quinta-feira, 3 de julho de 2008


O dia 2 de julho vai ficar marcado na história da Colômbia, depois que o mundo conheceu a espetacular operação denoninada “Jaque” (xeque-mate) que libertou 15 prisioneiros das FARC, dentre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e os três norte-americanos, sem que um só tiro ou qualquer outro tipo de violência física se produzisse. Nesta operação sem precendentes na história, por sua audácia, precisão e extremo profissionalismo, o serviço de Inteligência das Forças Armadas e Policiais ludibriaram os comandantes das FARC numa ação só imaginável em filmes de espionagem.

O canal de tv CNN em Espanhol fez uma cobertura completa, desde o fim da tarde, à qual assisti emocionada. Quando esta edição for divulgada certamente todos os jornais já terão dado a notícia da libertação de Ingrid, por isso não quero me ater muito ao fato em si mas a alguns detalhes mais relevantes, por exemplo, como, quando e de que modo foi montada a operação, a reação dos presidentes mais envolvidos com o caso e o aspecto político-estratégico deste acontecimento.

Quando o material apreendido dos computadore de Raúl Reyes começou a ser examinado, encontrou-se uma troca de mensagens entre a senadora comunista Piedad Córdoba e o comando das FARC, onde esta sugeria que não se libertasse Ingrid pois ela representava o maior trunfo que eles tinham em mãos; era a “galinha dos ovos de ouro” com a qual as FARC poderiam fazer exigências e chantagens ao governo colombiano por tempo indeterminado. Noutra oportunidade, tanto ela quanto os aliados das FARC – Chávez, Correa, Insulza -, dona Yolanda (mãe de Ingrid) e os próprios ex-reféns, viviam afirmando que as FFAA não deviam tentar um resgate pois seria fatal – superestimando o poder das FARC e subestimendo a competência das Forças de Segurança Nacional -, apelando para que o presidente Uribe cedesse aos apelos dos chefes da guerrilha decretando “zona desmilitarizada” os departamentos de Pradera e Florida.

O presidente Uribe, sempre muito diplomático, nunca respondeu a estas sandices e continuou trabalhando com sua equipe com o sigilo que o caso requeria, com o apoio incondicional do governo americano. Segundo o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Gordon Johndroe, “Apoiamos a operação e proporcionamos apoio específico. Este resgate vem sendo planejado há muito tempo, e nós trabalhamos com os colombianos durante cinco anos, para libertar os reféns desde que foram presos”.

Segundo informou o Gen Freddy Padilla, Comandante das Forças Militares e chefe desta operação, os planos começaram a ser traçados com informações passadas pelo policial John Frank Pinchao, depois de sua fuga de 9 anos de cativeiro como prisioneiro das FARC; posteriormente Clara Rojas, libertada em janeiro, proporcionou mais alguns dados e, somando às imagens de satélite, o pessoal de Inteligência pôde ir montando o quebra-cabeças. Através deste Documento, elaborado pela Chefatura de Operações Especiais Conjuntas (JOEC, na sigla em espanhol) constante no site do Ministério da Defesa Colombiana, pode-se ver os detalhes da operação: os comandantes encarregados dos reféns, os possíveis locais onde se encontravam, como se daria o cerco e até fotos dos helicópteros utilizados na operação. Há ainda no site do Comando Geral da Força, a descrição verbal deste documento feito pelo Gen Padilha, disponível apenas no site, e que pode-se ouvir acessando este link: http://www.cgfm.mil.co/CGFMPortal/index.jsp?option=noticiaDisplay.

No início da tarde o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, fez um Comunicado à Radio Caracol, explicando a operação e enfatizando que “o país, o mundo e os seres queridos dos seqüestrados não terão como agradecer a estes generais e seus homens, semelhante operação de resgate. Minhas felicitações muito sinceras a nossos homens de Inteligência do Exército, ao General Mario Montoya, seu Comandante, e ao General Freddy Padilla quem esteve à frente da operação do princípio ao fim”. E Ingrid Betancourt tão logo pôde falar, igualmente mostrou seu emocionado agradecimento a Deus e à Virgem Maria e em seguida disse: “Obrigada ao meu Exército, de minha pátria Colômbia, obrigada pela impecável operação de resgate, a operação foi perfeita. Estão nos demonstrando que a paz é possível sim”. Pediu que os colombianos acreditem em seu Exército que “nos vai levar à paz” e agradeceu ao presidente Álvaro Uribe “que se arriscou por nós”.

AS NOTAS DISSONANTES DO EVENTO

Segundo informou a CNN em Espanhol no início da reportagem, o cocalero Evo Morales enviou uma mensagem felicitando pela libertação dos prisioneiros mas, como era de se esperar, enaltecendo o papel de mediador de Chávez e Correa no episódio. O jornalista Daniel Viotto que fazia a cobertura do especial, após ler a nota de Morales corrigiu esta afirmação, lembrando que a vitória pertencia unicamente ao governo e Forças Militares da Colômbia. Vale salientar que Viotto, que conduz o excelente programa “Encuentro”, tem-se mostrado um crítico contumaz desses governos comuno-populistas da América Latina e teve no ano passado um problema com Chávez, que ameaçou processá-lo, quando noticiava o assassinato de um famoso jogador de beisebol e mostraram a imagem de Chávez.

A segunda nota dissonante veio do presdidente francês Nicolas Sarkozy que, junto com os filhos e a irmã de Ingrid Betancourt, fez um pronunciamento dizendo de sua alegria com a libertação de Ingrid mas era visível seu desconforto, uma vez que o ocorrido fugira totalmente dos seus planos. Pior do que essa inadequação foram sua palavras de agradecimento a Chávez, Correa e Piedad Córdoba, afirmando que sem suas intervenções essas libertações não teriam sido possíveis. No final de tudo, como se tivesse se dado conta da asneira dita, agradeceu também a Uribe.

Durante todo o depoimento de Ingrid, numa coletiva de imprensa oferecida ainda no aeroporto militar de Catam, ela não economizou elogios ao grandioso trabalho dos Militares que realizaram a operação, tampouco ao presidente Uribe a quem repetiu diversas vezes sua gratidão. Elogiou a admistração de Uribe, alegando não saber se teria sido tão boa presidente quanto ele. Foi, de certo modo, um tapa na cara na idiota útil dona Yolanda, sua mãe, que demonizou Uribe, associou-se aos comunas oportunistas Chávez e Piedad Córdoba e ainda reciclou ranços contra a atuação do governo colombiano na Cuba de Fidel Castro. Em nenhum momento de sua longa explanação Ingrid falou da atuação desses nefastos comunistas, até que um repórter veio lembrar-lhe da importância da intervenção de Chávez; por cortezia, me pareceu, ela agradeceu acrescentando que tanto ele quanto Correa poderiam desempenhar um papel importante para a libertação dos demais reféns.


COMO FICAM AS COISAS AGORA?

É evidente que o fim das FARC se aproxima. Semana passada Alfonso Cano convidou os para-militares e o ELN para somarem forças com eles, o que demonstra que ele tem consciência da fragilidade da guerrilha. Respondendo a uma pergunta, Ingrid disse não poder afirmar que as FARC estavam derrotadas mas lembrou que, pelo menos em termos de logística, a situação estava muito ruim, pois há um ano a comida era escassa, não havia botas, roupas ou mesmo simples material de higiene como sabonete ou pasta de dentes.

Por outro lado, sem alguém importante como Ingrid, as FARC perderam sua força de chantagear ou manipular o opnião pública com a balela de “troca humanitária”. Nessa esteira arrastam-se Piedad Córdoba, que sonhava ser a autora do feito para alanvancar seus planos de candidatar-se à presidência e, caso eleita, conceder às FARC o direito de tornar-se um partido político. E Chávez, que vem amargando uma derrota atrás da outra, não vai mais poder limpar sua imagem às custas da farsa de uma benemerência com os seqüestrados das FARC. Tanto era uma farsa este interesse pela sorte dos presos, que nenhuma palavra de felicitação foi dirigida à família daquela que ele dizia defender!

O Governo brasileiro tampouco se manifestou até o momento mas deve ter sido um duríssimo golpe para Marco Aurélio Garcia, Lula e todos os membros do Foro de São Paulo pois, observem que os únicos que se manifestaram – Morales e Cristina Kirchner -, o fizeram enaltecendo os camaradas deles, que nenhuma participação tiveram no episódio.

A lição que eu extraio de tudo isso – e que serve para nós brasileros também – é a importância fundamental da Inteligência para se estabelecer uma estratégia vitoriosa. Não se negocia com criminosos, bandidos, marginais. Pastrana fez isso e a guerrilha cresceu; Uribe agiu com pulso firme e determinação, com gente capaz e treinada para agir na hora certa, do modo que deve ser. Estão sendo vitoriosos. São heróis e merecem nosso respeito e admiração. E são os heróis de hoje que ilustram esta edição do Notalatina. Da esquerda para a direita: Gen Freddy Padilla, Comandante das Forças Militares; Gen Oscar Naranjo, Comandante da Polícia Nacional; Juan Manuel Santos, Ministro da Defesa e Gen Mario Montoya, Comandante do Exército. Que Deus abençoe, proteja e ilumine esses heróis, o presidente Uribe e todo o povo pacífico e ordeiro da Colômbia!

Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro

quarta-feira, 28 de maio de 2008









Quando eu recebi a confirmação da morte de “Tirofijo”, dada em comunicado das FARC, comentei com amigos que estranhava a rapidez com que eles tinham atendido ao pedido do ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, pois não se passaram 24 horas até que fosse enviado um vídeo com o pronunciamento de “Timochenko”. Duas coisas me chamaram a atenção: a rapidez da confirmação e a divulgação feita através do canal TeleSur, do governo de Chávez. Por que, em vez de entregar ao governo da Colômbia, este vídeo foi entregue a Chávez? Naquela altura eram só desconfianças de que se montava mais uma farsa; hoje, entretanto, o Notalatina apresenta as provas.

Para nós brasileiros, que não somos biólogos, é difícil reconhecer certos detalhes botânicos da flora venezuelana e colombiana a ponto de distinguir que tal vegetação é típica de um ou outro país. Para os nativos destes países, não, do mesmo modo que aqui nós sabemos dizer, mesmo sem muito estudo na área, que os cactos e as bromélias são característicos do Nordeste, enquanto as asaléas são mais comumente encontradas em São Paulo e adjacências. Entretanto, é possível notar que a vegetação é baixa e não expessa como se imagina ser uma “floresta”, além de aparecerem muitas flores como se houvesse um jardim. Nas selvas? Huum... Pois foram exatamente estes detalhes que chamaram a atenção de jornalistas colombianos e venezuelanos, para provar que aquela gravação não foi feita nas “montanhas da Colômbia”, como afirma Timochenko ao final da gravação e sim, na Venezuela.

O ex-ministro colombiano Fernando Lodoño (na foto acima) vai mais longe. Ele crê que Marulanda “Tirofijo” já está morto há anos, e que era Raúl Reyes quem se passava por ele nas mensagens encontradas em seu computador. Isto faz sentido, sobretudo porque há tempo se sabia que ele tinha um câncer de próstata mas, embora eu não endosse a tese por falta de provas, não parece no mínimo coincidente demais que, morto Reyes em 1º de março e apreendido seu computador, Marulanda tenha tido um enfarte mortal justo no dia 26 do mesmo mês e ano?

Lodoño também chama a atenção para a qualidade técnica da filmagem, feita com várias câmeras (tomadas de vários ângulos), o que é pouco provável existir num ambiente de acampamento no meio das inóspitas selvas. Neste vídeo aqui pode-se ver a minuciosa análise feita por especialista em botânica, além de – o mais grave – comparações feitas entre o uniforme usado por Timochenko e Chávez, que leva os analistas a concluírem que ambos têm a mesma procedência. Vejam este vídeo com atenção, observem os detalhes do uniforme, até do quepe e tirem suas conclusões.

Observem a foto de Chávez acima, onde se pode ver os detalhes citados no vídeo. Eu, entretando, chamo atenção para outro detalhe que não foi comentado: nesta foto, tirada meses atrás, Chávez usa uma braçadeira com as cores da bandeira venezuelana que são as mesmas da Colômbia. Não estaria ele enviando uma mensagem subliminar de que também pertence às FARC? Por outro lado, observem que Timochenko NÃO está com a braçadeira que cararteriza os membros das FARC neste uniforme. Não pode ter sido por “descuido” a ausência da braçadeira, justo num momento tão solene como o anúncio oficial da morte do fundador do bando mas... por que a braçadeira não está onde devia?

Para o ex-ministro Lodoño (como também para Alejandro Peña Esclusa), Hugo Chávez é o verdadeiro “comandante” das FARC, “é ele quem põe e tira; os membros do Secretariado não puderam nomear Cano porque não podem se reunir, não têm contatos entre si”, disse Lodoño. E no pleno do Partido Comunista da Venezuela (PCV) no dia 26, fez-se uma despedida a Marulanda com aplausos durante 1 minuto, alegando ser este partido “aliado estratégico” das FARC. O deputado Oscar Figuera disse que o PCV é “um aliado estratégico das FARC” e em seguida afirmou que o PCV é “um dos grupos políticos aliados ao governo do presidente Chávez, desde que ele assumiu o poder em dezembro de 1998”. Acrescentou ainda admite as “coincidências de propósitos políticos” entre as FARC e Chávez. Mas Chávez quer fazer o mundo inteiro crer que não existe nada entre ele e seu governo e as FARC; é tudo intriga de Uribe, o “cachorro do império”.

Além de todas estas “coincidências”, há uma série de quatro vídeos gravados no dia 6 de março no programa “La Noche”, do canal RCN da Colômbia, onde Claudia Gurisatti entrevista o senador colombiano Germán Vargas Llenas que acompanha o desenrolar desta guerra junto ao Ministério da Defesa. Nessa entrevista são apresentadas imagens da guerrilha, entrevista com o povo venezuelano nas ruas e declarações feitas por Uribe, Chávez, Ortega. Há revelações surpreendentes, como a entrevista feita com a ex-guerrilheira desmobilizada das FARC de codinome “Camila”, que afirma os vínculos de Chávez com o bando terrorista. Mostra também que o pessoal de Inteligência e Forças de Segurança da Colômbia têm todos os acampamentos mapeados, sabem quantos e há quanto tempo existem células das FARC na Venezuela, bem como o movimento de Chávez em relação ao bando. Os vídeos têm entre 6 e 8 minutos cada e vale muito a pena vê-los. Cliquem aqui: La Noche 1ra parte de 4, La Noche 2da parte de 4, La Noche 3ra parte de 4 e La Noche 4ta parte de 4.

E na Folha de São Paulo (agora todo mundo fala de FARC e Foro de São Paulo desde criancinha!) de hoje há um revelação – nada nova – de que encontraram nos computadores de Raúl Reyes uma troca de correspondência entre as FARC e o chanceler Celso Amorim, quando tratava-se da não extradição de Francisco Antonio Cadena Collazos, vulgo padre Oliverio Medina. Nada estranho nisso, uma vez que foi publicado no próprio site das FARC – que eu tenho mas o site do bando está indisponível desde a morte de RR -, pelo menos duas dessas cartas: uma, solicitando os bons ofícios do governo amigo do Sr. da Silva, e outra agradecendo o empenho que culminou dando a este terrorista o status de “refugiado político” e não o extraditando como era vontade deles todos – tudo em nome da impunidade dos amigos. Fora essas duas, que foram específicas deste caso, há ainda as felicitações pela eleição e reeleição do companheiro do Foro de São Paulo, Lula da Silva, além dos acordos que nós não sabemos.

Aos poucos a sujeira começa a vir à tona e todos, um por um, vão acabar sendo desmascarados porque a verdade pode até tardar mas um dia aparece. É só ter paciência e esperar.
Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro

segunda-feira, 26 de maio de 2008





Terminou hoje o XIV Encontro do Foro de São Paulo, em Montevidéu, e como eu havia prometido seguem alguns comentários, não propriamente sobre as Resoluções Finais porque ainda não foram disponibilizadas para o público em geral; estas serão comentadas em um próximo artigo que com muito gosto farei. O que quero comentar aqui baseia-se no que foi escrito pelo jornalista Diogo Schelp, da revista Veja, que participou como correspondente brasileiro do tal Encontro.

Antes disso, porém, quero disponibilizar para os que se interessem pelo tema, o vídeo onde Timoleón Jiménez lê comunicado oficial das FARC-EP, confirmando a morte de Marulanda. No comunicado Timochenko diz já no final: “Com imenso pesar informamos que nosso Comandante-em-Chefe Manuel Marulanda Vélez, morreu no passado 26 de março como conseqüência de um infarto cardíaco, nos braços de sua companheira e rodeado de sua guarda pessoal e de todas as unidades que conformavam sua segurança, depois de uma breve enfermidade”. (...) “O despedimos fisicamente em nome dos milhares e milhares de guerrilheiros farianos e milicianos bolivarianos, e de milhões de colombianos e cidadãos do mundo que o valorizam, admiram e amam acima da asquerosa campanha midiática contra as FARC”. E anuncia o nome dos atuais comandantes: “Acordamos unanememente que à cabeça do Secretariado e como novo Comandante do Estado-Maior Central esteja o camarada Alfonso Cano. Como integrante pleno do Secretariado ingresse o camarada Pablo Catatumbo e suplentes os camaradas Bertulfo Álvares e Pastor Alape.

Como se pôde ver - eu denunciei isto na edição anterior e o historiador Carlos I. S. Azambuja já havia denunciado também no artigo Círculos Bolivarianos - Coordenadora Continental Bolivariana -, o bolivarianismo chavista foi criado pelas FARC, o que torna evidente as ligações profundas de Chávez com esta organização narco-terrorista, por mais que ele queira desqualificar o trabalho da INTERPOL e do presidente Uribe. Aliás, hoje eu li que as autoridades venezuelanas confirmaram a lisura do trabalho de análise desses técnicos, bem como a autenticidade do material encontrado mas isto fica para uma próxima edição.

Voltando ao XIV Encontro do Foro de São Paulo (FSP), o jornalista Diogo Schelp conta que a Veja foi "convidada a se retirar" de uma das reuniões do FSP, onde acontecia a oficina “Andino-Amazônica”. Naturalmente que este tema interessa sobremaneira aos brasileiros mas antes de iniciarem as sessões do Foro Diogo realizou uma entrevista com o Secretário de Relações Internacionais do PT e Secretário Executivo do FSP, Valter Pomar, e lhe fez perguntas muito incômodas. Além disso, para o PT (já li muitos artigos raivosos sobre matérias da Veja) esta revista é “neoliberal” e de “extrema-direita” portanto, inimiga.

Mentir não é uma prerrogativa da ministra Estela, Vanda, oops! Dilma Roussef mas de todo e qualquer comunista, pois segundo dizia Lenin, “a verdade é um conceito burgês”. E Valter Pomar não foge à regra. O meu objetivo nesta edição de hoje é exatamente tirar o véu destas mentiras sobre o Foro de São Paulo, pois do modo como saiu na Veja, sem uma confrontação mais direta utilizando dados disponibilizados por eles mesmos, o leitor daquela revista pode acabar acreditando no que o PT quis que o público acreditasse a respeito desta organização.

Diogo pergunta se é verdadeira a informação de que as FARC e o ELN serão impedidos de ser membros do FSP e Pomar responde: “Não existe uma filiação ao Foro. Nenhum desses grupos, portanto, pode ser chamado de membro do Foro. Basta se inscrever e vir participar. Assim como você se inscreveu e está aqui”. Primeira mentira: existe filiação sim, há partidos e “grupos” filiados como membros sim, senão, por que o PT iria colocar em seu site uma Lista de Membros atualizada? Observem que nesta lista constam 74 partidos e grupos subversivos, que têm direito a voz e voto nas deliberações. Então, como não são membros? Eles tiveram o cuidado de retirar os grupos guerrilheiros porque, com as revelações dos computadores de Raúl Reyes, ninguém quer aparecer comprometido com este bando terrorista.

Em seguida Diogo pergunta quando as FARC deixaram de participar do Foro e Pomar responde: “As guerrilhas colombianas ... há muitos anos deixaram de vir, até porque a situação da guerra não lhes permite. Na década de 90 havia uma situação de negociação das FARC com o governo e naquele período a presença delas em eventos na região era pública e notória”. Segunda mentira. Em primeiro lugar, porque ele maliciosamente joga com as palavras afirmando que “há muitos anos deixaram de vir” como isso quisesse significar não pertinência; em segundo lugar, porque não estar de corpo presente não significa de modo algum que deixaram de ser membros ativos. Tanto é assim, que no XIII Encontro ocorrido em janeiro do ano passado em El Salvador, a Comissão Internacional das FARC-EP enviou um comunicado solicitando “levar en conta seus pontos de vista nas deliberações”, cujo trecho copio no original, para comprovar o que afirmo. Esclareço que o site das FARC encontra-se “indisponível” desde a morte de Raúl Reyes, tanto quanto o do FSP, esse há mais de 1 ano:

“Compañeros y compañeras delegados y delegadas al XIII Foro, reciban nuestro cariñoso y bolivariano saludo, muchos éxitos en sus deliberaciones. (...) Al no podernos hacer presentes en tan importante evento entregamos a ustedes este documento con nuestros puntos de vista, y agradecemos de antemano el tenerlo en cuenta en las deliberaciones”. (http://www.farcep.org/?node=2,2513,1 em 16 de janeiro de 2007).

Noutro trecho da entrevista Pomar diz que: “Classificar as FARC de terrorista significa tratá-las como um grupo criminoso, e ninguém negocia com criminosos. Só que para solucionar a guerra na Colômbia é preciso negociar”. Causa repulsa ler uma coisa dessas! Então explodir bombas dentro de uma igreja repleta de mulheres e crianças, não é atitude de criminoso? Explodir uma fazendeira com um colar-bomba, porque não cedeu à extorção, não é atitude de criminoso? Usar um menino de 11 anos numa bicicleta-bomba que o desfez em migalhas, não é atitude de criminoso? E o outro menino degolado cuja foto ilustrou a edição do dia 06 de março, não é um ato bestial de criminosos desalmados?

Bem, rebater ponto por ponto cada uma dessas mentiras torpes, sobretudo a de que as FARC não pertencem a esta organização, é uma tarefa extenuante que daria para escrever um tratado, que não é o objetivo deste blog, até porque este assunto não parece preocupar muito os brasileiros. É possível adiantar, entretanto, que a tônica deste Encontro foi a demonização do presidente Álvaro Uribe, de culpar os Estados Unidos pela “desgraça” de estar ajudando a destruir o terrorismo na Colômbia e a apoiar, incondicionalmente, os maiores comprometidos com as FARC que são Chávez e Correa.

E o Notalatina encerra esta edição com a apresentação de um áudio da Entrevista de Alejandro Peña Esclusa concedida ao ex-ministro colombiano Fernando Lodoño em seu programa de rádio em Bogotá, “A Hora da Verdade”, onde ele delineia mais ou menos o que deveria ocorrer no tal Encontro do FSP, quem iria participar e quais os temas que seriam abordados. Ressalto que Peña Esclusa é, a meu ver, o maior conhecedor do tema “Foro de São Paulo”, pois é um estudioso do assunto desde a sua fundação, em 1990. É, portanto, uma autoridade internacionalmente reconhecida e idôneo. Esta gravação foi feita no dia 23, primeiro dia do Encontro, e tem a duração de 15 min. e 2 seg. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e Traduções: G. Salgueiro

domingo, 25 de maio de 2008





Passava um pouco das 8 da noite quando o noticiário do canal CNN em Espanhol foi interrompido, para apresentar uma coletiva de imprensa que o presidente Álvaro Uribe concedia através da Caracol Rádio e Televisão da Colômbia ao vivo. Ele confirmava a morte de Pedro Antonio Marín, vulgo Manuel Marulanda “Tirofijo”, criador e Comandante-em-Chefe das FARC há 42 anos.

Uribe estava calmo e, com aquela firmeza e serenidade com que sempre fez seus pronunciamentos (o oposto extremo dos espalhafatos de Chávez e do cinismo de Lula), conclamou os guerrilheiros das FARC a libertarem todos os reféns e deporem as armas, que em troca ele dava garantias de vida e liberdade. Disse que o serviço de Inteligência já vem trabalhando há um certo tempo nesse sentido, e que o resultado tem sido bom; um exemplo disso foi a rendição voluntária de Nelly Ávila Moreno, condinome “Karina”, comandante da Frente 47, no passado domingo 18 de maio. Segundo Uribe, durante sua gestão presidencial 48.000 guerrilheiros deixaram as FARC por deserção, morte ou captura.

Diante das perguntas dos jornalistas, Uribe informou que dispõe de 100 mil dólares para oferecer como recompensa por informações que levem aos chefes das FARC. Disse que o mais resistente à rendição é Jorge Briceño Suárez, ou Julio Suárez, codinome “Mono Jojoy”, um dos mais radicais, violentos, frios e sanguinários da ala militar das FARC mas que seu dia também há de chegar.

Há aproximadamente quatro anos (desde que Uribe assumiu o primeiro mandato) as FARC vêm sofrendo duros golpes com as ações das Forças de Segurança colombianas, o que tem levado ao enfraquecimento da guerrilha não só no plano econômico como principalmente no militar. Numa rápida retrospectiva podemos anotar:

- em 2 de janeiro de 2004, é capturado e preso em Quito, Equador, Ovidio Palmera, codinome “Simón Trinidad” que foi deportado para os Estados Unidos, julgado e condenado a 60 anos de prisão;
- um mês depois, foi detida no povoado de Peñas Coloradas, estado de Caquetá, Omaíra Rojas Cabrera, codinome “Sonia”, importante fonte financeira no tráfico de cocaína e também deportada para os Estados Unidos;
- em 13 de dezembro de 2004 foi detido em Caracas Rodrigo (ou Ricardo) Granda, considerado “chanceler” das FARC e libertado em 4 de junho de 2007 a pedido do presidente francês Nicolás Sarkozy. Vale recordar aqui que, quando Granda foi preso em Caracas vivia naturalmente na Venezuela como cidadão venezuelano, havia comprado um imóvel com registro de proprietário no cartório de imóveis e possuía cédula leitoral concedida pelo REP (Registro Eleitoral Permanente), conforme denuncei na edição do Notalatina de 28 de novembro de 2007 e que pode-se conferir aqui;
- em 24 de outubro de 2006, o Exército abateu Gustavo Rueda, “Martín Caballero”, chefe das FARC no Caribe colombiano;
- em 15 de junho de 2007, a Marinha abateu em combate Milton Sierra, “Jota Jota”, chefe da frente urbana “Manuel Cepeda Vargas” e que tinha sob sua custodia os 11 deputados do Valle del Cauca;
- em 3 de setembro de 2007 foi abatido Tomás Medina Caracas, o “Negro Acacio”, chefe da Frente 16 das FARC, no estado de Vichada, fronteira com o Brasil. “Negro Acacio” era o contato de Fernandinho Beira-Mar no tráfico de armas e cocaína no Brasil e um dos mais respeitados dentro da guerrilha por sua capacidade operacional no tráfico da coca;
- em 1º de março de 2008, foi abatido Luis Edgar Devia, vulgo Raúl Reyes, genro de Tirofijo e segundo no Comando das FARC;
- em 11 de março, José Juvenal Velandia, codinome Iván Ríos, importante membro do Secretariado das FARC e Chefe do Bloco Central da narco-guerrilha, foi assassinado por seu Chefe de Segurança de codinome “Rojas”;
- no dia 08 de maio foi capturado Gustavo Arbaláez Cardona, codinome “Santiago”, um dos mais importantes chefes urbanos das FARC, e contra quem exisitiam seis ordens de captura;
- no domingo 18 de maio, Nelly Ávila Moreno, vulgo “Karina” (na foto acima), uma das mulheres mais sanguinárias das FARC e Comandante da Frente 47, contra quem pesa a autoria do assassinato do pai do presidente Uribe, entrega-se após negociação com as Forças de Segurança. Em entrevista coletiva, “Karina” afirmou que havia dois anos que não tinha contato com o Secretariado, que estavam passando fome e que depois da morte de Iván Ríos, seu comando havia enfraquecido e muitos combatentes haviam desertado ou se entregado à Polícia;
- e, finalmente, soube-se hoje que em 26 de março passado, morreu o criador e Chefe Supremo da mais antiga e desumana guerrilha narco-terrorista da América Latina, Manuel Marulanda “Tirofijo”; segundo as fontes, de enfarte.

Sobre o anúncio da morte deste mega-assassino o Ministério da Defesa, através do Almirante David Moreno, deixa claro em seu pronunciamento que foi informado através de pessoa do serviço de Inteligência mas que as FARC não haviam entrado em contato até o momento, e que esperavam que eles confirmassem ou apresentassem provas em contrário. Disse ainda que o provável sucessor de Marulanda “Tirofijo” é Guillermo León Sáenz Vargas, codinome de “Alfonso Cano”, líder político-ideológico das FARC (que aparece na foto acima de camisa escura entre “Tirofijo” e Raúl Reyes), segundo os comandos castrenses.

“Cano” é o chefe do Bloco Ocidental das FARC e um dos sete membros [antes da morte de Raúl Reyes e Tirofijo, este Secretariado possuía 9 membros, onde Tirofijo era o Comandante-em-Chefe e os demais com finalidades distintas] do Secretariado do Estado Maior Central das FARC. Com 52 anos de idade e 23 deles nas FARC, “Alfonso Cano” está à frente do clandestino “Movimento Bolivariano” - isto lembra alguém? -, um projeto político lançado em 29 de abril de 2000. As Forças Armadas têm apertado o cerco em sua captura perdendo recentemente 3 soldados em combate, no qual ele escapou. Pesam contra ele crimes de terrorismo, homicídio, seqüestro extorsivo e homicídios com fins terroristas. São os seguintes os outros comandantes do Secretariado:

- Jorge Briceño Suárez, codinome “Mono Jojoy”, que se vinculou às FARC em 1975. Responsabiliza-se pelo seqüestro de Ingrid Betancourt e é irmão de Germán Briceño Suárez, codinome “Grannobles” que é acusado do assassinato de 3 indigenistas americanos e enfrenta mais de 16 ordens de captura por furto, homicídio, terrorismo, seqüestro e extorsão;
- Milton de Jesús Toncel Redondo, codinome “Joaquín Gómez”, responsável pelo Bloco Sul das FARC. Ingressou nas fileiras deste bando criminoso nos anos 80, depois de vinte anos como professor na Universidade do Amazonas, no estado de Caquetá, após graduar-se na Rússia. Substituiu a vaga deixada por Raúl Reyes no Secretariado;
- Luciano Marín, codinome “Iván Márquez”, ingressou no Secretariado após a morte de Jacobo Arenas em 1990, e dirige desde 2002 o Bloco Caribe. Líder ideológico e figura internacional, é um dos mais radicais dentro da linha política. Em 2007 esteve na Venezuela para conversar com Chávez, com plenos poderes outorgados por “Tirofijo”, para tratar dos tais “acordos humanitários” mas hoje sabe-se, pelas descobertas nos computadores de Raúl Reyes, que essa “outorga” foi apenas para dar uma satisfação ao mundo, pois os vínculos entre ambos são antigos e sólidos;
- Rodrigo Londoño Echeverri, codinome “Timoleón Jiménez”, ou “Timochenko” ou simplesmente “Timo”, é um dos guerrilheiros mais antigos das FARC. Estudou medicina e em 1982 vinculou-se à guerrilha onde teve uma rápida ascensão por sua capacidade militar. É considerado um dos responsáveis pelas ações terroristas cometidas sobre a rodovia Medellín-Bogotá, seqüestros, massacres e desaparecimentos forçados de civis no estado de Antioquia;
- Wilson Valderrama Cano, codinome “Mauricio” ou “o Médico”.

Bem, parece claro para quem estuda o tema dessas guerrilhas que seu fim parece estar se aproximando – se Deus quiser! – e isto também está causando muito furor nos países membros do Foro de São Paulo que se reúnem até este domingo 25 em Montevidéu. Esse era o tema que o Notalatina ia abordar hoje mas, com a notícia inesperada da morte de “Tirofijo”, deixo para a próxima edição a análise do Foro. Sobre as FARC e as descobertas dos computadores de Raúl Reyes, haverá ainda algumas edições pois cada dia aparecem mais e mais provas robustas do sério envolvimento deste bando terrorista com Chávez e Correa que, não tendo como refutar, pois FATOS não desacontecem, usam do velho expediente comunista de desqualificar e agredir o denunciante, no caso, a INTERPOL e o governo da Colômbia.

Na próxima edição analiso os acontecimentos do Foro de São Paulo apresentando com EXCLUSIVIDADE uma entrevista dada por Alejandro Peña Esclusa a Fernando Lodoño, em áudio, direto de Montevidéu. Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários: G. Salgueiro

sexta-feira, 16 de maio de 2008


Ontem o Notalatina deu a conhecer o resultado da entrevista coletiva oferecida pela INTERPOL, em Bogotá, sobre a análise realizada nas oito provas instrumentais de caráter informático, inclusive com os originais deste relatório em formato pdf, em espanhol. Hoje voltamos a abordar este tema por imperiosa necessidade, uma vez que, confirmada a autenticidade do material encontrado nos computadores e discos-rígidos de Raúl Reyes, o pelotão de choque do bolivarianismo chavista imediatamente entrou em ação.

Não sei, nem fui informada se houve algum correspondente brasileiro presente a esta coletiva de imprensa mas tomei conhecimento de um fato patético, embora de certo modo esperado, ocorrido com o meu amigo venezuelano Alejandro Peña Esclusa, que estava presente a esta coletiva como correspondente da Venezuela e da Colômbia pelo diário argentino “La Nueva Provincia”.

Alejandro, que já é perseguido politicamente por Chávez, tornou-se ontem uma figura incômoda demais para o governo de seu país, ao perguntar ao Secretário-Geral da INTERPOL, Ronald Kenneth Noble, “quais seriam os procedimentos para que se faça justiça fora da Colômbia, onde as autoridades da Colômbia não têm jurisdição?”. Ora, ele desejava saber sobre procedimentos técnicos sem citar nenhum país nem pessoa em particular mas a carapuça caiu como uma luva, pois Chávez e seus cúmplices SABEM que seu destino já está traçado a partir da revelação feita ontem pela insuspeita INTERPOL. Imediatamente o site “Aporrea”, que é uma espécie de sucursal da ABN (Agencia Bolivariana de Noticias – porta-voz do Governo), remexeu na lata de lixo de suas velhas calúnias e jogou no ar, mais uma vez, a falsidade já desmentida zilhões de vezes sobre o “passado negro fascista” de Alejandro.


Num artigo intitulado “Peña Esclusa, vinculado a setores do fascismo, suposto “jornalista” do diário La Nueva Provincia da Argentina”, eles questionam o direito de Alejandro estar acompanhando a entrevista e fazendo perguntas como jornalista credenciado, alegando que sua profissão é “engenheiro mecânico” e, não satisfeitos com esta denúncia de “tão grave crime”, voltam a acusá-lo de ter promovido um atentado contra o Papa João Paulo II quando este visitou a Venezuela, de ser “um dos principais líderes da ‘seita’ TFP” (Tradição Família e Propriedade), além de “manter nexos com partidos de direita” (Oh, céus, que coisa tão criminosa!).

Como esta gente é estúpida! Vejam como a mentira grosseira não se sustenta: em primeiro lugar, a “seita” TFP é católica, respeita o Papa e segue rigorosamente a doutrina da Igreja Católica; os homens que dela fazem parte não são casados e levam vida celibatária, como padres e monges. Como então poderia Alejandro, que é casado (e muito bem casado, diga-se de pasagem!), católico praticante e fiel aos Mandamentos da Igreja, ser ao mesmo tempo “um dos principais líderes da TFP” e ter planejado o assassinato de João Paulo II? Na nota que divulgo no final desta edição o próprio Alejandro dá a resposta a esta calúnia primária, da qual os comunistas são mestres.

Por outro lado, os chavistas estão arrancando os cabelos, tentando grotescaamente desqualificar a INTERPOL e o Governo do presidente Uribe, negando até que Raúl Reyes tinha computadores, e que esses confiscados e analisados eram mesmo dele. Vejam as sandices que disse uma tal Vanessa Davis, jornalista e membro do Diretório Nacional do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV – partido de Chávez): Não há nenhum argumento a favor de que esse computador existe. (...) “Existe a montagem do vídeo e sabendo todas as coisas que se podem fazer agora com o avanço tecnológico, não existe nenhuma prova para mim de que esses documentos existem”. Para a iluminada e vidente “revolucionária” (sic), tudo não passou de armação de Uribe e Bush, exatamente como foi feito no Iraque para se apossar do petróleo venezuelano. Não é um primor de lógica?

Mas quero chamar a atenção, também, para o descaso com que a mídia, os “comentaristas políticos” e os partidos políticos brasileiros trataram um dos acontecimentos mais importantes dos últimos tempos no continente latino-americano, que foi a revelação da fidedignidade e autenticidade do material encontrado nos computadores apreendidos no acampamento das FARC. Pesquisei nos jornais, nos sites de esquerda, sobretudo do PT e não há o mais mínimo comentário, o que significa que eles também sabem a importância capital desta revelação e, por isso mesmo, o povão não tem o direito de saber! Finge-se que foi uma coisinha menor, acontecido num paiseco vizinho e por isso só deve interessar a eles.

Ledo engano! O fingido desinteresse é mais revelador do que se tivesse havido comentários pipocando por todos os lados porque isto significa que estão todos com MUITO medo do que pode ser descoberto das alianças das FARC com o Brasil, com o PT e com o Foro de São Paulo. Tanto é assim, que na próxima semana, entre 22 e 25 de maio, acontecerá em Montevidéu o XIV Encontro do Foro de São Paulo precedido do Encontro do Grupo de Trabalho que é quem realiza a pauta das deliberações, e na divlugação dos membros desta organização criminosa foram retirados TODOS, absolutamente TODOS os bandos reconhecidamente terroristas como as FARC e o ELN colombianos, o MIR chileno e até mesmo o PSUV de Chávez. Confiram aqui como a organização está singela: “Lista de membros atualizada”.

Não lhes parece sintomático que tenham realizado agora uma nova lista de membros sem esses bandos terroristas e que, concomitantemente, o site das FARC encontre-se “indisponível”? Não podendo admitir o óbvio, eles põem o lixo para baixo do tapete e passam a se ocupar e ocupar as páginas de jornais, sites e tv com coisas de menor importância para que público continue na ignorância, como continua até hoje sobre “o quê” é o Foro de São Paulo.

É por coisas assim que saí em defesa de Alejandro Peña Esclusa, não porque ele seja meu amigo, ao contrário, foram seus valores morais e de integridade de caráter que nos aproximaram e proporcionaram esta sólida amizade, admiração e respeito mútuo que mantemos, além de uma harmoniosa parceria de trabalho no continente sul-americano. Leiam abaixo a nota escrita por ele, publicado em Noticias 24, mas antes leiam também a nota que a jornalista e amiga comum nossa, a venezuelana Martha Colmenares publicou a respeito deste fato insólito, em “Por que foi surpresa Peña Esclusa na conferência de imprensa?
Fiquem com Deus e até a próxima!

Peña Esclusa explica porquê “apareceu” na coletiva de imprensa da Interpol


Bogotá, 16 de maio – A reação desesperada do chavismo frente à simples pergunta que fiz na coletiva de imprensa da INTERPOL, realizada ontem nesta cidade, demonstra o que toda a Venezuela já sabe: que Chávez é homem das FARC. Os fatos são os seguintes:

Desde 2007 sou correspondente na Venezuela e na Colômbia do diário argentino “La Nueva Provincia”, fundado há mais de cem anos. Isto não deveria causar surpresa, porque – apesar de ser engenheiro – sou colunista de jornais nacionais e internacionais desde mais de vinte años. Além disso, escrevi cinco livros, dois dos quais foram traduzidos em outros idiomas. É certo que me dedico à política, do mesmo modo que muitos chavistas que conduzem programas de opinião, inclusive o próprio Chávez.

Minha aparição na coletiva de imprensa da INTERPOL nem é suspeita nem estranha. A informação contida no computador de Raúl Reyes vem confirmar o que venho dizendo publicamente desde o ano de 1995: que Chávez é homem das FARC. Assim que meu interesse no tema está plenamente justificado.

Jamais pertenci à TFP [Nota de N24: refere-se ao grupo “Tradição, Família e Propriedade”], como alega o Governo. Mais que descabida, é risível a acusação que o oficialismo me faz de haver atentado contra o Papa João Paulo II. Se isto fosse correto, o Cardeal Renato Martino, Prefeito da Comissão de Justiça e Paz, não me teria recebido no ano passado no Vaticano; nem teria escrito um livro intitulado “O Continente da Esperança”, em honra a João Paulo II. Eu seria um pária, como o é Alí Ahmed Agca.

Tampouco comungo – nem jamais comunguei – com o fascismo, tampouco respaldo ditaduras, nem de esquerda – como a de Chávez e Fidel Castro – nem de direita. Porém, como o governo não encontrou nem uma mancha escura em meu passado, não lhe resta outro remédio que caluniar-me, inventando os contos mais inverossímeis. O importante na coletiva de imprensa de ontem não foi mencionado, mas as declarações do Chefe da INTERPOL demonstram sem sombra de dúvidas a vinculação do oficialismo com o narco-terrorismo colombiano.

O escândalo contra mim, desatado atravésdos canais oficiais, é uma simples cortina de fumaça para encobrir o óbvio: criminosos vinculados ao narco-terrorismo não podem continuar exercendo cargos públicos, não importa quão altos sejam seus cargos. Estão assustados e pagam comigo, porém isso não os livrará do castigo que lhes espera.
Alejandro Peña Esclusa
Presidente de Fuerza Solidaria.

Traduções e comentários: G. Salgueiro

quinta-feira, 15 de maio de 2008









Finalmente foi dado a conhecer hoje, no início da tarde, o resultado das investigações científicas realizados pela INTERPOL nos computadores de Raúl Reyes confiscados no dia 1º de março deste ano, quando o sanguinário comandante número 2 das FARC foi abatido. O que muitos aguardavam nesse pronunciamento, as preciosas informações constantes nas mensagens trocadas, nos documentos da organização e com quem eles mantinham vínculos, ficou reservado ao Governo da Colômbia e aos departamentos de Segurança do Estado colombiano.




Não foi surpresa a confirmação de que o material apresentado nas oito provas (3 computadores portáteis, 3 chaves USB e dois discos rígidos externos) era autêntico. Segundo o Secretário Geral da INTERPOL, sr. Ronald Noble, “não se encontrou evidências de modificação, alteração, acréscimos ou supressão nos arquivos de usuário” do material contido nas oito provas. Disse o sr. Noble: “Após a pormenorizada e exaustiva análise forense que realizamos em cada uma das oito provas instrumentais de caráter informático confiscadas das FARC, e após estudo de todas as evidências examinadas por nossos especialistas, a INTERPOL conclui que não se produziu nenhuma falsificação nem alteração dos dados contidos em tais provas instrumentais após seu confisco pelas autoridades colombianas, praticado em 1 de março de 2008”.




Antes de detalhar a análise apresentada, é importante salientar a seriedade do trabalho desta instituição bem como dos técnicos que analisaram as provas. Inicialmente o presidente Uribe enviou carta solicitando que os computadores fossem analisados por peritos internacionais e, portanto, isentos, para que não restassem dúvidas nem para o povo colombiano nem para o resto do mundo, de que havia lisura e transparência de intenções por parte do seu governo perante a autenticidade do que seria revelado dos achados nos computadores de Raúl Reyes. Aceito o convite, foi entregue às autoridades o material apreendido; estes fizeram uma análise preliminar para avaliar o tempo necessário para o trabalho e concluíram que em meados de maio estaria concluído. Considerando a magnitude do trabalho, o Secretário Geral solicitou às autoridades colombianas que os especialistas seguissem realizando seu estudo em seus locais de trabalho no Sudeste Asiático.




Esta decisão aumentou ainda mais a complexidade da tarefa da INTERPOL porque, em primeiro lugar, o Secretário Geral teria que conseguir junto aos chefes da Polícia Federal da Austrália e das Forças de Polícia de Singapura que prorrogassem a disponilidade de seus especialistas durante todo o tempo necessário para completar seus trabalhos. Em segundo lugar, era necessário conseguir a concordância das autoridades policiais e judiciais da Colômbia para que dados classificados de “ULTRA SECRETOS” pudessem permanecer fora de seus país, em posse de funcionários encarregados da administração de lei não-colombianas. Finalmente, teria que se tomar medidas diplomáticas e logísticas para transportar esta informação classificada desde a Colômbia até o Sudeste Asiático com absoluta segurança.




No dia 18 de março o Secretário Gral escreveu aos chefes de polícia da Austrália e de Singapura para pedir-lhes explicitamente que os funcionários continuassem à disposição da INTERPOL em tempo integral e que seu trabalho fosse considerado confidencial e independente. Portanto, o resultado da análise seria comunicado unicamente à INTERPOL e às autoridades colombianas, mas não a seus administradores nacionais, dos quais esses especialistas não poderiam tampouco aceitar instruções de como realizar e concluir seu trabalho. A Polícia Federal australiana e as Forças de Polícia de Singapura confirmaram oficialmente que aceitavam a solicitação do Secretário Geral e iniciaram-se os trâmites para o transporte do material com as oito provas. Em seguida, após consultar as instâncias governamentais competentes, as autoridades colombianas autorizaram a saída do país de informação classificada mas era necessário estabelecer uma base jurídica para impedir que qualquer país pudesse ter acesso a este material durante o traslado ao Sudeste Asiático, mantendo assim sua confidencialidade.




Ficou combinado então que a melhor e mais segura maneira de fazer esse transporte seria via mala diplomática por funcionários do governo colombiano devidamente autorizados, garantindo deste modo que os dados gozariam da proteção da imunidade diplomática. O Centro de Comando e Coordenação da INTERPOL, localizado em Lion, vigiou atentamente o transporte dos materiais até que chegassem a salvo ao local de destino, tendo saído de Bogotá às 18:30 h. do dia 25 de março, escoltadas por policiais colombianos, e chegou a salvo ao Sudeste Asiático em 27 de março. Além das cópias imagem, as autoridades colombianas entregaram a cada um dos especialistas uma pasta branca com cópias impressas de 18 documentos, distribuídos em 13 categorias diferentes que eles haviam selecionado e classificado como “ULTRA SECRETO”. As autoridades colombianas solicitaram à INTERPOL que localizassem esses documentos entre os 609,9 gigabytes de informação contidos nas imagens das oito provas e a organização determinasse e comunicasse se se teria acrescentado algum dado em tais documentos ou se eles haviam sido apagados, ou seja, se esses documentos selecionados haviam sofrido algum tipo de modificação.




Fiz questão de expor esses “detalhes” para mostrar o rigor com que foi tratado todo o caso, desde o dia 3 de março até o momento da entrega do relatório, bem como a seriedade na análise pericial do material apreendido no acampamento das FARC e que, sem sobra de dúvida, o resultado apresentado espelha a mais cristalina verdade dos fatos. Sem revelar os dados confidenciais, a INTERPOL informa os seguintes dados acerca do material analisado:




- Encontrou-se 109 arquivos de documentos em mais de uma das provas instrumentais;
- 452 folhas de cálculos;
- 7.989 endereços de correio eletrônico;
- 10.537 arquivos multimídia (de som e vídeo);
- 22.481 páginas web;
- 37.872 documentos escritos (de Word, PDF e formato texto);
- 210.888 imagens. Havia ainda 983 arquivos cifrados, quer dizer, dados só acessíveis através de código por pessoa autorizada.




Dentro da análise forense das oito provas instrumentais apreendidas das FARC, a INTERPOL revisou e considerou que os os procedimentos adotados pela Polícia Judicial da Colômbia para registrar, documentar, fotografar, etiquetar e copiar cada uma das provas e para realizar uma cópia imagem delas, se ajustava aos citados princípios reconhecidos internacionalmente, com o qual se garantia que nenhum dos dados foram alterados, prejudicados ou destruídos durante seu manejo. No informe técnico confidencial, os especialistas da INTERPOL expõem detalhadamente os dados técnicos de todas as medidas adotadas pelos especialistas em investigação informática forense da Polícia Nacional da Colômbia para analisar as oito provas. Fica totalmente claro que esses especialistas se ativeram ao princípio fundamental segundo o qual, em circunstâncias normais, os organismos encarregados da aplicação da lei não devem aceder diretamente às provas eletrônicas confiscadas, mas devem realizar uma cópia imagem dos dados contidos no equipamento em questão utilizando um dispositivo de bloqueio de escritura, para não alterar os arquivos do sistema operacional do computador e não ter que realizar uma análise exaustiva das provas, o que exigiria muito tempo, a fim de demonstrar que ao se produzir o acesso direto aos dados não houve nenhuma falsificação nem se alterou o conteúdo dos arquivos. Ficam também registrados nos computadores as datas e horários do último acesso, que também demonstraram não terem sido falsificados, modificados ou alterados de nenhum modo.




As forças da ordem colombianas haviam advertido os especialistas da INTERPOL e estes confirmaram, que dentre os procedimentos utilizados desde o confisco dos computadores em 1º de março até a entrega a estas autoridades no dia 3, um dos procedimentos reconhecidos internacionalmente no manejo ordinário de provas eletrônicas não foi realizado, isto é, em vez de gastar tempo fazendo cópias protegidas contra a escritura de cada uma das oito provas instrumentais, estes foram imediatamente acessados. Entretanto, este procedimento não invalidou o trabalho realizado pelas autoridades colombianas, pois nada foi mexido ou alterado conforme atestaram os especilistas da INTERPOL em seu relatório final.




Entretanto, bastou este detalhe insignificante para que no Brasil ele passase a ser mais relevante do que a absoluta autenticidade e inviolabilidade das oito provas. O blog do jornalistas Luiz Carlos Azenha, do Portal Terra, noticiou o resultado divulgado hoje à tarde mas, qual foi a chamada que ele deu à sua nota? Essa aqui: Interpol: Colômbia não cumpriu todas as normas. Esses esquerdistas, não só do Brasil, têm o péssimo hábito de enxergar o cisco no olho dos outros – sobretudo se for alguém sério e de direita, como é o caso de Uribe – e não vêem a rocha imensa que lhes cega a vista e o espírito. Outro exemplo formidável disso foi a declaração que deu o embaixador da Venezuela nos Estados Unidos, Bernardo Álvarez, após a divulgação do relatório da INTERPOL. Em entrevista à agência EFE, Álvares disse que o informe da INTERPOL não continha provas sobre o suposto envolvimento do seu país com as FARC. Para ele, não se deve descartar a possibilidade de que estas provas tenham sido manipuladas e sugeriu que há “muitas dúvidas”. Disse ele, do alto de sua boçalidade e desfaçatez: “Tudo isso é possível (...) muito antes que alguém opinasse sobre sua análise ou validade (das provas), o Governo colombiano as lançou e começaram as acusações de todo tipo sobre a Venezuela, acusações temerárias, falsas, exageradas”.


Bem, Chávez vem desclassificando o trabalho da INTERPOL desde que Uribe anunciou que iria recorrer a este órgão, utilizando a velha tática de atacar antes para se defender e mostrar fortaleza, instigando os deputados colombianos, opositores de Uribe, a desencavar e até mesmo criar “provas” do envolvimento deste com os paramilitares. A verdade é que, tanto ele quanto seu parceiro em trapaças e ligações com as FARC, Rafael Correa do Equador, estão tremendo de medo porque SABEM que devem, que têm envolvimentos gravíssimos e comprometedores com as FARC pois ambos são membros do Foro de São Paulo do qual este bando narco-terrorista é membro. Só resta aguardar que o Governo da Colômbia revele o que guardam os documentos secretos desses computadores porque, se Uribe nos fizer esta gentileza, quero ver com que cara, ou que desculpa esfarrapada vão dar o sr. da Silva, o seboso Marco Aurélio Garcia e seu ParTido-Estado.




Quem quiser ler o relatório completo pode fazer o download em Informe forense da INTERPOL. É um documento longo em pdf, bastante detalhado, com 94 páginas do mais absoluto rigor acadêmico e profissional, com cópias das cartas enviadas aos representantes da INTERPOL na Colômbia, Venezuela e Equador, fotos do acampamento (algumas vistas nesta edição) e das oito provas. Infelizmente, o conteúdo do material escrito vamos ter que aguardar a decisão do Governo da Colômbia mas só ter a certeza absoluta da autenticidade do material confiscado, já serve como “couvert” para o banquete que nos espera.
Fiquem com Deus e até a próxima!




Comentários e traduções: G. Salgueiro

segunda-feira, 5 de maio de 2008








Aconteceu hoje na Bolívia um importante referendum promovido pelo estado de Santa Cruz que pede sua autonomia em relação ao governo do país. Ao contrário do que estão apregoando, Evo Morales, Hugo Chávez e demais forças políticas comuno-socialistas da América Latina, o que os santa-cruzenhos desejam não é o separatismo mas a descentralização econômico-administrativa, a federalização de seu estado que é quem mais produz e, no entanto, se vê penalizado pelas políticas comuno-chavistas do “Socialismo do Século XXI” do cocalero presidente Morales.

Fiz o enorme sacrifício de assistir os telejornais da rede Globo durante toda a semana, para ver se davam alguma informação acerca deste acontecimento mas, como era previsível, a única informação que parece não acabar nunca é o caso da menina Isabelle assassinada no começo do mês em São Paulo, que é divulgado com riqueza de detalhes e pormenores. Não minimizo este crime hediondo mas, convenhamos, a mídia nacional foi a grande responsável pela histeria coletiva que se instalou em torno do caso que, por mais grave que tenha sido, foi um caso particular que não diz respeito ao país, aos destinos da Nação. Do mesmo modo é o caso da Reserva Raposa Serra do Sol, - este sim, um legítimo processo de separatismo - que não é levado às discussões públicas, cuja mídia pouco ou nada informa porque não interessa ao governo que a população saiba do ato lesivo à nossa soberania que está sendo tramado de comum acordo com a neo-comunista ONU e outros organismos igualmente comuno-internacionalistas.

O referendum que pede a autonomia de Santa Cruz é legítmo, entretanto, Morales e seus seguidores insistem em mentir, alegando que a “oligarquia” apoiada pelo “império” não quer perder seus privilégios e joga irmãos contra irmãos. Se há algo ilegal é a Constituição boliviana vigente – na qual ele tem se apoiado para desautorizar o referendum -, pois foi feita a portas fechadas e contando apenas com os parlamentares oficialistas; a oposição foi PROIBIDA de entrar no recinto e participar da votação, o que significa, em qualquer país do mundo civilizado onde vige o regime democrático, uma fraude, um embuste, uma gigantesca FARSA. As imagens (fotos e canal CNN em Espanhol) do dia de hoje na Bolívia, dão conta de extrema violência por parte dos seguidores do cocalero presidente, como mostram as fotos que ilustram a edição de hoje.

Para que se compreenda melhor o que significa este referendum para seus promotores, sugiro a leitura do artigo Lições da crise colombiana II - próximo alvo: Peru, do brilhante analista político e meu amigo Heitor De Paola, bem como Bolivianos, cuidado com a OEA do presidente de Fuerza Solidaria, do também amigo Alejandro Peña Esclusa.

Os temores sobre o aumento da violência interna na Bolívia se viram agudizados na última semana, ante a radicalização de atos organizados por aquilo que eufemisticamente insistem em chamar de “movimentos sociais” que respaldam o governo, sobretudo os sub-humanos índios aymarás – etnia de Morales - conhecidos como “ponchos vermelhos”. Em novembro do ano passado eles já se articulavam contra a chamada “Meia Lua”, que conforma os estados Santa Cruz, Tarija, Beni, Cochabamba e Pando que pedem a autonomia, e chegaram a incendiar a prefeitura de um desses estados sendo contido a tempo e não deixando vítimas. Apesar de já ter sido divulgado amplamente pela rede, não tem desperdício rever Na Bolívia degolam cães em ameaça aos opositores, filmado em 23 de novembro de 2007, que descreve com precisão a quê esta gente está disposta.

E hoje eles tomaram as ruas, fecharam estradas, incediaram urnas e cédulas de votação. Junto com oficialistas do partido MAS (Movimiento Al Socialismo), tentaram impedir que as pessoas votassem deixando até agora um saldo de 20 pessoas feridas e 1 morta, a maioria nas localidades de San Julián, Yapacaní, Montero e Plan Tres Mil, um dos bairros mais pobres de Yapacaní.

As tensões já existentes foram agravadas por um pronunciamento publicado nos jornais das Forças Armadas que afirmavam que não se podia aprovar o estatuto autonômico porque ele “afeta a segurança e defesa nacional do Estado boliviano” e que “depois de ter realizado uma exaustiva análise do projeto de Estatuto Autonômico de Santa Cruz, alguns de seus artigos afetam a segurança e defesa nacional do Estado boliviano”. Esta declaração dos altos comandos do Exército, Aviação e Marinha é seguida por outra do Conselho Supremo de Defesa Nacional, uma instância militar de apoio às Forças Armadas, que advertiu no sábado que o estatuto autonômico do estado de Santa Cruz “ameaça a integridade do território nacional”, repetindo o que determina o agoverno autoritário do cocalero presidente Morales.

Chávez e seu ministro da Defesa foram derrotados mais uma vez pela oficialidade que se negou a deslocar-se até a Bolívia para servir de “guarda-costas” de Morales. Conforme conta Patricia Poleo em sua coluna “Factores de Poder”, no jornal “El Nuevo País” de hoje. “Desde sexta-feira à tarde, oficiais de todas as Forças, especialmente da Guarda Nacional, majores, capitães e tenentes estavam sendo citados na DIM (Direção de Inteligência Militar), por dezenas de panfletos e comunicados que estiveram circulando nas instalções militares desde que o ministro da Defesa, Gustavo Rangel Briceño, chamou de ‘burros’ os oficiais institucionais”. (...) “Em fontes militares já se comenta, sem medo e sem pudor, que um dos detonantes para que o ministro da Defesa arremetesse contra os militares institucionais, foi a negativa destes em trasladar-se à Bolívia para reforçar a segurança de Evo Morales durante o referendum de hoje, domingo, que se anuncia que será letal para a estabilidade do presidente boliviano.Os oficiais simplesmente se negaram a obedecer a ordem de atuar na Bolívia” .

A respeito desse “destempero” do ministro da Defesa “rojo, rojito”, vale a pena registrar o que ele disse no Forte Tiuna (sede do Ministério da Defesa), pois é com um elemento destes que o governo brasileiro, através do seu ministro da Defesa Nelson Jobim e as nossas Forças Armadas, está fechando acordo de criar até outubro deste ano o “Conselho Sul-americano de Defesa”. Disse ele em escandalosa declaração afrontosa à Constituição que, antes, proibia a politização das FAN: “Não aceito essa visão covarde que retira das responsabilidades reais e verdadeiras do momento histórico que estamos vivendo porque ‘eu sou institucionalista e então, não...’. Então, você não? Então você se vá, você está fora de ordem, não entende o que está se passando”. E perguntou se um “institucionalista” não é na realidade “um grande covarde ou um burro que se nega a aceitar a realidade. Temos uma realidade na mão e ela é política. A oportunidade que temos é política”. E encerrou com Pátria, Socialismo ou Morte. Venceremos!”.

Depois deste parênteses que merecia ser comentado porque está relacionado com o evento da Bolívia de hoje, é da maior importância se saber porquê a violência do bando oficialista, quais são seus reais interesses para o país e porquê a oposição insistiu tanto nessa autonomia. Em um documento escrito em agosto de 2006, logo após a assunção de Morales à Presidência, seu partido (MAS) elaborou um documento – assinado por Morales - que vem cumprindo diligentemente e que só através dele é possível compreender todo este processo. Intitulado “Guia de Ação Política de Orinoca – Para os companheiros revolucionários do MAS e seus aliados”, o documento descreve em detalhes suas estratégias, focos de ação e alvos a atingir. Copio apenas os itens mais importantes:

“1. Como objetivo: a criação de um Estado plurinacional camponês-indígena e com um governo centralista e estruturado sobre a figura de nosso líder, Evo Morales Ayma.
(...) - Trata-se de conformar uma Democracia formal socialista com poder total e absoluto [o socialismo é pragmático e deve se orientar pelos estabelecimentos do Socialismo do Século XXI e promovido pelo camarada, irmão e Comandante Hugo Chávez da Venezuela];
- Viabilidade do novo Estado: Conformar uma Pátria Grande Sul-americana e bolivariana. Para isso é desejável a conformação de forças estatais-repressivas conjuntas entre países da região com orientação socialista e financiada pelos próprios Estados, e o orçamento facilitado pelo Governo bolivariano da Venezuela;
- Estabelece-se um ‘neo-foquismo’, onde a Bolívia seja o centro de irradiação deste Socialismo do Século XXI em nível latino-americano e promovido principalmente pelo governo-irmão da Venezuela;
- É também desejável a conformação e o financiamento de grupos ou forças irregulares, para reprimir a sociedade civil rebelde, se isto for necessário. Estes quadros deverão ser orientados a gerar violência na sociedade boliviana, e assim confrontar exitosamente os oligarcas e anti-revolucionários. Não se descarta que estes grupos sejam multinacionais: peruanos, bolivianos, colombianos, etc., pois a luta agora é universal e latino-americana;
- É positiva e funcional a cooptação de organizações sociais do país, como modo de grupos de pressão para reprimir instituições políticas ou sociais da oposição, assim como meios de comunicação burgueses e opostas à mudança.

II – Como justificativa: Se não se puder por meios democráticos, a violência [parteira da História] é necessária para impor o Novo Estado Plurinacional.
Como políticas a serem levadas a cabo pelo governo revolucionário do MAS:
1. Estabelecimentos Estratégicos
1.1. Deve-se promover a agudização das contradições na sociedade boliviana. É desejável a crise econômica e política do país, deste modo a instabilidade geral e o caos possibilitarão o governo revolucionário do Companheiro Evo atuar com a força requerida para impor nosso projeto de Estado;
1.2. Destruir o neoliberalismo
(lembrem-se que este foi o mote do XIII Encontro do Foro de São Paulo ocorrido no ano passado) de ultra-direita fundamentado hoje, na chamada República boliviana e representada pela ‘Meia Lua’.
1.3. Deve-se instrumentalizar exitosamente a Assembléia Constituinte para impor a visão do novo Estado.
(...) 1.5. Deve-se continuar com o processo exitoso de cooptação de:
b) Níveis hierárquicos das FFAA e da Polícia. Com a ajuda econômica do irmão Governo da Venezuela, espera-se a lealdade destes efetivos e funcionários para a repressão política planejada especialmente para a Meia Lua.
(...) 3. Atacar o inimigo do Povo: a Meia Lua
3.1. O inimigo do povo é a denominada “Meia Lua”, hoje em processo de articulação. Dentro deste contexto, o inimigo estratégico é o Estado de Santa Cruz de la Sierra, visibilizado através do Prefeito e Comitê Cívico;
Justificativa: O inimigo deve ser aniquilado porque através do processo autonômico estadual, se poderia inviabilizar o novo Estado Plurinacional [que está por nascer]. Lembremos que tais autonomias defendem o Estado de Direito, a democracia e outras instituições burguesas e corruptas próprias da atual República da Bolívia; precisamente – pois – promovem as instituições que o povo deve ‘desmontar’.
3.2. Estratégias/Ações:
Gestar a inevitável divisão e confrontação campo-cidade em nível municipal. No caso de Santa Cruz inclusive, já se selecionaram municípios com elevada população migrante camponês-indígena (San Julián, etc.), para opor-se ao processo autonômico. Deve-se financiar quadros e grupos de pressão para violentar, quando seja necessário, o processo autonômico oligárquico e corrupto, e durante o processo de expropriação de terras aos fazendeiros e latifundiários”
. E encerra com as palavras do cocalero-presidente: “Companheiras e companheiros revolucionários, creio que este guia será o instrumento de mudança para levar o poder ao povo e a nossos irmãos camponeses, indígenas e originários. Pátria ou Morte! Venceremos ao lado do povo! Morte à Bolívia senhorial e colonial!
Evo Morales Ayma – Presidente constitucional da República da Bolívia”.

Bem, o documento é imenso mas creio que estes itens são bastantes para se avaliar e compreender o processo acelerado de comunização castro-chavista que está ocorrendo na Bolívia hoje, sem esquecer que tudo isto tem o aval, estímulo e iniciativa do governo brasileiro através do Foro de São Paulo.

Uma pesquisa de boca de urna realizada pela agência “Captura Consulting” para a rede “Usted Decide”, afirmou que na capital de Santa Cruz a percentagem do SIM foi de 85,3%, frente a 14,7% pelo NÃO. Entretanto, nas cidades foi maior a aprovação: 89,6% a favor do SIM e 10,4% para o NÃO. Embora não tenha sido informado ainda o número de abstenções, a cadeia ATB situou em torno dos 40%. Santa Cruz agora terá atribuições reservadas ao Estado nacional, como educação, segurança, justiça e economia, construindo uma verdadeira barreira contra o plano do Governo de “refundar” o país com uma nova Constituição socialista. A nova Constitução, aprovada sem o aval da oposição por uma assembleía constituinte controlada pelo oficialismo e que deve passar por uma série de referenduns, daria mais poder à maioria indígena, fortaleceria o controle do Estado sobre a economia e outorgaria um marco legal à política oficial de nacionalização dos recursos naturais.

Esta vitória é mais uma pedra no sapato do “Eixo do Mal” e do Foro de São Paulo, derrotado pela segunda vez em referedum (a primeira foi a derrota de Chávez em 2 de dezembro passado, também para implantar um regime totalitário comunista), o que prova que, majoritariamente, o povo latino-americano rejeita categoricamente o comunismo, é amante da ordem, do progresso, da liberdade e da democracia, não um arremedo dela, como estamos vivendo hoje no Brasil dos “cumpanhêro”. Que Deus abençoe e proteja os bolivianos de bem!
Fiquem com Deus e até a próxima!

Comentários e traduções: G. Salgueiro