terça-feira, 27 de novembro de 2007


















Durante toda esta semana, até o domingo 2 de dezembro, data do referendum, o Notalatina vai emitir boletins sobre a situação da Venezuela, considerando sobretudo que os jornais brasileiros estão informando notícias que são repassadas pelos órgãos oficiais do governo chavista e dos “companheiros de viagem”, ou seja, transmitindo notícias falsas, mascaradas ou mesmo omitindo informações essenciais para que se possa compreender o que de fato está ocorrendo lá.



Ontem em um confronto de rua em Valencia, no estado Carabobo, um operário resultou morto por dois disparos de bala. Chávez de imediato saiu acusando a oposição pelo assassinato, afirmando que isto é uma prática recorrente entre os que lhe são contrários. Ora, isto é uma deslavada MENTIRA porque quem mora lá ou acompanha a situação política venezuelana como eu, desde 2001, é testemunha (se não presencial, mas através de fotos e vídeos) de que as “armas” da oposição são apitos, bandeiras e caçarolas.



Em um evento no Fuerte Tiuna ontem à noite, Chávez disse: “Já identificamos o assasino, porém ele forma parte dessas campanhas midiáticas envenenadas pelo livreto norte-americano”. E mais adiante: “Se eles buscam o caminho da violência, tenham a certeza de que saberemos enfrentá-los nas ruas e varrê-los como já fizemos em 13 de abril de 2002. Nada impedirá que tenhamos pátria”. E aos seus seguidores advertiu: “Devemos estar muito alertas. Já setores enlouquecidos e desesperados da oposição começaram hoje com um plano de violência nas cidades de Maracay e Valencia; lançaram agressões contra o povo e assassinaram um jovem trabalhador que trabalhava em Petrocasa, só porque reclamou que o deixassem passar (...) e havia um grupo de enlouquecidos e envenenandos fascistas que lhe meteram dois tiros e o mataram”.



Os FATOS contradizem esta arremetida insensata, como tudo que este psicopata assassino diz. Em primeiro lugar, ainda não se havia feito a perícia para determinar o tipo de projétil, e portanto de arma, que feriu de morte o rapaz e conseqüentemente, não se tinha o culpado pelo assassinato. Segundo, o tumulto ocorreu quando um grupo de pessoas se manifestava pelo NÃO próximo de onde estavam os operários quando chegou um caminhão carregado de militantes chavistas, armados até os dentes. Os desordeiros desceram no caminhão atirando e acabou atingindo o rapaz que, apesar de ser simpatizante do oficialismo, não tinha nada a ver com o caso. Entretanto, o que estes bandos de delinqüentes queriam era arranjar um vítima, fabricar um mártir para acusar a oposição e nada mais.



O que os jornais brasileiros não informam, porque não convém e o governo provavelmente não permite, é que no dia 23 pp. dois líderes estudantis da Universidade Fermin Toro foram seqüestrados em Lara por uns encapuzados vestidos de preto, que usavam uma Blazer preta sem placas, e que após interrogá-los sob a ameaça de uma pistola sobre fontes de financiamento, nomes dos estudantes que participaram das marchas que eles traziam em álbuns de fotos, os espancaram, torturaram e queimaram com cigarro, como se pode ver nas fotos exibidas. É assim que age o chavismo, em absoluto desespero, pois tanto Chávez quanto seus seguidores estão vendo que é um país inteiro que o rechaça e rechaça seus planos de implantar uma revolução comunista como em Cuba.



Também os jornais brasileiros não divulgaram que ontem à noite Chávez ameaçou o presidente da Fedecamaras (Federação de Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela) de tomar-lhes tudo e deixá-los “sem fé, sem de, e sem câmaras”, apenas porque o presidente desta entidade disse que fariam tudo para evitar que se aprove a reforma constitucional. Diante dessas afirmações e de tudo que foi denunciado acima, será que existe dúvidas de onde parte a agressão, a violência e o “projeto de desestabilização nacional” que Chávez tanto acusa a oposição? Se ainda resta alguma dúvida, vejam este vídeo “O massacre de 11 de abril foi planejado” que traz depoimentos de militares que PROVAM a resposabilidade criminal deste elemento que acusa a oposição daquilo que ELE faz, como manda o ideário leninista.



E para concluir a edição de hoje, leiam esta nota emitida agora por Alejandro Peña Esclusa acerca de uma fraude patética e grotesca elaborada pelo próprio governo do louco Chávez, através do site oficialista “Aporrea”, que vem acusando-o de “conspiração”. Eu li o “documento” publicado neste site de extrema esquerda chavista e é tão grosseiro e primário que só dá mesmo vontade rir do que são capazes (ou incapazes e incompetentes?) de produzir pessoas loucas, à beira do desespero. Seria interessante que a própria CIA tomasse conhecimento deste “relatório confidencial” elaborado não por algum de seus agentes, mas pelos agentes do governo da Venezuela (ou seria de inspiração dos agentes cubanos que dão as cartas nos serviços de segurança do país?) que se fazem passar por eles. Leiam a nota de Peña Esclusa, fiquem com Deus e até a próxima!







***



Governo elaborou memo da CIA



Por: Alejandro Peña Esclusa








Faltando poucas horas para o referendum, o oficialismo recorreu a um ridículo mecanismo para tratar de evitar sua iminente derrota e para acusar a oposição de seus próprios crimes. Trata-se – embora vocês não creiam – de um “memorando confidencial” da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).



Segundo este documento, obtido secretamente da Embaixada Norte-Americana em Caracas, o senhor Middleton, funcionário local, informa ao senhor Hayden, diretor da CIA, que o SIM leva uma vantagem sobre o NÃO de 13 pontos percentuais.



A “análise confidencial” da Embaixada – elaborada sem dúvida em um laboratório chavista – assegura que esta “tendência é irreversível” e que a única maneira de frear o provável triunfo do oficialismo é falando de fraude, impedindo o referendum ou desconhecendo seus resultados.


“Peña Esclusa está disseminando em todo o território nacional pequenos focos de protesto, para que gerem um clima de ingovernabilidade, permitindo culminar no levantamento geral de uma parte substancial da população”.



O documento, publicado na página Aporrea, causa tanto riso quanto a Radio Rochela* (que no momento carece de sinal aberto). Entretanto, o oficialismo pretende levá-lo muito a sério, tanto que Maripili o leu inteiro em seu programa de rádio desta tarde, depois de acusar-me, como o fez esta manhã Calixto, de ser o promotor do ocorrido ontem em Aragua e Carabobo.



Maripili anunciou uma grande descoberta. Ela viu pela primeira vez o vídeo intitulado “Como impedir a reforma?” que, desde há dois meses, este humilde servidor fez circular por meia Venezuela de maneira bastante pública e notória. Porém, ela só veio tomar conhecimento ontem à noite, quando “La Hojilla” teve a gentileza de pô-lo integralmente no ar.



Na realidade, estes gestos tragicômicos pretendem encobrir – sem nenhum êxito – o temor que o oficialismo sente pela derrota que se avizinha. Não me refiro à derrota eleitoral, porque essa se reverte facilmente com a fraude, mas a derrota popular. O Regime teme que os protestos de ontem sejam um ligeiro tiragosto, comparados com os que haverá em 3 de dezembro, se Tibisay Lucena se atrever a proclamar o triunfo do SIM.



E quanto à das Forças Armadas? Bem, Uribe já reconfirmou publicamente. Chávez é o principal aliado da guerrilha colombiana, organização terrorista que assassina e seqüestra não só na Colômbia mas também em nosso território. Os militares venezuelanos não se prestarão ao papel de reprimir os protestos pacíficos do povo venezuelano, para sustentar a ditadura do “legitimador das FARC”.



* Radio Rochela era um programa humorístico muito apreciado e popular, apresentado pela expropriada “RCTV”.



Comentários e traduções: G. Salgueiro

segunda-feira, 26 de novembro de 2007




O Notalatina traz hoje COM EXCLUSIVIDADE PARA O BRASIL, uma entrevista com o ex-espião cubano Uberto Mario Hernández, que trabalhou na embaixada cubana na Venezuela, entre 2000 e 2003, e resolveu falar à jornalista María Elvira Salazar no programa “Polos Opuestos”, da MegaTV de Miami, em junho deste ano. Hoje ele vive exilado na Flórida, depois de haver desertado.


Mario é jornalista desportivo e trabalhava na “Radio Rebelde” em Pinar del Río (Cuba) quando foi mandado para a Venezuela. Lá, ele foi trabalhar como espião na embaixada de Cuba e recebeu, por parte do governo da Venezuela, identidade, passaporte e endereço como venezuelano, com o nome de José Carlos Contrera. Dentre outras coisas, ele conta que sua função principal era espionar jornalistas opositores e repassar as informações para o embaixador de Cuba na Venezuela, German Sanchez Otero. Sobre esses documentos falsos que ele diz ter recebido não é novidade, pois aqui mesmo neste blog eu já denunciei isto inúmeras vezes, inclusive em época de eleições e referendos onde mais e mais agentes do G2 cubano chegam para dar apoio a Chávez e votar a seu favor.


A espionagem é feita não só aos opositores venezuelanos mas também aos cubanos que estão lá nas “missões” (médicos, desportistas, alfabetizadores – que são FUNCIONÁRIOS do governo). Mário conta que certo dia foi chamado ao escritório do diretor geral do aeroporto de Maiquetia, - Cel Tomás Rodríguez, que cuidava da segurança na embaixada cubana - , na cidade de Vargas, e que através de um lap top ele pôde ouvir TODA a conversa que esses cubanos estavam tendo com suas famílias na Ilha, (eles tinham direito de ligar DE GRAÇA para Cuba cuja despesa era paga pela PDVSA, ou seja, o Estado venezuelano, com o dinheiro do povo); todos eram monitorados completamente, inexistindo privacidade de informações. Os informes (“chuletas”) colhidos daí e de outras coberturas, eram enviados para a central de espionagem dos cubanos que fica no 3º andar do prédio da embaixada e de lá enviado para Fidel via mala diplomática.


Ele conta que a empresa CONEXTEL, que importa e exporta todo o material de eletrônica em Cuba, fez um acordo com o governo na Venezuela e está lá desde 19 de outubro de 2000. Todo o material que é utilizado para doutrinação e treinamento (áudio, vídeo, DVD) é feito pelo Departamento Ideológico do Partido Comunista de Cuba e elaborado pela CONEXTEL, inclusive funcionários do Instituto Cubano de Rádio e TV estiveram na Venezuela – mais de 100 pessoas – montando rádios comunitárias e serviços de escutas, como esse do aeroporto de Maiquetia. O próprio Mario montou 9 dessas rádios comunitárias, cujo objetivo é fazer doutrinação ideológica e espionar, através de delinqüentes que vivem espalhados pelos diversos bairros e que gravam conversas ouvidas de opositores, e depois entregam à embaixada cubana.


A Internet também está monitorada – leia-se CENSURADA -, sobretudo depois que a maior empresa do ramo, a CANTV, foi estatizada. TUDO o que os opositores assinantes de CANTV escrevem e que circula pela rede, é monitorado diretamente por esses espiões na embaixada de Cuba, e são mais 1.000 os infiltrados no Departamento de Segurança da Venezuela. O assessor de Chávez para a criação da TeleSur chama-se Ovidio Cabrera, que é Vice-Presidente do Instituto Cubano de Rádio e TV, ideólogo do PCC há 30 anos. Agora é possível compreender porquê a maioria dos e-mails que envio para amigos que utilizam este provedor é devolvido, com o “simpático” aviso de que a mensagem não foi entregue porque enviei spam. Vale destacar aqui, também, que este tipo de censura e monitoramento está sendo feita pelo ParTido-Estado, pois em nota recebida ontem, a jornalista Dora Kramer denunciava que os computadores dos funcionários do Ministério da Fazenda eram bloqueados pelo “comitê de segurança” a acessar a página do PSDB e de informativos sobre “política e opinião” por serem assuntos “não profissionais”. O site do PT, entretanto, é liberado. E em breve, seremos todos nós, funcionários de Ministérios ou não.


Outra informação grave, denunciada nesta entrevista, dá conta de que na ilha La Orchila há uma base de espionagem – Centro de Operações de Internet – e uma base de submarinos. Essa base usa a fachada de uma agência de mergulhos, entretanto, foi aí que se reuniram Chávez, Fidel, Sanchez Otero e outros para criar um cabo submarino que liga Cuba e Venezuela, aumentando em 2.500 vezes as comuicações entre os dois países. Isto justifica as compras de submarinos russos que Chávez fez ano passado. Cabe lembrar que todas as operações ilícitas feitas por Fidel Castro, sobretudo com relação ao narcotráfico, foram feitas utilizando submarinos em águas internacionais, daí porque o DEA sempre teve dificuldade em provar que o governo ditatorial cubano participava ativamente do narcotráfico, conforme relata Luis Grave de Peralta Morell, em seu livro “A Máfia de Havana”, ainda inédito no Brasil. Quem montou este Centro de Operações em La Orchila foi o sr. Angel Gamos, um dos últimos oficiais da Segurança de Cuba, que é filho do Coronel Cargame, delegado do Ministério do Interior (MiNint) encarregado do caso do General Ochoa, fuzilado após “confessar” sua participação no narcotráfico, coincidentemente neste caso em que o DEA não encontrou provas. Ele foi o bode expiatório escolhido para salvar a pele de Fidel e Raúl, porque o DEA estava a um passo de chegar a esta conclusão...


Mas a parte mais preocupante e grave desta bombástica entrevista é quando ele fala do recrutamento de jovens para o exercício da espionagem e militância. Ele explica que os “Círculos Bolivarianos” são formados por hordas de delinqüentes, drogados, marginais que não têm nada a perder e que agem de forma violenta e armada, conforme o Notalatina apresentou em sua última edição sobre as agressões sofridas pelos estudantes, dentro das universidades. Ex-funcionários do regime cubano estão na Venezuela dando aulas de espionagem nas “Escolas de Capacitação de Trabalhadores Sociais”, nome muito elegante para esconder seus reais objetivos. Por essas escolas já foram doutrinados e treinados durante 45 dias, mais de 5.000 jovens venezuelanos que formam hoje os “Comitês de Jovens Bolivarianos”, cujo objetivo é difundir e arregimentar adeptos à revolução bolivariana. Aqui no Brasil existem vários desse grupos que apresentam-se com o nome de “Círculos Bolivarianos”, mas cujo objetivo é o mesmo dos Comitês de Jovens, conforme pode-se comprovar através deste artigo Círculos Bolivarianos no Brasil, escrito por Carlos I. S. Azambuja para o site Mídia Sem Máscara.


É isto que está ocorrendo na Venezuela hoje e é isto que está invadindo nosso país, silenciosa e cinicamente, porque a mídia inteira se cala sobre estes crimes que provêm da união maligna entre Chávez+Lula+Castro, o “Eixo do Mal” do Foro de São Paulo, denunciado há quase uma década pelo saudoso Dr. Constantine Menges.


Será que depois de ouvir esse depoimento tão grave e fidedigno, pois o autor das denúncias foi participante direto de tudo que denuncia, os brasileiros ainda vão fica indiferentes à malignidade do ingresso definitivo de Chávez ao Mercosul? Será que os nacionalisteiros – civis e militares – ainda vão “lamentar” que alguém no Brasil não queira a ajuda de Chávez? Deixo com a consciência de cada um, julgar de que lado quere ficar: se do Brasil, com toda esta corja de comunistas no raio que os parta, ou mancomunados com a pior escória do planeta apenas para ser contra tudo (sem separar o joio do trigo) que vem dos Estados Unidos.


Aqui estão os vídeos da entrevista que juntos somam pouco mais de 15 minutos: Cuba espia na Venezuela com permissão - Parte 1 e Cuba espia na Venezuela com permissão - Parte 2. Ajudem a denunciar estes crimes!
Fiquem com Deus e até a próxima!


Comentários: G. Salgueiro



















sábado, 10 de novembro de 2007





Desde o início do mês de novembro a Venezuela tem intensificado suas manifestações contra a nova reforma constitucional imposta pelo ditador Chávez, - com a aprovação total da Assembléia Nacional (AN) após modificar 69 artigos – e, mais uma vez, são os estudantes das universidades os que têm praticamente encabeçado tais movimentos. A primeira marcha opositora ocorreu dia 3 e no dia 4 Chávez fez a dele, como sempre comprada e patética com aquele mar vermelho de gente agressiva e bêbada que o bajula, como ocorre também aqui no Brasil com as claques organizadas pelo governo petista para aplaudir o Sr. da Silva, pois a sociedade já mostrou que ele merece mesmo é ser vaiado.


No dia 7 os estudantes promoveram uma grande e pacífica marcha pelo centro de Caracas dirigindo-se ao TSJ, para entregar um documento onde pediam que o tal referendo, marcado para o dia 2 de dezembro, fosse ao menos prorrogado para o início do próximo ano, alegando que as alterações eram muitas e graves e que a população deveria estudá-la mais a fundo antes de decidir como votar. Como das vezes anteriores houve agressão por parte das turbas chavistas e da própria Guarda Nacional. Eu assisti – ninguém me contou - parte dessa confusão filmada pela Globovision e retransmitida pela CNN em Espanhol.


Na volta às universidades, começou o horror, a guerra. Uma amiga venezuelana residente em Maracaibo me informava de tudo que estava ocorrendo – em tempo real -, notícias que ela ouvia através do rádio e da televisão. Antes de descrever o que se passava naquele dia no interior das Universidade Los Andes em Mérida, Universidade Católica Andrés Bello e Universidade Central de Venezuela (UCV), quero fazer um parênteses para registrar minha perplexidade e vergonha com o comportamento da mídia brasileira que, como já virou rotina, omitiu-se em denunciar fatos de tão absoluta gravidade como os que têm ocorrido na Venezuela nos últimos tempos. Noticia-se sim, com pompa e circunstância, em matérias de capa, quando os dois companheiros do Foro de São Paulo – Lula e Chávez - se encontram para alguma inauguração pífia ou assinatura de convênios que só interessam a eles e seus macabros planos, ou então que aquela coisa grostesca, sem estilo, rude e balofa do Chávez foi eleito o 5º homem “mais sexy” da Venezuela; isto saiu no Globo e no JB, que eu li. Se não foi por bajulação dos que dependem das suas doaçõe$$$, foi cegueira ou votação manipulada.


Para que o leitor possa comprender melhor a gravidade desta situação ressalto que a reforma constitucional pretendida por Chávez, caso seja aprovada no referendo de 2 de dezembro deste ano, pode acabar influindo no nosso país, uma vez que os 69 artigos modificados (observem que eu disse “modificados”, o que significa alterados em seu sentido e conteúdo completamente) transformam a Venezuela legalmamente – e com a aprovação popular – numa ditadura comunista como é Cuba há 48 anos. Aliás, o modelo da nova constituição venezuelana foi copiado da cubana. E o que “nós” temos a ver com isso, poderiam alguns perguntar? Temos que a Venezuela de Chávez está a um passo de ser efetivada como membro definitivo no Mercosul – daí a pressa de Chávez nessa aprovação, pois no estatuto do Mercosul há um artigo dizendo que só podem participar do bloco países cujo regime é a democracia -, ou seja, com direito a voz e voto e isto certamente acabará resultando em medidas conjuntas que prejudiquem nossas liberdades também. Mas, este é um assunto que tratarei num artigo à parte.


Voltando às universidades. Depois de muito tumulto e de finalmente entregar o documento ao TSJ, os estudantes voltaram às suas universidades mas não contavam que os bandos armados chavistas preparavam sua tão característica violência criminal DENTRO dos campus. Na Universidade Andrés Bello bandos armados invadiram o recinto mas, diante da contundente resposta dos universitários fugiram, indo refugiar-se na residência oficial do governador do Estado, próxima dali. Na Universidade Los Andes de Mérida 7 bandos armados, identifcados como pertencentes aos Tupamaros, atentaram contra o movimento estudantil. A respeito deste bando, leiam aqui o que escrevi em 02 de dezembro de 2006, a propósito das eleições presidenciais, quando eles ameaçavam “agir” caso Chávez perdesse. E finalmente, na UCV (também em Mérida), ao finalizar a marcha uns cem (100!) motorizados com pistolas e gás lacrimogêneo entraram na universidade atirando e fazendo arruaça, deixando um saldo de 9 pessoas feridas.


Nestes vídeos, feito por um estudante provavelmente pelo celular, pode-se ver e ouvir os disparos, um estudante caído no chão e depois sendo socorrido e os marginais passando em várias motos, todos com a maldita camisa vermelha que caracteriza todo elemento chavista. As imagens não são muito boas mas isto não invalida o registro. O conjunto é composto de 9 vídeos mas apresento apenas dois deles, por serem os mais importantes: o nº 1 http://www.youtube.com/watch?v=Lx2E2SHOc8w e o nº 4 http://www.youtube.com/watch?v=KQFXOkK_K7w, que mostra o estudante ferido e o desespero dos alunos diante de tanto absurdo.


Segundo informa minha amiga de Maracaibo, o total de feridos chegou a 30 e um estudante ficou definitivamente cego em decorrência do vandalismo impune e comandado desde as mais altas esferas do Governo do ditador Hugo Chávez. Em Mérida a violência foi maiúscula, usando a epressão da minha amiga, e em Maracaibo, segundo informações da “Unión Radio Zulia”, tanques e soldados se deslocaram fechando as saídas da Universidade de Zulia, enquanto estudantes de diversos centros acadêmicos se concentravam na cidade; a Polícia Municipal trancou a passagem para a cidade e os militares fecharam a ponte impedindo a passagem dos estudantes que vinham de outros pontos.


O desespero chavista é visível, pois ele já não encontra tantos apoios como em anos anteriores, daí a necessidade de agir do único modo que sabe: caluniando, agredindo, intimidando com a força bruta das armas. Há uma passagem que seria apenas patética, se não demonstrasse tal desespero. Há poucos dias, numa conversa em um programa da “Unión Radio” entre a deputada oficialista Cilia Flores e Mary Pili, Cilia exigia que se prendessem os membros da resistência (estudantil por supuesto!) porque eles “estão mandando as pessoas armazenarem ‘energizantes e chocolates’! Isto é terrorismo! Terrorismo puro!!!” Pode? Além de loucos e fanáticos, são também muito burros.


O site da minha amiga Martha Colmenares traz uma cobertura excelente a respeito, com fotos e vídeos que podem não só complementar como ampliar as informações desta edição de hoje do Notalatina.


O que estamos assistindo hoje na Venezuela não é algo novo mas o modus operandi deste ditadorzinho criminoso, psicopata frio e perigoso, que sempre agiu assim, desde o massacre de 11 de abril de 2002, quando mandou seu bando armado atirar em manifestantes pacíficos cujas únicas armas era apitos, caçarolas e a bandeira da Venezuela. O que ele fez na Praça Francia de Altamira, em Puente Laguno e no Fuerte Mara, onde 8 soldados foram incendiados com um lança-chamas e dois deles morreram, é o mesmo que ele pretendia em dezembro do ano passado caso Manuel Rosales tivesse resolvido levar sua candidatura a sério e respeitar a vontade popular. Mas Rosales não é guerreiro nem macho suficiente para honrar o voto de confiança que milhares de venezuelanos lhe outorgaram, na esperança de livrar-se desta ditadura que caminha a passos largos de se consolidar. E a prova de que os crimes do 11 A foram planejados e vão se repetir, estão aqui neste excelente vídeo produzido por Fuerza Solidaria do meu amigo Alejandro Peña Esclusa que INSISTO para que vejam.


E para encerrar esta edição de hoje, mais uma grosseria que pôs a nu a falta absoluta de preparo do vulgar ditador Chávez que não sabe sequer se comportar com a compostura que o cargo de presidente de uma grande nação requer, num ambiente de uma cúpula internacional como foi a Cúpula Ibero-Americana ocorrida no Chile. Num bate-boca de beira de cais, bem ao seu nível e gosto, Chávez começou a insultar o ex-presidente José Maria Aznar, enquanto Zapatero – até então seu grande aliado – tentava defendê-lo. O Rei Juan Carlos manda Chávez se calar, num gesto de nítida repugnância a tanta descompostura e falta de respeito. Como se não bastasse, seu amiguinho no Foro de São Paulo e presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, um terrorista do bando sandinista, sai em defesa de Chávez repetindo os insultos a Aznar e o Rei abandona seu lugar em pleno discurso de Ortega.


Estas atitudes vergonhosas, apesar de os bons e decentes venezuelanos não merecerem em absoluto, são muito positivas porque deixam claro o tipo de gente é esta que prega a revolução, que quer perpetuar-se no poder implantando uma ditadura comunista onde só eles têm direitos, inclusive de viver confortavelmente, enquanto apregoam aos quatro ventos que “bom é ser pobre”. Será que é uma pessoa desse nível e com esses propósitos que queremos como sócios no Mercosul? A Venezuela precisa dizer um rotundo NÃO a esta reforma ilegal, imoral, inconstitucional que é nitidamente um golpe de Estado, rechaçando a votação; e nós, brasileiros de bem que queremos o progresso de nosso País e as garantias de liberdade e direito à propriedade privada que o Estado de Direito nos garantem, temos também o DEVER de repudiar os atos de barbárie cometidos por Hugo Chávez ao povo venezuelano, lutando para impedir que ele seja aceito no Mercosul.


Os créditos dos vídeos na UCV devem-se a ronalddiazp e as fotos a vários amigos venezuelanos. Fiquem com Deus e até a próxima!


ComentáriosG. Salgueiro




quarta-feira, 17 de outubro de 2007




O Notalatina está sendo editado agora em EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA, para fazer uma denúncia gravíssima de um fato ocorrido na Venezuela ontem. Quem conhece e acompanha este blog sabe que, desde sua criação, em setembro de 2002, minha preocupação principal era (e continua sendo) denunciar os avanços da implantação do comunismo no continente Latino Americano. E como focasse minhas atenções onde este avanço era mais nítido e brutal, a Venezuela de Chávez, recebi insultos de toda ordem, sem qualquer fundamentação que justificasse tanta estupidez e agressividade àquilo que eu denunciava.


Apesar disso, fechei os olhos e ouvidos às tropelias e continuei minha cruzada de denúncias porque sabia que, mais cedo ou mais tarde, os reflexos do comuno-chavismo acabariam sendo sentidos aqui no Brasil, considerando que todo este processo parte de uma única matriz chamada Foro de São Paulo (e ainda tem gente que acha que esta organização comuno-terrorista é só uma paranóia minha, do Olavo de Carvalho e de uma meia-dúzia de excelentes articulistas do Mídia Sem Máscara – que não os cito nominalmente para não esquecer nenhum mas indico a Editoria sobre o tema onde todos eles estão lá - e que nada disso tem a ver conosco).


Pois muito bem. Em maio do ano passado, para poder participar do Seminário sobre Democracia Liberal: Democracia, Liberdade e o Império das Leis, Alejandro Peña Esclusa teve de “pedir permissão” à Justiça venezuelana para viajar ao Brasil e, ainda assim, só conseguiu porque fora convidado pelos organizadores do evento. Ora, quando um cidadão não pode ausentar-se do seu país por sua livre e expontânea vontade, sem ser um criminoso que esteja sob a custódia do Estado, é porque neste país a democracia não existe e a liberdade de ir e vir há muito foi confiscada através de um regime autoritário e totalitário como é o caso de Cuba há malditos 48 anos.


Alejandro continuou heroicamente seu périplo tentando abrir os olhos dos países latino-americanos através de palestras em instituições e universidades, dando entrevistas na mídia e participando de foros, mas isto acabou ontem. Chávez reconhece o poder que este gigante democrata possui porque ele apresenta fatos concretos da situação venezuelana, alertando-nos sobre o processo a que todos nós estaremos sujeitos, por termos governos membros do Foro de São Paulo, com uma simplicidade e clareza meridianas. E Chávez teme que esses outros povos saibam, através de quem vive na própria carne há 7 anos, que seu projeto é implantar a tirania do castro-comunismo em toda a América Latina, e esses povos passem a rechaçá-lo.


O resultado desse medo foi a proibição covarde da saída do país, onde Peña Esclusa iria participar de um “Foro Permanente pela Liberdade”, em El Salvador, promovido por um grupo de advogados locais com conotação conservadora.


Transcrevo abaixo a nota que foi publicada no jornal Diario de Hoy - El Salvador, além de um comentário bastante curioso que um leitor deixou após a matéria, pois mostra com clareza que o regime que vigora na Venezuela, hoje, mesmo antes do referendo sobre a reforma da Constituição que ocorrerá dia 2 de dezembro, é idêntico ao da Cuba comunista de Fidel Castro, o morto-vivo.


Amigos, isto que ocorreu a Peña Esclusa é MUITO grave e não pensem que por não ter sido aqui no Brasil não tem nada a ver conosco. Tem sim, considerando o desejo de Chávez de fazer parte definitivamente do Mercosul, assunto que tratarei proximamente. Temos que ficar alertas e denunciar, denuciar e denunciar SEMPRE, porque nós somos a Venezuela amanhã!
Fiquem com Deus e até a próxima.


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Impedem Peña Esclusa de viajar a El Salvador e o Presidente Saca diz que “é como em Cuba”


Alejandro Peña Esclusa não pôde sair da Venezuela para assistir a um evento em San Slavador, porque um tribunal de Justiça o proibiu, segundo relatou ontem. O presidente de El Salvador, Tony Saca, ao tomar conhecimento do fato disse que “isto é uma atitude similar à que ocorre em Cuba”.


Peña Esclusa ia expor no “Foro Permanente pela Liberdade” que foi organizado por um grupo de advogados locais com ideologia conservadora. “Há alguns dirigentes políticos que temos sido acusados pelo governo de rebelião e desde há quase três anos temos restrições de sair do país; quando o fazemos, é com permissão”, explicou o venezuelano por via telefônica.


O crítico acrescentou que o impedimento deve-se a que nas viagens por outros países ele se dedica a revelar como é a situação que se vive em seu país, e ainda afirmou: “Chávez não quer que o faça e começou um novo ciclo de repressão. Ele está preocupado que sua imagem possa ser corroída em nível internacional”


A única coisa que Peña Esclusa deduz desta última proibição, que lhe deram a conhecer apenas na quinta-feira passada, através de um tribunal, é que Chávez quer impedir que ele “diga a verdade”, de tal modo que a razão que ele vê por trás [desta atitude] é mais política do que judicial e, portanto, ilegal.


Ao ser consultado sobre o caso, o Presidente Antonio Saca disse que isto é uma atitude similar à que ocorre em Cuba. Por sua parte, o coordenador geral do FMLN (Frente Farabundo Martí de Liberación Nacional), Medrado González, afirma que isto é um assunto interno da Venezuela.


Ante esta situação, Saca comparou a Venezuela com Cuba, que mantém um regime de restrições para sair da Ilha. Por outro lado, disse que “os cubanos aqui vêm sem nenhum problema”. “Cuidemos da liberdade, façamos com que o país seja livre e que cada um decida por si”, expressou, e exemplificou que há poucos dias veio ao país o ex-embaixador dos Estados Unidos, Robert White, que participou de um passeata e se meteu em assuntos da política. “Ele veio a uma passeata e não teve problemas, porque vivemos em um país livre. Há muitos aos quais já não os deixam nem sair de seus países”, acrescentou o mandatário.


Entretanto, González insistiu em que trazer analistas ao país – como Peña Esclusa ou Eduardo Gamarra – é uma estratégia dos arenistas. “A ARENA traz qualquer fulano mentiroso para falar coisas e aqui não nos podem endossar nada. Isto é um assunto da Venezuela”, considerou.


Todavia, para Peña Esclusa, a restrição de sair do país não evitará que continue com suas críticas a Chávez. “Podem reprimir minhas viagens, porém não se pode ocultar a verdade. Isso não me vai impedir. Suponho que meu telefone está grampeado, porém não me importa que o Governo escute minhas chamadas porque não faço algo ilegal. Isto me anima ainda mais”.


Por este motivo, Peña Esclusa teve que intervir no Congresso por via telefônica.


Vejam o comentário de um leitor do jornal, deixado após a matéria citada acima:


Eu já não posso sair porque aos naturalizados a partir de 1 de janeiro de 2004, nos negam o passaporte. Se alguém duvida, consulte a página web da ONIDEX onde se indica expressamente”

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Fonte: Diario de Hoy - El Salvador


Comentários e Traduções: G. Salgueiro

sexta-feira, 12 de outubro de 2007






Um fato insólito, perverso e demoníaco acaba de ocorrer na Argentina, com a condenação à prisão perpétua do Padre Christian Federico Von Wernich, pelo “crime” de ter sido durante a ditadura dos anos 70-80 Capelão da Polícia de Buenos Aires. Este caso arrasta-se há 4 anos, desde os quais o Padre Von Wernich esteve preso mesmo antes do julgamento, na penitenciária Marcos Paz.


A perversidade dessa condenação reside em que a perseguição revanchista que vem ocorrendo em toda a América Latina, de modo especial na Argentina, aos que combateram o comuno-terrorismo que se instalara no continente, a ordem era condenar o padre de qualquer maneira e assim obedeceram docilmente os subservientes magistrados que o julgaram.


Foi, durante todo o tempo, um julgamento parcial, uma farsa patética que, mesmo levando meses para se chegar ao veredicto, seu resultado já era conhecido como nos “julgamentos” dos tribunais revolucionários em que a condenação precede o julgamento. Como nos tempos de Stalin; como nos tempos dos fuzilamentos em Cuba por Fidel e Guevara; como na China Comunista, no Vietnã, na Coréia do Norte e no Irã, com a única diferença de que levou anos para ser concluído.


Na ocasião em que foi preso, uma testemunha de acusação, Julio Jorge Enmed, que também estava preso por crimes políticos, foi subornado pela CONADEP para depor falsamente que o Pe. Von Wernich participou de tortura e seqüestro de presos-políticos, em troca de sua liberdade como réu comum, uma quantia em dólares e exílio em outro país. Como a promessa não foi cumprida, Enmed retratou-se em juízo contando todo o fato mas este seu depoimento foi retirado do processo; coincidentemente depois desta retratação, Julio Jorge Enmed morre em um “atropelamento de carro” e com ele seu testemunho de que mentira sobre as acusações feitas ao Pe. Von Wernich.


Como se tudo isto já não fosse criminoso demais, durante as audiências que começaram em maio deste ano, o juiz que conduzia o caso proibiu a entrada da Srª Cecilia Pando, (esposa do Major Mercado) na sala de audiências porque ela vestia uma blusa com a foto de um militar assassinado pelos terroristas ERP/Montoneros, por EXIGÊNCIA da bruxa comunista Hebe de Bonafini que considerou isto como “uma afronta”. Entretanto, este mesmo juiz permitiu, durante todos os meses em que durou o martírio do julgamento do Pe Christian, a presença no mesmo recinto das comunistas agremiações “Mães” e “Avós da Praça de Maio” que afrontavam os presentes com aqueles ridículos panos brancos na cabeça, com cartazes pedindo a condenação de todos os “terroristas de Estado” e gritando palavras atentatórias ao Pe. Von Wernich.


Durante todo este calvário o Pe. Christian só contou com o apoio dos grupos de Militares e familiares das vítimas do terrorismo. O chefe do Exército, Gen Roberto Bendini, declarou ao final do julgamento que “hoje, ‘somente’ através da Justiça pode-se iniciar um caminho que leve algum dia os argentinos à reconciliação nacional”, numa clara alusão à sua satisfação com o veredicto, sendo ele reconhecidamente de esquerda e bajulador de Kirchner.


De todas as punhaladas e pedradas que recebeu, entretanto, a mais traiçoeira e mortal veio da própria Igreja Católica, através do Comunicado da Comissão Nacional de Justiça e Paz que em nenhum momento abriu sua boca ou fez pronunciamentos para defender o Padre Von Werniche que só agora, depois de sua condenação perpétua, emite uma nota repugnante acreditando na “justiça” feita aos “jovens idealistas”. As vítimas e familiares desses terroristas que vão se danar, junto com o Padre Christian! Reproduzo abaixo a nota para que se perceba que também lá há duas igrejas: uma de Cristo e outra de Marx. É a esta que pertence a tal “Comissão de Justiça e Paz”.


“Ante o veredicto do tribunal que julgou o sacerdote Von Wernich, a Comissão Nacional de Justiça e Paz quer manifestar sua dor e seu pesar por todas aquelas ações diretas, em colaboração ou cumplicidade, que alguns integrantes da Igreja Católica puderam levar a cabo e que possibilitaram o seqüestro, a tortura e o desaparecimento de pessoas durante uma ditadura militar no país.


Queremos expresar nossa solidariedade com todas as vítimas desse período de nossa história e esperamos que a ação da justiça possa atuar como reparação e consolo para os sobreviventes, seus familiares e a de todos os desaparecidos.


E em nosso compromisso com o presente e olhando para o futuro para afiançar um espaço de amizade e diálogo entre os argentinos, que permita nos converter ‘de habitantes a cidadãos’, queremos afirmar que a violência, em qualquer de suas expressões, não é cristã nem evangélica e muito menos se não respeita os seres humanos e seus direitos elementares.


Que frente ao imperativo de que a justiça busque a verdade sobre o passado, o desafio de projetar uma nação sem excluídos nos ajude a encontrar os caminhos de encontro e reconciliação que tornem possível na justiça e na paz, a construção de uma pátria de irmãos.
Comissão Nacional de Justiça e Paz”.


A indignação com esta nota foi tão absurdamente grande, que amigos do Padre Christian Von Wernich disponibilizaram os e-mails dos bispos do Arcebispado 9 de Julho e eu os indico aqui também, porque esses servidores de Satanás foram piores do que Pilatos, uma vez que duante o julgamento entregaram seu servidor à própria sorte e no final, ainda se regozijaram com o infortúnio da vítima, pranteando os seus algozes. Segue abaixo os nomes, e-mails e telefones para quem quiser se dirigir a esta malta de INIMIGOS de Cristo:


arzobispado@arzbaires.org.ar – telefone: 4-343-0812;
Arcebispado de 9 de Julho – Monsenhor Marín de Elizalde - obispado@morea.dataco23.com.ar – Fone: 02317-42262.


Uma das cartas visivelmente indignadas foi a do Ten Cel Emilio Nani, herói da Guerra das Malvinas e do ataque ao Quartel La Tablada onde foi gravemente ferido e perdeu um olho (na foto com o tapa-olho), a qual reproduzo abaixo pois é de todas a mais contundente e reveladora. Quero, todavia, disponibilizar aqui o endereço do blog do Padre Christian e seu e-mail, onde vocês podem deixar uma mensagem de apoio. Em caso de enviar mensagem por e-mail, solicito que o façam em letras grandes porque ele tem dificuldades de vista. No blog você terão acesso à mensagem que ele escreveu após o veredicto que eu ia reproduzir e que muito me emocionou, mas preferi dar ênfase à do Cel Nani que me chegou depois e não está acessivel noutra publicação.


Antes de encerrar meus comentários, completamente consternada com esta injusta condenação, lembro dos dois últimos versículos das “Bem-Aventuranças” (ou Sermão da Montanha) que deve estar sempre presente em nosso espírito, de cada um de nós que, por Cristo, lutamos contra o demônio do comunismo:


“Bem-aventurados sereis vós, quando vos insultarem e perseguirem,
e mentindo disserem todo gênero de calúnias contra vós, por minha causa.
Exultai e alegrai-vos! Porque será grande a vossa recompensa no Reino dos Céus!”


É isto que direi ao Padre Christian Federico Von Wernich. Anotem: http://www.padrevonwernich.blogspot.com e christianvonwernich@gmail.com. Fiquem com Deus e até a próxima!


****

Senhor,
Bispo de 9 de Julho
Mons. Martín de Elizalde


De minha maior consideração:


Com estupor li no diário “Clarín” do dia 10, que uma nova iniqüidade se estaria por cometer com o Reverendo Padre Christian Von Wernich, desta vez pela mão da hierarquia eclesiástica, que longe de demonstrar a grandeza inspirada em Nosso Senhor Jesus Cristo, se somaria à chusma sedenta de sangue e repleta de ódios, rancores e sede de revachismo.


Fazer eco a um veredicto de um tribunal popular disfarçado de justiça, pelo qual desfilaram mendazes testemunhas aos que se lhes deu crédito de veracidade em suas repugnantes declarações, não faria mais do que convalidar o quão afastados estão os bispos da grei católica e o quão próximos se encontram de seus inimigos.


Expliquem-me o por quê de resposta tão veloz quando guardaram ominoso silêncio ante os crimes do padre Antonio Puigjané, contra o qual não só não se tomou nenhuma medida, como o cobiçaram e protegeram.


Expliquem-me o silêncio ante os crimes cometidos pelas organizações terroristas, como por exemplo os do Exército Montonero – do qual o padre Adur foi seu capelão - , ou as cumplicidades – entre outros – dos padres Mujica, Vernazza, Carbone, Capitanio, Cuberly, os irmãos Dri, os chamados padres palotinos, as monjas francesas, ou dos bispos Hesaynne, Novak e de Nevares, apenas para mencionar uns poucos, que não só convalidaram as mais de 20.000 ações perpetradas por elas na década de 70 (assassinatos seletivos, seqüestros, atentados com bombas, subjugação de cidades, unidades militares e delegacias, etc.), ao não emitir jamais a menor condenação e se foram severos críticos das ações das FFAA, em cumprimento de claras ordens governamentais.


Monsenhor, eu jamais senti ódios, apesar de ter sobejos motivos para isso: no ano de 1977 tentaram seqüestrar minha filha mais velha quando tinha apenas 5 anos de idade – coisa que jamais se apagou de sua mente - ; durante os anos 70 minha família foi vítima de graves ameaças e, como broche de ouro, em 23 de janeiro de 1989, durante a recuperação do Quartel de La Tablada atacado pela organização terrorista Movimiento Todos por la Patria, conduzida, entre outros, pelo padre Puigjané, estive a ponto de perder a vida ao ser gravemente ferido. Não satisfeitos com isso, estes “jovens idealistas” conduzidos por essa caricatura de sacerdote, não vacilaram em voltar a ameaçar minha família aproveitando-se das circunstâncias de encontrar-me internado em UTI. Hoje, como conseqüência das condutas ambíguas (ou talvez não tão ambíguas) de uma sociedade hipócrita – da qual o clero faz parte –, tenho o temor de começar a ter sentimentos que não quero albergar em meu espírito.


Depois dessas vivências, com tristeza e consternação, vejo que depois de tantos anos de silêncio os bispos decidiram rompê-lo, porém não para exigir a Verdade, como pediu o Cardeal Bergoglio, mas para referendar a mentira.


Ao proceder desta maneira, não farão mais do que agregar mais ressentimento ao que, desde 25 de maio de 2003, se veio fomentando desde os mais altos níveis dos poderes do Estado.


Que espécie de bispos são que, para reconciliar-se com a chusma terrorista que atacou a sociedade argentina, não vacilam em somar-se aos ataques contra os que a defenderam?


O que os faz converter-se em seres especuladores e complacentes que, para disfarçar os encargos de supostas cumplicidades com os que cumpriram com o sagrado dever de defender a Pátria, há mais de 30 anos, não duvidam um instante em aduzir ou demonstrar coincidências ideológicas com os que a atacaram?


Em que se converteram que não vacilam em agradar os terroristas enquistado nos poderes do Estado?


Que confiança podemos ter nesta categoria de pastores que têm um discurso diferente para cada circunstância?


Se o Sr. é capaz de dar respostas a estas perguntas, as receberei com muito gosto.


Creio que chegou o momento de definir de que lado estão, tirando definitivamente a máscara: se do lado dos que impulsionaram a agressão marxista e atacaram sistematicamente a Santa Igreja Católica Apostólica Romana ou do lado dos que jamais nos fastamos dela.


Atenciosamente,


Emilio Guillermo Nani
Tenente Coronel (R)
Veterano de Guerra


Comentários e traduções: G. Salgueiro






terça-feira, 9 de outubro de 2007






Na última edição do Notalatina eu havia prometido falar na edição seguinte sobre Cuba e a situação dos presos-políticos que estão sofrendo torturas e maus tratos que podem levá-los à morte. Infelizmente, o trabalho não me permitiu atualizar quando pretendi e menos ainda sobre o mencionado assunto.


Hoje, todavia, não poderia deixar de comemorar com júbilo esta data histórica, em que há 40 anos um mega-assassino foi “tirado de circulação”, esta “máquina de matar” apelidada de “el chancho” – “o porco” (com muita propriedade, pois não gostava de tomar banho), aquele cujo nome era Ernesto Guevara.


As ridículas “viúvas” desse monstro assassino ficaram muito indignadas com a matéria da revista Veja e, num ato que lembrava a juventude hitlerista da década de 30, integrantes do PC do B queimaram pilhas de revistas em frente à editora e o site do PT não economizou palavras para enaltecer o monstro e achincalhar a revista. O Senado brasileiro, por sua vez, numa demonstração vergonhosa e torpe de seu pendor em se transformar de fato num chiqueiro, num celeiro de gente da pior espécie sem nenhum estofo moral, ético e que mereça o nosso respeito, resolveu homengear esta figura infeliz justo no Dia da Avição, 23 de outubro, “esquecendo-se” de que esta é a data comemorativa de um grande brasileiro, Santos Dumont. Mas é bom que o “Pai da Aviação” não seja lembrado naquele lupanar pois, de vergonha, já basta o que passa o grande Ruy Barbosa e que já devia, há tempo, ter sido retirado de lá em respeito à sua honrosa biografia.


E para realizar minha comemoração em grande estilo – bem ao contrário da pretendida pelo Senado brasileiro -, traduzo um texto do Pedro Corzo, jornalista e documentarista cubano, um amigo muito querido, e autor de diversos documentários dentre os quais “Guevara: Anatomia de um mito”, cujo comentário e divulgação do vídeo, o Notalatina apresentou com exclusividade para o Brasil em 10 de novembro de 2005.


Este texto é, na verdade, a Parte I sobre a personalidade psicopática de Ernesto Guevara (que está dividida em três partes ou capítulos) de seu penúltimo livro “Cuba: Perfis do Poder” (o mais recente será lançado dia 12 deste mês, intitulado “Mártires do Escambray”) com o qual fui presenteada pelo autor, de quem recebi os direitos autorais de tradução e que será publicado no Brasil pela editora É Realizações, provavelmente no próximo ano, e que o Notalatina oferece hoje a seus leitores com exclusividade para o Brasil. Trata-se da biografia das cinco principais personalidades da revolução cubana, a saber: Fidel e Raúl Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e Ramiro Valdés, escrita com muito zelo e fidedignidade, pois traz depoimentos de vários cubanos que conviveram e conheceram pessoalmente estas personalidades.


A raça dos comunistas (de todos os matizes) só lembra de uma frase dita por este assassino contumaz que o transforma em um ser bom, dócil e terno. Creio que esse texto do Pedro Corzo desmonta completamente tal mentira tão fartamente propalada para fabricar um mito onde existia um monte de lixo humano, e acrescenta mais detalhes ao perfil deste “Apóstolo da Violência”, como ele muito apropriadamente o chama, aos tantos que os estudiosos do tema já sabem. Desfrutem e divulguem sem economia.
Fiquem com Deus e até a próxima!

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Ernesto Guevara: Apóstolo da Violência


Por Pedro Corzo


Primeira parte sobre Che do livro “Cuba: Perfis do Poder”


“Não sou Cristo nem um filantropo; sou todo o contrário de um Cristo”
Che


Não compreendemos como em um período histórico no qual a violência converteu-se em algo más que detestável, existam “pacifistas” que elaborem apologias a Ernesto Guevara, um indivíduo que, independente de doutrinas ou ideologias, foi um dos teóricos mais conseqüentes que teve a violência como prática política, em uma das etapas mais convulsivas de nossa América no passado Século XX.


Sua identificação com uma das personalidades mais desapiedadas da História Moderna, a faz notar em uma carta que dirige desde a Costa Rica à sua tia Beatriz, em 10 de dezembro de 1953: “Em El Paso tive a oportunidade de passar pelos domínios da United Fruit convencendo-me mais uma vez do quão terríveis são esses polvos capitalistas. Jurei ante uma foto do velho e pranteado kamarada Stalin, não descansar até ver aniquilados todos estes polvos capitalistas”.


O indivíduo que alguns pretendem apresentar como um ser justiceiro e de profundo espírito cristão, escreveu uma carta à sua mãe, em 15 de julho de 1956 de uma prisão mexicana: “Não sou Cristo nem um filantropo; sou todo o contrário de um Cristo. Luto pelas coisas nas quais acredito com todas as armas de que disponho e trato de deixar morto o outro, para que não me preguem em nenhuma cruz ou em nenhuma outra coisa”.


Miguel Sánchez, “El Coreano”, um dos que treinou os expedicionários do (iate) Granma, conheceu Ernesto Guevara no México. Refere que Guevara era uma pessoa isolada, pouco sociável e que lhe chamava a atenção sua crueldade com os animais. Conta que ele pegava gatas grávidas para fazer experiências médicas e que quando acabava com os filhotes os colocava em um saco que lançava violentamente contra o chão. Guevara não tinha problemas só com os gatos; na Sierra Maestra disse a um de seus subalternos: “Félix, esse cachorro não dá um latido mais; tu te encarregas de fazê-lo. Enforca-o. Ele não pode voltar a latir”.


Outro exemplo de seu caráter vilento e até certo ponto sádico, observa-se em uma carta que dirigiu à sua primeira esposa, Hilda Gadea, que se encontrava em Lima, Peru. Escreve ele em 28 de janeiro de 1957: “Querida velha. Aqui na selva cubana, vivo e sedento de sangue, escrevo estas ardentes linhas inspiradas em Martí. Como um soldado de verdade, ao menos estou sujo e maltrapilho, escrevo esta carta sobre um prato de lata, com uma arma a meu lado e algo novo: um cigarro na boca”.


Esta sede ele não demonstrou saciá-la. Segundo expõe Anderson em seu livro “Che”, várias fontes cubanas descreveram como ele assassinou Eutimio Guerra quando ficou evidente que ninguém tomaria a iniciativa. Isto ao que parece inclui Fidel, que após a ordem de matar Eutimio, sem indicar quem deveria cumprí-la, se afastou para proteger-se da chuva.


O assassinato de Eutimio Guerra foi presenciado pelo Comandante do exército rebelde, Jaime Costa, que refere que Guevara gritou: “se não fazem vocês, faço eu”, disparando de imediato no prisioneiro. Costa afirma que foi nessa ocasião que Guevara proferiu a frase “ante a dúvida, mata-o!”. Costa continua dizendo que os fuzilamentos sem julgamento que tiveram lugar na cidade de Santa Clara, nos primeiros dias de janeiro de 1959, foram decisão de Ernesto Guevara e não de Ramiro Valdés como afirmam alguns investigadores.


Ao crime somava a crueldade. Guevar conta em seu livro “Passagens da Guerra Revolucionária”, que haviam processado e executado dois indivíduos que haviam cometido vários assassinatos na Sierra, porém que depois simulou a execução de outros três que tiveram um grau menor de responsabilidade. A experiência que deveu ter sido extremamente traumática, é descrita por Guevara com a frieza de um forense: “Depois se realizou o fuzilamento simbólico de três dos rapazes que estavam mais ligados às trapalhadas do chinês Chang, porém aos quais Fidel considerou que se devia dar-lhes uma oportunidade; os três foram vendados e sujeitos ao rigor de um simulacro de fuzilamento. Depois dos disparos no ar, quando os três se deram conta de que estavam vivos, um deles me deu a mais estranha e espontânea demonstração de júbilo e reconhecimento em forma de um sonoro beijo, como se estivesse em frente a seu pai”.


Esta prática se repetiu inúmeras vezes depois do triunfo da insurreição; junto a pessoas que eram fuziladas se colocavam outras com as quais se simulava a execução, com o propósito de que se convertessem em delatores.


A disciplina que Che impunha entre seus homens era inflexível e cruenta. Sua falta de sensibilidade e misericórdia é percebida em um relato do seu livro “Passagens”, no qual ele descreve com orgulho como encontrou moribundo um combatente rebelde que, cumprindo ordens suas, foi enviado desarmado à primeira linha de frente, para adquirir um fuzil, já que o havia castigado tirando-lhe o seu porque havia dormido em uma guarda. Isto ocorreu durante os enfrentamentos que tiveram lugar na cidade de Santa Clara.


Sua conduta para com os militares do regime antigo foi ainda mais cruel. Procedeu execuções sem processos judiciais e sem garantias processuais. Afirma Jaime Costa que o responsável pelas primeiras execuções na cidade de Santa Clara foi Guevara e não Ramiro Valdés.


La Cabaña, seu primeiro comando depois do triunfo insurrecional, foi o bastião militar onde mais ex-militares e colaboradores da ditadura derrocada foram executados. Segundo a jornalista Hart Phillips, do New York Times, foram “uns 400 nos dois primeiros meses”; e testemunhos do jornalista Tetlon do London Daily Telegraph, “às vezes funcionavam quatro tribunais simultaneamente, sem advogados nem testemunhas de acusação, chegando a se julgar, contemplando a pena capital, até 80 pessoas em julgamentos coletivos”. Tetlon relata que ele (Guevara) ordenou pessoalmente, entre outras, a execução do tenente José Castaño Quevedo, cujo único crime foi ocupar a direção do Birô para a Repressão de Atividades Comunistas – BRAC -, uma vez que no processo não se efetuaram demandas contra o tenente.


Apesar das inúmeras afirmações e investigações que concluem que em La Cabaña foram executados várias centenas de pessoas, dezenas sob a responsabilidade do próprio Guevara, o ex-sacerdote Javier Arzuaga, paróco de Casablanca da Ordem de São Francisco e que assistiu espiritualmente a muitos dos fuzilados, refere em seu livro “Cuba 1959: A Galera da Morte” que, “não houve mais de cinqüenta e cinco fuzilamentos em La Cabaña” entre janeiro e junho de 1959. Segundo Arzuaga, que teve com Guevara várias entrevistas, o comandante era um homem incisivo que desde o primeiro encontro lhe afirmou que em seus prédios, La Cabaña era o único que dava formação política, religiosa e ideológica a seus soldados e que afirmou que haviam usado os capelães na Sierra Maestra porque neessitavam deles, porém que nesse momento não era assim, e simultaneamente lhe advertiu que havia muito o que julgar e fazer pagar, e que para isso haveria um paredão.


O ex-sacerdote, que evidentemente sentia algum tipo de admiração por Guevara e pelo processo revolucionário, um sentimento muito normal na época, o descreve como um indivíduo de muitas facetas. Segundo refere, o primeiro era um idealista radical que estava disposto a transformar tudo ou eliminá-lo segundo o caso. O outro, um Che obsesionado pela justiça igualitária que sem o menor reparo e sem se preocupar em absoluto pelos efeitos colaterais e as últimas conseqüências, irá aniquilando até reduzi-lo a pó, quando se lhe cruze o caminho, e pela justiça exemplarizante em cujo exercício a crueldade será um mal menor imprescindível” e o terceiro, um indivíduo que só pedia a alguém que fizesse o que ele também estava disposto a fazer.


Ele conta que as visitas de revisão de causa sempre eram presididas por Ernesto Guevara e que terminavam às vezes com algo mais que uma ratificação da pena de morte senão que lhe agregava, “a execução terá lugar esta noite”.


O padre Arzuaga, um homem muito bondoso, tratou de ajudar na medida do possível as pessoas que iam ser executadas e em seu livro há relatos realmente fortes porém, sem dúvida, o que melhor expõe a natureza violenta e sem piedade de Guevara foi o caso de Ariel Lima. Conta o padre que intercedeu em favor de Lima, 21 anos, que havia sido condenado à morte e que Guevara lhe disse que quem decidia esses assuntos era o Tribunal de Apelações. Afirma que presenciou a revisão da sentença que só durou meia hora, com a alegação de que fosse executado nessa mesma noite e que, terminada a sessão, Guevara caminhava pela rua cheia de pedras quando uma mulher correu e se prostrou ante ele; era a mãe de Ariel Lima. “Che deu-lhe a volta e uma vez do outro lado lhe disse: ‘senhora, lhe recomendo que fale com o Padre Javier que dizem que é um mestre consolando’. E dirigindo-se a mim, entre mandão e burlão, disse: é sua”. Conclui o ex-sacerdote escrevendo: “essa noite odiei o Che”.


Guevara era vingativo, não esquecia as ofensas porém só as cobrava quando estava seguro de ganhá-las sem conseqüências. Vários oficiais do exército rebelde confirmam as diferenças entre os comandantes Guevara e Jesús Carreras. O comandante Carreras enfrentou Guevara quando este chegou ao Escambray, a discussão foi muito forte, Carreras o desafiou e Guevara aduziu que entre revolucionários não havia que combater. Depois do triunfo da insurreição, Carreras foi perseguido por mais de dois anos até que foi envolvido na conspiração do também comandante William Morgan e foram executados os dois. Os comandantes Lázaro Asensio e Armando Fleites estão convencidos de que Guevara foi quem ordenou a execução de seu companheiro Jusús Carreras.


Como resenha interessante, pode-se destacar que em 1959 Guevara criou uma força subversiva na Bolívia através do embaixador cubano em La paz, José Tabares del Real. Este esforço desestabilizador estendeu-se até junho de 1961 e desdobrou-se contra o governo democrático de um político de forte aval revolucionário, Hernán Siles Suaso. Mais tarde tentou organizar uma revolução na Argentina para a qual se aliou com elementos peronistas. Este broto abortou quando as autoridades argentinas descobriram duas escolas de guerrilheiros e detiveram um instrutor militar cubano, José Ramón Alejandro. Posteriormente, a autoridades bonaerenses apresentaram documentos que mostravam que a Embaixada de Cuba em Buenos Aires era um centro subversivo que Guevara dirigia desde Havana.


Anos depois, através de Jorge Ricardo Masseti, fundador do Prensa Latina, Che organizou uma força guerrilheira identificada como Exército Guerrilheiro do Povo que, segundo alguns analistas, incorreu nos erros táticos que ele repetiria na Bolívia. Junto a Masseti, morto no Chaco argentino, - Che morreria no Chaco boliviano -, caíram dois oficiais do exército cubano que haviam sido homens de confiança de Guevara: Hermes Peña e Raúl Dávila.


Não resta dúvida de que Ernesto Guevara possuía uma imerecida reputação nos aspectos teórico e prático na guerra de guerrilhas, que Castro não tinha. Foi um dos propiciadores da Conferência Tricontinental de Havana, em princípios de 1966, que seria, segundo seus planos, o vetor para as revoluções que convulsionariam a América, a Ásia e a África.


Suas freqüentes e longas viagens pelo estrangeiro nas quais proferia incendiários discursos revolucionários, o foram convertendo em uma espécie de porta-voz da Revolução Mundial e seus contatos diretos com Ben Bella, Gamal Abdel Nasser, Sekou Toure, Joseph “Tito” Broz, Ahmed Sukarno e as cúpulas do poder na República Popular da China e Vietnã, acrescentavam seu prestígio de indivíduo comprometico com mudanças políticas radicais.


Uma anedota que Carlos Franqui conta em seu livro “Cuba, a Revolução, Mito ou Realidade”, reflete até que ponto Guevara acreditava nas medidas extremas como índice do progresso do projeto que defendia. Conta Franqui que durante uma visita à República Árabe Unida, Egito e Síria, Guevara perguntou a Gamal Abdel Nasser quantas pessoas haviam abandonado o país depois do triunfo de sua Revolução, ao que o líder egípcio respondeu: “Muito poucas”, ao que o guerrilheiro retrucou: “Isso significa que em sua revolução não aconteceu grande coisa; eu meço a profundidade de uma transformação social pelo número de pessoas afetadas por ela e que pensam que não têm lugar na nova sociedade”.


Entretanto, este homem que mataria e morreria por suas convicções, assume durante sua juventude uma conduta inexplicável. Nunca participou ativamente contra os movimentos fascistas e anti-judeus que existiam na Argentina, nem tampouco se vinculou aos que combatiam diretamente a ditadura de Juan Domingo Perón.


Apesar de sua condição de membro da Federação Universitária Buenos Aires, organismo dirigido por socialistas e comunistas, não leva vida de militante nem são conhecidos artigos ou discursos nos quais ele exponha suas opiniões sobre os problemas que seu país enfrentava naqueles dias. Em uma palavra, não se conhece de sua parte ações contra os atos de força do governo de Juan Domingo Perón.


Nos primeiros meses de 1965, Guevara visita vários países africanos, entre eles a Argélia e a República do Congo, Brazzaville, e oferece a Massemba Debat seu apoio na formação e preparação das forças guerrilheiras que estavam se formando nesse país para atacar o antigo Congo Belga, que estava sob o comando de José Mobutu. A proposta de Guevara é aceita, situação que põe de imediato ao conhecimento de Fidel Castro que, sem duvidar, lhe facilita os meios e recursos necessários. Nesta viagem Guevara também oferece ajuda ao movimento independentista angolano, dirigido por Agostinho Neto.


Para Castro e o “Che”, esta colaboração se emoldura perfeitamente em seus projetos de desestabilização e subversão, que por sua vez era uma ferramenta a mais para aumentar o protagonismo político e a hegemonia da Revolução e de seus líderes.


A cruenta guerra africana se acentua com a partida de Guevara para o Congo com um contingente de 125 guerrilheiros, perfeitamente treinados e melhor armados, todos veteranos da luta insurrecional contra o regime de Fulgencio Batista. Segundo Jorge Risquet, membro do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, os internacionalistas cubanos no Congo só perderam seis homens, sem dar detalhes de quantos guerrilheiros africanos morreram sob o comando de Ernesto Guevara.


As forças cubanas chegaram a Kinshasa depois de atravesar o lago Tanganica. Seis meses mais tarde, em dezembro de 1965, Guevara regressa a Havana com o resto de seu contingente, decepcionado com as guerrilhas congolesas. De todas as suas fracassadas ações bélicas, a menos conhecida é a do Congo. Nesse país africano ele cometeu erros táticos e estratégicos que repetiria uma vez mais na Bolívia.


Porém, bem, para asseverar seu apostolado de violências, reproduzimos algumas de suas proposições:


A – Durante sua intervenção na Assembléia Geral das Nações Unidas, em 11 de dezembro de 1964, Guevara expressou: “Nós temos que dizer aqui o que é uma verdade conhecida, que sempre expressamos ante o mundo: fuzilamento, sim, temos fuzilado, fuzilamos e continuaremos fuzilando enquanto for necessário. Nossa luta é uma luta de morte. Nós sabemos qual seria o resultado de uma batalha perdida e os “gusanos” (Che foi a primeira pessoa a usar esta expressão, que significa literalmente “vermes”, ao referir-se a qualquer inimigo. Hoje, é um chavão usado pela Nomenklatura cubana especificamente em relação aos dissidentes cubanos, sobretudo aqueles residentes em Miami. G.S.) também têm que saber qual é o resultado da batalha perdida hoje em Cuba”.


B – “O caminho pacífico está eliminado e a violência é inevitável. Para conseguir regimes socialistas deverão correr rios de sangue e deve-se continuar a rota da libertação, mesmo que seja a custa de milhões de vítimas atômicas”.


C – “O ódio como fator de luta, o ódio intransigente ao inimigo, que o impulsiona além das limitações naturais do ser humano e o converte em uma efetiva, violenta, seletiva e fria máquina de matar. Nossos soldados têm que ser assim; um povo sem ódio não pode triunfar sobre o inimigo brutal. Há que levar a guerra até onde o inimigo a leve: à sua casa, a seus locais de diversão; fazê-la total. Há que impedi-lo de ter um minuto de tranqüilidade, um minuto de sossego fora de seus quartéis e ainda dentro dos mesmos: atacá-lo onde quer que se encontre; fazê-lo sentir-se uma fera perseguida por cada lugar que transite. Então, seu moral irá decaindo. Se fará mais bestial ainda, porém, se notarão os sinais do decaimento que lhe assoma”.


Nota da tradutora: Este parece ter sido o “conselho” mais amplamente empregado em Cuba e que vige até hoje, tornado mais brutal e violento com o comando da ditadura nas mãos de Raúl há mais de um ano, o antes “apagado” irmão e “sombra” (mas também cérebro) do sanguinário Fidel. Mas, isto será tema para outra edição.


Fontes: “Ernesto Guevara, Mito e Realidade”, Enrique Ros.
“Passagens da Guerra Revolucionária”, Ernesto Che Guevara.
“Che”, Jon Lee Anderson.
“Cuba: Perfis do Poder”, Pedro Corzo.
Documentos, cartas, discursos e ensaios de Ernesto Guevara.


Pedro Corzo é jornalista e presidente do Instituto de la Memoria Histórica Cubana contra el Totalitarismo, que produziu, com a direção do cineasta Luis Guardia, o documentário sobre Ernesto Guevara intitulado: “Guevara: “Anatomia de um Mito”.


Artigo publicado originalmente por http://www.gentiuno.com


Comentários e traduções: G. Salgueiro


terça-feira, 18 de setembro de 2007





O Notalatina hoje denuncia um fato bastante insólito e revelador. Tenho por hábito, não por prazer pois sempre me causa repugnância mas por dever de ofício, assim que ligo o computador visitar vários sites comunas que vão do Granma Internacional, ao Rebelión, o Vermelho.org, o site do PT e finalmente o jornal Hora do Povo, panfleto incendiário e raivoso do bando terrorista MR-8, aquele do Franklin Martins, e que pertence ao PMDB de “seu” Renan.


Pois bem. Sábado me deparei com uma novidade: o jornaleco Hora do Povo está exibindo, em tempo real, o canal de tv estatal venezuelano “Venezolana de Televisión” (VTV). Lá, pode-se ver os pronunciamentos de Chávez, dos parlamentares da AN, enfim, é propaganda descarada do bolivarianismo chavista 24 horas por dia, ao vivo e de graça para todo o Brasil.


Não é novidade nenhuma a afinidade e comunhão de pensamento entre a ideologia castro-comuno-chavista e o governo brasileiro de “seu” Lula, afinal, eles são sócios e parceiros no Foro de São Paulo e o PMDB pertence à base aliada do governo, tendo entre muitos de seus partidários defensores ferrenhos do ditador Chávez. Entretanto, o inusitado é a agora descarada propaganda daquele governo ditatorial num site brasileiro que fica sendo exibido ao vivo enquanto se pode ler as matérias. Acessem e confiram: www.horadopovo.com.br.


A coisa que mais me chamou a atenção entretanto, é uma propaganda do “socialismo bolivariano” veiculada nos intervalos onde aparece uma estrela branca circundada de vermelho (exatamente igual a esta atrás do Marco Aurélio Garcia, na foto), idêntica à do PT, com os dizeres “Construyendo el socialismo bolivariano”.


Ora, qualquer pessoa que entenda minimamente de propaganda subliminar, sabe que o que vai ficar na cabeça oca de quem vir aquilo é que o PT está construindo o socialismo bolivariano e esta deve ter sido exatamente a intenção dos dois partidos – PT e PMDB -, uma vez que no seu 3º Encontro havido recentemente, o PT debateu o “Socialismo petista”.


Mas a pergunta que me inquieta desde que vi esta aberração, sábado 15 de setembro, 3 dias depois da absolvição de “seu” Renan, é: quanto$ petrodólare$ o MR-8 e seu pasquim estão levando para reproduzir ao vivo a revolução bolivariana do ditador Chávez no Brasil?


Até ontem só havia a reprodução da VTV mas hoje acrescentaram os banners da tv senado e da estatal do Paraná que, como todos sabem, o governador Roberto Requião é francamente chavista e defensor do socialismo bolivariano, tendo inclusive firmado vários acordos de cooperação entre o estado do Paraná e a Venezuela. Além desses fatos que toda a imprensa comenta abertamente, o deputado estadual pelo PP paranaense, Ney Leprevost, vem há tempo denunciando esta aproximação, bem como gastos com viagens de parlamentares à Venezuela de Chávez cujos valores e objetivos não são revelados ao público.


Não conheço este deputado a não ser por seus pronunciamentos, tampouco comungo de todas as suas proposições mas aplaudo esta iniciativa de denunciar a invasão do comuno-bolivarianismo em nossa terra, pois isto eu mesma venho fazendo há 5 anos e só agora as pessoas estão se dando conta do perigo da invasão castro-comuno-chavista em nosso país.


A reforma da constituição propugnada por Chávez, uma cópia fiel da constituição cubana, será analisada por mim proximamente em artigo para o site Mídia Sem Máscara mas, de antemão, alerto-os de que muitas das idéias ali contidas já estão nas cabeças do governo brasileiro, sobretudo no que diz respeito à educação, inclusive as famosas “missões” do programa de alfabetização cubano já são realidade, foi firmado acordo entre os Ministérios de Educação do Brasil e de Cuba e começam a funcionar no próximo mês de outubro no Piauí.


Se alguém quiser continuar sendo ingênuo o bastante para acreditar em coincidências que continue mas não diga que não foi alertado, porque esta excrescência está sendo implantada em nosso país em doses já não tão homeopáticas nem tão comedidas. “Eles” estão tirando as máscaras e mostrando toda a sua feiúra, agora sem qualquer pudor.


Na próxima edição oNotalatina vai até Cuba, a Cuba dos prisioneiros políticos e de consciência, e vai denunciar mais crimes que se cometem – sob os aplausos de gentinha sem caráter e conivente com o mal, como o governo brasileiro, artistas, formadores de opinião e “intelectuais orgânicos” – contra gente inocente e pacífica, cujo único crime é querer ver respeitados seus direitos como ser humano.
Fiquem com Deus e até a próxima!