quinta-feira, 21 de julho de 2011

A liberdade de Alejandro e a saúde de Chávez

O Amor e a Fé movem montanhas
(Créditos da foto: Globovisión)

Não é necessário dizer da minha imensa alegria e emoção ontem, quando soube que finalmente Alejandro Peña Esclusa, meu amigo de mais de uma década e de tantas batalhas juntos, havia sido libertado. Quando traduzi e enviei para publicação o artigo de Fuerza Solidaria, onde no final acrescentei dois vídeos, de Indira e de Chávez, senti que ali já começava a se esboçar a liberdade do meu amigo. E senti isso pelo que disse Chávez, a partir do minuto 0:45. A partir desse momento ele fala que o vice-presidente Elias Jaua lhe havia sugerido, e o monsenhor Moronta lembrou que aquele era o dia de N. Srª do Carmo, como chamando-lhe a atenção para a situação dos presos políticos que necessitavam tratamento médico urgente. Ele diz que “não é ditador” e que é o poder judicial quem pode emitir uma medida cautelar, mas faz uma “exortação do meu coração humanitário” e pede que a justiça liberte os prisioneiros - que ele considera apenas “privados de liberdade” - que estiverem necessitando de tratamento médico. Desde aquele dia (17) eu falei, quando enviei o artigo para publicação, que Alejandro em breve seria libertado. 
A imprensa nacional, que NUNCA emitiu uma mísera palavra em favor de Alejandro, publicou ontem uma matéria - que foi divulgada pela agência Reuters, O Globo e Folha de São Paulo com o mesmo texto - alegando um gesto de “benevolência” do ditador para com os “presos de oposição”, ao libertar Peña Esclusa e provavelmente outros mais. Tanto as palavras de Chávez no sábado passado e a da imprensa repleta de agentes de influência são torpes, viperinas e asquerosas, porque, em primeiro lugar, no caso de Alejandro ele sequer deveria estar preso, pois isto fere os princípios legais de presunção de inocência e garantias do devido processo que não foram respeitados desde o momento de sua prisão em 10 de julho do ano passado.
Há quem pense que, pelo fato de estar acometido do mesmo mal de Alejandro, Chávez tornou-se, da noite para o dia, sensível às necessidades de um opositor à sua ditadura. Não há nada mais estúpido do que imaginar que um comunista que tem em seu histórico incontáveis crimes, inclusive de morte, possa ter algum sentimento nobre, mesmo estando com sua vida ameaçada. O comunismo é perverso e é o mal encarnado desde suas entranhas, e não me venham dizer que existe comunista bom, ou comunista sensível à dor alheia porque isto é tão falso quanto uma nota de 30 reais, pois se assim não fosse, não se tornaria um deles.
O que moveu Chávez a esse gesto, foi tão somente uma miserável “estratégica politiqueira”, pois o vídeo da entrevista de Indira, uma guerreira como poucas que conheço, colocou-o em cheque-mate, ao comparar a situação de seu marido com a de Chávez que pode até se deslocar para outro país para tratar de sua saúde. Certamente Fidel deve ter-lhe mostrado o mal que seria para a sua pretensão em reeleger-se, caso não fizesse essa “caridade”, uma vez que o vídeo de Indira correu não só pela Venezuela mas por toda a rede, além da repercussão que o caso tomou nos últimos dias com a pressão feita por parlamentares de vários países do continente, exceto o Brasil, que se julga o umbigo do hemisfério e não “se mistura” com seus vizinhos hispânicos. Quem está acostumado como eu, que acompanho as façanhas e crimes deste psicopata desalmado há 12 anos, conhece suas caras e bocas, seus olhares melosos e seus discursos cheios de “amor”, quando o que pretende é obter os votos necessários para consolidar sua ditadura. E não é porque padece de uma câncer que seu coração amoleceu e tornou-se um fiel devoto cristão. Chávez é antes um herege, e tudo isto não passa de uma perversa armação politiqueira visando os votos que lhe garantam, durante os anos que lhe restam, eternizar-se no poder.
Com relação à sua doença e tratamento, leio na imprensa nacional as coisas mais disparatadas e ridículas, pois difundiu-se (tirado não sei de onde) que o hospital Sírio Libanês havia “rejeitado” tratar de Chávez porque seu estado era terminal. Nada mais falso. Na entrevista que concedi ao site Café Colombo, no dia 02 de julho passado, eu já informava que o diagnóstico provável, considerando-se as providências tomadas, era de câncer de cólon e não de próstata. Agora vejo por dois jornalistas venezuelanos a confirmação do câncer de cólon, inclusive - coisa que eu também já havia afirmado - que sua ida a Cuba foi previamente acertada e que estava tudo pronto para se operar no dia 11 de julho, pois já havia sido detectado nos exames que ele fez nos laboratórios oncológicos do Hospital Padre Machado e no Hospital das Clínicas de Caracas. Por determinação da ditadura cubana isto foi escondido do público, inclusive a bengala não tinha nada a ver com o joelho mas para apoiar-se mesmo, devido às fortes dores abdominais.
Com relação à cirurgia em si, descreve Luis Felipe Colina: “Na operação, os médicos cubanos ressecaram e igualaram as alças intestinais (anastomosis termino-terminal) e da biópsia resultou que as bordas de ressecação eram positivas para câncer, ademais com metástase em três gânglios peritonais. Essa operação infectou e foi necessário chamar o cirurgião Luis García Sabrido, chefe de cirurgia do Hospital Gregorio Marañón, de Madri, o mesmo que interveio no caso de Fidel Castro, para acomodar o “desastre”. Fazem uma colostomia medial e tratam da infecção. O tumor maligno que Chávez tem requer quimioterapia. (...) Diversos especialistas consultados nos asseguram que os médicos cubanos, ao não fazer a colostomia na primeira intervenção, disseminaram o câncer, o que piora o prognóstico”.
Quanto ao fato dele não ter vindo fazer o tratamento no Brasil, que Lula até havia conseguido convencer Fidel dessa alternativa, chegou-se a um acordo de que ele devia fazer a quimioterapia em Havana e depois de transcorridas algumas semanas, ver a reação ao procedimento e então aceitar uma “avaliação” no Hospital Sírio Libanês. Estão envolvidos nesse tratamento três médicos venezuelanos, dois cubanos e o espanhol Sabrido, que é o médico pessoal de Fidel e quem lhe salvou a vida há já cinco anos. É óbvio e natural que Chávez queira ficar num ambiente que lhe é caro, como Havana, ao lado de um homem a quem ele venera e confia. Além disso, o que Fidel decreta como “segredo de Estado”, dali não sai de modo algum, coisa que já é arqui-sabida por quem conhece os métodos dos ditadores da Ilha, e isto dá um certo conforto a Chávez de que sua real situação vai ser preservada das futricas alheias.
O doutor José Luis García Sabrido, de 66 anos, é chefe do serviço de Cirurgia Geral III do Hospital Gregorio Marañón de Madri, conhecido como “o doutor dos milagres” por ter salvado muitas vidas que pareciam estar no fim, dentre elas, a do ditador Fidel Castro. Segundo consta, apenas uns poucos homens de confiança de Fidel conhecem o paradeiro do Dr. Sabrido, e a embaixada de Cuba em Madri cumpre essa determinação com disciplina militar, como era de se esperar. Há cada seis meses este médico vai à Havana examinar seu paciente e sempre que Fidel deseja, ele é imediatamente levado a Cuba,
Alguns afirmam que Chávez tem 65% de chances de sobreviver mais uns 5 anos, outros que, nas mãos do “doutor dos milagres” ele ainda vai viver muitos anos, e outros ainda que ele só tem mais 1 ano e meio de vida. A verdade, de fato, somente em Cuba se sabe, daí porque não interessa de nenhuma maneira que ele venha tratar-se no Brasil. Ademais, os Castro têm um interesse fundamental na saúde de sua galinha dos ovos de ouro, daí porque o querem por perto para controlar o quadro e ter certeza de que está bem assistido. Por sua parte, Chávez deve aos Castro esse tratamento, e para tal os venezuelanos é que estão pagando - a peso de ouro -, através de um convênio firmado entre os dois países, para a confecção das novas identidades dos venezuelanos. Mas isto é um escândalo tão maiúsculo, que prefiro traduzir todo o documento e publicar depois.
No momento, a única coisa que me interessa é festejar a liberdade de Alejandro Peña Esclusa e continuar rogando a Deus que o proteja de todos os males, e o livre das falsas acusações que lhe imputaram. Na situação em que se encontrava, muito dificilmente Alejandro poderia sair daquela masmorra mas, quem duvida do poder de Deus? É a Sua Justiça sendo feita no tempo certo, que é o tempo Dele e não o nosso. Assistam a entrevista que Alejandro concedeu logo que foi libertado do Helicoide e continuemos nossa luta assinando a petição pedindo sua liberdade total, porque vencemos apenas uma batalha mas a guerra ainda não acabou. Fiquem com Deus e até a próxima!




Traduções e comentários: G. Salgueiro

sábado, 9 de julho de 2011

Entrevistas com Graça Salgueiro, Coronel Plazas Vega e Indira de Peña Esclusa

O Notalatina traz hoje uma edição diferente das demais, pois as notícias serão dadas através de três entrevistas em vídeos, de pessoas de diferentes países mas que são amigas, têm preocupações similares e, no fundo, falam do mesmo tema: a que levou o avanço do comunismo no continente através do Foro de São Paulo.
A primeira entrevista foi dada por mim sábado passado (02.07) ao programa “Café Colombo”, da Rádio Universitária FM, sob o comando de Renato Lima, Marcelo Sandes e Ketinaldo José, este responsável pela parte técnica da produção do programa. Foi agradabilíssimo o encontro, pois além da simpatia dos entrevistadores, o programa também comenta publicações de livros recém lançados e apresenta sugestão dos ouvintes. Nessa ocasião eu gravei uma sugestão de livro que repito aqui, porque deve ter aparecido apenas no programa da rádio: “Complot contra Colombia”, do coronel colombiano Luis Alberto Villamarín Pulido, meu amigo pessoal de quem sou tradutora oficial no Brasil, e que estará à venda em breve na Livraria Resistência Cultural, do José Lorêdo.
No mês de maio passado a mídia começou a especular sobre o conteúdo do livro “The FARC files: Venezuela, Ecuador and the Secret Archive of Raúl Reyes”, lançado pelo International Institute for Strategic Studies (IIES), publicando algumas correspondências encontradas nos computadores do abatido terrorista, informações que eu já havia publicado na ocasião em que vieram à tona os achados em tais equipamentos, em 2008. Algumas pessoas pediram minha opinião e eu disse que havia comprado o livro mas que, como não o havia recebido ainda, não faria nenhum comentário até tê-lo em mãos. O livro chegou há umas duas semanas mas não pude ler todo o conteúdo do CD que o acompanha, pois a quantidade de informações é vastíssima. Entretanto, pude confirmar o que havia dito quando a mídia inteira (e “renomados” jornalistas) divulgou correspondências que comprometem o Brasil: tudo não passava de pura especulação, pois nesta obra o instituto trata APENAS do relativo à Venezuela e ao Equador, e em nenhum momento sequer tangencia o Brasil. E por que estou contando isto agora? Porque tanto o relativo ao citado livro, como as notícias acerca da doença de Chávez já haviam sido abordadas por mim nesta entrevista, dada há uma semana, mas no Brasil elas só apareceram ontem... Confiram abaixo.





O segundo vídeo traz o coronel Plazas Vega em entrevista ao programa “El Radar” de Caracol TV, concedida ao jornalista Diego Fajardo, que foi à Escola de Infantaria onde está encarcerado o coronel. Nessa entrevista o coronel Plazas fala corajosamente que os tais “desaparecidos” devem ser questionados à promotora Angela María Buitrago, pois ela tem conhecimento de que os cadáveres estão no Ministério Público, acusa esta promotora e a juíza María Estela Jara de ter falsificado e usurpado dados de um cidadão que foi considerado a única testemunha de acusação em seu caso, e declara, mais uma vez, sua inocência dos crimes que o estão acusando.
Para os que acompanham o caso, vale muito a pena ouvir esta entrevista, pois com a tranqüilidade e segurança de quem fala a verdade, o coronel Plazas se defende com argumentos incontestáveis da maior aberração jurídica que se tem notícia na história do Direito. A propósito, seu livro “Desaparecidos: el negocio del dolor”, também estará à venda em breve na Livraria Resistência Cultural.




E, finalmente, Indira de Peña Esclusa, esposa do meu querido amigo Alejandro Peña Esclusa, fala ao programa La Hora de la Verdade conta ao Dr. Fernando Londoño o que se está fazendo para libertar Alejandro dos calabouços do SEBIN, onde está encarcerado. No próximo dia 12 deste mês vai fazer um ano que Alejandro está preso sem julgamento, por um crime que não cometeu. 

Agora que se evidencia a necessidade urgente dele se submeter ao tratamento requerido, após a retirada de um câncer de próstata no ano passado, pouco antes de sua prisão, o advogado que o defende luta para que se relaxe a prisão e que ele possa cumpri-la em casa. Pela informação dada nessa entrevista, no dia 05 o advogado entrou com uma petição no Tribunal anexando o aludo do Hospital Padre Machado, no qual a Medicatura Forense afirma que, pelos exames, o câncer está no estágio “T3”. O Tribunal teria (em tese) de 24 a 48 horas para se pronunciar, mas até o momento não se divulgou nada a respeito. Ouçam o que diz Indira:



Sem citar nenhum dos dois casos diretamente, explico o que está acontecendo no nosso continente nos dias de hoje e, para quem está acostumado com os temas que abordo, aqui ou em artigos, as entrevistas do coronel Plazas e Indira corroboram o que digo. Tenham todos um abençoado domingo e que Deus nos abençoe a todos!
Comentários: G. Salgueiro

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pronunciamento de Chávez - Vídeo inédito!

Informo aos amigos leitores que o site que hospeda o vídeo que apresentei nesta edição divulgada há pouco foi retirado do ar, mas prometo amanhã republicá-lo, dividido em duas partes, trabalho realizado por meu amigo Alex, o Cavaleiro do Templo, meu fiel escudeiro para assuntos tecnológicos.

Mas, enquanto este problema não é sanado, o Notalatina apresenta com exclusividade um vídeo de um pronunciamento aos venezuelanos que Chávez gravou em Havana há pouco mais de 1 hora, onde reconhece ter câncer. O destaque macabro fica por conta do momento em que ele afirma ter pedido socorro a Deus, este herege que levou toda a sua vida zombando do Criador, proferindo os piores impropérios contra a Igreja de Cristo e desafiando o Seu poder.

Agora, pequeno e humilhado, vem como uma criança má que chora para chantagear emocionalmente os pais, sem contudo reconhecer seus erros e pedir perdão. Não acredito em conversão, nem muito menos em qualquer sentimento de honestidade e sinceridade nessas palavras de um desesperado e rogo a Deus que lhe dê apenas o que ele merece, não duvidando nunca de que Deus é um Juiz Justo. O único. Fiquem com Deus e até amanhã, com a apresentação dos outros vídeos prometidos.

Comentários: G. Salgueiro

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O vídeo de Chávez e Fidel. Verdade ou mentira?

A cadeira de Fidel - que o acompanha para onde vai - e a saúde de Chávez


Esta é a última edição que o Notalatina faz a respeito da misteriosa situação de Chávez, até que apareçam informações concretas e que de fato contem a verdade ao público, nacional e estrangeiro. Não quero especular, como não fiz isto até hoje, mas apenas analisar as informações que vão chegando, como as desse vídeo divulgado ontem na Venezuela, supostamente tentando mostrar a “excelente” recuperação do ditador venezuelano no “paraíso revolucionário caribenho”, onde sua medicina é cantada em verso e prosa como a melhor do planeta, resultante da revolução.
Não me apressei em divulgar o vídeo porque quis analisá-lo primeiro e algumas coisas são realmente dignas de nota. Nas fotos apresentadas na última edição (que repito hoje), eu já havia salientado minha estranheza em ver um paciente recém submetido a uma cirurgia naqueles trajes desportivos, sentado de uma maneira tão despojada que mais parecia um visitante, e não um paciente. Observei também a cadeira na qual Fidel está sentado que me pareceu, naquele dia, ser a cadeira para o paciente que se encontra em todo quarto hospitalar. Pois bem, no vídeo que apresento hoje fiz uma descoberta muitíssimo interessante: esta cadeira é do próprio Fidel e o acompanha a todo lugar que vá, até mesmo no jardim do seu feudo, conhecido como “Punto Cero”, e que aparece no tal vídeo tomado no dia 28 de junho em companhia de Fidel. Vejam nos minutos 4’16”, quando ao fundo aparecem dois sujeitos carregando-a para o jardim e no 5’09”, quando saem com ela que depois aparece dentro de casa, na sala onde Fidel está conversando com Chávez. É a mesma do hospital.
Outra coisa que me pareceu esquisitíssima, é que Chávez parece não haver levado roupas para essa viagem tão prolongada - sim, a visita médica em Cuba já estava programada, segundo informações divulgadas -, pois a que ele veste no hospital onde supostamente estava internado é a mesma que veste na visita a Fidel. Observem a camisa interna - azul clara - e o uniforme desportivo representando a bandeira da Venezuela. Até mesmo do ponto de vista de higiene isto é inaceitável, fato também notado pelo médico urologista Luis González-Serva, que analisou as informações divulgadas sobre a saúde do ditador de Miraflores, que traduzi e peço que leiam com atenção no final desta edição. 
Disto tudo só posso concluir que há uma mentira governamental neste episódio, que não posso afirmar “aonde” está: se na doença real, ou na ausência completa dela. Houve em Cuba um fato muito curioso: pouco tempo depois do golpe dado por Fidel Castro e já iniciada a “revolução”, ele chamou Carlos Franqui, então diretor do jornal “Revolución”, hoje convertido no “Granma”, e disse-lhe que tinha problemas com Urrutia, então presidente do país colocado lá como enfeite por Castro. Então ele falou para Franqui que não queria “recorrer ao tão costumeiro golpe de Estado latino-americano” e sugeriu-lhe escrever - a portas fechadas -  alguma coisa bem sensacionalista na manchete do dia seguinte que depois ele iria aos canais de televisão se justificar. No dia seguinte o jornal trazia na primeira capa: “FIDEL RENUNCIA!”. O povo enlouqueceu, houve manifestações em todo o país e a “renúncia” se desfez. E permanece há 52 anos!
Ao ver nesse vídeo um Chávez igual ao que saiu da Venezuela (embora no Brasil se diga que ele está “visivelmente mais magro”), sorridente, falando pelos cotovelos e avivando a memória de um decrépito Fidel que mal consegue articular as palavras de modo compreensível, fiquei me perguntando se de fato ele está doente, ou se tudo isto não é mesmo uma armação publicitária - como a da “renúncia” de Fidel -, considerando sua queda de popularidade vertiginosa, as crises energéticas e de alimentação gravíssimas que o país está enfrentando, além das rebeliões em El Rodeo I e II que já contam mais de 160 mortos e as críticas severas dos Estado Unidos à PDVSA.
Por outro lado, se isto é uma jogada de marketing, por que cancelou-se a Cúpula do CELAC programada para o dia 05 de julho em ilha de Margarita? O Ministério de Relações Exteriores emitiu um comunicado ontem que diz textualmente: “Como é bem sabido pela opinião pública nacional e internacional, o Presidente da República Bolivariana da Venezuela, Comandante Hugo Chávez Frías, encontra-se em meio de um processo de recuperação e tratamento médico sumamente estrito. Por esta razão de força maior, o Governo Venezuelano, após consultas prévias aos Governos da América Latina e do Caribe, tomou a decisão de adiar a realização da III Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (CALC), inicialmente prevista para os dias 5 e 6 de julho de 2011 na Ilha de Margarita”.
Dias atrás, José Vicente Rangel, ex-vice-presidente e chavista até a medula, afirmou que Chávez voltaria “quando lhe desse na telha” e ontem, após divulgar o vídeo, o vice-presidente Elias Jaua disse que “estas imagens reafirmam o clamor do Governo venezuelano, de que o presidente Chávez está em um processo de recuperação e que tem todo o tempo disponível para fazê-lo”. Bem, mas a ser verdade, ele deveria também, como manda a Constituição Federal daquele país, delegar as funções a este sujeito servil que o defende, mesmo fazendo papel de fantoche neste momento diante do mundo inteiro. Então, frente a tantas contradições, mistérios, omissões e fantasias, deixo com vocês a palavra do médico urologista e o vídeo feito em Havana ante-ontem. De todo modo, até o dia 5 de julho, data em que se comemora os 200 anos de Independência da Venezuela, se saberá se Chávez está vivo ou morto, se está doente ou se tudo não passou de mais um golpe politiqueiro. Fiquem com Deus e até a próxima!
A prostatectomia radical em qualquer de suas formas, robótica ou aberta, raramente se complica de infecção da ferida e, menos ainda, de um abcesso pélvico, que é o tique repetitivo que nos têm vendido.

Um PET scan não é um dos requisitos para “estudar” (categorizar em que etapa está o câncer, se é metastásico ou não). O usual é uma tomografia computadorizada do abdômen e da pélvis, e um gammagrama ósseo, procurando extensão fora do âmbito da próstata, nos gânglios, vísceras e ossos. Quer dizer, seria um erro garrafal operar um paciente de próstata sem estes exames, e pior ainda: se há a mais mínima evidência de metástase, seria um erro negligente remover um órgão doente, quando já há satélites (metástase) em outras partes do corpo. Uma vez que o diagnóstico de câncer de próstata foi feito, a maioria dos urologistas não se arriscam a operar o paciente até que tenha passado ao menos seis semanas da biópsia transretal de próstata.

A infecção séria, septicemia, pode ocorrer em um paciente a cada 30 que faz uma biópsia prostática, elemento fundamental para fazer o diagnóstico de câncer desta glândula. E quase sempre ocorre entre 24 e 30 horas depois da biópsia. Além disso, é extremamente raro ver um abcesso pélvico depois de uma biópsia prostática.

Quanto à radiação, é o elemento mais negador da verossimilhança desta teoria. Quando se opera um câncer de próstata, o urologista faz esta operação com a certeza de que este é o único tipo de terapia que se necessita para esse paciente. Ao contrário do câncer de mama ou outros órgãos, onde desde o princípio sabe-se que o paciente pode requerer dois tipos de terapia (cirurgia mais radioterapia), e algumas vezes até três (os anteriores mais quimioterapia), no câncer de próstata ou se usa cirurgia, ou se usa somente radioterapia.

Agora bem, se o tumor estendeu-se à cápsula da próstata ou às vesículas seminais onde se forma a maioria do sêmen, um achado que só se sabe com certeza ao examinar patologicamente o órgão removido, então recomenda-se a radioterapia, quer seja “cedo”, que não é tão imediatamente como seu nome sugere, senão ao menos 4-6 meses depois da operação, para não acrescentar mais dano aos tecidos pélvicos, esfíncter urinário e reto, ou se espera por meses ou anos para a radioterapia adjuvante tardia, se é que o antígeno prostático (PSA), inicialmente indetectável (zero), comece a subir e se descartem metástase.

Em casos extremamente raros de enfermidade local extensa, em homens com menos de 60 anos, sem metástase, pode-se pensar em fazer cirurgia ou radioterapia, mas isto é raríssimo e muitos urologistas preferem tratamento hormonal (castração médica, sem remoção cirúrgica dos testículos), prévia (neo-adjuvante), concomitante e posterior (adjuvante) à radiação externa, por tempo variável, até por três anos.

Ainda, se faz-se a operação e o PSA permanece detectável no mês, pode-se considerar dar radioterapia, mas nunca imediatamente. Lamentavelmente neste caso em particular, de persistência de PSA no sangue, pensa-me mais, na presença de micro-metástases distantes, que não podem ser detectadas pelos métodos habituais e ocasionalmente, só com um PET scans, ou Capromab scans (que não creio que se esteja fazendo isso na Venezuela, pois mesmo nos Estados Unidos é muito raramente usado), meses depois da operação, e não imediatamente.

Conclusão: não é isto o que Chávez tem. Minha hipótese continua sendo a mesma que fiz no dia seguinte de sua intervenção, hoje há vinte dias. O comandante tem uma enfermidade séria na pélvis, quer seja inflamatória ou neoplásica, perfurada, complicada com um abcesso pélvico (isto é verdade), que requereu uma uma quantidade de tempo desproporcional no hospital, provavelmente seguida de outros procedimentos cirúrgicos.

As fotos com Fidel e Raúl há uma semana em um excelente quarto de hospital, não em uma terapia intensiva, sem um pedestal de soro, sem um monitor, sem um endovenoso, sem uma sonda vesicular, sem um tubo nasogástrico, sem pijamas e sem pantuflas (vestido com a bandeira venezuelana), me fazem pensar que foram falsificadas. Demasiado perfeitas e demasiado risonhos os personagens...

Se o paciente está tão bem, por que continua no hospital? Que vá ao Varadero ou venha para a Venezuela, para pôr ordem nesta bagunça caótica, valha a redundância, em que se converteu nossa pátria. Merecemos clareza. Lembra-me da enfermidade de Mao, de Fidel, com esse secretismo tão essencialmente marxista, certamente não a transparência dos líderes ocidentais, quando sabemos até das colonoscopias que lhes fazem...

Luis González-Serva - Urologista



Traduções e comentários: G. Salgueiro

sábado, 25 de junho de 2011

Novas informações sobre o sumiço de Chávez

O Notalatina volta a falar sobre o mistério da ausência de Chávez, hoje com informações mais concretas, graves e de fonte confiável. O ponto forte desta edição de hoje, entretanto, fica por conta de dois vídeos (no final da edição) de uma entrevista concedida pelo tenente venezuelano exilado em Miami, José Antonio Colina, presidente da associação Veppex (Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio) ao jornalista Tomas García Fuste, da Telemiami, em seu programa “Buenos Días Miami” de ontem (24.06). 
As informações que este senhor oferece na entrevista coincidem com as publicadas pelo jornal “El Nuevo Herald” de Miami. Um jornalista venezuelano muito sério e bem conceituado, Casto Ocando, publicou através de sua conta no Twitter entre ontem e hoje, as seguintes mensagens: “Comentários sobre ‘transição’ de Diosdado Cabello em reunião com militares no Círculo Militar, na terça-feira 21, continuam criando ondas expansivas”; “Diosdado falou a militares da necessidade de preservar a Revolução, ‘porque os homens passam’, referência à potencial incapacidade de Chávez”; “Distribuem circular nos quartéis que insta a não se fazer eco de rumores sobre a má saúde presidencial, e fazer frente à desmoralização”; “Chancelaria brasileira expressa preocupação pela grave situação de Chávez, e se prepara para eventual sucessão”.
Bem, dias atrás o Granma andou publicando umas fotos da visita de Fidel e Raúl ao hospital onde supostamente Chávez está internado, mas não consegui tragá-las como verdadeiras pelas seguintes razões: quando Chávez iniciou seu giro, primeiro no Brasil, depois Equador e finalmente Cuba, ele estava andando com auxílio de uma bengala alegando um problema no joelho, que ninguém sabe se era verdade ou não, mas que serviu de desculpa para ir a Cuba fazer um tratamento. Nas fotos publicadas abaixo vê-se Chávez em trajes desportivos e usando tênis sentado numa cadeira comum, enquanto que Fidel está sentado na cadeira que é reservada ao paciente que ocupa o quarto hospitalar. 


Em outra foto, Chávez aparece com os joelhos dobrados (impossível para quem está com algum problema que impede a deambulação!) enquanto ouve Fidel, e em outra ainda, onde os três estão de pé, é Fidel quem se apóia em Chávez e não o contrário. Ademais, em meus longos anos trabalhando em hospital, JAMAIS soube que um paciente recém cirurgiado poderia usar roupas desse tipo e ainda mais tênis no próprio quarto, em vez de pijamas. 


A impressão que me ficou foi de que estas fotos são antigas, do tempo em que Fidel esteve internado, para dar a entender que Chávez está muito bem de saúde mas eles exageraram na dose, pois são mestres em criar fraudes grosseiras. Vejam e tirem suas próprias conclusões. Segundo os informes o estado de saúde de Chávez é grave, ele tem câncer de próstata e está fazendo quimioterapia, o que inevitavelmente leva à queda de cabelos, portanto, essa foto não pode ter sido tirada esta semana.
A oposição anda enfurecida com a falta de informações sobre este misterioso caso, sobretudo porque Chávez continua governando desde Cuba. Ele não delegou oficialmente as funções ao seu vice, como corresponderia, e ninguém sabe se é ele mesmo quem está enviando as mensagens via Twitter ou se são os Castro quem estão escrevendo, decidindo e falando por ele. O fato concreto é que o Governo está à deriva, sobretudo porque, se Chávez morrer, não terá deixado um “herdeiro” político pois não confia em ninguém. Acabei de receber de um correspondente venezuelano (que por segurança omito o nome) o relato de uns informes de inteligência que falam do rebuliço que está havendo na cúpula do governo, onde os urubus já começam a disputar o botim, mesmo com o homem ainda vivo.
Traduzo abaixo os informes de inteligência e o artigo de “El Nuevo Herald”, para que vocês possam tirar suas conclusões. O certo é que, como diz um ditado colombiano, “quando o rio soa, muitas pedras traz”. Entretanto, como parece haver um prazer mórbido em torno deste mistério, eu não me espantaria se ocorresse uma dessas duas alternativas contraditórias: ser anunciada em breve a morte de Chávez, ou ele aparecer vivinho e histérico como sempre no desfile de 5 de julho, Dia da Independência da Venezuela. Não deixem de assistir no final desta edição os vídeos do tenente Colina. Fiquem com Deus e até a próxima!
*****
Em meio desta situação de hermetismo informativo que deixou os dirigentes chavistas surpresos e com as calças na mão, aos quais nunca lhes passou pela cabeça que seu único líder era um comum mortal, começaram a aflorar as apetências e mesquinharias dos que usufruíram do poder em treze anos montados no porta-aviões Hugo Rafael Chávez Frías.
Convencido de que a revolução sem um Chávez não tem vida, o primeiro aspirante à sucessão do caudilho foi seu próprio irmão Adán, atual governador do estado Barinas, que entre viagens e viagens a Havana, Caracas e Barinas começou a mover os fios para vender a imagem de que seu irmão não sobrevive, que está muito mal e há que acelerar os tempos para arrancar sua apresentação como “herdeiro”. O informe de inteligência que me passaram indicaria que Adán, que não tem tido uma relação fluida com seu irmão desde que saiu do Ministério da Educação e aquele lhe questionou um contrato com uma empresa de seguros, estaria se movendo supostamente em conchavo com Jaua (Elias Jaua, vice-presidente da Venezuela. GS) para assumir a liderança do processo, na eventualidade de que Hugo Rafael não possa se apresentar como candidato em 2012.
Um heterogêneo grupo de radicais comunistas, inclusive uns muito pró-cubanos da Frente Francisco de Miranda, estariam se movendo nesse sentido. É preciso advertir que os irmãos Castro estão conscientes de que seu aliado verdadeiro - e mais que comprovado - é o atual mandatário e assim fizeram saber aos viajantes que vão a Cuba. Outro grupo, encabeçado por militares participantes dos Golpes de Estado de 1992, está observando calado o desenrolar dos acontecimentos. As consultas a distintos médicos por parte dos aspirantes à sucessão se incrementaram, e por isso a diversidade e variedade dos rumores espargidos no que parece uma muito bem montada campanha de especulação e desânimo destinada aos seguidores do processo.
Pergunta-se: Vocês leram em algum lugar que se dissera que a “sucessão” ou a “cura” do tirano é o que mais convém à Venezuela e aos venezuelanos? NÃO, não é mesmo? O que se observa é que “Belchior, Baltazar e Gaspar”, estão dependendo de se manter no poder, visto que, se perdê-lo, irão TODOS dar com seu ossos nos cárceres do país e em Haia!
Nova ordem no Hospital Militar: o presidente chega em 30 de junho
Não lhes disseram oficialmente se o problema de saúde de Hugo Chávez Frías é de próstata, do intestino ou do joelho. Entretanto, pelos médicos que foram consultados, leva-se a crer que é algo intestinal. A remodelação da chamada área presidencial do Hospital Militar Carlos Arvelo se acelerou, e está pronta para receber seu hóspede mais importante. O último informe que se tem, desde ontem, é que o enfermo recolhido em Cuba poderia estar em condições de vir ao país no próximo dia 30 de junho, e hospitalizar-se lá para os últimos dias de seu repouso e se preparar para estar em forma e presidir, tanto o desfile militar de 5 de julho como a Primeira Cúpula Latino-Americana e do Caribe que deverá acontecer na ilha de Margarita, que não foi suspensa, pois hoje mesmo estão lá delegações presidenciais checando seu transporte e alojamentos.
No Hospital Militar já foram tomadas certas medidas de segurança ante a eventualidade de que o chefe de Estado chegue na próxima semana: não estão atendendo emergências, senão naqueles casos onde esteja comprometida a vida do paciente; acondicionou-se toda a chamada “área de alta hierarquia” do 9º andar até o 11º; só estão atendendo os filiados; todo o pessoal foi identificado novamente; as grades dos arredores foram fechadas e já não são reservistas os que estão nas portas, senão pessoal de carreira, como capitães e tenentes, algo inusitado para esta função.
Esperam que no fim de semana um dos médicos militares venezuelanos que o viram tragam o informe detalhado da doença presidencial, para aqui estarem preparados e poder seguir o tratamento indicado pelos médicos cubanos e o espanhol que o operaram no Centro de Investigações Médico Cirúrgico (CIMEQ, na sigla em espanhol) de Havana.
Tudo é um “segredo de Estado”. Novamente ficam no ar algumas perguntas: cólon, próstata, intestino, joelho, câncer ou uma simples gripe que se complicou? Quando teremos uma informação veraz, oportuna e certa, sem manipulações nem secretismos vermelhos vermelhinhos? Quando chamarem o povo para o recebimento apoteótico de seu caudilho enfermo, saberemos.

Em estado crítico a saúde de Chávez

Antonio Maria Delgado - El Nuevo Herald
O presidente venezuelano Hugo Chávez, que encontra-se internado em um hospital de Havana, estaria atravessando um “quadro clínico crítico”, disseram nesta sexta-feira fontes de inteligência americanas. As fontes, que falaram sob a condição de anonimato, disseram que não podiam confirmar versões de que o mandatário venezuelano está sendo tratado de um câncer de próstata, versão que está sendo sussurrada com cada vez mais freqüência nas altas esferas venezuelanas.
Porém, o estado de saúde do mandatário venezuelano, que sofreu uma intervenção cirúrgica há duas semanas em Havana, “encontra-se em um estado crítico, não grave, mas sim crítico, complicado”, indicou uma das fontes consultadas, cuja identidade não pode ser revelada devido à sensível posição em que se encontra.
Por outro lado, as fontes de inteligência que estiveram seguindo de perto a situação em Caracas confirmaram que a filha de Chávez, Rosinés, conjuntamente com sua mãe, Marisabel Rodríguez, saíra da Venezuela misteriosamente com rumo a Cuba em um avião da Força Aérea. “Levaram de urgência Marisabel e sua filha”, comentou outra das fontes. “Isso foi há 72 horas”.
O hermetismo sobre o estado de saúde do mandatário e sua longa ausência acentuaram a incerteza sobre o verdadeiro estado físico do mandatário. As aparições em público foram muito limitadas desde que Chávez aterrissou em Havana, limitando-se a uma breve gravação no início, algumas fotos e na sexta-feira umas mensagens de Twitter que não deram detalhes sobre sua saúde nem sobre quando regressará a Caracas.
“Hoje é o dia do meu Exército e o sol amanheceu brilhante. Vai um gigantesco abraço a meus soldados e meu povo amado”, escreveu o mandatário, que enviou quatro mensagens desde a rede social, da qual estava ausente desde 4 de junho.
Segundo o governo, Chávez teria sido operado de um abcesso pélvico em 10 de junho em Havana, onde se encontrava em visita oficial. Desde então, os rumores sobre seu estado de saúde não cessam na Venezuela, devido a ausência absoluta de informe médicos e ao mutismo de Chávez, que normalmente é um presidente hiper-ativo e midiático.
A coalizão opositora, Mesa da Unidade Democrática (MUD) exigiu esta semana partes médicas diárias sobre a saúde do presidente. “Não ao secretismo desta matéria. Em governos autoritários se enviam fotos. E, democracia, há informação”, frisou o deputado Américo de Grazia, em nome do bloco opositor, referindo-se a umas fotos de Chávez junto ao ex-governante cubano Fidel Castro, divulgadas há uma semana.
Os crescentes rumores que apontam para uma grave deterioração do estado de saúde de Chávez, estão gerando grandes dúvidas sobre o que aconteceria na Venezuela se o mandatário, por alguma razão, se vir obrigado a se afastar do cargo, ante a existência de distintas facções dentro do chavismo que estão confrontadas, e o fato de que o chefe do movimento revolucionário nunca ungiu um sucessor.
Analistas assinalam que inclusive a percepção de que Chávez poderia afastar-se por um tempo do poder seria suficiente para gerar um forte choque interno pelo controle do movimento que ele lidera. No momento, os máximos funcionários do governo redobraram os esforços para distribuir um ar de tranqüilidade repetindo reiteradamente, sem dar detalhes, que Chávez se recupera satisfatoriamente.
Eu posso dar fé sobre a saúde do presidente”, disse o governador do estado Barinas e irmão mais velho do mandatário, Adán Chávez, em declarações difundidas pela televisão estatal na terça-feira. “Ele está se recuperando satisfatoriamente. O presidente é um homem forte”, acrescentou.
VEPPEX - José A. Colina fala sobre a enfermidade de Chávez - Parte 1




Parte 2



Comentários e traduções: G. Salgueiro

terça-feira, 21 de junho de 2011

Fim do mistério sobre a morte de Chávez

Acabou-se o mistério. Pelo menos o que dava como certo que Chávez havia morrido em Cuba hoje.
No início da tarde recebi de um amigo a seguinte nota: “Fontes confidenciais confirmaram a morte do presidente da República Bolivariana da Venezuela. A causa foi um AVC. Entretanto, não divulgaram a informação e se concentraram no caso de El Rodeo para evitar perguntas sobre onde está o presidente. É uma perfeita cortina de fumaça, enquanto se organiza como ficará o país através de uma tomada de posse violenta e sem consultas. Divulgue esta mensagem para poder obter a verdade”.
Então eu divulguei para meus contatos, sobretudo cubanos e venezuelanos para ver se alguém tinha informação concreta a respeito, sobretudo porque o próprio Fidel Castro teve sua morte noticiada centenas de vezes e continua vivo, infernizando o mundo. Então, no início da noite me chegaram algumas informações que nem afirmam nem desmentem, mas que parecem esclarecer o que, a meu ver, não passou de um equívoco. Se intencional ou não, não sei. 

O venezuelano ilustre que morreu em Cuba foi o Controlador Geral da República, Clodosbaldo Russián (na foto), em decorrência de um AVC isquêmico ocorrido em 22 de abril passado. Em maio ele foi transferido para Havana e, apesar da “excelência” da medicina cubana, ele teve complicações renais que o levou ao óbito. Esta informação foi oficialmente divulgada e a encontrei em Noticia al Día.
De Chávez, entretanto, não se sabe nada concreto. Há muitos boatos e especulações, dentre eles que Chávez já voltou ao país e está escondido no 9º andar do Hospital Militar; que ele tem uma bactéria, foi operado e se recupera favoravelmente; que levou um tiro; que tem uma infecção muito forte; e que não tem nada mas apenas está escondido no Hospital Militar esperando a poeira sentar.

Mas há também informações - ou especulações - de que em decorrência de sua perda de popularidade, estão divulgando falsas notícias para que ele faça uma entrada “triunfal” para o desfile de 5 de julho, como um ressuscitado, um guerreiro sobrevivente e recuperar a popularidade perdida.
Bem, a verdade é que fatos muito graves ocorreram do fim de maio até agora, e Chávez estava em uma encruzilhada. Primeiro foram as críticas do governo americano em relação à petroleira venezuelana, PDVSA, que gerou protestos furibundos do governo e líderes do partido dominante, o PSUV. Depois, na sexta-feira 10 de junho, quando Chávez já estava em Cuba, ocorreu um apagão em decorrência de uma falha nos transformadores da subestação de El Tablazo (Zulia) deixando sem luz os estados Táchira, Mérida, Trujillo e partes de Barinas. Chávez, evidentemente, acusou a “oposição golpista” de estar por trás dessa falhas elétricas.
E, finalmente, no sábado 11, aconteceu uma grande rebelião na penitenciária “El Rodeo I”, estendendo-se depois para o complexo II, deixando um saldo de 21 mortos, segundo a versão oficial (que podem ser muitos mais). O impressionante deste fato foi não só o tiroteio por parte da Guarda Nacional mas a quantidade de armamentos pesados em poder dos detentos, dentre eles pistolas, sub-metralhadoras HK, UZI, granadas fragmentárias, escopetas de repetição, além de drogas, muitas drogas.
O advogado especialista em Direitos Humanos, Carlos Nieto, afirmou enfaticamente que as armas e drogas que entram livremente nas penitenciárias são introduzidas por funcionários do Ministério de Interior e Justiça e da Guarda Nacional (GN). Ele afirmou isso baseado em que todas pessoas que vão visitar seus parentes sofrem uma revista rigorosa e, convenhamos, como alguém pode “esconder” uma FAL, uma metralhadora -  mesmo que desmontada - ou granada nas roupas íntimas, sem que se perceba na revista onde praticamente se fica despido? Nieto acusa ainda os excessos cometidos pela GN, inclusive contra os jornalistas que cobriam o evento, sendo confirmado pela jornalista Adriana Rivera, do jornal El Nacional, que relatou pelo Twitter: “Jamais havia escrito uma nota deitada no chão por medo dos disparos. O tiroteio em El Rodeo é impressionante. A Guarda Nacional Bolivariana tomou os bairros vizinhos”.

Segundo fontes oficiais, os mortos chegaram a 21
Bem, e nós sabemos que quem manda nos quartéis, nas penitenciárias e em toda a vida nacional venezuelana são os cubanos e as FARC. Então, nada mais providencial do que armar os detentos - que não têm nada a preder - e criar um tumulto de grandes proporções como esses de El Rodeo I e II, para distrair a população sobre os fracassos de seu ditador, enquanto ele recicla os planos com seus amos Castro. Por ora, não creio que este tirano psicopata e grosseirão tenha morrido mas, quando isto ocorrer, o Notalatina dará a notícia com pompa e circunstância. Fiquem com Deus e até a próxima!
Comentários e traduções: G. Salgueiro