segunda-feira, 13 de junho de 2011

A liberdade do Coronel Plazas Vega está a caminho!

Escrevo desde Bogotá, onde devo ficar até amanhã, para relatar alguns fatos absolutamente invisíveis à mídia brasileira. A Colômbia que encontrei hoje, um ano depois de ter visitado o país pela primeira vez, é absolutamente o contrário daquilo que vi e senti ano passado. Como acompanho diariamente o desenrolar dos acontecimentos neste belo e querido país, cujo terrorismo nos ronda e afronta diretamente através das alianças FARC-PCC-CV com a total omissão e conivência do Estado brasileiro, estava ciente de que o novo governo aos poucos vai deixando claro que não tem, nem muito menos quer ter qualquer semelhança ao anterior, do presidente Álvaro Uribe. Entretanto, conhecer o que se passa em letras é uma coisa; ao vivo, vendo as pessoas cara-a-cara é outra, bem diferente.
Ontem tive a grata satisfação de conhecer pessoalmente (e passar boa parte do dia) o corajoso e combativo jornalista Ricardo Puentes Melo, mais um querido amigo colombiano, e a emoção de conhecer que o herói do Exército colombiano, hoje preso na Escola de Infantaria, Coronel Luis Alfonso Plazas Vega, que aguarda o julgamento em segunda instância do tenebroso caso em que foi condenado a 30 trinta anos de cárcere por salvar o Palácio da Justiça e mais de 260 pessoas do ataque terrorista cometido pelo bando “M-19”, poderá em breve ser libertado, conforme nos contou Ricardo.
E é sobre estes dois amigos queridos que esta edição de hoje vai tratar, embora para os brasileiros esses fatos não façam sentido porque, como me dizem freqüentemente, “isso é problema deles”. O texto que segue abaixo é a tradução da última edição do artigo que Ricardo Puentes escreveu sobre a “testemunha-estrela” do caso do Coronel Plazas. Ele é um pouco longo, mas absolutamente indispensável para que se conheça como opera a Justiça colombiana, totalmente dominada por “ex” terroristas, e que nos remete ao nosso STF. Como já deve ser claro para quem estuda e tem olhos para ver, o gramscismo está alcançando mais um de seus estágios de dominação - e talvez o último -, considerando que a cultura, as universidades e escolas, a mídia, os parlamentos, a igreja e a forma de se alcançar o poder por meios democráticos através do voto, já estão completamente dominados. Cabe agora aos tribunais superiores dar o golpe mortal, transformando os magistrados e suas cortes em “tribunais revolucionários”. Ricardo Puentes está sendo ameaçado, ele e sua família, por vir denunciando todos estes crimes encobertos que canalhamente montaram contra o Coronel Plazas.
E para concluir esta edição, informo que brevemente a Livraria Resistência Cultural estará disponibilizando a venda das obras do Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido, de quem sou amiga pessoal e tradutora no Brasil, além do último livro do Coronel Luis Alfonso Plazas Vega, “Desaparecidos: el negocio del dolor” e o de sua esposa, Thania Vega, intitulado “¡Qué injusticia!”. E no final desta edição, a entrevista que Ricardo Puentes ofereceu há poucas horas a Fernando Londoño, em seu programa “La Hora de la Verdad”. Espero que meditem seriamente a respeito porque não tenho dúvida de que podemos dizer: este é o Brasil de amanhã. Desfrutem. Fiquem com Deus e até a volta!
Comentários e tradução: G. Salgueiro
“O Ministério Público vai me assassinar se eu falar”, diz a testemunha-estrela contra Plazas Vega
Olavo, eu e Ricardo Puentes Melo, em Bogotá
Ricardo Puentes Melo
Sim. Apareceu o cabo Edgar Villamizar Espinel e, antes de falar conosco, assegurou com a resignação de quem conhece como atua a máfia: “Uma vez que eu fale, o Ministério Público Geral da Nação vai me assassinar...”. Dissemos com todos os tons e cores: aqui há uma mão negra, um Cartel da Toga que está montando processos contra os militares, prevaricando e delinqüindo, valendo-se de umas instituições sagradas às quais estes infames estão maculando.
Periodismo Sin Fronteras encontrou o cabo Edgar Villamizar Espinel, a única testemunha que restou ao Ministério Público (Fiscalía) depois que os outros foram desvirtuados e ficasse demonstrado que seus testemunhos eram comprovadamente falsos. Para refrescar a memória de nossos leitores, o testemunho com o qual se condenou o coronel Plazas Vega pelo resto da vida, é uma declaração escrita em quatro páginas, sem data, sem carimbo do Ministério Público, com um estilo que evidencia sua feitura por parte de um advogado, e não de uma testemunha que se apresenta para depor voluntariamente.
Nesta “declaração”, uma pessoa que diz se chamar Edgar Villarreal, cabo do Exército e ex-funcionário do CTI do Ministério Público, narra fatos inverossímeis. Diz este “Villarreal” em seu testemunho, que ele se encontrava em Granada, Meta, no momento da sangrenta tomada do Palácio da Justiça (planejada, dentre outros, por Gustavo Petro, hoje candidato à Prefeitura de Bogotá). “Villarreal” conta também, que de imediato o puseram em um helicóptero - que na época não existia no país - junto com outros militares, e os trouxeram a Bogotá em uma viagem de velocidades fantásticas. Diz também que chegou ao Palácio da Justiça, combateu, escutou pessoalmente Plazas Vega ordenar a “pendurar esses fdp” (referindo-se aos “desaparecidos”) enquanto comia empanadas em uma loja de departamentos próxima ao Palácio da Justiça, e que depois foi dormir enquanto Plazas e o resto dos militares continuavam em combate com a narco-guerrilha do M-19 (ver o fabuloso relato em: http://www.periodismosinfronteras.com/el-testigo-estrella-contra-plazas-vega-un-chiste.html).
Embora o depoimento não tenha o carimbo do Ministério Público, e tenha sido tomado pelas costas da defesa do Coronel Plazas Vega, lá a rubricaram a Promotora Ángela María Buitrago Ruiz, o Agente Especial do Ministério Público, Henry Bustos Alba, o investigador Efrén González, o Promotor Auxiliar José Darío Cedial Serrano, Pablo E. Vásquez H., investigador e, certamente, a testemunha-estrela: Edgar Villarreal. Todos prevaricadores.
As surpresas começam a aparecer aqui. Este Edgar Villarreal assina com o número de cédula de identidade 13.452.278, de Cúcuta, e narra os fatos mencionados, acrescentando que ouviu os gritos desesperados dos “desaparecidos” do Palácio enquanto estavam sendo torturados por Plazas Vega e outros militares. Ocorre que esse número de identidade não corresponde a nenhum Edgar Villarreal, senão a Edgar Villamizar Espinel.
Ao investigar, achou-se que efetivamente um Edgar Villamizar Espinel esteve em Granada e que certos dados de seu depoimento, como trajetória e amigos mencionados, se encaixam com os dados de Edgar Villamizar Espinel.
Ao se perguntar à Promotora Buitrago e à juíza por esta abominação, elas disseram que havia sido um pequeno erro de transcrição, mas que a testemunha efetivamente se chamava Edgar Villamizar Espinel, e não “Edgar Villarreal” como aparecia “erroneamente” no depoimento. Então, a Promotora anexou a “correção” ao processo e incluiu o currículo do cabo Edgar Villamizar Espinel. Depois, disse que o cabo Villamizar negava-se a assistir às múltiplas citações feitas pelo Ministério Público, acrescentando temor por sua vida. E assunto resolvido. Ou, ao menos, elas acreditam nisso.
Descobrimos que a assinatura de quem rubricava como “Edgar Villarreal” não tinha os rasgos grafológicos de Edgar Villamizar Espinel. Assim, nos demos ao trabalho de procurá-lo. Com as hipóteses de que, ou bem Villamizar Espinel era um malandro renomado que havia recebido dinheiro em troca de oferecer seus dados e oferecer a alguém seu número de identidade para que assinasse por ele, ou bem tinha um pecado escondido pelo qual estava sendo extorquido para que não se apresentasse a depor, começamos a procura.
De fato, descobrimos que antes de 1991 aparecia no Ministério Público seu nome com seu número de identidade com um dado: “Suspeito de homicídio”. Presumindo sua periculosidade, porém desejosos de conhecer a verdade, o encontramos em um lugar recôndito da Colômbia aonde chegamos, não sem certa dificuldade.
Edgar Villamizar Espinel. Usado falsamente pelo Ministério Público Geral da Nação para condenar Plazas Vega, e os generais Arias Cabrales e Ramírez
Créditos da foto: "Periodismo Sin Fronteras"
Certamente Edgar Villamizar Espinel me recebeu com certa prevenção, em grande parte devido ao escrito satírico que eu havia publicado sobre seu testemunho. E aqui se começou a conhecer a verdade. Na entrevista que ele concedeu a Periodismo Sin Fronteras, com a condição de que não seria publicada até que ele estivesse a salvo e sua família protegida, nos contou o seguinte: 
1. Ele, Edgar Villamizar Espinel, jamais esteve nos fatos do Palácio da Justiça nos dias da tomada por parte da guerrilha do M-19, isto é, em 6 e 7 de novembro de 1985.
2. Jamais em sua vida ele viu pessoalmente o Coronel Plazas e, portanto, é falso que tenha estado com ele e tenha ouvido ele mandar pendurar ninguém.
3. Jamais esteve na Escola de Cavalaria dando essa declaração que a Promotora Ángela María Buitrago, Henry Bustos Alba, Efrén González, Pablo E. Vásquez H. e José Darío Cediel Serrano assinaram, acreditando como verdadeira. Edgar Villamamizar não fez essa declaração com a qual condenaram o Coronel Plazas: “Essa não é minha assinatura, nem o que se diz lá é meu depoimento... Eu jamais declarei essas coisas ante nenhuma entidade”, esclareceu-nos.
4. O Ministério Público Geral da Nação jamais o intimou a depor. É falso, diz Villamizar, que lhe tenham expedido notas de intimação, ou que ele tenha telefonado para dizer que não compareceria para depor por medo. Villamizar nos assegurou que nunca foi intimado a depor e desafia a quem quer que seja para que veja as intimações e lhe comprovem se ele as assinou como recebidas.
5. Muitos dos dados de sua vida que aparecem no depoimento já citado, são falsos. Por exemplo, nem ele nasceu em Cúcuta nem é graduado em Biologia.
6. O Ministério Público Geral da Nação o contatou sim, porém para tratar de obrigá-lo a assinar esse depoimento falso como se fosse seu. Ao que ele negou-se com firmeza.
Perguntei por que razão ele não havia se apresentado para esclarecer esses assuntos e ele me olhou como se não pudesse acreditar em minha ingenuidade. “Eu trabalhei com a CTI do Ministério Público, senhor jornalista... Sei do que são capazes... Vi muitas coisas ali. Com esta declaração que estou lhe dando, estou pondo minha cabeça a prêmio. Minha sentença de morte é certa. O Ministério Público vai me assassinar e muito seguramente fará o mesmo com meu filho e meu neto...”.
Perguntei-lhe pelo assunto de sua ficha como “suspeito de homicídio” por volta de 1991 e seu argumento foi contundente: “Depois dessa data eu entrei para o Ministério Público. Como pode ser possível que tendo uma ficha como esta me tenham aceitado? Como é possível que meu currículo lá esteja cheio de méritos?”. Indubitavelmente, uma boa resposta.
Minha percepção pessoal é que o Ministério Público Geral da Nação se aproveitou deste homem que, apesar de ser expert em temas como defesa pessoal e segurança, é incauto para outras coisas. Certamente, devem ter tratado de subornar Villamizar e, como se deram conta de que o caminho não era por aí, o ameaçaram, a ele e a seu filho.
Edgar Villamizar ama ardorosamente seu filho e os do Ministério Público devem ter descoberto essa “debilidade”. A prova da boa-fé de Edgar Villamizar é que quando lhe propus que fosse ter com um homem que demonstrou a toda prova ser dos poucos honestos e íntegros desse país, nem sequer duvidou.
Edgar Villamizar pediu uma audiência com o Dr. Alejandro Ordóñez, Procurador Geral da Nação, e lá foi contar suas penúrias. O que significa tudo isto que nos narrou o cabo Edgar Villamizar Espinel? Que temos um Ministério Público corrupto até os ossos. Que temos uma justiça infame e criminosa. Que quem está governando aqui é o Cartel da Toga, montando processos, comprando testemunhas, ameaçando, extorquindo e assassinando. 
O que nos conta o cabo Villamizar Espinel nos deixa com os cabelos em pé, ao pensar em que espécie de mãos está o país. Enquanto a Corte Suprema de Justiça presta homenagens a juízes relacionados com a máfia; enquanto os mesmos magistrados da Corte vão a passeios com mafiosos e vagabundos; enquanto o Ministério Público é usado como uma empresa criminosa para benefício da marginalidade, enviando ao cárcere militares honestos como o Coronel Plazas Vega e os generais Arias Cabrales e Iván Ramírez, ninguém pode dar credibilidade às sentenças destes sem-vergonhas. O país está de joelhos ante este conchavo mafioso de juízes, promotores, narcotraficantes e guerrilheiros.
Plazas Vega deve ser posto em liberdade de imediato! Os generais Arias Cabrales e Iván Ramírez devem ficar livres já!
Se existe algo de justiça neste país, os juízes e promotores honestos (poucos, mas claro que existem) devem abandonar o medo e iniciar a investigação contra a juíza María Estella Jara e a promotora Angela María Buitrago, por violação ao devido processo, por prevaricato. Do mesmo modo com os outros assinantes dessa falsa declaração: Henry Bustos Alba, Efrén González, Pablo E. Vásquez e José Darío Cediel Serrano. Deve-se investigar a relação exata que têm a juíza e a promotora com o guerrilheiro René Guarín Cortés. E deve-se esquadrinhar o papel do Coletivo de Advogados Alvear Restrepo nesta montagem criminosa. E que se investigue quem assinou como se fosse Edgar Villamizar Espinel. Suspeitamos que foi o delegado da Procuradoria, Henry Bustos Alba. 
Que também se esquadrinhe sobre o papel que tiveram aqui os Promotores gerais Alfonso Gómez Méndez e Mario Iguarán. E que se analise o papel da atual Promotora, Viviane Morales, esposa de um terrorista guerrilheiro do M-19 e ficha política do tenebroso Gómez Méndez. Porque aqui fica demonstrado que existe sim um cartel mafioso de juízes, promotores e magistrados.
Também fica claro que todo este aberrante processo do Palácio da Justiça, contra militares íntegros, verdadeiros heróis que defenderam a pátria contra os desejos de Petro, Otty Patiño, Ever Bustamente, Antonio Navarro, Vera Grabe e seus demais sequazes de converter isto em uma ditadura narco-comunista, deve nos servir de alarme despertador para os outros casos infames que o Ministério Público montou contra o nosso Exército. Sem ir mais longe, contra o general Rito Alejo del Río, contra o coronel Mejía Gutiérrez, contra o general Uscátegui e vários outros mais.
Que se declare nulo o processo do Palácio da Justiça. Que se faça um grande julgamento aberto ao público para que nos contem todas as velhacarias criminosas do Cartel da Toga. Que se reabra um processo limpo sobre o que aconteceu no Palácio da Justiça e que se chamem para depor os criminosos, dentre eles o atual candidato à Prefeitura de Bogotá, Gustavo Petro Urrego. Também Vera Grabe, Otty Patiño, Ever Bustamente, Navarro Wolf... Todos eles. Que se lhes revogue o indulto concedido por seu mentor, César Gaviria Trujillo.
Por que publicamos este relato somente depois de mais de 20 dias que Edgar Villamizar nos concedeu a entrevista? Por outro evento grave que tememos. Edgar Villamizar, seu filho e eu, combinamos nesta sexta-feira 10 de junho de 2011 a acompanhá-lo ante o Ministério do Interior com o objetivo de providenciar-lhes um esquema de segurança que garantisse suas vidas.
Edgar Villamizar não se apresentou. Na noite anterior, quer dizer, na quinta-feira, o Sr. Villamizar me fez uma chamada telefônica. Notei que ele estava extremamente nervoso. Disse-me que não podia falar nesse momento, que coisas novas haviam acontecido com ele e que me chamaria de manhã cedo de uma cabine telefônica quando chegasse a Bogotá. Porém, nunca chamou. Oxalá as forças obscuras que manejam este país não o tenham desaparecido. Perderiam seu tempo porque ele já contou sua história na Procuradoria Geral da Nação.
Assim pois, queridos leitores, a alegria enorme que sinto pela liberdade obrigatória do Coronel Plazas Vega e dos Generais Arias Cabrales e Iván Ramírez não está completa. E não está porque, além disso, esta conquista deixa a descoberto uma mar de podridão nas instituições que, precisamente, foram criadas para nos proteger dos delinqüentes. A alegria não é completa porque o avanço criminoso e sanguinário das guerrilhas comunistas e seus irmãos siameses - os partidos de esquerda - se apoderaram da Colômbia com o empenho de colocar atrás das grades nossos militares honestos - que são os únicos que podem frear seu avanço -, contando com a participação ativa deste governo que impudicamente deu as costas aos que o elegemos acreditando em suas promessas vazias de derrotar as guerrilhas, quando o que na realidade sempre procurou foi co-governar com elas.
E a grande imprensa deste país? Nada! São cúmplices desta infâmia. Mas isto será outro tema. Entretanto, devemos ir pensando em que este país fica com a gratidão eterna ao Coronel Alfonso Plazas Vega, maculado, humilhado, criticado, difamado pela imprensa, por políticos, juízes, promotores, magistrados... Plazas Vega, que nos salvou da ameaça narco-comunista; que foi objeto do falso testemunho de Gustavo Petro, que jurou ante a lei ter sido torturado pelo coronel, com tão má sorte que ignorava que nas fichas citadas por este delinqüente, o coronel encontrava-se fora do país, assim que teve de se retratar.
Coronel Plazas Vega: Ao senhor devemos uma homenagem de desagravo.
Plazas Vega, que sofreu o cárcere - ainda sofre - em pagamento a seus serviços limpos prestados à Colômbia enquanto os criminosos legislam desde o Congresso, dirigem organizações de Direitos Humanos, ocupam cargos públicos, governos estaduais e desempenham o papel de juízes, promotores, investigadores e carcereiros... Ou são candidatos presidenciais, congressistas e candidatos às prefeituras.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Grande manifestação de militares e policiais na Colômbia!



No próximo domingo estarei viajando para a Colômbia com uma agenda bem cheia, e que vai culminar com o curso “Mentalidade Revolucionária” proferido pelo filósofo e professor Olavo de Carvalho. Mas o principal de minha volta àquele país tão querido é a visita que farei ao coronel Luis Alfonso Plazas Vega, que está encarcerado na Escola de Infantaria do Exército Colombiano, aguardando a apelação feita por seus advogados à condenação de 30 anos de prisão, pelo “desaparecimento” de 11 pessoas no massacre perpetrado no Palácio da Justiça pelo bando terrorista M-19. Como estas pessoas não estão desaparecidas mas muito bem achadas e ele não cometeu nenhum crime, espero em Deus que muito em breve sua libertação seja anunciada. Oxalá fosse enquanto eu estivesse lá...

Em decorrência desta viagem meu tempo, que já é muito espremido para tantas coisas, ficou um pouco mais apertado. Daí que não queria viajar sem deixar registrado um fato notável ocorrido ontem em Bogotá, que deveria servir de exemplo para os brasileiros, sobretudo militares. Diante de tantas injustiças que se vêm cometendo contra as Forças de Segurança (militares e policiais), com julgamentos fraudulentos e criminosos numa verdadeira perseguição desenfreada contra os que, cumprindo a lei e seu dever de defender a pátria, tiveram que abater terroristas; com um ministro da Defesa irresponsável, ignorante e boçal que em vez de defender aqueles a quem representa debocha de suas misérias; com uma Corte Suprema de Justiça que opera a favor de terroristas, os militares e policiais da reserva ativa resolveram fazer ontem uma manifestação pacífica, exigindo respeito, dignidade e que se cumpram as leis de reajustes salariais para aqueles que oferecem até a própria vida para que todos os colombianos, inclusive e principalmente o presidente e seus ministros, possam ter liberdade e sua integridade física preservada.


A Colômbia trava uma guerra contra o narco-terrorismo há 47 anos, onde os militares e policiais são mutilados por minas terrestres, mortos ou lesionados em combate, se embrenhando nas matas fechadas e enfrentando as intempéries para salvar os colombianos seqüestrados pelas FARC e o ELN, perdendo muitos Natais, Páscoas e festas de família e o que recebem em troca do Governo? Palavrinhas amistosas e medalhas de reconhecimento, mas eles também são gente, com famílias, com sonhos, com necessidades como todo ser humano. E foi para exigir que se respeitem esses direitos elementares, como um salário digno da envergadura do seu dia-a-dia que eles lotaram a Praça de Bolívar, bem no centro da capital e muito próxima ao Palácio Presidencial, a Casa de Nariño.
As fotos que ilustram esta breve edição de hoje muito me comoveram porque conheço o lugar, conheço as histórias dos que estão pagando na prisão por uma sentença fraudulenta, e porque sei que aqueles homens fardados merecem, mais que qualquer outros do nosso continente, uma remuneração e reconhecimento dignos do trabalho que fazem há anos: combater o narco-terrorismo das FARC que nos assola diretamente, mas que muitos brasileiros sequer pensam que eles existem e estão lá, combatendo também por nós.
E em razão desta viagem, que estou indo a convite, gostaria de solicitar aos leitores que apreciam meu trabalho que me ajudem financeiramente, porque o convite veio num momento especialmente difícil e evidentemente que terei despesas, além de muitos livros importantíssimos para o meu trabalho que pretendo comprar lá, porque custam um terço do que custariam se eu mandasse buscá-los. Queria que vocês compreendessem que informação custa caro e eu a ofereço a quem quiser me ler, de graça, daí a necessidade dessa colaboração financeira. Imaginem que o livro sobre as FARC lançado na Inglaterra no dia 10 de maio eu comprei, e paguei por ele £ 47, que convertido para o Real me custou R$ 143,00. Quem aqui no Brasil se aventurou a comprar este livro? Não conheço ninguém que o tenha comprado mas todo mundo quer saber o que ele contém, embora muitos jornais tivessem publicado informações que não tinham NADA de novo, pois escrevi sobre o assunto em 2007! E como meu livro ainda não chegou, me reservo o direito de só comentá-lo quando o tiver em mãos. 
Bem, está feito o apelo que ficarei muito agradecida aos que puderem atendê-lo, cujos dados encontram-se do lado direito, pelo PayPal ou via depósito bancário. Lá pretendo fazer outras atualizações do Notalatina, que não foi possível da outra vez porque não levei um adaptador de tomadas, mas agora vou devidamente equipada. Então, fiquem com Deus e até a próxima!






Comentários: G. Salgueiro

domingo, 8 de maio de 2011

Repressão em Cuba e falso dissidente

Muito se falou acerca da “abertura” ao capitalismo que o ditador hereditário Raúl Castro estava imprimindo à Ilha, alegando, os mais sonhadores porém desinformados, que finalmente o velho comunista havia se rendido e reconhecido o fracasso do socialismo. Nada mais enganoso. Eu sempre afirmei, desde que o velho abutre Fidel passou a “herança” para seu irmão, que não só as coisas não iam mudar como iriam piorar sensivelmente. E não me enganei até hoje, do mesmo modo que tenho tentado alertar para o perigo de se apoiar pseudo-dissidentes só porque, através de um bem elaborado trabalho de marketing, “alguns” foram alçados à categoria de “opositores perseguidos por lutar pela liberdade” em Cuba. Está tudo registrado aqui no blog e, quem quiser se dar ao trabalho de pesquisar, vai encontrar o que afirmo.
Na edição de hoje o Notalatina apresenta o informe mensal sobre a perseguição aos que verdadeiramente se expõem para lutar por um mínimo de dignidade humana e que, por isso, sofrem as piores represálias por parte deste regime genocida, tirano e despótico. As cifras são alarmantes. Para se ter uma idéia, só no mês de abril foram presas 271 pessoas, das quais ninguém (fora da ilha) sabe de sua existência ou clama por elas. Eu recebi no informe a lista nominal, mas não publico porque isto tornaria a edição muito longa. Entretanto, tive o cuidado de ler nome por nome e não encontrei ali nenhum dos famosos blogueiros, aqueles que a mídia nacional e internacional se rasga em defesa, alegando sua condição de “pobres perseguidos”.
Ainda nesta edição traduzo uma nota que recebi do informativo “La Voz de Cuba Libre”, do meu velho amigo José Luis Fernández, um incansável opositor da velha guarda cubana residente em Miami, acerca de um pseudo dissidente que até preso foi na repressão que ficou conhecida como a “Primavera Negra de Cuba”, ocorrida em março de 2003, onde 75 intelectuais entre jornalistas, médicos, economistas e bibliotecários foram presos com condenações que iam dos 15 anos a prisão perpétua, e que foi o primeiro a receber liberdade extra-penal. Seu nome é Héctor Palacios Ruiz, e só agora, 4 anos depois de sua libertação é que a legítima dissidência está se dando conta de que ele SEMPRE foi um agente do regime infiltrado no meio da dissidência.
Na foto que apresento ele está com outro “dissidente” suspeitíssimo, Oswaldo Payá Sardiñas que, tal como “la bloguera cariñosa” nunca sofreu a mais mínima repressão, ao contrário: contemplado com o prêmio Andrey Sakarov de Direitos Humanos, foi receber o prêmio na Europa e na volta foi regiamente aplaudido e recepcionado no aeroporto José Martí que ninguém me contou ou li em algum lugar: vi com meus próprios olhos numa cobertura feita pela CNN em Espanhol. E quem tem tantos privilégios assim, se não fizer parte da Nomenklatura? Casos de infiltrados que se faziam passar por dissidentes e que levaram até 20 anos para serem descobertos existem aos montes! Bem, deixo com a consciência de cada um as conclusões sobre o que tenho alertado. A mim só me cabe informar o que sei, com a paciência de aguardar que, quando aqui no Brasil estivermos passando pela mesma situação, como alertei sobre Chávez na Venezuela e só agora as pessoas estão percebendo, não venham me contar como se fosse uma “grande novidade”. Eu fiz a minha parte. Fiquem com Deus e até a próxima!

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Informe mensal de violações dos direitos humanos em Cuba - abril de 2011

Com 200 presídios em um território do tamanho do estado de Pernambuco, e com 1.119 presos políticos só no que vai deste ano,  Cuba não pode ter outro qualificativo senão  "Ilha-Cárcere"
Informe enviado por Trinchera Cubana.

Prisões por motivos políticos em 2010: 1.499
Prisões por motivos políticos em 2011: 1.119 (apenas nos 4 primeiros meses do ano).
Janeiro - 181
Fevereiro - 440
Março - 227
Abril - 271
O regime castrista continua violando selvagemente os direitos humanos de todos os habitantes da ilha. Seu aparato repressivo, o Departamento de Segurança do Estado (DSE) - órgão encarregado de reprimir os dissidentes por uma política de governo -, exerce brutais pressões contra a sociedade cubana que pede pacificamente respeito às liberdades fundamentais.
Apesar de que o regime está sobrevivendo graças às divisas que os familiares e as organizações de dissidentes no exterior enviam, os que exercem o jornalismo independente na ilha continuam sendo violentamente perseguidos. Igualmente os que simplesmente se reúnem ou se atrevem a manifestar opiniões contrárias às do regime. Todos estão sofrendo acosso, confiscações, ameaças, detenções, golpes e encarceramentos. 
A polícia política passou do acosso, ameaças e detenções de curta duração, a golpes brutais e atos de repúdio executados por brigadas para-militares, mas dirigidas por oficiais do DSE.
De 15 a 19 de abril - ao celebrar-se o VI Congresso do Partido Comunista, Raúl Castro afirmou que a oposição não teria espaço nas ruas nem nas praças -, nesses dias a polícia política deteve dezenas de opositores e sitiou suas casas. Além de realizar mítines de repúdio, não lhes permitiu sair de suas casas, que permaneciam vigiadas, e impediam a entrada ou saída de qualquer pessoa. Do mesmo modo sucedeu no dia 30, a poucas horas de se comemorar o 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores.
Houve mais de 500 chamadas de denúncias de prisões - desde diferentes partes e penitenciárias do país - de seus familiares e ativistas de direitos humanos.
Efetuou-se o despejo de 8 famílias em Havana. A deportação de centenas de cidadãos a suas cidades, por ter sido declarados ilegais na capital e cidade Mayabeque. A confiscação de artigos de primeira necessidade de pequenos comerciantes que trabalham por conta própria, e produtos do agro de camponeses e intermediários, apesar das supostas novas disposições em contrário.
Efetuou-se a inauguração do Sidatorio, uma penitenciária “especial” em Camagüey (com 124 réus doentes de AIDS, que em sua maioria entraram na prisão sem esta enfermidade). Este reclusório soma-se à Lista de Centros Penitenciários Estruturados por Cidade que passam de 200 em toda a Ilha. Antes do socialismo só havia 20 centros de detenção em nível nacional.
Em 8 prisões (Cerámica Roja, Kilo 8, Sidatorio em Camagüey, Boniatico em Santiago de Cuba, Las Mangas e El Tipico de Manzanillo em Granma, Combinado del Este em Havana e Kilo 5 em Pinar del Río), 32 réus se auto-agrediram exigindo melhores tratamentos dos carcereiros e atenção médica especializada. 14 réus iniciaram greve de fome exigindo direitos básicos, dos quais ainda continuam Alfredo Noa Estopiñan, Andy Frometa Cuenca, Roilan Rodríguez Tito, Julio Rafael Mesa Fariñas, William Cepero García e Jonathan Rigondiao Frometa, esta última uma mulher.
Em Kilo 8, Camagüey, 16 prisioneiros solicitaram uma inspeção do Relator Especial Contra a Tortura da ONU. Nessa penitenciária se enforcou um recluso e outro se ateou fogo para chamar a atenção da opinião pública pelas torturas e condições de confinamento aplicadas aos condenados a prisão perpétua. 
Existem áudios, documentos e vídeos de testemunhos narrados pelas próprias vítimas, alguns postos nas mãos de Organismos Internacionais que velam pelo respeito aos direitos humanos no mundo. Trinchera Cubana oferece uma lista parcial dos detidos durante o mês de abril de 2011, compilada de informações a respeito procedentes da Ilha. Como é óbvio, esta lista é uma pálida imagem da realidade, pois as detenções das forças repressivas ao longo e ao largo da ilha são impossíveis de se reportar em sua totalidade por muitas razões, dentre elas as possíveis terríveis conseqüências que podem acarretar informar ao mundo sobre as atividades criminosas da tirania comunista. Que sirva de exemplo, pois dos milhares de presos políticos cubanos, disseminados desde há décadas pelas 200 penitenciárias da ilha, só se fala dos “75 da Primavera Negra” de 2003.
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(La Voz de Cuba Libre questionou Héctor Palacios durante sua visita a Los Angeles, sobre como obteve o dinheiro para suas viagens a 7 cidades da Europa, Ilhas Canárias, Porto Rico e 4 cidades dos Estados Unidos imediatamente depois de sair em “liberdade extra-penal” de Cuba, e de seu regresso à ilha com uma suposta condenação pendente de 25 anos de prisão. Os que a “bandas e fanfarra” o trouxeram para que conhecesse as caras dos exilados que se opõem ao castrismo nos criticaram e nos acusaram de radicais. Na continuação, graças a Nuevo Acción de Aldo Rosado, podem ler de alguém que conheceu pessoalmente Héctor Palacios Ruiz durante seus tempo como Vice-Ministro do Governo do Partido Comunista de Cuba).

“Conheci Héctor Palacios (primeiro da esquerda para a direita, e no centro Oswaldo Payá) em 1973 e ele foi meu chefe no Ministério de Mineração em 1976. Conheço muito bem, sua ex-esposa Zenaida, também capitã do MINIT. Ele, Ten-Cel da Inteligência Militar, seu chefe era Manuel Céspedes Fernández, Coronel. Marambio (o chileno) e Héctor Palacios estiveram juntos em La Moneda no assassinato de Allende e na subversão cubana no Chile. Em 1976 Héctor Palácios foi Vide-Ministro de Recursos Humanos do Ministério da Indústria Básica. Lá seu chefe foi Joel Domenech, acompanhante de Raúl na entrevista com Nikita Kruschev em 1962 e depois alto Chefe da Inteligência Militar. 
Desconheço quando Palacios deixou de ser Vice-Ministro. Jamais Palacios, por sua forma egocêntrica, vaidoso e boa vida que sempre foi, mudou de atitude para deixar de ser um cachorro castrista. Em Cuba ele mandou que me dessem um FRIO à CI e se não fosse por um ramo de marabú que encontrei, dois pistoleiros que me seqüestraram em Colinas de Villareal me teriam matado sob as ordens de Héctor Palacios.
Em um programa “Rumbo Sur” com Pedro Encinosa, Jesús Permuy, Ulises Carbó e este que escreve, falamos por telefone com ele para o programa desde Cuba e os que estavam com ele cortaram a comunicação quando eu lhe disse que me desse razões para sua mudança de atitude, e me justificasse o trabalho divisionista e de escavador que ele estava levando a cabo. Faz mais de 7 anos. Só basta ver a foto de quando saiu da prisão; ele pesava 70 libras a mais que seu peso normal, e foi a primeira liberdade extra-penal que deram aos 75. O preso que tenha dieta especial e visitas livres é do DSE. Quando eu estive preso fiquei até um ano sem visita; entrei com 186 libras e saí com 129 libras, tuberculoso e cego.
Fernando Ed Prida”.
Comentários e traduções: G. Salgueiro

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Peña Esclusa recebe autorização para realizar exames


O Notalatina informa em edição extraordinária, que finalmente o Tribunal que julga o caso de Alejandro Peña Esclusa aprovou sua transferência para um centro oncológico, a fim de realizar os exames e tratamentos necessários para o câncer do qual é portador.
Conforme eu havia informado na edição anterior, Alejandro teve o primeiro episódio no ano passado, pouco antes de ser acusado de tramar atentados na Venezuela com o terrorista Chávez Abarca, demonstrando mais uma vez o tamanho da aberração na já excessivamente fraudulenta acusação que lhe imputaram, uma vez que convalescia da intervenção cirúrgica que havia feito pouco antes e, evidentemente, não pensava em outra coisa que não em sua saúde, mesmo que fosse o criminoso que Chávez e seus comparsas cubanos alegam ser. 
Na edição passada eu estava muito aflita e sem conseguir pensar em outra coisa que não fosse uma forma de ajudar Alejandro, e passei toda a semana me comunicando com Indira para ver o quê poderíamos fazer de tão longe para pressionar o governo a que o liberasse ao menos para cuidar de sua saúde. Agora me chega esta informação que não é ainda o ideal, sobretudo porque não permitiram a presença do médico de Alejandro nesses exames e porque se houvesse justiça de fato na Venezuela Alejandro sequer teria sido preso, mas já é uma notícia alvissareira uma vez que era urgente que ele fizesse esses exames para avaliar o grau em que se encontra essa recidiva e não permitir que ocorra uma metástase.
Traduzo abaixo o comunicado publicado por Globovisión, bem como a gravação de uma entrevista que Indira ofereceu por telefone a este canal de televisão. Aproveito para reforçar o pedido que Indira faz a todos os cristãos, para que roguem a Deus pela plena recuperação de Alejandro, pois daqui de tão longe, esta é a única maneira que temos de ajudar efetivamente. Fiquem com Deus e até a próxima!
Aprovam traslado de Peña Esclusa ao Oncológico Padre
O Tribunal que julga o caso de Alejandro Peña Esclusa aprovou o traslado do detido até o Oncológico Padre Machado para realizar os exames médicos que possam verificar seu estado de saúde, após a solicitação que sua esposa Indira Ramírez fez na quarta-feira passada, argumentando que ele apresenta câncer de próstata.

Peña Esclusa será levado ao centro de saúde na terça-feira às 11:00 a.m. e na quarta-feira à 1:00 p.m. Foi negada a solicitação da presença do médico pessoal de Peña Esclusa no centro de saúde.
Sua esposa assinalou que a Defensoria do Povo solicitou os processos de Peña Esclusa e na manhã desta sexta-feira foram ao SEBIN e fizeram uma ata.
Ramírez assegurou que Peña Esclusa encontra-se “forte de ânimo” e pediu aos venezuelanos orar por sua saúde neste domingo, dia da beatificação de João Paulo II.



Comentários e tradução: G. Salgueiro