quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Morre um homem mau, e a Colômbia respira um ar mais puro




O Notalatina, em seu mês de aniversário, não poderia deixar de publicar a notícia de maior repercussão mundial e que enche de alívio e júbilo não só os colombianos que padeceram nas mãos de um dos maiores criminosos das FARC, mas também pessoas de bem que desejam sinceramente ver a Colômbia sem guerra, sem terrorismo, sem narco-tráfico. A morte de Víctor Julio Suárez Rojas, conhecido como “Jorge Briceño Suárez” ou “Mono Jojoy” em La Escalera, La Macarena, Meta, hoje, representa um abalo na cabeça da guerrilha terrorista comparável a um cismo de 8 graus ou mais. E isto deve-se ao laborioso trabalho que desenvolvem os serviços de Inteligência dos gloriosos Exército e Polícia da Colômbia, que apenas recebem o respaldo do presidente Juan Manuel Santos e do ministro da Defesa, Rodrigo Rivera.
No domingo passado a Força Tarefa Omega já havia dado baixa a 27 guerrilheiros da Frente 48 das FARC, dentre os quais Sixto Cabañas, cognome “Domingo Biojó”, chefe dessa frente, John Freddy García, cognome “Pitufo”, quarto cabeça de Frente, “Caballo”, “Segundo Cuéllar” e María Victoria Honojosa, cognome “Lucero Palmera”, amante de Simón Trinidad que está encarcerado nos Estados Unidos. Hoje especula-se que a filha desse casal, ao que tudo indica, também estava no local e morreu no bombardeio, ainda por ser confirmado pela perícia técnica que examina o DNA.
No ataque de hoje havia dois guerrilheiros muito importantes dentro da organização mas ainda não se tem a confirmação de suas mortes: “Mauricio”, o médico, e que há tempo acompanha Jojoy por causa da sua diabetes, e “Romaña”, que fazia parte do Estado Maior e foi comandante de várias frentes do Bloco Oriental das FARC.
Jojoy tinha a seu redor várias centenas de guerrilheiros em mais de um anel de segurança e vivia movendo-se em círculos entre Cundinamarca, Meta e Huila para fugir da perseguição das Forças de Segurança mas, enquanto vários dos cabeças buscavam refúgio no Equador e Venezuela, Jojoy preferiu ficar concentrando-se nos locais que conhecia bem, que eram a serra de La Macarena e o páramo de Sumapaz. Em fevereiro desse ano ele perdeu 40 de seus 50 guardiãs. No ano passado descobriu-se um de seus refúgios, numa caverna debaixo da terra, a qual ele havia abandonado há pouco. Sua morte chegou a ser anunciada várias vezes, tamanha a proximidade do ataque, mas depois era desmentida.
Com as mortes de “Marulanda”, “Raúl Reyes”, “Iván Ríos” e vários chefes importantes como “Edgar Tovar”, “Negro Acacio”, “Buendía”, “Gaitán”, “Negro Arturo”, “Negro Antonio”, “Cesar”, “Martín Sombra”, etc., Jojoy foi ficando cada vez mais só e isolado, sobretudo porque suas relações com “Alfonso Cano” nunca foram boas, uma vez que Cano, mesmo antes de se tornar o chefe máximo da guerrilha, sempre esteve no comando político, enquanto que Jojoy era o máximo chefe militar. Eram dele os projetos de todos os ataques terroristas, como o da base policial de Mitú (onde foram seqüestrados o Major Julián Guevara que faleceu de maus tratos em cativeiro e cujos restos só foram entregue este ano à sua mãe; o intendente Jonh Frank Pinchao que fugiu, entre outros), o do Clube El Nogal, o de Bojayá, onde um cilindro-bomba foi jogado dentro de uma igreja repleta de mulheres, crianças e idosos, cujos corpos ficaram dilacerados e grudados nas paredes do restou da ingreja. Junto com “Romaña”, Jojoy foi um dos fundadores da idéia de seqüestros massivos de personalidades que eles classificavam como “permutáveis”, como militares, policiais e políticos.
Segundo Caracol Radio, especula-se ainda que neste bombardeio também teria morrido “Carlos Antonio Lozada”, que foi chefe da Frente Antonio Nariño, que operava na cidade e que era considerado um dos “cérebros urbanos” das FARC, aguardando confirmação de identificação pelo Instituto de Medicina Legal. Como vocês poderão ver no vídeo que segue abaixo, havia muitos chefes importantes nesse momento no acampamento de Jojoy, onde possivelmente estiveram em reunião para discutir os rumos da guerrilha após o exitoso combate do domingo passado. À medida em que os corpos forem sendo identificados, mais guerrilheiros importantes podem aparecer dentre os mortos e oxalá assim seja.
A morte de Jojoy reveste-se de uma importância capital, considerando não só seu papel no Secretariado, mas por ser a pessoa a quem os comandantes que cuidam dos seqüestrados se reportavam diretamente, uma vez que, como disse mais acima, era ele quem planejava os seqüestros e os atos terroristas. Com seu fim, haverá muitas deserções, não só porque os comandantes ficaram acéfalos não tendo a quem se reportar, como também pelo medo que um bombardeio desse porte provoca. 
Já há tempo a situação estava muito mal para a guerrilheirada pica fumo que chegou a não ter o que comer muitas vezes, conforme relato de desmobilizados. E também não conseguiam se comunicar com seus chefes máximos, que também não conseguiam se comunicar com Jojoy porque, desde o ataque em que morreu o “Negro Acacio”, em dezembro de 2007, ele tinha medo dos bombardeios chegando a afirmar: “De agora em diante vou utilizar o rádio somente para receber e transmitir mensagens curtas, para evitar uma matança”.
Não li ainda, em lugar nenhum, comunicado de presidentes latino-americanos, principalmente do Brasil, Equador e Venezuela, que fingem ser amigos da Colômbia e querer combater o narco-tráfico. Obama felicitou Juan Manuel Santos, que está em Washington, mas Lula, Chávez e Correa devem estar de luto e amaldiçoando os militares e policiais colombianos por mais esta “perda irreparável”. Venezuela e Brasil estão em campanha política mas DUVIDO que este tema seja abordado por qualquer dos candidatos brasileiros, principalmente a terrorista “Wanda”, pois são todos aliados no Foro de São Paulo. Como disse um amigo meu, “quero ver quem o PT vai mandar para o enterro” e quero ver se vai haver “minuto de silêncio” ou comunicado a Alfonso Cano pelo abate deste porco assassino, um dos seres mais sanguinários e trevosos que país algum jamais tenha conhecido.
Meus mais efusivos cumprimentos aos valentes, briosos e cientes de seus papéis como guardiãs da Lei, da Ordem e da Constituição, os guerreiros das Forças de Segurança da Colômbia, heróis da pátria! Que Deus os abençoe muito e sempre, e vele por suas valiosas vidas.
Segue abaixo dois vídeos: o primeiro detalhando como foi a “Operação Sodoma” e o segundo, as primeiras declarações do presidente Santos sobre o ocorrido.  Quero ainda informar que o Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido, meu dileto amigo e companheiro no blog Observatorio brasileño, foi convidado para discutir sobre esta baixa tão importante para a Colômbia no programa da María Elvira, “María Elvira Live”, que vai ao ar hoje às 8 da noite em Miami (hora local). A foto que ilustra a edição de hoje, com a tarjeta de “LIQUIDADO”, foi obra do meu parceiro Alex, o Cavaleiro do Templo”. Fiquem com Deus e até a próxima!
“Operación Sodoma”: Victoria sobre las FARC 






Primeras declaraciones del presidente Juan Manuel Santos







Comentários: G. Salgueiro

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Libertem o Coronel Plazas Vega!

Alguns amigos preocupados me estimulam a “não parar” com o trabalho, acreditando que, como o Notalatina não tem atualizações tão freqüentes como a maioria dos blogs e sites, eu pendurei as chuteiras, joguei a toalha. Não é nada disso; nunca tive tanto trabalho na minha vida e nunca estive mais bem informada da realidade do nosso continente!

Ocorre que, diferentemente da maioria dos donos de blogs, o meu é totalmente elaborado por mim: da escolha do tema à escritura do texto, da seleção dos vídeos às imagens ilustrativas, fora a edição que, invariavelmente, traz atrás de si uma quantidade imensa de pesquisas que às vezes me consomem dias em um só assunto ou pessoa. Vocês já devem ter percebido que os blogs em geral copiam e colam notícias dos jornais brasileiros – que quando falam da América Latina são uma lástima e um primor de desinformação -, o que não leva nem cinco minutos para aprontar.

Aqui tudo é feito sem ajuda de ninguém, pois não tenho “assessores” (nem mesmo na minha vida pessoal), tampouco colo notícias de jornal nenhum. O que vocês lêem no Notalatina são análises exclusivas de fatos graves colhidos desde suas fontes primárias, o que requer estudos sérios e seriedade de trabalho. Todavia, ultimamente tem aparecido uns pilantras que têm a cara de pau de copiar todo o meu texto, colocar o próprio nome e divulgar pela rede como se seu fosse. É isto que me enoja nos brasileiros porque quem faz isto SABE que não escreveu daquilo e se plagia, é porque admirou e tem consciência de não ter competência para tal.

Enquanto o blog ficou “parado”, fiz incontáveis traduções, escrevi artigos para o Brasil e para a Colômbia, além de articular junto com outros amigos o que serve de tema para a edição de hoje e que exponho mais abaixo. Portanto, quando eu “parecer sumida”, procurem ler o Mídia Sem Máscara e o site do Heitor De Paola que vocês vão encontra por lá, além de artigos diferenciados de vários bons escritores, uma montanha de artigos excepcionais traduzidos por mim. Afora isso, necessito de tempo para ler – e trouxe da Colômbia “apenas” 17 livros, um dos quais tem perto de 1.000 páginas e depois disso já comprei mais cinco -, pois tenho por hábito não meter meu bedelho em assuntos que desconheço, ou que não tenho muita segurança, e me incomoda enormemente quem dá “palpites” sobre temas dos quais não sabe absolutamente nada como se fossem lições de cátedras. E isto parece ser a regra e não a exceção aqui no Brasil, sobretudo nos jornalões mais conhecidos.

Quando estivemos na Colômbia, eu e Olavo de Carvalho, no meu último dia lá visitamos a esposa do Coronel Luis Alfonso Plazas Vega, que foi condenado a 30 anos de prisão pelo atentado cometido pelo bando terrorista M-19, caso que eu já conhecia e traduzi inúmeros artigos a respeito antes de visitá-la. O encontro com Thania (hoje minha amiga pessoal) foi comovente, pois lá conhecemos mais detalhes do caso onde fica patente a infâmia que se comete contra um herói da Pátria, enquanto os verdadeiros assassinos terroristas foram anistiados e gozam de todas as liberdades políticas, inclusive um deles foi candidato presidencial nestas últimas eleições.

Pois bem, a coisa é tão escabrosa, tão aberrante juridicamente e tão absolutamente injusta, que Olavo ofereceu à esposa do Cel Plazas criarmos um site sobre o seu caso para que mais pessoas fora da Colômbia pudessem tomar conhecimento.

O site está pronto e há um abaixo-assinado cujo texto explica sucintamente o fato. No meu outro blog, “Observatório brasileño”, há várias publicações a respeito do caso e que podem ser consultados para conhecer mais detalhes, inclusive há áudios e vídeos ilustrativos, mas tudo em espanhol.

O site chama-se “Free Plazas Vega” e a petição da capa está em inglês, mas rolando-se a página até embaixo é possível vê-la em português, francês, espanhol e alemão. Há ainda um vídeo e o link do site que a família do coronel criou para explicar seu caso à opinião pública. Estamos com apenas 260 assinaturas mas precisamos de muito mais. Gente, a solidariedade é uma coisa que não custa nada a quem presta, mas às vezes pode até salvar a vida de quem a recebe. É o caso do Cel Plazas, um homem virtuoso, católico fervoroso, um soldado valente que arriscou sua vida para salvar a de 260 pessoas (esses números são pura coincidência!) de um atentado cometido pelos terroristas do M-19 a mando de Pablo Escobar e ele é quem está sendo tratado como marginal, criminoso, terrorista. Para um homem que já passa dos 60, 30 anos de prisão, por crimes que NÃO cometeu JAMAIS, é o mesmo que uma sentença de morte.

Se fazem-se, divulgam-se a assinam-se petições para salvar baleias, micos-leões-dourados, golfinhos ou um mero baobá, por que não para que libertem o Cel Plazas Vega? Então, conclamo-os todos a assinar a petição e mais que isso: divulguem por todos os meios de que dispuserem, para todas as pessoas de boa-vontade e pensem que, se hoje temos presos políticos na Colômbia, na Venezuela, no Uruguai, na Argentina, amanhã poderemos ser nós mesmos se as coisas seguem o curso ditado pelo Foro de São Paulo.

Lembrem-se do poema de Niemöller, de que enquanto não era com ele, ele não se importou, não ajudou seu vizinho; quando chegou a sua vez, já não havia mais ninguém para acudi-lo porque todos haviam sido presos. Isto é um poema mas calcado na realidade de quem viveu sob o jugo do comunismo, portanto, aí está o meu apelo veemente que espero toque os corações de todos vocês. Fiquem com Deus até a próxima!

Comentários: G. Salgueiro

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Morreu Franklin Brito, e o responsável é Hugo Rafael Chávez Frías!


O Notalatina está sem atualização há algum tempo em decorrência de alguns problemas pessoais mas, mesmo considerando o adiantado da hora, não posso me calar diante de mais um abominável crime da ditadura chavista. Além de ter em cativeiro mais de 40 presos políticos inocentes, dentre eles meu amigo e companheiro Alejandro Peña Esclusa, agora o maligno psicopata Chávez terá de arcar em sua extensa folha-corrida com um crime de morte, uma morte anunciada.

Morreu na tarde desta segunda-feira o pecuarista venezuelano Franklin Brito, em decorrência de uma greve de fome que já durava nove meses.

Para quem não conhece a história, Franklin possuía uma fazenda produtiva de gado, até que Chávez resolveu “expropriá-la”, quer dizer roubá-la de seu legítimo proprietário, alegando que ninguém pode ser proprietário de terra porque “todas as terras da Venezuela pertencem ao povo”.

Franklin tentou reaver sua propriedade pelas vias legais mas, como todos os poderes na Venezuela estão seqüestrados pelo ditador, ninguém lhe deu ouvidos nem razão. Então, num gesto desesperado, Franklin apelou para a greve de fome. Isto, entretanto, não sensibiliza esses criminosos comunistas que, diga-se de passagem, já assassinaram por prazer milhares de seres humanos pela fome, como na Ucrânia no “Holodomor”, como não sensibilizou os Castro, nem tampouco Lula, no caso de Orlando Zapata Tamayo.

Não posso dizer que esta morte vai pesar na consciência de Chávez porque ele não a tem. Entretanto, pesará, sim, perante a Justiça Divina que para nós pode parecer que tarda mas é infalível.

A este novo mártir do castro-comunismo chavista, rogo a Deus que o acolha em Seu Reino e console sua família. Àqueles que insistem em chamar Chávez de “bufão”, mostro com provas que ele é um reles criminoso cheio de ódio e inveja, e que um dia – com a graça de Deus! – terá de pagar até o último cêntimo por todos os males que tem causado à Venezuela e a todos os venezuelanos que se opõem ao comunismo. Aos governantes que continuam se iludindo com as falsas promessas deste ser abjeto, mais uma prova de sua insensibilidade e de seus incontáveis crimes de morte contra seus próprios concidadãos. Às instâncias internacionais, não fechem os olhos para a desgraça que se abateu sobre a Venezuela e apressem o julgamento a este monstro desalmado!

Seguem abaixo um comunicado da família de Franklin Brito e uma nota da jornalista Angélica Mora. Fiquem com Deus e até a próxima!

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COMUNICADO DA FAMÍLIA DE FRANKLIN BRITO

Com imensa dor, informamos ao povo venezuelano e ao mundo o seguinte:

Hoje, 30 de agosto de 2010, o esgotado corpo de nosso esposo e pai, Franklin Brito, deixou de respirar. Após uma luta de mais de seis anos, mais de oito greves de fome, a mutilação de um dedo e de ter sido vítima de uma irregular privação de liberdade, o corpo de Franklin Brito deixou hoje de realizar suas funções vitais.

Tudo isto não significa, entretanto, que Franklin Brito morreu. Franklin vive na luta do povo venezuelano pelo direito à propriedade, o acesso à justiça, pela vida em liberdade e o respeito dos governos aos direitos humanos coletivos e individuais. Franklin Brito deixa de ser carne para se converter em símbolo e bandeira para todos os atropelados pela soberba do poder, para os ofendidos pela prepotência dos governantes, para os que crêem que a verdade e a justiça estão sempre acima de circunstâncias e conveniências.

O corpo de Franklin Brito morre na instituição militar onde o mantinham retido contra sua vontade. O governo do presidente Hugo Chávez ignorou a petição de Franklin, o clamor de sua família e os chamados dos organismos internacionais para permitir que tivesse acesso à assistência médica eleita por ele mesmo e, portanto, merecedora de sua confiança. Por isso, a família Brito no momento se abstém de emitir opiniões sobre as causas diretas do falecimento, em virtude das insólitas e inumanas circunstâncias que o rodearam.

Porém, o que certamente podemos dizer desde já é que a luta de Franklin Brito continua. Nós, sua família, seguiremos lutando pelo patrimônio de seus filhos. E seu consciente sacrifício não será em vão, enquanto os filhos da Venezuela estejam também dispostos a defender o patrimônio físico e moral da Nação.

Em momento posterior, quando a dor nos permitir, emitiremos um novo comunicado. Por agora, saiba a Venezuela que a Franklin Brito a agressão não pôde vencê-lo, não pôde atemorizá-lo a ameaça, nem pôde dobrá-lo a oferta corrupta. Por isso e por muito mais, nestes tempos de morte e dor Franklin Brito é um símbolo de decência e de vida.

Estamos certos de que a alma de Franklin, desde o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, nos seguirá iluminando. Porque sua luta, que deve ser a luta de todos, CONTINUA!

Elena Rodríguez de Brito

Ángela Brito Rodríguez

Francia Brito Rodríguez

Franklin José Brito Rodríguez

José Franklin Brito Rodríguez

Caracas, Hospital Militar

Segunda-feira, 30 de agosto de 2010. 10:20 PM

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Apontamentos de uma Jornalista

Angélica Mora, de Nova York

Morreu Franklin Brito, depois de uma greve de fome de mais de 9 meses. O produtor agropecuário venezuelano só pedia que se reconhecesse seus direitos. Brito faleceu de uma parada cardíaca, e sua esposa Elena denuncia que até o momento não lhe deixaram ver o cadáver.

A luta contra a injustiça deste grevista venezuelano o coloca no pedestal dos que falecem sem temer a morte, como o mártir cubano Orlando Zapata Tamayo.

Brito enfrentou, mediante uma dramática greve de fome de mais de 9 meses, o governo de Hugo Chávez, porém seu coração não pôde suportar o rigor do jejum e deixou de bater na tarde desta segunda-feira. Tinha 49 anos.

O produtor agropecuário havia radicalizado seu protesto na espera de que Chávez se pronunciasse sobre seu caso. Ninguém o escutou e o presidente do Instituto Nacional de Terras, Juan Carlos Loyo, que o visitou só uma vez, disse à sua saída do hospital que “o problema pelo qual Brito se mantinha em tal atitude devia-se a um inconveniente que teve com uns vizinhos”.

O último informe e a última conversação que tive no fim de semana com sua filha Ángela, foi que Brito havia suspendido a alimentação por soro e só bebia água. A jovem acusa o Presidente da Venezuela de ser o causador direto da morte de seu pai.

Em diversas ocasiões, Ángela denunciou que Brito estava sendo torturado no Hospital Militar, lugar onde foi internado contra sua vontade, apesar de não haver cometido nenhum delito.

De acordo com seu relato, Brito permanecia recolhido em um cubículo de terapia intensiva no qual as enfermeiras entravam e saíam constantemente, importunando seu descanso. Além disso, o haviam colocado ao lado do banheiro comum e perto do motor do ar condicionado que serve a toda a terapia, pelo que as vibrações não o deixavam dormir. Fizeram tudo isto para torturá-lo, assegura Ángela.

“Quiseram tê-lo ali para isolá-lo e evitar o contato com o mundo exterior, sem visitas e sem fotos”.

Na consciência de Hugo Chávez cairá agora esta nova morte.

Comentários e traduções: G. Salgueiro

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Santos, Chávez e o carro-bomba

Muita gente tem me perguntado, preocupada, se o presidente Juan Manuel Santos jogou no lixo as promessas que fez a Uribe de continuar com o Plano de Segurança Democrática e se bandeou-se para o lado esquerdo. Embora preocupada com algumas coisas que tenho observado, penso que ainda é cedo para afirmar isto; temos que dar-lhe um voto de confiança e acreditar em seu discurso até que fatos concretos confirmem ou desmintam que estamos equivocados.

Entretanto, não posso deixar de sentir desconforto com algumas atitudes que estão inquietando também alguns amigos colombianos, civis e militares. Quero hoje apontá-las e analisá-las e utilizo como recurso alguns vídeos, novos uns, antigos outros.

Quem conhece minhas análises nesse blog sabe que nunca nutri fortes simpatias por Santos, desde o momento da escolha do candidato a vice, conhecido “ex” comunista, que inclusive recebeu duras criticas e desconfianças até de seus aliados. Já eleito mas ainda antes de tomar posse, Santos estreitou a mão entre sorrisos e abraços a um dos piores elementos da política colombiana, o “ex” terrorista do bando M-19, Gustavo Petro, que promoveu o ataque no Palácio da Justiça e foi graciosamente anistiado, enquanto que os verdadeiros heróis daqueles nefastos acontecimentos estão encarcerados, julgados como criminosos hediondos e sentenciados a 30 anos de prisão (sem direito a prisão domiciliar), como é o caso do Coronel Alfonso Plazas Vega.

Quando saiu a condenação do coronel Plazas eu ainda estava na Colômbia e vi um pronunciamento de Santos, ainda candidato, em defesa do coronel Plazas. Em pouco mais de 15 dias se congratulava e convidava a participar do seu governo, o monstro que provocou a prisão do coronel Plazas Vega. Isto ou é oportunismo barato, ou hipocrisia em estado puro!

No discurso de posse, que pode ser lido na íntegra em espanhol aqui, Santos disse que o caminho do diálogo com as guerrilhas estavam abertos “desde que” elas abandonassem as armas, libertassem todos os seqüestrados e parassem com os atentados terroristas. Curiosamente, este discurso caiu bem sobretudo para os governantes de esquerda mas sabemos todos que as FARC JAMAIS farão isto, porque querem apenas ganhar tempo e jogar uma isca par ver se conseguem um segundo Pastrana.

Rafael Correa participou – muito feliz – da cerimônia de posse e não tinha motivos para não ir ou ir de má-vontade, pois um dos primeiros atos de Santos depois de eleito e empossado foi devolver a Correa os discos rígidos originais dos computadores de Raúl Reyes, e ainda prometeu fornecer os detalhes da operação onde foi abatido o terrorista nº 2 das FARC. Em entrevista à rádio “La W”, Correa revela todo seu rancor e diz claramente que pretende com esses gestos reatar as relações diplomáticas com a Colômbia mas que “não perdoa” o ataque a seu país. É claro que essa mágoa “imperdoável” foi por ter dizimado seu amigo a quem ele deveu sua vitória eleitoral e não pela “invasão” em si. Ouçam aqui a entrevista integral em espanhol:


E no primeiro dia depois da posse, Santos já havia acertado com os chanceleres da Colômbia e Venezuela, um encontro com Chávez em Santa Marta, local histórico onde está guardada a espada de Simón Bolívar e que as FARC dizem tê-la “resgatado”. Entretanto, antes de comentar este episódio quero convidá-los a assistir o vídeo abaixo que só foi divulgado em 15 de julho, mas que foi feito antes disso uma vez que Chávez diz que será “uma desgraça para o continente” se Santos vencer a eleição, cujo segundo turno ocorreu em 20 de junho.

OS INSULTOS DE CHÁVEZ A JUAN MANUEL SANTOS




É evidente que Santos deve conhecer esse vídeo mas fez-se de desentendido e ainda assim quis dar uma de “magnânimo”, fato que causou muita revolta nos colombianos de bem.

Para o encontro de 1 (um) dia, Chávez levou uma comitiva (oficial) de 80 pessoas, duas limusines iguais e chegou ao local do encontro – que distava do aeroporto menos de 10 minutos de carro – com bastante atraso. Ao chegar, disse que teve de descer do carro para cumprimentar as pessoas que se manifestavam com saudações e cartazes, felizes com a sua presença. Entretanto, essa claque foi tão comprada quanto são as do abutre Fidel e do atual presidente brasileiro, só que esses “colombianos” encantados com a presença do ditador venezuelano eram, na verdade, venezuelanos trazidos especialmente para o evento. Vejam aqui o desmascaramento!

No encontro, entre afagos e sorrisos mútuos, ficou acertado o seguinte:

1. Chávez não se intromete mais na questão dos militares americanos baseados na Colômbia e reata as relações diplomáticas com seu vizinho.

2. Por sua parte, Santos se comprometeu a não enviar NINGUÉM para investigar se de fato as FARC têm acampamentos na Venezuela, nem faz acusações de que os comandantes das FARC e do ELN recebem abrigo na Venezuela. Isto causou muita revolta (em mim também) porque com este “borrón y cuenta nueva”, como dizem os latinos e que significa “perdoar e seguir em frente”, Santos desacreditou o governo de Uribe indiretamente chamando-o de mentiroso, pois tudo o que Chávez queria era que seus terroristas de estimação não fossem molestados. Ficou muito mal parado, também, o embaixador Hoyos que foi à Assembléia da OEA com montanhas de provas insofismáveis da presença desses acampamentos e agora Santos apagava todas as evidências de um trabalho primoroso da Inteligência colombiana. Para quem diz respeitar e apoiar as Forças de Segurança da Colômbia, esta atitude infeliz desmente seu apego à verdade e ao fim do terrorismo.

Chávez saiu tão feliz quanto Correa, porque estas benesses oferecidas por Santos obedecem aos ditames do Foro de São Paulo. Uma coisa que não vejo ninguém comentar aqui no Brasil e que me parece absolutamente escandalosa, é que de três em três meses Chávez e Lula se encontram para “discutir os problemas da região e assinar mais acordos de cooperação”, uma vez na Venezuela e outra vez no Brasil. Ocorre que um dia antes da posse de Santos Lula esteve em Caracas para esse encontro trimestral e, certamente, devem ter discutido as exigências que deveriam ser feitas à Colômbia, uma vez que ambos sabiam que havia um forte interesse de Santos em reatar as relações, sobretudo por questões comerciais. A Venezuela já deve à Colômbia cerca de 800 bilhões de dólares, soma que sem dúvida afeta a economia do país.

Muitas promessas foram feitas, um depositando confiança no outro mas, é bom Santos ter muito claro que comunista não tem palavra e que, além disso, várias empresas brasileiras – muitas das quais torceram para Chávez ser incorporado ao MERCOSUL – estão se retirando da Venezuela por causa do calote do governo comunista venezuelano.

Concomitantemente a esses encontros regados a uma dose excessiva de confiança em marginais da pior espécie, as FARC, que pediam um “diálogo” com o novo presidente, NUNCA deixaram de fazer seus atentados terroristas, semeando a dor e a morte por todo o país. Na última sexta-feira (13) aconteceu um atentado em frente à sede de “Caracol Radio”, no coração de Bogotá, onde um carro-bomba foi explodido sem deixar vítimas fatais. O governo não quer afirmar, porque ainda segue a investigação, mas todas as pessoas estudiosas das FARC sabem que este ataque foi perpetrado por elas. Quando soube da notícia e dos detalhes, imediatamente lembrei do atentado ao Clube El Nogal, em feverreiro de 2003, quando terroristas das FARC fizeram explodir um carro no estacionamento do clube deixando quase uma centena de vítimas e mais de 40 mortos. Naquela ocasião, as FARC negaram a responsabilidade mas depois ficou comprovado, através de correspondência trocada entre Raúl Reyes e outro comandante mostrando-se “feliz com o sucesso” do evento.

Mesmo sem provas, e provavelmente estas vão continuar sendo mascaradas, não tenho dúvida nenhuma de que este ataque partiu desses monstros que falam de paz mas só têm ódio, inveja, ressentimento e maldade em seu corações. Do mesmo modo que eu pensa Eduardo Mackenzie, excelente jornalista colombo-francês, meu amigo pessoal, neste artigo que está na capa de hoje do site do Heitor De Paola.

Entretanto, há duas denúncias contra Chávez e a Venezuela, feitas pelo advogado Jaime Granados, ante a Corte Interamericana de Direitos Humanos da ONU e ante o Tribunal Penal Internacional de Haya. Como se diz por aqui, “a batata de Chávez está assando...”.

Mas depois de ficar tantos dias sem atualizar o blog, eu não poderia privá-los de ver que belo cheque-mate que um jornalista colombiano deu em Chávez, em seu encontro com Santos. Questionado sobre declarações antigas em que ele faz apologia às FARC e pede 1 minuto de silêncio pela morte de Raúl Reyes, um Chávez visivelmente nervoso e suarento, depois de ter jurado a Santos que não apóia, nunca apoiou nem apoiará as FARC, sem ter como negar o que está gravado em vídeo chama o jornalista de “mentiroso”. No final do programa “La Noche”, Claudia Gurissati apresenta o momento da entrevista e desmascara Chávez perante o país e o mundo, apresentando partes dos vídeos em que ele fez essa defesa. Deliciem-se com o vídeo abaixo:

LA NOCHE: OS NERVOS DO PRESIDENTE CHAVEZ ANTE AS PERGUNTAS DE NTN24




E para encerrar a edição de hoje, deixo-os com mais um vídeo, desta vez de uma entrevista que Indira Ramírez de Peña Esclusa, esposa de Alejandro, concedeu ao site venezuelano “Analítica”. Nessa entrevista ela fala sobre o estado de saúde física, mental e espiritual de Alejandro, bem como das medidas que estão sendo tomadas judicialmente para defendê-lo. Fiquem com Deus e até a próxima!

INDIRA RAMÍREZ, ESPOSA DE PEÑA ESCLUSA EM ANALÍTICA




Comentários: G. Salgueiro

sábado, 7 de agosto de 2010

Até breve, Presidente Uribe!

O Notalatina ficou sem atualização por um par de semanas, por razões de cunho pessoal, mas hoje não podia deixar de despedir-me, emocionada e ao mesmo tempo triste, deste grande homem que pegou um país afundado em crimes e atos de terrorismo e o devolveu ao seu povo quase totalmente recuperado. Lembro com orgulho da carta que recebi do maior presidente das últimas décadas, na Colômbia e na América do Sul, fato que não acontece todos os dias, nem a todas as pessoas desse Brasil.

Ontem, no jantar de despedida com a cúpula das Forças Militares, o ministro da Defesa de seu governo, Gabriel Silva, condecorou com o grau “general de quatro sóis”, general Ad Honorem, pelos excelentes serviços prestados à Pátria, e o Comandante do Exército, general Oscar González, condecorou-o com a Medalha de Serviços Distinguidos, Escola Geral de Cadetes ‘General José María Córdova’. E em seu discurso de despedida, Uribe disse que muito mais cedo do que esperavam, os colombianos teriam novas boas notícias em relação às FARC, sem contudo especificar de que se tratava.

Hoje, embora sem nenhuma confirmação por parte do Ministério da Defesa, do Comando das Forças Militares ou mesmo do Exército ou da Polícia, o canal de televisão “Caracol” da Colômbia, anunciou que Félix Antonio Muñoz Lascaro, alcunha de “Pastor Alape”, um dos comandantes suplentes do Secretariado Maior Geral das FARC, havia morrido em combates com as tropas do Exército na Serranía del Perijá. Pastor Alape é acusado de liderar o negócio das drogas ilícitas em Magdalena Medio e os Estados Unidos ofereciam uma recompensa milionária por informações que levassem à sua captura. Vejam o que diz o vídeo abaixo:




Espero que essa notícia seja verdadeira, mas posteriormente confirmo ou desminto. Com relação às duas denúncias anteriores à morte do terrorista das FARC, é necessário esclarecer que NÃO foi o presidente Uribe quem apresentou essas denúncias contra Chávez mas seu advogado, Jaime Granados, como advogado de vítimas colombianas, embora o presidente seja citado como “testemunha” das denúncias.

Bem, e como hoje o único objetivo do Notalatina é a despedida de Uribe, apresento abaixo os vídeos de seu último discurso que também pode ser lido aqui, na íntegra, que traduzi com exclusividade para meu amigo Heitor De Paola. Convido-os ainda a ler o artigo Obrigado, Presidente Uribe, escrito por Eduardo Mackenzie, e que diz tudo aquilo que eu, como admiradora deste notável ser humano, gostaria de dizer.

Obrigada, presidente Uribe e até 2014! Eu e a Colômbia inteira aguardamos seu retorno!

Há muitos assuntos graves para comentar que ficaram sem publicação mas que numa próxima edição revelo e analiso. Fiquem com Deus e até a próxima!

Alocução presidencial Álvaro Uribe primeira parte




Alocução presidencial Álvaro Uribe segunda parte



Alocução presidencial Álvaro Uribe terceira parte


Comentários e traduções: G. Salgueiro

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Vídeos das provas apresentadas pela Colômbia


O Notalatina volta em edição extraordinária para apresentar uma foto e dois vídeos que foram apresentados agora na Assembléia Extraordinária da OEA, onde o embaixador Luis Alfonso Hoyos está fazendo sua alocução.

E Chávez acabou de romper – pela enésima vez – as relações com a Colômbia. Ao lado do cheirador de coca, e portanto, também defensor das FARC, Diego Maradona, Chávez disse que “por dignidade” decidiu romper relações com a Colômbia e ordenou “alerta máximo” a suas Forças nas fronteiras. Disse o delinqüente de Miraflores: “Estaremos alerta (sic) porque Uribe é um doente, está cheio de ódio e não aceitaremos violações em nossa soberania”. E concluindo, disse que o rompimento de relações “me produz uma lágrima no coração".

Bem, para quem ainda não sabe direito como funciona uma “mentalidade revolucionária”, Chávez dá a receita de um dos três pontos básicos: a inversão entre sujeito e objeto, a inversão da responsabilidade moral, segundo Olavo de Carvalho, em sua teoria sobre a “Mentalidade Revolucionária”. Observem quanto ele “lamenta” e até faz “chorar o coração” por um crime cometido por Uribe, que é um doente e cheio de ódio. Não é ele, Chávez, quem alimenta tanto ódio no coração, ao proteger monstros que só praticam o mal e que ele afirma que “não são terroristas”. Não esqueçam que, do mesmo modo, Lula e seu PT afirmam a mesma coisa, porque são todos farinha do mesmo saco podre, perverso e desumano.

Rompeu com a Colômbia? Ótimo! A Colômbia não precisa enlamear-se juntando-se com porcos como Chávez e como bem disse o presidente Uribe em seu último discurso oficial, “a Colômbia não se deixou render pelo comércio, porque a Colômbia sabe que se perdermos o caráter e a luta pela liberdade, perderemos o comércio e também a dignidade. Com dignidade haverá comércio com o mundo inteiro; sem ela ninguém nos dará crédito”. Bravo!!!

Mas, assistam agora aos dois vídeos que mostram, de maneira inequívoca, os locais de acampamentos permanentes das FARC na Venezuela. Saliento que esses vídeos apresentados pela Colômbia são recentíssimos, feitos em junho passado, quando da captura de dois terroristas de cognomes “Jaime Canaguaro” e “Ciro”. E o embaixador Hoyos segue em sua explanação, que tem 45 minutos para fazê-la. Posso voltar a qualquer momento com mais informações exclusivas, que depois vão copiar do meu blog, publicar sem os créditos e então vão ser repassadas. Só peço que, antes de me enviarem notícias sobre as FARC ou a Colômbia, leiam antes se já não consta do Notalatina há tempo. Fiquem com Deus e até a próxima.

Fotos de guerrilheiros em território venezuelano, revelam ante a OEA



Colômbia apresenta provas de acampamentos guerrilheiros na Venezuela



Comentários e traduções: G. Salgueiro

Colômbia denuncia formalmente à OEA, conluio de Chávez com as FARC

O Notalatina de hoje felicita os colombianos pelo seu Bicentenário da Independência, cujas festividades ocorreram no último dia 20. E o faço, não apenas como amiga e admiradora daquele país, mas para traçar um paralelo com as nossas “festas da Independência”, comemoradas em 7 de setembro, e que desde o fim dos governos militares perdeu todo o seu significado, seu garbo e seu patriotismo. Lembro que na minha infância todo ano íamos ver o desfile militar, que lotava a Avenida Conde da Boa Vista e nos enchia de orgulho e patriotismo. Os desfiles eram grandiosos e belos, e esse dia era reservado a esse fim, onde, além das Forças Armadas e Policiais, todos os colégios participavam orgulhosos com suas fardas de gala.

Depois da chamada - e malfazeja - “redemocratização”, os militares passaram ao segundo plano e as avenidas foram ocupadas por desordeiros comunistas travestidos de “excluídos”. Das cores de nossa bandeira passou-se a ver um mar vermelho, como se estivéssemos assistindo um desfile na China comunista. E foi, a partir daí, que o nosso amor pela Pátria passou a ser desconstruído, restando uma “patriotada” vergonhosa que se manifesta a cada quatro anos por motivo da copa mundial de futebol. O 7 de setembro agora passou a ser mais um “feriado” no calendário e, se calhar de cair numa sexta ou segunda-feiras, leva o nome de “feriadão”, onde as pessoas sequer lembram o por quê do feriado.

Responsabilizo os governos pós “redemocratização”, e mais especificamente este de comuno-sindicalistas, da ala comunista infiltrada na Igreja, a tal CNBB que criou os tais “excluídos”, e a tibieza dos sucessivos comandantes militares que se curvaram até a ignomínia de não ocuparem a tribuna no desfile militar e de medalhar terroristas, de tentar acabar com os nossos valores pátrios, de denegrir o passado histórico de nossos heróis, e de transformar um dia tão grandioso para a Pátria num rendez vous descarado. Assistam no vídeo abaixo parte do desfile militar da Colômbia no dia de sua independência e sintam inveja. O país inteiro comemorou com alegria, patriotismo e orgulho.




Mas esta edição de hoje tem, sobretudo, o objetivo de comentar um fato importantíssimo para todo o continente que é a Assembléia Extraordinária do Conselho Permanente da OEA que ocorrerá hoje às 14:00 h., onde o embaixador da Colômbia ante esse organismo, Luis Alfonso Hoyos, vai apresentar as provas da existência dos acampamentos das FARC na Venezuela que eu já esbocei na última edição.

Sobre esta reunião, que foi solicitada no início deste mês, Chávez deu mostras de seu medo porque SABE que a denúncia procede e irá incriminá-lo se houver lisura no trato por parte dos países-membros. Na noite da última terça-feira o embaixador do Equador ante a OEA, Francisco Proaño, renunciou a seu cargo em decorrência das pressões que sofreu por parte de Chávez para que cancelasse esta reunião que teve o apoio do chanceler do Equador que, por sua vez, pressionou Proaño a não atender o pedido da Colômbia.

Proaño era presidente do Conselho Permanente e lhe correspondia convocar a sessão, presidi-la e moderá-la. Segundo ele informou em entrevista ao jornal “El Tiempo” de Bogotá, “Eu estava em uma dificuldade muito séria. Por uma lado, minha Chancelaria queria que eu, como presidente do Conselho Permanente, adiasse a sessão extraordinária pedida pela Colômbia para esta quinta-feira. Por outro lado, estava o regulamento interno da OEA que me impedia (de fazer isso). Ante a situação, decidi afastar-me e apresentei minha renúncia às 7:30 da noite da terça-feira”.

Chávez queria não somente impedir a realização da sessão mas, em caso de não poder cancelá-la, que ela fosse a portas fechadas para que o mundo não visse as provas que o incriminam e ele pudesse agredir Uribe como é de seu costume, mesmo sendo através de seus embaixadores. Entretanto, essa foi uma das exigências – e aceita – da Colômbia, segundo o embaixador Hoyos. Disse ele: A Colômbia pediu uma sessão pública, porque não queremos receber nenhum tipo de insultos; vamos exigir respeito e cooperação. Entretanto, ontem à noite Chávez disse que deu “instruções” a seu chanceler, Nicolás Maduro, para “não cair em provocações” e deixar a “batalha diplomática na OEA” a seu embaixador ante esse organismo, Roy Chaderton.

Por sua vez, Chaderton “denunciou” em várias emissoras colombianas que o governo Uribe “cumpriu um papel de acusador internacional em oito anos de montagens e escândalos”. Pois muito bem, “seu” Chaderton, agora vamos ver se há “montagens” nas provas que a Colômbia vai apresentar. No dossiê há 10 vídeos, 12 testemunhos de desmobilizados, mais de 20 fotografias e várias coordenadas de acampamentos. O dossiê, além da sustentação de cada uma das vezes que a Colômbia entregou à Venezuela as coordenadas de possíveis acampamentos, através da Combifront (até princípios de 2007), tem anexas as respostas que recebeu do país vizinho e o que supostamente havia nesses pontos.

Segundo o embaixador Hoyos, “Há fatos novos do último mês e das últimas três semanas sobre ações que se incrementaram e que vêm sendo lideradas dos acampamentos permanentes, e que se consolidaram muito ao longo deste último semestre”. Ele acrescentou ainda: “O propósito de fazer esta denúncia é para que os países da região entendam que não se trata de uma briga política, senão de uma realidade comprovada. Hoyos assinalou ainda que recebeu a cooperação de todos os países vinhos, com exceção da Venezuela. “Lamentavelmente, no caso da Venezuela, apesar de toda a informação que se entregou e de toda a busca de cooperação, não foi possível essa cooperação”. Em seu informe a Colômbia é enfática em afirmar que a partir de 2007 cessou qualquer troca de informação, em razão da ausência de resposta aos requerimentos.

O Notalatina é testemunha destas afirmações, pois incontáveis vezes denunciei – com base em dados fornecidos pelo Governo, do Ministério da Defesa e do Exército da Colômbia – as agressões feitas por Chávez, como resposta a estas solicitações do governo colombiano. O substituto do embaixador equatoriano, para presidir e moderar a sessão, é o salvadorenho Joaquín Maza, que deu prosseguimento às normas da convocação e que poderá estar a favor da Colômbia, pois foi embaixador nesse país por vários anos. O presidente do Uruguai, Pepe Mujica, disse que, “apesar de ser amigo de Chávez, não quer brigar com a Colômbia”, sinalizando que, no mínimo, vai ficar neutro na votação ou abster-se. A Colômbia conta ainda com o respaldo dos Estados Unidos e Panamá, enquanto Chávez conta com os países membros da ALBA.

No último pronunciamento feito como Presidente da República na Assembléia Nacional, o presidente Uribe foi enfático ao dizer que “Na Colômbia não permitiremos que o terrorismo possa encontrar refúgio”, num longo discurso, do qual apresento um dos trechos mais importantes. Aqui ele manda um recado velado a Chávez, sem contudo citar seu nome ou a Venezuela, pois todo o governo tem afirmado que não se trata de “provocar” ou “querer guerra” contra a Venezuela e sim, estimular Chávez a que coopere no combate ao narco-tráfico. Todos sabemos que isto é impossível, pois Chávez deve às FARC e ao Foro de São Paulo sua chegada ao poder, e esta é uma dívida impagável. Daí seu medo, seus arroubos de fingida indignação, sua perseguição aos opositores para despistar sua vulnerabilidade patente perante os olhos do mundo. Mas, ouçam a alocução de Uribe:

“Na Colômbia não permitiremos que o terrorismo possa encontrar refúgio”



E para encerrar esta edição (que poderá voltar mais tarde com notícias da sessão da OEA), um vídeo feito por Alejandro Peña Esculsa em setembro de 2001, onde ele já denunciava as ligações de Chávez com as FARC que enviou ontem em uma carta ao presidente Uribe, felicitando-o pela iniciativa de denunciar Chávez ante este organismo internacional. Observem que o discurso dele não mudou, no sentido de que, desde aquela época (quando nos tornamos amigos) Alejandro denunciava que Chávez necessitava ser apeado do poder PACIFICAMENTE, pois iria transformar a Venezuela numa ditadura igual à de Cuba.

Não tenho esperanças de que esta denúncia feita hoje pela Colômbia surta os efeitos desejados porque todos sabemos que a OEA, igual à sua parceira ONU, é hoje administrada por países comunistas, a maioria deles pertencentes ao Foro de São Paulo e à ALBA. Porém, mesmo que a Venezuela não seja formalmente condenada, fica exposto perante o mundo seu conluio criminoso com as FARC. É lastimável que o Brasil também não seja igualmente denunciado, pois fartas provas disso há, Uribe sabe disso, os órgãos de inteligência de ambos os governos sabem mas ninguém faz nada! E o Notalatina tem denunciado incessantemente ao longo de seus 8 anos de existência, cujas provas podem ser vistas através de seus arquivos. É só pesquisar que acha. Fiquem com Deus e até a próxima!

Como evitar o Totalitarismo na Venezuela?



Comentários e traduções: G. Salgueiro