quarta-feira, 1 de junho de 2011

Grande manifestação de militares e policiais na Colômbia!



No próximo domingo estarei viajando para a Colômbia com uma agenda bem cheia, e que vai culminar com o curso “Mentalidade Revolucionária” proferido pelo filósofo e professor Olavo de Carvalho. Mas o principal de minha volta àquele país tão querido é a visita que farei ao coronel Luis Alfonso Plazas Vega, que está encarcerado na Escola de Infantaria do Exército Colombiano, aguardando a apelação feita por seus advogados à condenação de 30 anos de prisão, pelo “desaparecimento” de 11 pessoas no massacre perpetrado no Palácio da Justiça pelo bando terrorista M-19. Como estas pessoas não estão desaparecidas mas muito bem achadas e ele não cometeu nenhum crime, espero em Deus que muito em breve sua libertação seja anunciada. Oxalá fosse enquanto eu estivesse lá...

Em decorrência desta viagem meu tempo, que já é muito espremido para tantas coisas, ficou um pouco mais apertado. Daí que não queria viajar sem deixar registrado um fato notável ocorrido ontem em Bogotá, que deveria servir de exemplo para os brasileiros, sobretudo militares. Diante de tantas injustiças que se vêm cometendo contra as Forças de Segurança (militares e policiais), com julgamentos fraudulentos e criminosos numa verdadeira perseguição desenfreada contra os que, cumprindo a lei e seu dever de defender a pátria, tiveram que abater terroristas; com um ministro da Defesa irresponsável, ignorante e boçal que em vez de defender aqueles a quem representa debocha de suas misérias; com uma Corte Suprema de Justiça que opera a favor de terroristas, os militares e policiais da reserva ativa resolveram fazer ontem uma manifestação pacífica, exigindo respeito, dignidade e que se cumpram as leis de reajustes salariais para aqueles que oferecem até a própria vida para que todos os colombianos, inclusive e principalmente o presidente e seus ministros, possam ter liberdade e sua integridade física preservada.


A Colômbia trava uma guerra contra o narco-terrorismo há 47 anos, onde os militares e policiais são mutilados por minas terrestres, mortos ou lesionados em combate, se embrenhando nas matas fechadas e enfrentando as intempéries para salvar os colombianos seqüestrados pelas FARC e o ELN, perdendo muitos Natais, Páscoas e festas de família e o que recebem em troca do Governo? Palavrinhas amistosas e medalhas de reconhecimento, mas eles também são gente, com famílias, com sonhos, com necessidades como todo ser humano. E foi para exigir que se respeitem esses direitos elementares, como um salário digno da envergadura do seu dia-a-dia que eles lotaram a Praça de Bolívar, bem no centro da capital e muito próxima ao Palácio Presidencial, a Casa de Nariño.
As fotos que ilustram esta breve edição de hoje muito me comoveram porque conheço o lugar, conheço as histórias dos que estão pagando na prisão por uma sentença fraudulenta, e porque sei que aqueles homens fardados merecem, mais que qualquer outros do nosso continente, uma remuneração e reconhecimento dignos do trabalho que fazem há anos: combater o narco-terrorismo das FARC que nos assola diretamente, mas que muitos brasileiros sequer pensam que eles existem e estão lá, combatendo também por nós.
E em razão desta viagem, que estou indo a convite, gostaria de solicitar aos leitores que apreciam meu trabalho que me ajudem financeiramente, porque o convite veio num momento especialmente difícil e evidentemente que terei despesas, além de muitos livros importantíssimos para o meu trabalho que pretendo comprar lá, porque custam um terço do que custariam se eu mandasse buscá-los. Queria que vocês compreendessem que informação custa caro e eu a ofereço a quem quiser me ler, de graça, daí a necessidade dessa colaboração financeira. Imaginem que o livro sobre as FARC lançado na Inglaterra no dia 10 de maio eu comprei, e paguei por ele £ 47, que convertido para o Real me custou R$ 143,00. Quem aqui no Brasil se aventurou a comprar este livro? Não conheço ninguém que o tenha comprado mas todo mundo quer saber o que ele contém, embora muitos jornais tivessem publicado informações que não tinham NADA de novo, pois escrevi sobre o assunto em 2007! E como meu livro ainda não chegou, me reservo o direito de só comentá-lo quando o tiver em mãos. 
Bem, está feito o apelo que ficarei muito agradecida aos que puderem atendê-lo, cujos dados encontram-se do lado direito, pelo PayPal ou via depósito bancário. Lá pretendo fazer outras atualizações do Notalatina, que não foi possível da outra vez porque não levei um adaptador de tomadas, mas agora vou devidamente equipada. Então, fiquem com Deus e até a próxima!






Comentários: G. Salgueiro

domingo, 8 de maio de 2011

Repressão em Cuba e falso dissidente

Muito se falou acerca da “abertura” ao capitalismo que o ditador hereditário Raúl Castro estava imprimindo à Ilha, alegando, os mais sonhadores porém desinformados, que finalmente o velho comunista havia se rendido e reconhecido o fracasso do socialismo. Nada mais enganoso. Eu sempre afirmei, desde que o velho abutre Fidel passou a “herança” para seu irmão, que não só as coisas não iam mudar como iriam piorar sensivelmente. E não me enganei até hoje, do mesmo modo que tenho tentado alertar para o perigo de se apoiar pseudo-dissidentes só porque, através de um bem elaborado trabalho de marketing, “alguns” foram alçados à categoria de “opositores perseguidos por lutar pela liberdade” em Cuba. Está tudo registrado aqui no blog e, quem quiser se dar ao trabalho de pesquisar, vai encontrar o que afirmo.
Na edição de hoje o Notalatina apresenta o informe mensal sobre a perseguição aos que verdadeiramente se expõem para lutar por um mínimo de dignidade humana e que, por isso, sofrem as piores represálias por parte deste regime genocida, tirano e despótico. As cifras são alarmantes. Para se ter uma idéia, só no mês de abril foram presas 271 pessoas, das quais ninguém (fora da ilha) sabe de sua existência ou clama por elas. Eu recebi no informe a lista nominal, mas não publico porque isto tornaria a edição muito longa. Entretanto, tive o cuidado de ler nome por nome e não encontrei ali nenhum dos famosos blogueiros, aqueles que a mídia nacional e internacional se rasga em defesa, alegando sua condição de “pobres perseguidos”.
Ainda nesta edição traduzo uma nota que recebi do informativo “La Voz de Cuba Libre”, do meu velho amigo José Luis Fernández, um incansável opositor da velha guarda cubana residente em Miami, acerca de um pseudo dissidente que até preso foi na repressão que ficou conhecida como a “Primavera Negra de Cuba”, ocorrida em março de 2003, onde 75 intelectuais entre jornalistas, médicos, economistas e bibliotecários foram presos com condenações que iam dos 15 anos a prisão perpétua, e que foi o primeiro a receber liberdade extra-penal. Seu nome é Héctor Palacios Ruiz, e só agora, 4 anos depois de sua libertação é que a legítima dissidência está se dando conta de que ele SEMPRE foi um agente do regime infiltrado no meio da dissidência.
Na foto que apresento ele está com outro “dissidente” suspeitíssimo, Oswaldo Payá Sardiñas que, tal como “la bloguera cariñosa” nunca sofreu a mais mínima repressão, ao contrário: contemplado com o prêmio Andrey Sakarov de Direitos Humanos, foi receber o prêmio na Europa e na volta foi regiamente aplaudido e recepcionado no aeroporto José Martí que ninguém me contou ou li em algum lugar: vi com meus próprios olhos numa cobertura feita pela CNN em Espanhol. E quem tem tantos privilégios assim, se não fizer parte da Nomenklatura? Casos de infiltrados que se faziam passar por dissidentes e que levaram até 20 anos para serem descobertos existem aos montes! Bem, deixo com a consciência de cada um as conclusões sobre o que tenho alertado. A mim só me cabe informar o que sei, com a paciência de aguardar que, quando aqui no Brasil estivermos passando pela mesma situação, como alertei sobre Chávez na Venezuela e só agora as pessoas estão percebendo, não venham me contar como se fosse uma “grande novidade”. Eu fiz a minha parte. Fiquem com Deus e até a próxima!

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Informe mensal de violações dos direitos humanos em Cuba - abril de 2011

Com 200 presídios em um território do tamanho do estado de Pernambuco, e com 1.119 presos políticos só no que vai deste ano,  Cuba não pode ter outro qualificativo senão  "Ilha-Cárcere"
Informe enviado por Trinchera Cubana.

Prisões por motivos políticos em 2010: 1.499
Prisões por motivos políticos em 2011: 1.119 (apenas nos 4 primeiros meses do ano).
Janeiro - 181
Fevereiro - 440
Março - 227
Abril - 271
O regime castrista continua violando selvagemente os direitos humanos de todos os habitantes da ilha. Seu aparato repressivo, o Departamento de Segurança do Estado (DSE) - órgão encarregado de reprimir os dissidentes por uma política de governo -, exerce brutais pressões contra a sociedade cubana que pede pacificamente respeito às liberdades fundamentais.
Apesar de que o regime está sobrevivendo graças às divisas que os familiares e as organizações de dissidentes no exterior enviam, os que exercem o jornalismo independente na ilha continuam sendo violentamente perseguidos. Igualmente os que simplesmente se reúnem ou se atrevem a manifestar opiniões contrárias às do regime. Todos estão sofrendo acosso, confiscações, ameaças, detenções, golpes e encarceramentos. 
A polícia política passou do acosso, ameaças e detenções de curta duração, a golpes brutais e atos de repúdio executados por brigadas para-militares, mas dirigidas por oficiais do DSE.
De 15 a 19 de abril - ao celebrar-se o VI Congresso do Partido Comunista, Raúl Castro afirmou que a oposição não teria espaço nas ruas nem nas praças -, nesses dias a polícia política deteve dezenas de opositores e sitiou suas casas. Além de realizar mítines de repúdio, não lhes permitiu sair de suas casas, que permaneciam vigiadas, e impediam a entrada ou saída de qualquer pessoa. Do mesmo modo sucedeu no dia 30, a poucas horas de se comemorar o 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores.
Houve mais de 500 chamadas de denúncias de prisões - desde diferentes partes e penitenciárias do país - de seus familiares e ativistas de direitos humanos.
Efetuou-se o despejo de 8 famílias em Havana. A deportação de centenas de cidadãos a suas cidades, por ter sido declarados ilegais na capital e cidade Mayabeque. A confiscação de artigos de primeira necessidade de pequenos comerciantes que trabalham por conta própria, e produtos do agro de camponeses e intermediários, apesar das supostas novas disposições em contrário.
Efetuou-se a inauguração do Sidatorio, uma penitenciária “especial” em Camagüey (com 124 réus doentes de AIDS, que em sua maioria entraram na prisão sem esta enfermidade). Este reclusório soma-se à Lista de Centros Penitenciários Estruturados por Cidade que passam de 200 em toda a Ilha. Antes do socialismo só havia 20 centros de detenção em nível nacional.
Em 8 prisões (Cerámica Roja, Kilo 8, Sidatorio em Camagüey, Boniatico em Santiago de Cuba, Las Mangas e El Tipico de Manzanillo em Granma, Combinado del Este em Havana e Kilo 5 em Pinar del Río), 32 réus se auto-agrediram exigindo melhores tratamentos dos carcereiros e atenção médica especializada. 14 réus iniciaram greve de fome exigindo direitos básicos, dos quais ainda continuam Alfredo Noa Estopiñan, Andy Frometa Cuenca, Roilan Rodríguez Tito, Julio Rafael Mesa Fariñas, William Cepero García e Jonathan Rigondiao Frometa, esta última uma mulher.
Em Kilo 8, Camagüey, 16 prisioneiros solicitaram uma inspeção do Relator Especial Contra a Tortura da ONU. Nessa penitenciária se enforcou um recluso e outro se ateou fogo para chamar a atenção da opinião pública pelas torturas e condições de confinamento aplicadas aos condenados a prisão perpétua. 
Existem áudios, documentos e vídeos de testemunhos narrados pelas próprias vítimas, alguns postos nas mãos de Organismos Internacionais que velam pelo respeito aos direitos humanos no mundo. Trinchera Cubana oferece uma lista parcial dos detidos durante o mês de abril de 2011, compilada de informações a respeito procedentes da Ilha. Como é óbvio, esta lista é uma pálida imagem da realidade, pois as detenções das forças repressivas ao longo e ao largo da ilha são impossíveis de se reportar em sua totalidade por muitas razões, dentre elas as possíveis terríveis conseqüências que podem acarretar informar ao mundo sobre as atividades criminosas da tirania comunista. Que sirva de exemplo, pois dos milhares de presos políticos cubanos, disseminados desde há décadas pelas 200 penitenciárias da ilha, só se fala dos “75 da Primavera Negra” de 2003.
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(La Voz de Cuba Libre questionou Héctor Palacios durante sua visita a Los Angeles, sobre como obteve o dinheiro para suas viagens a 7 cidades da Europa, Ilhas Canárias, Porto Rico e 4 cidades dos Estados Unidos imediatamente depois de sair em “liberdade extra-penal” de Cuba, e de seu regresso à ilha com uma suposta condenação pendente de 25 anos de prisão. Os que a “bandas e fanfarra” o trouxeram para que conhecesse as caras dos exilados que se opõem ao castrismo nos criticaram e nos acusaram de radicais. Na continuação, graças a Nuevo Acción de Aldo Rosado, podem ler de alguém que conheceu pessoalmente Héctor Palacios Ruiz durante seus tempo como Vice-Ministro do Governo do Partido Comunista de Cuba).

“Conheci Héctor Palacios (primeiro da esquerda para a direita, e no centro Oswaldo Payá) em 1973 e ele foi meu chefe no Ministério de Mineração em 1976. Conheço muito bem, sua ex-esposa Zenaida, também capitã do MINIT. Ele, Ten-Cel da Inteligência Militar, seu chefe era Manuel Céspedes Fernández, Coronel. Marambio (o chileno) e Héctor Palacios estiveram juntos em La Moneda no assassinato de Allende e na subversão cubana no Chile. Em 1976 Héctor Palácios foi Vide-Ministro de Recursos Humanos do Ministério da Indústria Básica. Lá seu chefe foi Joel Domenech, acompanhante de Raúl na entrevista com Nikita Kruschev em 1962 e depois alto Chefe da Inteligência Militar. 
Desconheço quando Palacios deixou de ser Vice-Ministro. Jamais Palacios, por sua forma egocêntrica, vaidoso e boa vida que sempre foi, mudou de atitude para deixar de ser um cachorro castrista. Em Cuba ele mandou que me dessem um FRIO à CI e se não fosse por um ramo de marabú que encontrei, dois pistoleiros que me seqüestraram em Colinas de Villareal me teriam matado sob as ordens de Héctor Palacios.
Em um programa “Rumbo Sur” com Pedro Encinosa, Jesús Permuy, Ulises Carbó e este que escreve, falamos por telefone com ele para o programa desde Cuba e os que estavam com ele cortaram a comunicação quando eu lhe disse que me desse razões para sua mudança de atitude, e me justificasse o trabalho divisionista e de escavador que ele estava levando a cabo. Faz mais de 7 anos. Só basta ver a foto de quando saiu da prisão; ele pesava 70 libras a mais que seu peso normal, e foi a primeira liberdade extra-penal que deram aos 75. O preso que tenha dieta especial e visitas livres é do DSE. Quando eu estive preso fiquei até um ano sem visita; entrei com 186 libras e saí com 129 libras, tuberculoso e cego.
Fernando Ed Prida”.
Comentários e traduções: G. Salgueiro

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Peña Esclusa recebe autorização para realizar exames


O Notalatina informa em edição extraordinária, que finalmente o Tribunal que julga o caso de Alejandro Peña Esclusa aprovou sua transferência para um centro oncológico, a fim de realizar os exames e tratamentos necessários para o câncer do qual é portador.
Conforme eu havia informado na edição anterior, Alejandro teve o primeiro episódio no ano passado, pouco antes de ser acusado de tramar atentados na Venezuela com o terrorista Chávez Abarca, demonstrando mais uma vez o tamanho da aberração na já excessivamente fraudulenta acusação que lhe imputaram, uma vez que convalescia da intervenção cirúrgica que havia feito pouco antes e, evidentemente, não pensava em outra coisa que não em sua saúde, mesmo que fosse o criminoso que Chávez e seus comparsas cubanos alegam ser. 
Na edição passada eu estava muito aflita e sem conseguir pensar em outra coisa que não fosse uma forma de ajudar Alejandro, e passei toda a semana me comunicando com Indira para ver o quê poderíamos fazer de tão longe para pressionar o governo a que o liberasse ao menos para cuidar de sua saúde. Agora me chega esta informação que não é ainda o ideal, sobretudo porque não permitiram a presença do médico de Alejandro nesses exames e porque se houvesse justiça de fato na Venezuela Alejandro sequer teria sido preso, mas já é uma notícia alvissareira uma vez que era urgente que ele fizesse esses exames para avaliar o grau em que se encontra essa recidiva e não permitir que ocorra uma metástase.
Traduzo abaixo o comunicado publicado por Globovisión, bem como a gravação de uma entrevista que Indira ofereceu por telefone a este canal de televisão. Aproveito para reforçar o pedido que Indira faz a todos os cristãos, para que roguem a Deus pela plena recuperação de Alejandro, pois daqui de tão longe, esta é a única maneira que temos de ajudar efetivamente. Fiquem com Deus e até a próxima!
Aprovam traslado de Peña Esclusa ao Oncológico Padre
O Tribunal que julga o caso de Alejandro Peña Esclusa aprovou o traslado do detido até o Oncológico Padre Machado para realizar os exames médicos que possam verificar seu estado de saúde, após a solicitação que sua esposa Indira Ramírez fez na quarta-feira passada, argumentando que ele apresenta câncer de próstata.

Peña Esclusa será levado ao centro de saúde na terça-feira às 11:00 a.m. e na quarta-feira à 1:00 p.m. Foi negada a solicitação da presença do médico pessoal de Peña Esclusa no centro de saúde.
Sua esposa assinalou que a Defensoria do Povo solicitou os processos de Peña Esclusa e na manhã desta sexta-feira foram ao SEBIN e fizeram uma ata.
Ramírez assegurou que Peña Esclusa encontra-se “forte de ânimo” e pediu aos venezuelanos orar por sua saúde neste domingo, dia da beatificação de João Paulo II.



Comentários e tradução: G. Salgueiro

terça-feira, 26 de abril de 2011

Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim? Oh! um terrorista das FARC, enfim!

Dois assuntos importantíssimos sobre o envolvimento das FARC com a Venezuela são os temas de hoje do Notalatina, mas não posso deixar de comentar antes um fato gravíssimo que está acontecendo com o meu amigo Alejandro Peña Esclusa. Um mês antes de ser criminosamente preso por crimes que não cometeu - e JAMAIS cometeria -, Alejandro submeteu-se a uma cirurgia para retirar um tumor canceroso na próstata. A intervenção foi bem sucedida mas, como toda operação deste porte, requeria um acompanhamento médico que não foi feito por encontrar-se preso. No princípio deste mês, em decorrência da greve de fome dos estudantes que exigiam dentre outras coisas atendimento médico aos presos políticos, Alejandro foi encaminhado para realizar exames de rotina no necrotério de Bello Monte, denotando um extremo mau gosto e crueldade, conforme indica esta nota, e cujo resultado acusou novo tumor.
Ontem o Mídia Sem Máscara publicou uma entrevista dada por sua esposa Indira, no qual ela denuncia que Alejandro necessita com urgência de uma visita a seu médico para tratamento, pois, como sabemos, este não é do tipo mais agressivo e as chances de uma recuperação plena são extremamente grandes desde que tratado com a máxima urgência. Apesar da notícia já ter-se espalhado pela rede, não vi aqui no Brasil nenhuma manifestação exigindo a libertação de Alejandro para fazer este tratamento, por parte de políticos ou ONGs que defendem os “direitos humanos” de bandidos do mundo todo. Evidentemente o caso dele não inspira compaixão porque ele não é bandido mas este é um tema que devo tratar nos próximos dias, inclusive com uma sugestão de como podemos apoiá-lo. 
Esta história me abalou muito, de maneira que as informações que publico hoje são duas traduções literais sobre a situação das FARC e teço alguns comentários sucintos. A primeira notícia dá conta de que um instituto britânico compilou todos os e-mails encontrados nos computadores de Raúl Reyes (RR) e vai dispor para a venda em CDs a partir do próximo dia 10 de maio. Ainda não sei como farei, mas quero comprar este material de qualquer maneira, uma vez que o Santos, depois que tornou-se presidente da Colômbia e o “mais novo melhor amigo” do amigo das FARC, tem segurado as informações contidas nos computadores de líderes batidos como o próprio RR, de “Tirofijo”, do “Mono Jojoy” e de mais não sei quantos guerrilheiros destacados do bando terrorista.
E a outra tradução nos conta um fato muito interessante. Há anos eu (e todos os militares colombianos) sei que o site de notícias ANNCOL é o porta-voz oficial das FARC, uma vez que o site oficial do bando terrorista passa mais tempo fora do ar do que em atividade. E eis que um dos seus diretores, Joaquín Pérez Becerra, cognome “Alberto”, foi capturado sábado passado na Venezuela e Santos (e toda a imprensa chapa branca, que o bajula vergonhosamente), que afirmou no princípio do mês na Espanha de que na Venezuela não tem mais nenhum terrorista das FARC, desmanchou-se em elogios a Chávez por tê-lo prendido e concordado em extraditá-lo para a Colômbia.
Ocorre que neste episódio há dois pontos fundamentais para este pronto atendimento do ditador venezuelano: 1. Chávez aguarda que Santos extradite Walid Makled à Venezuela para que ele o silencie, encobrindo definitivamente seus incontáveis crimes em conluio com as FARC; e 2. porque a inteligência colombiana estava no encalço do “embaixador” das FARC na Europa e trabalhava conjuntamente com as polícias européias, e que possuía um alerta vermelho dado pela Interpol. Depois de embarcado na Alemanha a polícia deste país informou à Colômbia e à Venezuela de que o terrorista seguia para Caracas. Como não havia nenhum pouso antes de chegar a Caracas, o marginal não pôde escapar, não restando outro remédio a Chávez senão confirmar - e prender - sua chegada ao aeroporto de Maiquetía.
Três advogados venezuelanos já entraram com pedido de habeas corpus nesta segunda-feira em favor do bandido, que muito provavelmente receberá, pois um deles alegou que tal recurso procura garantir “o direito à defesa, o direito à comunicação e o direito a ter seus advogados”, acrescentando que “Alberto” não havia se comunicado ainda com seus familiares (que na verdade era Iván Márquez que vive na Venezuela) e que era um “cidadão sueco”. O mesmo tratamento humano e prestimoso não deram a Alejandro, malgrado todos os esforços de seus advogados.
Essa história ainda vai ter desdobramentos e muito provavelmente “Alberto” não vai ser extraditado, pois Chávez não vai abandonar “os seus” e depois vai alegar que foi a justiça que não permitiu a saída do terrorista do país. É a velha estratégia das tesouras: com uma mão finge que honra o compromisso feito a Santos de combater o terrorismo, e com a outra “dá um jeitinho” de salvar a pele do terrorista. Nós já não estamos fartos de ver coisas semelhantes por aqui? No discurso os comunistas prometem tudo o que o interlocutor quer ouvir, enquanto que na prática seguem fazendo exatamente o que seus planos determinam. E Santos, que de idiota não tem nada, finge que acredita enquanto discursa para o mundo que “seu governo é da paz” com todos os vizinhos. Se alguém passou pela Casa de Nariño domingo passado, provavelmente deve ter visto Santos alegremente procurando nos belos jardins do Palácio, os ovinhos de Páscoa que o coelho escondeu... Fiquem com Deus e até a próxima!

Instituto britânico revelará os documentos do computador de “Raúl Reyes”
Antonio Maria Delgado
O britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) publicará no dia 10 de maio os documentos encontrados no computador do abatido porta-voz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que conteria informação-chave sobre os estreitos vínculos entre o governo venezuelano e o movimento guerrilheiro. Os milhares de documentos que entre outras coisas mostram os esforços do presidente venezuelano Hugo Chávez para oferecer respaldo financeiro, político e bélico à organização guerrilheira, estarão disponíveis dentro de CDs que serão vendidos ao público, informou IISS em sua página de Internet. O material encontrado dentro de um computador portátil foi entregue ao instituto pelo governo do então presidente Álvaro Uribe, depois que Raúl Reyes foi abatido em 2008 pelo Exército colombiano em um polêmico bombardeio a um acampamento guerrilheiro em território equatoriano. “São inumeráveis os documentos que há sobre a organização das FARC”, comentou José Obdulio Gaviria, um assessor próximo de Uribe. “O que conhecemos até agora é só a ponta do iceberg; logo se saberão os detalhes das relações das FARC com a Venezuela, Equador e com políticos colombianos e norte-americanos”.
Alguns dos pontos mais importante dados a conhecer até agora, são as tentativas do governo venezuelano de oferecer financiamento ao falecido líder da organização guerrilheira, Antonio Marín, também conhecido como “Tirofijo” e “Manuel Marulanda”. “A informação sobre a relação entre as FARC e o governo da Venezuela são desconcertantes”, comentou Gaviria, que disse ter tido acesso a alguns dos documentos mais sensíveis. “Por exemplo, a magnitude da ajuda que Chávez pretendia dar a Tirofijo era mais ou menos perto dos $ 200 milhões de dólares, e a fórmula que se discutia lá nos arquivos era uma triangulação para fazer a contribuição através de Petróleos de Venezuela (PDVSA). Isso vai ser muito importante para que o mundo veja”. Outros documentos contendo mensagens internas da organização guerrilheira revelam que Chávez tratou de dotar os rebeldes colombianos de armas.
Segundo alguns dos documentos que foram filtrados, o chefe da inteligência militar venezuelana, general Hugo Carvajal, e outros membros das forças armadas de Chávez, trataram de ajudar as FARC a obter diversos tipos de armas, inclusive mísseis anti-aéreos. Em um deles, Iván Márquez, o principal elo da guerrilha com o governo de Chávez, ressalta que Carvajal e outro general venezuelano vão conseguir-lhes 20 bazucas. Do mesmo modo discutiram “a possibilidade de aproveitar a compra de armas à Rússia por parte da Venezuela, para incluir alguns conteiners para as FARC”. Funcionários do governo Uribe haviam anunciado que cerca de 11.000 documentos foram encontrados em três computadores, dois discos externos e três cartões de memória durante a operação militar, na qual morreu Reyes junto com outras 24 pessoas. O governo venezuelano qualificou todas estas informações como uma farsa, dizendo que são parte de uma campanha de desprestígio empreendida pelo “império” contra a revolução socialista empreendida por Chávez.
Porém, o ex-embaixador da Venezuela ante as Nações Unidas, Diego Arria, disse não ter dúvidas sobre sua autenticidade. “Foram certificadas como autênticas pela INTERPOL e o então ministro da Defesa Juan Manuel Santos”, comentou Arria em referência ao quase um milhão de páginas contidas nos documentos. “O IISS é um think tank de grande prestígio e a decisão de entregar os documentos se produziu precisamente porque se procurava dar uma apresentação mundial impecavelmente independente”, acrescentou. Os documentos a ser divulgados em maio estarão acompanhados pelo informe “Os Arquivos das FARC, Venezuela, Equador e os Arquivos Secretos de Raúl Reyes”, elaborado pelos analistas do instituto, que passaram vários meses analisando os documentos. “Este dossiê estratégico fornece informação detalhada sobre o pensamento e evolução das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). É baseado em um estudo dos discos dos computadores pertencentes a Luis Edgar Devía Silva (cognome Raúl Reyes), chefe do Comitê Internacional das FARC, que foram capturados pelas Forças Armadas da Colômbia em uma operação em março de 2008”, ressaltou o IISS em sua página na Internet. Segundo o instituto, “o informe mostra como as FARC evoluíram desde um pequeno e estrategicamente irrelevante grupo, até um movimento insurgente, alimentado pelas receitas da produção de narcóticos, que esteve perto de pôr em perigo a sobrevivência do Estado colombiano”.
Fonte: El Nuevo Herald, Miami
A captura na Venezuela do “embaixador” das FARC é um golpe na “diplomacia” desse grupo
Joaquín Pérez Becerra, vulgo "Alberto", diretor do site ANNCOL porta-voz das FARC na Suécia, era o "embaixador" das FARC na Europa

Está previsto que Joaquín Pérez, direito responsável da página de ANNCOL, chegue à base anti-narcóticos em Bogotá nesta mesma tarde, proveniente de Caracas, Venezuela. “É necessário se reunir o quanto antes para definir assuntos logísticos urgentes”. Esta mensagem de “Iván Márquez”, um dos integrantes do Secretariado das FARC, tirou de Estocolmo rumo à Colômbia Joaquín Pérez Becerra, cognome “Alberto”, o denominado “embaixador”da guerrilha na Europa, em viagem de emergência.
Este homem, que veio à luz pública graças à informação encontrada nos computadores de Raúl Reyes em 2008, fazia parte do estado-maior do bloco internacional das FARC e havia ocupado, em vários temas, o lugar de “Rodrigo Granda”.
Com 30 anos de militância nas FARC, ele é o responsável direto pela página de notícias ANNCOL, hosting que está registrado em seu nome e, segundo a informação de inteligência, manejava as ajudas econômicas internacionais das FARC, assim como os contatos com grupos como o ETA e a compra de armamentos. Nascido em Cali e com cidadania sueca desde 1995, Joaquín Pérez, o “Alberto”, se estabeleceu em Estocolmo dois anos atrás com status de refugiado. Desde esse momento, por ordem do Secretariado, recebeu a missão de estender a comissão internacional das FARC na Itália, Alemanha, Espanha, Holanda, Bélgica, Noruega, Dinamarca, Suécia, Rússia e Líbano. Esta tarefa foi supervisionada por Rodrigo Granda até o momento de sua captura, em dezembro de 2004.
As provas

Com mais de 700 correios nos PC de Raúl Reyes e 50 até agora encontrados nos do “Mono Jojoy”, a Polícia construiu o processo criminal de “Alberto”, que tem ordem de captura na Colômbia, circular vermelha na Interpol e medida de garantia vigente pelos delitos de concerto para delinqüir com fins terroristas, administração de recursos relacionados com fins terroristas e rebelião. Nos correios se evidencia como o Secretariado sustentava economicamente “Alberto”, do mesmo modo que a “Lucas Gualdrón”, o outro assinalado de fazer parte da engrenagem internacional das FARC e que atualmente está na Suíça.
As reportagens das autoridades de emigração dão conta de que Joaquín Pérez pôde chegar aos acampamentos das FARC entrando pelos países vizinhos em 2003, 2004, 2005, 2006 e 2009, quando realizou sua última visita a “Iván Márquez”. Depois da morte de Reyes recebeu a missão de “repolitizar” as FARC na Europa.
Assim foi a captura
Os organismos de segurança da União Européia já tinham identificada a rotina de “Alberto”, que sempre viajava com sua companheira sentimental. Entretanto, sábado passado ele decidiu tomar um vôo em Estocolmo (Suécia), com escala em Frankfurt (Alemanha) sozinho. Saiu de lá às 9:30 da manhã e, graças aos mecanismo de cooperação internacionais, tanto as autoridades venezuelanas como colombianas souberam que chegaria ao aeroporto internacional de Maiquetía, em Caracas, às 3:20 da tarde, no vôo 524, proveniente da cidade alemã. A rapidez da Polícia da Venezuela não lhe deu tempo de reagir. Agora a Colômbia está agilizando a solicitação de extradição. Esta captura, que é um golpe na estrutura logística das FARC, converte-se em um gesto de valiosas proporções do governo de Hugo Chávez.
O que revelam os computadores de “Reyes” e “Jojoy”
6 de setembro de 2001 - (correio de Olga Marín a Raúl Reyes): Alberto Suécia diz que Ricardo (Granda) lhe havia aumentado o orçamento para 1.500 dólares mensais (...) Segundo isso, os três mil que pensei que eram para três meses foram para dois. Ricardo me perguntou no caso de Lucas (Galdrón) e sendo justo, é mais cara a vida na Suíça do que na Suécia e Alberto recebe 200 mais.

27 de junho de 2002 - (correio de Olga Marín a Raúl Reyes): Juan Antonio está sem dinheiro. Receberam-se as seguintes movimentações: Alberto dois mil dólares, Lucas dois mil e Terraza 2 mil.

1º de junho de 2004 - (correio de “Alberto” a Raúl Reyes): Informo-lhe que um colombiano residente aqui na Suécia há 15 anos decidiu ingressar na organização. Ele esteve colaborando com escritos em ANNCOL e na tradução. Chama-se Gildardo, é filósofo graduado na Universidade de Estocolmo. Ele viaja em 10 de janeiro a Caracas e estará pendente de qualquer decisão.
8 de abril de 2007 - (correio de “Alberto” a Reyes): Me falaram de um tipo que vende armas. Eles já lhe compraram 40 fuzis Fal. Me reuni com ele da web para assuntos de ANNCOL.

Fonte: El Tiempo de Bogotá
Comentários e traduções: G. Salgueiro