria o povo agitado e mobilizado. Isso Chávez nos ensinou.

Qual é o seu vínculo com o terrorista venezuelano “Carlos” Ilich Ramírez “o Chacal”, preso na França?

Temos contato telefônico.

E seus vínculos com o ETA?

Somos aliados políticos do ETA e das FARC, mas não vou dar mais detalhes pelo mal antecedente que tivemos com o espanhol “El Palestino”, que se infiltrou em nossa organização e gravou nossas atividades com câmera escondida sem dizer que era um jornalista. (Obs. O jornalista espanhol que usa o cognome “Antonio Salas” infiltrou-se não só entre os “Tupamaros” mas também com os “Carapaica” e fez-se amigo de Carlos “o Chacal”, para escrever seu magnífico livro “O Palestino”).

Quem lhes financia”? 

Isso é um segredo militar.

Quantos membros têm os “Tupamaros”?

É um segredo militar. Temos células em toda a Venezuela.

Como você se define? 

Como um guerrilheiro marxista-leninista. Somos vigilantes revolucionários armados. Se houver alguma tentativa de golpe os tiraremos a fogo e chumbo, como o fizemos em abril de 2002”.

Bem, aí estão as declarações de “Chino” Carías e a confissão daquilo que a Venezuela inteira sabe: que foram os sicários de Chávez que promoveram a chacina de Puente Llaguno e da praça Francia de Altamira, que resultou em uma centena de feridos e alguns mortos. Por este crime do qual ninguém esquece, estão apodrecendo na cadeia os que tentaram impedir a barbárie: os delegados de Polícia Vivas, Forero e Simonovis.

Esta edição traz outro fato que não se comenta em nenhum lugar no Brasil, e que revela mais um pouco das atitudes de Chávez quando alguém começa a servir de estorvo a seus planos, embora tenha sido durante anos nada mais que seu capacho. É verdade que o defunto não merecia esse fim, pois sou totalmente contrária a qualquer tipo de tortura e morte como forma de vingança ou queima de arquivo, mas essa é a única maneira que Chávez e seus mentores cubanos conhecem para “eliminar da foto” alguém que pode pôr seus planos em perigo. O fato aconteceu no sábado 09 de setembro e foi cuidadosamente abafado, alegando-se que a vítima “caiu do teto” do Fuerte Tiuna, onde funciona o Ministério da Defesa e servia de residência ao Sargento da Guarda Nacional Antonio José Canchica. Leiam a tradução dessa história macabra, que só teve uma repercussão rasteira na Argentina, pois diz respeito àquela maleta com 800 mil dólares que Chávez deu à Cristina Kirchner para compra de votos de sua re-eleição.

Assassinado o Sargento Técnico de 1ª (GN) Antonio José Canchica

Carlos Arosemena

Antonini e Canchica em Miami

“No sábado passado (09.09), às três horas da manhã, foi assassinado o Sargento Técnico de Primeira (GN) Antonio José Canchica no Fuerte Tiuna. O sargento era Diretor do gabinete do atual Ministro da Defesa, General-em-Chefe (Ex) Henry de Jesús Rangel Silva. Canchica era um expert em inteligência e agente de confiança do ministro Rangel que, quando era Diretor da DISIP (polícia política chavista), o enviou a Miami para tratar de negociar com Antonini Wilson a famosa maleta para a campanha presidencial argentina, capturado por agentes da aduana de Buenos Aires com 800.000 dólares, ilegalmente enviados pelo Presidente Chávez para a campanha eleitoral de Néstor Kirchner e sua mulher Cristina.

Informam-nos que Canchica foi torturado e jogado desde o 4º andar, edifício 8-1 em Fuerte Tiuna. A razão: medo de que ele falasse antes do iminente final do regime castro-comunista na Venezuela. Aparentemente, Canchica sabia muito e clamava que, enquanto seus chefes estavam todos gordos, ricos e poderosos, ele havia arriscado o couro durante as ações dignas de filmes de espionagem, quando escapou em uma lancha rápida desde Miami para não ser capturado pelo FBI e a CIA que estavam em seus calcanhares, e foi recolhido em águas internacionais por uma lancha do G2 cubano e conduzido até a Embaixada venezuelana em Havana.

Canchica, o espião venezuelano em missão oficial com poder para negociar o silêncio de um delito cometido em quatro nações, o James Bond dessa trama, não tinha nem um bolívar para garantir seu futuro. O pobre agente de inteligência tinha que se conformar em viver em uma residência da guarnição alugada no Fuerte Tiuna e com o tanto que sabia sobre as andanças dos narco-generais, considerava que deveria receber sua parte do botim ou se veria obrigado a falar. Mantiveram Canchica por um longo tempo na Embaixada da Venezuela em Cuba, enquanto esfriava o escândalo da maleta argentina de Antonini Wilson.

Este crime forma parte do canibalismo castro-chavista que se desatou nos últimos meses. Dessa maneira, fizeram desaparecer uma testemunha-chave nas aventuras de um General-em-Chefe solicitado por narco-tráfico pelas autoridades norte-americanas. Segundo Pablo Medina, o sargento foi enterrado no cemitério da Guairita no setor 22C N72. “Henry Rangel Silva me disse que estava mandando um homem de sua inteira confiança para me ver, que vão me dar os recibos, o dinheiro, para que eu cale a boca e não fale com ninguém”, explicou Antonini Wilson depois de ter sido detido pelo FBI em 2007.

Recentemente Antonini declarou ante os meios de comunicação que não acreditava na versão do suicídio do Sargento Canchica, fornecida pelo governo do presidente que está de saída. Nestes tempos de escape, quando restam poucos dias ao regime, tudo sai à luz pública. Alguns queimam gabinetes governamentais, outros destroem papéis comprometedores ou transferem propriedades em nome de testas-de-ferro, mas os mais temerosos e com poder, ordenam assassinar testemunhas indesejáveis. É por isso que o Coronel (GN) Eladio Aponte Aponte fugiu para os Estados Unidos para salvar sua vida, já que sua consciência estava a ponto de transbordar por seus crimes cometidos por ordem de Chávez, entre os quais se encontra haver condenado a 30 anos de prisão os delegados e policiais que, cumprindo com o seu dever de defender os cidadãos, salvaram centenas de vidas durante os tiroteios de Puente Llaguno, quando pistoleiros afeitos ao regime massacraram a tiros toda uma população indefesa que marchava pacificamente para Miraflores.

Esse encontro entre Canchica e Antonini, entretanto, ficou imortalizado em um vídeo e umas quantas fotografias. O jornalista do diário venezuelano El Nacional, Javier Mayorca, reportou por Twitter que “faleceu um dos protagonistas centrais do capítulo norte-americano do ‘Caso Antonini’. Trata-se de Antonio José Canchica Gómez, o emissário que o então chefe da Inteligência venezuelana, Henry Rangel Silva enviou aos Estados Unidos. Agora, quase cinco anos depois daquela reunião em Plantation (nos arredores de Fort Lauderdale), ao que parece morreu Canchica”. Segundo o jornalista, o Sargento Técnico de Primeira da Guarda Nacional venezuelana, faleceu aos 41 anos ao cair do teto de uma residência no Fuerte Tiuna. Com o assassinato do Sargento Canchica, encerra-se mais um capítulo do regime de terror castro-comunista encabeçado pelo presidente que vai sair”.

O Notalatina vai ficar atento às eleições da Venezuela e vai informar todos os acontecimentos sobre o evento, além do resultado final. Fiquem com Deus e até a próxima!

Traduções e comentários: G. Salgueiro

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O Notalatina entrevista o ex-presidente Álvaro Uribe


"No hay causa perdida" novo livro do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez

Há dois anos o Notalatina recebeu do então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe Vélez, uma carta de agradecimento pelo trabalho que realizo em defesa da liberdade e democracia na região, sobretudo por denunciar ao mundo os horrores praticados pelos terroristas das FARC em seu país. Apesar de eu haver publicado a carta no original e depois tê-la apresentado com uma foto minha na edição relatando minha primeira visita à Bogotá, muita gente ainda duvidou e escreveu comentários - anônimos, como sempre! - mesquinhos a respeito.

Na semana passada entrei em contato com um amigo - o mesmo que me entregou essa carta - para ver com ele a possibilidade de traduzir o livro que o ex-presidente Uribe estará lançando em meados desse mês, intitulado “No hay causa perdida”, e que ilustra essa edição de hoje. Ele escreveu a Uribe com minha mensagem, e qual não foi a minha surpresa ao ver a resposta: “Dê meu e-mail e telefone a ela para marcarmos uma entrevista”.

Isso foi um sonho que nunca me passou pela cabeça, dado que este grande homem desde que deixou o Governo nunca parou de lutar pelo seu país, vive dando aulas em universidades pelo mundo todo e, evidentemente, tem uma agenda muito apertada. Então lhe escrevi e ele marcou a entrevista para o domingo passado, 30 de setembro, às 3 horas da tarde pelo Skype. Esse acerto foi feito no sábado e, embora estando a par dos últimos acontecimentos em seus mínimos detalhes, escolhi dois temas que poderiam se desdobrar no desenrolar da entrevista: o “acordo de paz” entre o governo Santos e as FARC, e seu novo livro.

Mal consegui dormir e no domingo estava com tudo pronto desde cedo. A espera só aumentava meu nervosismo. Ele estava em Washington e teve um compromisso antes da entrevista. Então, às 4 horas recebo um bilhetinho pelo Skype pedindo desculpas pelo atraso, pois o compromisso havia se estendido mas que ele estava acelerando para não atrasar tanto.

Finalmente, quando estou sentada em frente ao me micro aguardando que ele chegue e diga que podemos começar, toca o telefone do Skype: era ele, já iniciando o vídeo! Eu havia repassado as perguntas zilhões de vezes mas diante do inesperado, o nervosismo se instalou a tal ponto que esqueci de ligar minha câmera...

Muitas das perguntas que eu havia planejado fazer foram deixadas de lado, pois ele estava visivelmente cansado da correria entre mil compromissos, mas do que pudemos conversar valeu muito a pena. O que mais me marcou desse contato com o homem mais notável e amado da Colômbia foi sua extrema simplicidade, gentileza e cordialidade no trato. Eu não falei com um “ex-presidente” nem um político, mas com um homem inteligente, de raciocínio rápido, sereno e com a simplicidade dos que são realmente grandes, sem arrogância, nem empáfia, nem aquele populismo demagógico que estamos acostumados a ver em quem ocupa ou ocupou cargos de grande relevância.

Apesar de ser fluente no espanhol, aquela situação inusitada me deixou tão nervosa que gaguejei em diversas ocasiões, mas peço aos meus leitores que relevem esse deslize pois o que vale mesmo é o que conversamos. Na verdade, percebo agora que não foi uma entrevista mas uma conversa entre duas pessoas que, embora distantes não apenas fisicamente mas sobretudo em importância e responsabilidades, pensam da mesma forma e lutam pelos mesmos ideais, daí ter sido tão agradável.

No final ele me convidou para o lançamento e noite de autógrafos de seu livro em Bogotá que, para minha tristeza, dificilmente irei...

Quero registrar aqui também o imenso apoio que recebi de duas pessoas muito queridas, que sem as quais esta entrevista jamais poderia ser realizada: meu filho Matheus que me ajudou tecnicamente a gravar a entrevista, inclusive instalando um programa novo para melhorar a qualidade do som e imagem, e meu amigo Alex Brum Machado, proprietário do blog Cavaleiro do Templo que, com uma paciência maior do que de costume, editou e publicou o vídeo desta entrevista. As perguntas que não foram feitas ao ex-presidente Uribe não se perderam pois serão feitas em outra entrevista já programada com o Coronel do Exército Colombiano Luis Alberto Villamarín Pulido, meu amigo pessoal e de quem sou tradutora oficial no Brasil.

Desfrutem, pois. Fiquem com Deus e até a próxima!

 

Comentários: G. Salgueiro

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Em magnífica entrevista, Uribe põe na lona o juiz Baltasar Garzón


Foto de arquivo da Agência EFE

Ontem eu assisti a uma entrevista que o ex-presidente Uribe concedeu ao Canal Capital, uma emissora de televisão estatal que atualmente é dirigida pelo jornalista colombiano Hollman Morris. Sobre este nefasto personagem, promotor das FARC não só na Colômbia como no mundo, escrevi em 2009 um artigo acerca dele e de um programa a respeito das FARC sob sua direção que foi exibido no The History Channel, sob o título Guerra psicológica e desinformadores profissionais que vale a pena ler de novo para conhecer em mãos de quem está a Colômbia hoje. 

A entrevista aconteceu no dia 19 último, no programa “Hablemos de paz y derechos humanos” que é graciosamente dirigido pelo ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, aquele que foi julgado e destituído por seus pares por cometer escutas ilegais das vítimas que julgava com seus advogados, e mais uns dinheiros recebidos ilegalmente por cursos que ofereceu nos Estados Unidos. Pois bem, na Colômbia de Santos este elemento perseguidor de militares, que se gaba de haver condenado o General Augusto Pinochet, é hoje uma estrela a dar “consultorias” à já deteriorada justiça colombiana e a meter o bedelho em tudo, no que e no que não é chamado. Agora dirige este programa no canal de televisão estatal, tudo em prol do tal “acordo para a paz” com os terroristas das FARC.

Fique maravilhada com a honestidade, firmeza e lisura com que Uribe respondia às perguntas, algumas bem capciosas, e tive a sensação clara de que ele estava ali para ser crucificado e desmoralizado. Os dois entrevistadores, no entanto, subestimaram o conhecimento e a franqueza que sempre caracterizaram este grande homem e, como diz o ditado, “fui tosquiar as ovelhas e saí tosquiado”. Eu ia mesmo fazer uma edição com o vídeo e comentários a respeito, mas recebi um artigo do meu amigo jornalista e brilhante escritor colombiano que vive há décadas na França, Eduardo Mackenzie, então preferi traduzir e publicar o que ele escreveu, porque endosso cada palavra e assino embaixo, pois eu não teria feito melhor. Desfrutem o texto e assistam a essa entrevista imperdível ao final desta edição. Fiquem com Deus e até a próxima!

Em entrevista, Uribe põe o juiz Garzón na lona

Eduardo Mackenzie

Excelente a entrevista concedida pelo presidente Álvaro Uribe ao ex-juiz Baltasar Garzón e aos comentarista Pedro Medellín, no Canal Capital.

Foi um longo e difícil diálogo, porém cheio de interesses e surpresas. Vale a pena ouvi-lo e anotá-lo com atenção. Aprende-se muito ao ouvir esse intercâmbio. Sobretudo pelo tom de certas perguntas e pela clareza das respostas.

Creio que é a melhor entrevista que o ex-presidente Uribe concedeu em muitos anos, embora tenha sido das mais perigosas. Seus interlocutores não foram além para lhe fazer concessões, senão para acuá-lo. Ambos cometeram um erro de novatos, de aficionados: fazer duas ou três perguntas em uma e acreditar que um entrevistado tão experiente como o ex-mandatário colombiano poderia ser dominado por eles e, sobretudo, ante as câmeras de televisão.

Nenhum tema foi vedado e o “doutor Pedro” e o “doutor Baltasar” puderam interrogar e contra-perguntar. Porém, houve algo mais. Baltasar Garzón, sobretudo ele, pôs na mesa temas que acreditava embaraçosos para Uribe. Se equivocou. Ele esperava acuar o ex-presidente. Ocorreu todo o contrário. Uribe respondeu a tudo e com cifras, detalhes e até com histórias e, além disso, quis ir muito além dessas respostas. Mas foi interrompido. É como se os interlocutores não quisessem que o entrevistado respondesse. Sensação estranha. Curiosa impressão.

Uribe deu os dados precisos a Baltasar Garzón e o convidou a se aprofundar em alguns temas, e a constatar certas situações em alguns estados, onde o ex-juiz espanhol acredita que a coisa está muito tranqüila, como no Cauca, Nariño, Valle, Putumayo, etc. O “doutor Garzón” deu de ombros e disse que ele não ia investigar nada.

Há que reconhecer: os entrevistadores ficaram várias vezes na lona e isso se vê muito claramente no vídeo.

Nessa entrevista foram abordados os temas mais candentes da conjuntura política, como o acordo de Havana entre as FARC e Santos, o aumento da insegurança no país, o grave problema do desaparecimento do foro militar, a camaradagem entre as Bacrim e as FARC, que tornou possível o atentado contra o ex-ministro e jornalista Fernando Londoño Hoyos.

Mas também, graças a Uribe, pôde-se ventilar temas candentes do passado, de grande atualidade hoje, que alguns quiseram esquecer, como os resultados da Segurança Democrática, a desmobilização das AUC (para-militares), o debilitamento do narco-terrorismo, os “falsos positivos”, as interceptações telefônicas ilegais, a diferença filosófica abissal que existe entre a Lei de Justiça e Paz (de Uribe) e o “Marco para a Paz” (de Santos) que abriu uma brecha inconstitucional à Constituição ao permitir que em um futuro próximo narco-traficantes, seqüestradores, extorsionistas e criminosos da pior espécie fiquem em liberdade, e possam participar de política, ser eleitos, e possam até discutir e decidir sobre a construção e o destino histórico do país.

Essa entrevista se converterá muito rapidamente em um verdadeiro documento político, em um instrumento de trabalho para os que querem saber o que está acontecendo realmente na Colômbia de hoje.



 

Comentários e tradução: G. Salgueiro