sexta-feira, 20 de outubro de 2006




Por necessidade de trabalho fiquei sem atualizar o Notalatina por mais de dois meses mas hoje volto com uma denúncia gravíssima que diz respeito às relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela, com relação a um massacre ocorrido no estado de Bolívar naquele país vizinho. Em 22 de setembro pp. ocorreu um massacre contra mineiros, executado por um operativo das FAN, onde morreram brasileiros, mas os jornais daqui deram tanta importância quanto dariam à morte de um cachorro de rua atropelado por um carro. Vi algumas notinhas discretas mas a coisa morreu por aí porque, em tempo de eleição, não convém mostrar a inapetência do Itamaraty e do Governo de “seu” Lula em se indispor com seu amigo mais dileto e sócio do Foro de São Paulo, o ditador Hugo Chávez.


Pois bem, o caso foi o seguinte. O estado de Bolívar, ao sul da Venezuela, é uma área rica em minérios, sobretudo ouro. Há na região muitas áreas de garimpo que funcionam há anos e nunca os mineiros foram molestados por seu trabalho. Durante os quase 7 anos de governo o ditador Chávez nunca se importou com o dano ambiental que pudesse ocorrer ali mas, este ano, junto com a Ministra do Ambiente, ele entendeu que deveria acabar com o garimpo alegando que “a extração iria prejudicar o leito dos rios”. Para isso, criou a “Missão Ribas” oferecendo cédulas de identidade venezuelana (esta é uma área – o garimpo – onde há muitos estrangeiros e sobretudo ilegais), camisa vermelha e outras terras onde eles pudessem trabalhar na agricultura. Como não sabem cuidar da terra mas da extração de minérios, alguns garimpeiros voltaram para as minas.


A tragédia tem origem em corrupção antiga. Quem vigiava a região (que envolve várias minas) era o CORE 8, ou seja, a Guarda Nacional. Ocorre que o Brasil, desde antes do governo Lula, comprava minérios a preço de mercado enquanto que o da Venezuela comprava por menos da metade do preço. Então os mineiros contrabandeavam os minerais e metais com o Brasil e a Guarda Nacional associou-se aos mineiros por uma parte do botim, e até fechou os olhos a um aeroporto clandestino de onde embarcavam ouro e diamantes para o Brasil sem maiores problemas.


Chávez descobriu isso e resolveu substituir a Guarda Nacional pelo Exército no Teatro de Operações, com a missão de desalojar os mineiros daquela área com a falsa alegação de “danos ambientais”. Estes militares, em vez de se associarem aos mineiros decidiram roubá-los, motivo pelo qual resolveram assassiná-los como queima de arquivo. O ministro do Interior e Justiça (chavista), Jesse Chacón, para encobrir o malfeito de seus capachos apressou-se em dizer que os militares “reagiram a um enfrentamento”, sendo apoiado na mentira pelo general Raúl Baduel, o super ministro da Defesa. A coisa, entretanto, foi tão absurda e grotesca, pois os mortos apresentavam várias perfurações de fuzil, sobretudo nas costas e nuca, enquanto os militares não tinham sequer um arranhão, que esses dois puxa-sacos bolivarianos tiveram que voltar atrás e dizer que os militares cometeram “atropelos e excessos” - tanto os bolivarianos como os petistas não cometem crimes mas “erros”, “atropelos” e “burrices”.


Mas a história não pára por aí. A princípio falou-se que as vítimas seriam 6 homens, dois dos quais de nacionalidade brasileira, e um sobrevivente venezuelano de nome Manuel Felipe Lizardi que levou um tiro no pescoço e outro no ombro mas sobreviveu. Segundo Marcos Lizardi, irmão de Manuel, efetivos do Teatro de Operações 5 (TO-5) chegaram na mina, obrigaram os mineiros a deitar-se no chão e dispararam seus fuzis. Alguns correram em direção ao rio, outros para dentro da mata tentando escapar dos seus algozes. Nessa fuga Manuel conseguiu sobreviver e pôde relatar o que se passou, após ser operado, mas nem todos tiveram a mesma sorte. Muitos dos que fugiram pelo rio morreram afogados mas há muitos outros ainda, cuja quantidade exata é dificil calcular, pois os militares os colocaram dentro do helicóptero e os jogaram na mata fechada para ocultar seus corpos.


Os mineiros sobreviventes contam ainda que esses militares chegaram num helicóptero russo e os disparos foram feitos com as novas metralhadoras AK 103, do lote dos 100 mil que foram adquiridas da Rússia pelo ditador Chávez. Algumas mulheres que estavam no acampamento foram seviciadas, o ouro roubado e as bateias destruídas para que os mineiros não mais pudessem trabalhar.


A revolta em decorrência do massacre e do cinismo do Governo em alegar “enfrentamento” gerou uma onda de violência nas cidades do circuito mineiro. Em Maripa, foram saqueadas e incendiadas a casa do prefeito Juan Carlos Figarella, o posto de controle da Quinta Divisão de Selva do Exército e uma caminhonete da prefeitura. Testemunhas contam que os militares atacaram 300 pessoas e foram para as minas pegar o ouro. Alguns que conseguiram voltar disseram que há umas 100 pessoas desaparecidas. Eles alegam que 10 kilos de ouro, resultado de longas horas de trabalho, foram roubados.


Hoje, especula-se que há em torno de 12 brasileiros entre os assassinados em La Paragua. Os corpos que foram levados para o Instituto de Medicina Legal, até o dia 04 de outubro estavam em avançado estado de decomposição, por não terem sido conservados para a necrópsia e aguardando a chegada de parentes para a identificação. Segundo o jornal Folha de Boa Vista, a funcionária pública Maria Jucineuda Sobral viajou até a Venezuela para fazer a identificação do corpo do cunhado, o garimpeiro Eliézio Alves Barros de 49 anos conhecido como “Fogoió”. Conta Jucineuda que os projéteis ainda estavam nos corpos e que, segundo o IML, não foram conservados “por falta de energia elétrica” e que estavam “aguardando chegar um aparelho de Caracas para fazer a necrópsia”.


Ainda segundo ela, o clima continua tenso “com os helicópteros do Exército fazendo vôos razantes na cidade. O povo se esconde nas casas com medo de novos ataque; quando os helicópteros sobem, a multidão volta para o meio da rua chamando-os de assassinos”. As fotos que publico nesta edição mostram bem o estado de ânimo e a revolta dos moradores de La Paragua.


Segundo o Consulado do Brasil em Ciudad Guayana, há cerca de 4 mil garimpeiros trabalhando na área, sendo que entre 1.500 e 2.000 são brasileiros. As associações de garimpeiros do estado de Bolívar denunciaram aos órgãos internacionais o massacre dos garimpeiros ocorrido em La Paragua e Alto Caura e pediram a destituição do Procurador-Geral da República por “não ter imposto rigor nas investigações do Exército”. A Procuradoria Militar ordenou a detenção dos 18 militares envolvidos no massacre, acusados de “abuso de autoridade, desvio de funções e atos contra o decoro militar”. Dos crimes de assassinato, reais e brutais, nada foi dito até o momento. O ditador Chávez disse a respeito dos “seus meninos” que houve um “uso excessivo das armas de um grupo de militares”, e que, “as necrópsias apontam para um uso abusivo das armas de guerra”, armas que ele comprou e pôs nas mãos de irresponsáveis delinqüentes como ele próprio, para assassinar seu próprio povo.


Agora, o que os jornais convenientemente não informam é que aquela área do estado de Bolívar é rica em urânio, que o ditador Chávez tem fornecido ao Irã em seus inúmeros acordos, fato já denunciado aqui no Notalatina há bastante tempo.


Neste massacre brutal foram também assassinados mineiros guianos e o governo daquele país agiu como se espera de um mandatário que sabe de suas responsabilidades para com seu povo e sua nação: pediu explicações formais e exigiu a punição dos criminosos e a reparação por parte do governo da Venezuela. Mas, e o Brasil, como se comportou neste episódio insólito? Onde estava o sr. Marco Aurélio Garcia, o poderoso MAG, amigo das FARC e de Fidel Castro? Onde estava o chanceler Celso Amorim? E o embaixador da Venezuela no Brasil, onde estava e o que falou? Quando Israel atacou o Líbano por causa da prisão de seus soldados ocorrido há alguns meses, estes mesmos “senhores” foram pedir explicações à embaixada de Israel no Brasil, como se a embaixada de Israel no Brasil fosse responsável pela invasão (mais do que justa!) naquele país do Oriente Médio.


O Brasil não fez ABSOLUTAMENTE NADA por seus filhos assassinados porque eles eram potencialmente “inimigos” da revolução bolivariana e porque não rendiam votos ao presidente-candidato do Brasil. O Brasil não fez NADA porque não há “incidente diplomático” entre membros de uma mega organização comuno-terrorista chamada FORO DE SÃO PAULO, como do mesmo modo o Brasil nada fez em relação às expropriações criminosas de fazendeiros brasileiros, nem à afronta sofrida pela Petrobras, ambos os casos na Bolívia, por determinação do estúpido índio cocalero que está destruindo e devastando tudo depois que foi graciosamente alçado à presidência do país, com a ajuda deste mesmo maldito Foro, de Lula, Chávez e Fidel Castro.


Quero deixar registrada aqui esta denúncia para que todos possam ver em “quem” pensa e com “quem” se preocupa o sr. da Silva. Na reta final das eleições que decidirão o futuro do Brasil e da América Latina, peço aos amigos que leiam e analisem com redobrada atenção a denúncia feita nesta edição de hoje. Fiquem com Deus e até a próxima!


Comentários: G.Salgueiro

quinta-feira, 17 de agosto de 2006



Enquanto os olhos de toda a mídia mundial estavam nas últimas semanas postados no Oriente Médio, no conflito desencadeado pelo bando terrorista Hizbollah contra Israel, e em Cuba, com a passagem de comando do ditador Castro para seu “sucessor” Raúl e o aniversário dos 80 anos do tirano assassino do Caribe, na Venezuela do ditador Chávez a repressão dos órgãos policiais do Estado – DIM e DISIP -, “trabalhava” em silêncio para “dobrar” os presos políticos, sobretudo Militares.


Essa questão do Oriente Médio não discuto porque é um tema que está longe dos meus estudos e não tenho competência para analisar, embora não me furte a condenar com veemência o serviço de desinformatzyia de toda a mídia mundial, sobretudo do Brasil que, mesmo provado e denunciado pela própria Agência Reuters de que as “vítimas” libanesas foram criadas com o prestimoso recurso do Photoshop e o jornalista fraudador demitido, continua-se divulgando pela rede e em artigos de sites informativos o “massacre sangrento” desencadeado pelos malvados soldados israelenses sob os aplausos do novo Hitler, Bush. Não dá para suportar tanta cegueira auto-imposta e tanta estupidez coletiva.


E a nova situação que vive Cuba com essa coisa inominável de “passagem de comando da ditadura”, vai ficar para outra edição porque há muita história encoberta que precisa vir à luz e fugiria aos meus propósitos de hoje se fosse falar nisso também.


No início desta semana aconteceu um fato espetacular na Venezuela, precisamente entre os dias 13 e 14, com a fuga de 4 presos de um presídio de segurança máxima. Dentre outros tantos presos políticos que o regime castro-chavista alberga, estavam na prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, o líder Carlos Ortega, presidente da CTV e três militares de uma mesma família: os irmãos Coronéis Jesús e Darío Faría e o sobrinho de ambos, o Capitão Rafael Angel Faría. A Carlos Ortega se imputava o delito de “Rebelião Civil” responsabilizado pela greve petroleira em 2003 e uma condenação de quase 16 anos, e aos Militares 9 anos cada, pelo delito de “Rebelião Militar”.


Essa “rebelião militar” foi a coisa mais estúpida, mais forjada e mais criminosa de que já se teve notícia e que ficou conhecido na Venezuela como o caso dos para-militares ou “Paracachitos”. Na ocasião o Notalatina denunciou esta farsa macabra mas, para quem não conhece, explico o que aconteceu.


Havia na Venezuela um escritor e jornalista cubano-venezuelano, Robert Alonso, proprietário de uma bela fazenda chamada Daktari e que fora construída com sacrifício ao longo de muitos anos de sua vida, onde nasceram e cresciam seus filhos. Em princípios de 2004, uma mega-operação montada pelo regime castro-chavista “encontra”, alojados nesta fazenda, nada menos que 100 jovens que, segunda a fraude oficialista afirmava, eram “para-militares colombianos contratados por Alonso para atentar contra a vida do magnânimo líder Chávez”.


Robert Alonso sendo cubano e conhecendo bem as artimanhas do castro-comunismo, denunciava e se expunha publicamente contra o regime chavista que não encontrava meios legais de incriminá-lo, até que resolvem montar a farsa desse grupo para-militar colombiano. A polícia prendeu os rapazes e Alonso foi incriminado por um delito que jamais cometeu – de contratar terroristas colombianos para assassinar Chávez - e, para escapar de uma prisão injusta, pediu asilo político nos Estados Unidos onde vive hoje.


E onde entram esses militares na história dos “paracachitos”? Foram eles que descobriram e denunciaram a farsa governamental e por isso foram presos! Esses 100 rapazes foram trazidos da Colômbia pelo governo de Chávez com a promessa de que lhes seria oferecido emprego, estudo e residência. Eram uns pobres camponeses indígenas cujas famílias se mostraram “agradecidas” pela ajuda e eles felizes, pela “oportunidade” de um futuro melhor.


Ao serem presos, constatou-se que não havia entre os “terroristas” uma arma sequer, porque o plano fora desmantelado antes da hora, por esses militares que hoje são acusados de “rebelião militar”, não dando tempo de montar o espetáculo convenientemente. Aos “paracachitos” foi dado um julgamento que desrespeitava as leis e os direitos humanos, sendo na época, denunciado pelos jornais, uma vez que não houve qualquer tipo de violência, nem armas, nem um tiro dado mas eles foram presos e o maldito Chávez, que os contratou, abandonou-os a um julgamento espúrio e à prisão, entregues à própria sorte.


O Cel Jesús Faría explica neste audio (que o Notalatina divulga com exclusividade) gravado no domingo 13 de agosto, que não teria qualquer direito por muitíssimos anos. Teria como companhia apenas grades de uma cela sem água para seu uso pessoal e higiene da mesma, numa penitenciária blindada como se fosse um criminoso de altíssima periculosidade.


Pode-se ler no Boletim de Notificação do Tribunal Militar Primeiro de Execuções de Sentenças, assinada pelo Juiz Militar, Capitão de Corveta Aniole Infante Beberaggi, com data de 19.07.2006, que “ao Coronel da Guarda Nacional Jesús Faría, em visita que lhe dispensara na penitenciária de Ramos Verde onde se encontrava encarcerado, que o direito a solicitar o Benefício de Liberdade Condicional, seria a partir de 13 de maio de 2010, havendo cumprido já dois anos, dois mese e quatro dias na data de 17 de julho de 2006 da setença de 9 anos”. E no mesmo são notificadas as penas “acessórias”: “interdição civil, inabilitação política e afastamento do serviço ativo”. Isto é “justiça comunista” me fazendo lembrar sempre, sempre e sempre os julgamentos de Stálim!


Bem, com a fuga absolutamente pacífica destes quatro inocentes, que atravessaram e abriram cada uma das 4 portas até a liberdade sem uso de qualquer tipo de arma ou violência, a repressão brutal começou contra os outros presos que continuam detidos. No dia 14 recebi a notícia que reproduzo na íntegra, para que se possa ter uma idéia da malignidade do regime que, muito provavelmente, está utilizando “interrogadores” do G2 cubano, como já ocorreu em outras ocasiões, inclusive terminando com a morte dos interrogados.


“Hoje levaram de Ramo Verde o efetivo Luis Figueroa (GN), um dos presos, encarcerado no mesmo andar que os Faría. O levaram sem ordem judicial, sem permissão do tribunal que o sentenciou em La Guaira e sem notificação de seu advogado. O trouxeram de volta todo golpeado e cuspindo sangue (até esta hora) e o ‘avisaram’ de que amanhã vão pôr o Capitão Otto Gebauer, companheiro de cela de Carlos Ortega no 3º andar, e condenado a 12 anos, 6 meses, 22 dias e 5 horas (vejam o absurdo da “precisão”!) por haver sido testemunha das debilidades de Fidelito em 12 e 13 de abril de 2002, quando esteve sob custódia das FAN.


Isto tem que ser espalhado como rastilho de pólvora e responsabilizar o regime do que possa acontecer, não só ao Capitão Gebauer ou aos demais reclusos de Ramo Verde, mas aos custodiados e pessoal da guarda da Instituição. Não queiram tapar sua mediocridade e negligência com o sangue que lhes pode pesar duas vezes.


Por favor, os que são crentes acompanhem com suas orações de proteção os fugitivos, aos seus familiares e amigos, aos reclusos de Ramo Verde que ficaram incomunicados e a mercê deste regime de assassinos, e aos soldados guardas e pessoal da guarda da instituição, que são o lado mais frágil. Para todos eles, minhas orações, minha solidariedade e minha admiração”.


Hoje não tive qualquer nova notícia, a não ser que o delinqüente Chávez está possesso e “endureceu” ainda mais a repressão. Enquanto ele se deleitava e derretia em afagos e carinhos com o vivíssimo e saudabilíssimo abutre assassino mumificado Fidel, as portas de sua prisão de segurança máxima se abriam de par em par para oferecer liberdade a quem nunca deveria tê-la perdido.


Que Deus proteja cada um desses Militares e civil que conseguiram por milagre escapar do inferno com vida e sem serem molestados, e que Deus conceda igual sorte aos incontáveis presos políticos cubanos que apodrecem em vida nas mais de 300 prisões inumanas da ilha-cárcere sem que haja um só reclamo por parte desta horda de “defensores dos direitos humanos”, “intelectuais”, “artistas”, “formadores de opinião” do mundo inteiro que se solidarizam e até “rezam” pela plena recuperação do mais sanguinário e diabólico ditador da América Latina.


Na próxima edição prometo falar sobre a situação mais anormal do que nunca que se vive hoje em Cuba. Fiquem com Deus e até a próxima!


Comentários e tradução: G. Salgueiro

sábado, 5 de agosto de 2006


As cobras já começaram a se picar em Cuba. Há muito boato misturado com verdades que nunca chegaram ao conhecimento do grande público, sobretudo os cubanos e há, mais do que isso, informações omitidas, silêncios injustificados, “mistérios” inalcansáveis.


Especula-se muito na imprensa acerca da real situação do velho tirano: há quem diga que ele já está morto e o regime estica a mentira da convalescença até que se ajeite a nova estrutura de poder – disputada a tapa; outros, afirmam que sequer aquela declaração passando o comando ao seu irmão Raúl foi escrita por ele, e que a assinatura constante no documento é falsa. A verdade é que há mais mistérios do que supõe nossa vã filosofia, não entre o céu e a terra, mas num ponto específico do Caribe, em torno de um monstro assassino que tem em seu haver milhares de mortes de gente inocente.


Nada se sabe de concreto a respeito desta situação tão ansiada por milhares de pessoas no mundo todo. Ninguém sabe em qual hospital internou-se o tirano; ninguém sabe “quem” o operou; ninguém tem sequer o direito de perguntar como estão as coisas e jornalistas não credenciados à Ilha estão sendo mandados de volta ao seu país do aeroporto mesmo, sem permissão de entrar sequer como turista, coisa que em países livres e civilizados jamais aconteceria. Apenas todos esperam calados e pacientes que as notícias sejam dadas do modo que o regime acha conveniente. Nos jornais oficiais, Granma e Juventud Rebelde, só há evasivas, como se faltasse o que falar. O ministro da Saúde cubano, José Ramón Balaguer, diz que “o comandante passa bem”, e quem quiser que acredite e se contente com esta “esclarecedora” informação.


Por outro lado, é estarrecedora a comoção que tomou conta de alguns setores da Igreja Católica. No Peru, foi oficiada uma missa na Basílica de Nossa Senhora das Mercês, pelo padre Marcial Tejada, que exortou as centenas de participantes a pedir pela saúde do “lider revolucionário” para que ele se levante são e salvo. Segundo palavras do tal “padre”: “Nos alegramos de nos unir para oferecer nossas preces com carinho e afeto para Fidel Castro”, após revelar sua admiração pelo “estadista que conduziu os destinos dos cubanos durante os últimos 47 anos”. Que meigo, que terno!...


Já a Conferência dos Bispos Católicos de Cuba (COCC) (seria uma sucursal da CNB do B?) emitiu uma nota aos fiéis católicos que dizia: “Os Bispos de Cuba pedimos a todas as nossas comunidades que ofereçam orações para que Deus acompanhe em sua enfermidade o Presidente Fidel Castro e ilumine aos que receberam provisoriamente as responsabilidade de Governo” e mais adiante, “o delicado estado de saúde de Castro é um momento especialmente significativo para o povo cubano”, e que a Igreja Católica “compartilha desta preocupação e das súplicas de todos os crentes”.


Não posso me calar diante de tamanha afronta! Quantas vezes esses “bispos” se preocuparam com o destino daqueles miseráveis encarcerados injustamente nas masmorras infectas, por ordem deste amaldiçoado que ora agoniza? Quantas vezes esses malditos “bispos” rezaram uma ave-maria pelos fuzilados por este mesmo abjeto assassino, justo por serem Cristãos? Quantas vezes estes “pastores” comunistas lembraram de pedir que se rezasse pela saúde do Dr. Guillermo Fariñas que agoniza por uma greve de fome desde 31 de janeiro, para que este ditador moribundo permitisse a todos os cubanos o direito de acesso à Internet? Quantas noites insones de vigília passaram estes abomináveis “bispos”, orando pelos milhares de bebês abortados por ordem deste maldito regime ditatorial, presidido por este verme que se ultima? Quantas vezes eles “exortaram” os fiéis para unir-se em preces pelos que morrem a míngua, de fome, perseguidos, torturados, escravizados, sem assistência médica e carentes de tudo nesta mesma Cuba oprimida pelo quase-defunto Castro? E o Vaticano, quando emitirá nota unindo-se às preces deste clero sinistro e nefando, que cospe sem pudor sobre a Cruz de Cristo, para “seu irmão” enfermo?


Os que lerem este ato de repúdio que registro aqui que julguem quem está com a razão. São 47 anos de sangue inocente derramado que agora o mundo inteiro esquece e apaga da História, aliás, que cuidou-se sempre e muito zelozamente de negar ao conhecimento público, como se não fossem vidas humanas que sofreram sob o jugo de um homem só, perverso até a mais ínfima parcela de seu ser.


Ontem à noite recebi uma informação que dizia ser “de fonte confiável”, que repasso sem confirmação, dando conta de que Castro já estaria morto e Raúl havia sido baleado numa disputa pelo poder com outros generais. Como nenhuma informação oficial é fornecida, nem para os cubanos da ilha nem para o mundo, é difícil saber o que de fato está ocorrendo nos bastidores deste teatro do absurdo. Acho pouco provável que esta notícia seja verdadeira mas também não posso descartá-la totalmente; só o tempo dirá se confere com a realidade.


Como se sabe, Raúl Castro não é bem quisto, nem nas Forças Armadas nem no PCC e sua ascenção não deve estar sendo bem digerida, embora todos sempre soubessem que está escrito na Constituição que ele seria o substituto de Fidel após sua morte. Todavia, saber não significa “aceitar” e não creio que os que ficaram de fora do butim estejam aceitando tudo isso pacificamente. Um deles, que sempre andou colado ao velho abutre e que defende a “revolução” com unhas e dentes é o ministro das Relações Exteriores Felipe Pérez Roque; outro que não creio que fique quieto sendo solenemente ignorado, como foi, é o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, um sujeito ambicioso que se acha mais competente que Raúl e com desenvoltura suficiente para tomar as rédeas do país.


De qualquer modo, tudo o que temos são especulações, fantasias, boatos e previsões; nada além disso. Não creio que este mega-assasino sobreviva ao aniversário dos 80 anos, em 13 de agosto, tão alardeado mundo afora mas penso que a notícia de sua morte – se ocorreu ou ocorrer - será guardada para depois desta data, a fim de não estragar a festa e manter-se o mito de sua boa saúde e longevidade. Como faço aniversário dois dias antes deste ser abominável, agradeceria infinitamente a Deus se Ele me presenteasse com a partida definitiva deste ser nefasto da face da terra.


E para encerrar o Notalatina de hoje, publico abaixo uma análise da situação de Cuba feita pelo jornalista Nelson Rubio em que ele aborda alguns aspectos desta luta pelo poder na Ilha. Tenham um ótimo final se semana, fiquem com Deus e até a próxima (que pode ser a qualquer momento em edição extra).

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Cuba: a luta pelo poder


Nelson Rubio, jornalista de Noticias 1140 AM


Raúl Castro tem as rédeas do poder em Cuba, porém permanece invisível para os cubanos, alimentando uma grande incerteza sobre o futuro da ilha que continua pendente da saúde do ditador cubano Fidel Castro, enquanto se detectou uma discreta mobilização de seguranças e efetivos das Forças Armadas.


Informações fidedignas divergentes em Havana apontam para um crescente protagonismo do general Julio Casas Regueiro, presidente do Grupo de Administração Empresarial (GAESA), ante a resistência que Raúl Castro está encontrando para ser admitido como pleno sucessor de Fidel Castro, cuja situação e paradeiro são um mistério total.


Alarcón não admite ser marginalizado


Várias fontes assinalaram que em Cuba se está vivendo nestes momentos uma pimeira luta política entre Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento cubano e Raúl Castro. Informações contrastadas apontam Raúl Castro como autor do “testamento político” de Fidel Castro, o Proclama lido através da televisão, que ratificou máximos poderes para Raúl, porém eliminou do novo núcleo duro da Revolução Ricardo Alarcón, de 69 anos, defensor intransigente do sistema de partido único.


Os eixos que Raúl Castro busca


Nestas primeiras horas de confusão, a primeira luta política se perfilaria entre Alarcón e Raúl Castro, que quer consolidar uma transição pacífica sobre vários eixos: José Ramón Balaguer (direção de programas de saúde); José Ramón Machado Ventura, Esteban Lazo (educação) e Carlos Lage (planos energéticos). Porém, Alarcón teria ameaçado de frustrar esses planos ao assinalar que tem vídeos do desdobramento da operação de Fidel Castro para rebater o rumor difundido em Cuba de que ele morreu na operação.


Vizinhos de bairros da capital comentaram à Agência AFP que as Brigadas de Resposta Rápida e grupos de partidários mobilizados nos centros de trabalho, permanecem ativados para repelir eventuais ações da oposição interna.


Uma bomba no meio do folhetim brasileiro


Em Havana se mantém um estado de preocupação ante o vazio de poder aberto desde a noite de segunda-feira, no momento em que todas as casas de Cuba com televisão estavam dependentes do folhetim popular brasileiro “Senhora do Destino”. Na quarta-feira pela manhã, as únicas notícias nos diários Granma e Juventud Rebelde remetiam ao Proclama de Fidel Castro. Ante este silêncio e a opacidade de Raúl Castro, Ricardo Alarcón irrompeu de novo declarando à Agência Prensa Latina que Fidel Castro se recupera bem e está com bom ânimo.


Casas e Rodríguez, em primeiro plano


Esta declaração surpreendente de Ricardo Alarcón, um homem que fala inglês fluente e que atuou como porta-voz durante sua etapa nas Nações Unidas, como posteriormente ante as principais cadeias de televisão dos Estados Unidos, aumentou a incerteza sobre o poder de Raúl Castro no momento em que parece produzir-se a primeira controvérsia entre o sistema de partido único ou um cenário que abra oportunidade aos movimentos opositores.


O general Julio Casas Regueiro e o major Luis Alberto Rodríguez López-Calleja (genro de Raúl Castro) teriam rechaçado o chamamento de Ricardo Alarcón à mobilização das Brigadas de Resposta Rápida. O general Casas mantém o apoio do Exército e Raúl Castro como sucessor legítimo de Fidel Castro, com o primeiro objetivo de garantir uma tranqüilidade econômica que não colapse o setor turístico.


A prova da Cúpula dos Não-Alinhados


Várias fontes indicam que Raúl Castro fixou em 2 de dezembro a data limite para concluir esta primeira transição. Raúl Castro esperaria até a celebração da Cúpula dos Não-Alinhados, pautada entre 11 e 16 de setembro, para aparecer como o novo líder da revolução cubana.


Porém, antes da trasmissão da Mesa Redonda, onde Fidel Castro supostamente enviou uma segunda mensagem, Alarcón teria ameaçado em frustrar eses planos ao assinalar que tem vídeos das radiografias e do desenrolar da cirurgia de Fidel Castro, para rebater o rumor difundido em Cuba de que ele havia morrido na operação. O que está ocorrendo em Cuba corrobora de forma paradoxal o chiste bobo que um dia Raúl Castro utilizou, sobre o que se passaria no dia do desaparecimento de Fidel Castro. “É impossível sabê-lo porque não se pode substituir um elefante por cem coelhos”, disse então. Deu, naquele momento, as pistas do que parece agora se viver na Ilha.


Comentários e tradução: G. Salgueiro

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Está causando muito rebuliço a notícia veiculada ontem à noite sobre o afastamento oficial do ditador Fidel Castro, e a passagem do bastão para seu irmão Raúl, seu sucessor à ditadura hereditária na desventurada Cuba.


A notícia espalhou-se como rastilho de pólvora dando conta de que o senil criminoso havia tido uma hemorragia intestinal e que fora necessário um intervenção cirúrgica. Fui informada ontem mesmo, por uma amiga cubana residente em Miami que falava do anúncio feito pela televisão, e que pode ser conferido aqui, onde o sanguinário ditador alega que a última viagem feita à Córdoba, para participar da Cúpula do MERCOSUL, tinha sido um esforço “muito grande” para a sua debilitada saúde. As pessoas ficaram estupefatas, num primeiro momento, mas em seguida foram às ruas comemorar, conforme se pode ver na foto que ilustra a edição de hoje e através destes vídeos tomados em Fort Lauderdale, Sul da Flórida e Miami-Dade.


A reação à notícia nos Estados Unidos, onde se concentra a maior comunidade de exilados cubanos, foi controvertida: alguns já comemoram a morte de Fidel, outros vêem com ceticismo e chegam mesmo a declarar que esse afastamento pode ter sido mais uma trampa mas o fato é que todos, de algum modo, sentem-se felizes e aliviados ao saber que pelo menos por um dia, Cuba saiu oficialmente das mãos de seu carrasco que a mantém sob controle férreo há mais de 47 anos.


Dezenas de pessoas da comunidade cubana em Miami se encontraram ontem à noite na “Pequena Havana”, mesmo local onde o presidente Bush tomou o café da manhã nesta segunda-feira, em um ambiente festivo, tocando buzinas e gritando “Viva Cuba!” e “Liberdade!”, após o anúncio de que Castro havia delegado o poder “provisoriamente”. Pouco depois do anúncio, difundido pela televisão cubana, os manifestantes começaram a se reunir. “Isto nos pegou de surpresa. Ninguém imaginava que isto poderia acontecer depois do 26 de julho à hoje”, disse desde Cuba, a economista dissidente cubana Martha Beatriz Roque, na cadeia de televisão Univisión.


Também no âmbito político o cenário visto, sobretudo nos Estados Unidos, é de apreensão e cautela. Conforme referi em edições passadas, percebo que esta “transição” vem se dando gradualmente, pois o “sucessor” oficial (escrever isto sempre me soa mal, pois como é que um mísero homem pode dominar um país inteiro por quase meio século e ainda impor que depois de sua morte seu irmão dê continuidade a essa auto-imposta “dinastia sangrenta”? E o restante da população, não é nada?), Raúl Castro, que atuava como eminência parda do regime e jamais dava entrevistas, passou a se expor mais e o próprio Fidel vinha fazendo referências a ele, como se esta passagem de bastão estivesse próxima.


É possível que o velho Abutre já tenha morrido e a Nomenklatura esteja elaborando a forma como dará a notícia ao mundo, além de como será a transição. Há muita gente desejosa de assumir o poder da Ilha e um outro tanto que quer ver Raúl, o irmão sem sal e nada carismático, pelas costas. Há “dissidentes” na Ilha que almejam este poder, como Oswaldo Payá, e que continua sendo para mim uma figura esquisitíssima pelas regalias que mantém até hoje, bem como membros do governo como o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, o vice-presidente Ricardo Lages e o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque.


Pelo Projeto Varela, elaborado pelo sr. Payá, a dissidência externa não teria direito a concorrer a qualquer cargo no novo governo, bem como ele oferece um perdão absoluto aos milhares de crimes do sanguinário ditador, como se ele, Payá, fosse Deus. Quando não se foi jamais molestado, como é o caso deste senhor, é fácil, escorando-se num pseudo-cristianismo, perdoar os crimes alheios.


E da dissidência começam a surgir Notas e Declarações que deixam muito claras as posições dos cubanos desterrados que amam sua Pátria tanto quanto os que lá ainda permanecem. Abaixo reproduzo uma Declaração da Associação Cubanos pela Liberdade, pois me parece refletir o pensamento da maioria dos dissidentes e o meu modo pessoal de ver também, que acabo de receber de NetforCuba.


“Hoje, ante a notícia da passagem “eventual” do poder de um criminoso para outro na Cuba de todos, queremos fixar nossa posição ante os possíveis cenários que se vislumbram no horizonte político e que passam pela recuperação, desaparecimento ou invalidez do tirano Castro; daí que:


1. Rechaçamos, condenamos e denunciamos qualquer tentativa de continuidade do regime mediante supostas negociações, impulsionadas desde os hierarcas do sistema e com o beneplácito de alguns “dissidentes” e instituições dentro e fora do país.


2. Exigimos a liberdade imediata e incondicional de nossos companheiros encarcerados – que são todos e cada um dos presos políticos -, partindo de nossa oposição a qualquer tentativa de classificá-los segundo os interesses de determinados grupos, instituições ou personalidades.


3. Apoiamos todo tipo de ajuda aos opositores em Cuba, e especialmente a designada pelo Governo dos Estados Unidos, para manter a luta cívica que se avizinha, embora rechacemos os favoritismos aos que se erijam Uni-líderes com Uni-projetos para uma Cuba que é de todos.


4. Solicitamos à União Européia, aos Estados Unidos e à Opinião Internacional que, como seres humanos, os cubanos e nossos direitos à liberdade sejam respeitados, com a mesma dignidade da qual desfrutam seus cidadãos. Qualquer apoio e/ou gestão que não seja neste sentido, o catalogaremos como cumplicidade com os vitimários dos governo Castrista.


5. Fazemos um chamamento aos militares que não mancharam suas mãos de sangue para que, com a honra que até agora não tiveram, detenham quantos assassinos governam em Cuba; derroguem a pseudo-Constituição de 1976 e entreguem o poder a um Governo Civil de transição que possa instaurar as garantias fundamentais para todos os cubanos, enquanto se convocam eleições livres e uma nova constituinte. Senhores do verde-oliva, não é possível que diante de tanta ignomínia, atropelo e injustiças contra vossos semelhantes, continuem justificando sua covardia com as migalhas que lhes oferece o tirano.


6. Convidamos a todos os cubanos – à margem de ideologia ou tendência política -, nos reunirmos no esforço para uma Cuba livre, sem matizes, sem ambigüidades, onde a Pátria seja casa e abrigo de todos mediante a lei e a justiça, para que nunca mais seja incubada uma Revolução Criminosa.


Por todos os que caíram, pelos prisioneiros, pelos desterrados, por nosso filhos e familiares, expulsemos do poder os covardes assassinos que vivem na opulência enquanto nossa sociedade se desgasta no dia-a-dia.


CUBA SIM, DITADORES NÃO!


Eduardo Vidal Franco – Presidente da Associação Cubanos pela Liberdade (ACPL).


Espanha, 1º de agosto de 2006.


Nota: A esta Declaração até agora se lhe somaram o apoio de: Lázaro González Valdés, Diretor Geral de SOS JUSTIÇA; Engº César Alarcón, Presidente do Movimento Cubano Unidade e Democracia. Todo aquele que deseje demonstrar sua conformidade com esta declaração, pode fazê-lo através de um e-mail para: cubanospl@yahoo.es”.


E o Notalatina fica por aqui, podendo fazer uma edição extraordinária, caso se confirme (e que Deus escute as nossas preces!) que o tirano enfim, desinfectou aquela bela ilha caribenha. Fiquem com Deus e até a próxima”


Agradecimentos a www.NetforCuba.org e ao site www.therealcuba.com que disponibilizou estes vídeos que o Notalatina apresenta com EXCLUSIVIDADE para o Brasil.


Tradução e comentários: G. Salgueiro

domingo, 23 de julho de 2006


Encerrou-se ontem a XXX Cúpula do Mercosul em Córdoba, Argentina, e o Notalatina não podia deixar de fazer comentários daquilo que “não se viu” nem a grande mídia tupinikim noticiou. Me refiro mais especificamente à visita do ditador vitalício de Cuba, Phidel Kastro, mantido vivo às custas de muito Formol, já que parece não existir em Cuba algum taxidermista competente o suficiente para empalhá-lo e deixá-lo em exposição pendurado numa prateleira qualquer, para a mórbida visitação pública de ávidos e imbecilizados turistas o que, certamente, renderia muitos euros e dólares ao governo tirano.


Depois de muito “suspense”, como gosta de fazer sempre para mostrar-se importante e bajulado, o ditador Castro chegou finalmente para participar da Cúpula, cuja presença é uma aberração ditada pelo Foro de São Paulo e idealizada desde 2004, quando ficou determinado que o Mercosul seria o portal para a conformação do Bloco de Poder Regional. Sua comitiva veio antes, em dois aviões, para certificar-se de que não haveria qualquer risco de atentado à magnânima e esperada presença.


Mas, para se compreender melhor porquê a Venezuela foi admitida como membro permanente do Mercosul e o que faziam lá Fidel e Evo Morales, o índio cocalero que está presidente da Bolívia, é necessário recuar um pouco no tempo. Em 2004, o sociólogo comunista germano-mexicano Heinz Dieterich, guru de Chávez e Fidel, explicou que a idéia de criar a “Pátria Grande” sonhada por Bolívar, só seria viável se se criasse um “bloco” com todos os países de corte comunista da América Latina (Cuba, Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e Equador), com pensamentos e ações coordenadas desde um líder, para o qual foi designado Chávez. Para tanto, criou o projeto do “Bloco de Poder Regional”, onde se unificariam as Forças Armadas de todos esses países para fazer frente ao inimigo externo, evidentemente, os Estados Unidos.


A partir desta concepção, foi determinado o ingresso da Venezuela no Mercosul que deixaria de atuar no campo comercial, para o qual foi criado, e passaria a atuar em outras frentes visando a unificação de todos os países membros deste tal bloco, com liderança de Chávez e sob orientação direta de Fidel. Para quem acompanha e estuda o processo de unificação da América Latina em um só país (União das Repúblicas Socialistas da América Latina - URSAL), para substituir a extinta URSS, nada disto é novidade, só que agora o processo se acelera de forma descarada, para quem queira ver, evidentemente. Quem quiser conhecer mais sobre o assunto acesse o site Mídia Sem Máscara e busque “Bloco de Poder Regional Militar”; está tudo lá, dito por eles mesmos.


Isto não foi comentado pelos jornais, como também não foi comentado que, ao desembarcar em Córdoba, uma multidão esperava o velho ditador (ninguém mais acreditava que ainda estivesse vivo e eu, particularmente, tenho dúvidas de que a “figura” que apareceu era mesmo Fidel, pois alguma coisa em sua fala e em seu rosto contradiziam a imagem que vi no documentário “As torturas de Castro” feito recentemente), dentre eles muitos jornalistas.


Foi então que o jornalista cubano-americano Juan Manuel Cao, da “América TV Canal 41, de Miami, aproximou-se da escada onde estava o mega-assassino e fez a pergunta que todos queriam saber: por quê o ditador não permitia que a Drª Hilda Molina viajasse de Cuba com sua mãe, velha e doente, para visitar o filho e os netos residentes na Argentina? O velho irritou-se e disse que não era da conta do repórter. Este insistiu e, perguntado sobre sua nacionalidade, disse que era cubano e que desejava uma resposta do ditador. Furioso, Fidel disse que ele não era cubano mas um traidor, chamou-o de “mercenário pago por Bush”, esperneou, xingou, ficou brabo.


Tudo isso está documentado neste vídeo que o Notalatina apresenta com exclusividade para o Brasil. Mas, por que tanta polêmica e irritação em torno da saída do país de uma médica e sua velha mãe, quando há milhares de outros casos semelhantes de pessoas dignas e decentes que não têm o direito sequer de viajar de uma para outra cidade, dentro da mesma Cuba? Esses desejos frustrados acontecem diariamente naquela Ilha-cárcere e, malgrado a indignação, não são sequer conhecidos do mundo...


Bem, a Drª Hilda Molina é uma neurocirurgiã que pertencia, até fins de 2004, ao Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), uma instituição de propriedade do Governo e que descobriu a chamada “substância negra fetal”, constituída por células espinhais e tecido neuronal de embriões humanos. Esta substância, para conseguir os efeitos regenerativos no tecido nervoso de adultos, deve ser transplantada de um embrião vivo.


A denúncia foi feita pelo diretor da instituição, Dr. Julián Alvarez, em um livro intitulado “Artesão da vida”, onde ele afirma que “atualmente realizam-se uns 100 mil abortos anuais com o consentimento e o estímulo do próprio Governo. O CIREN encontra-se capacitado, por isso, para obter com relativa facilidade o tecido embrionário para seu emprego nestes tratamentos. O governo cubano, ao mesmo tempo, utiliza estes 100 abortos para suas estatísticas de “baixa mortalidade infantil em Cuba”.


Aí está explicado o crime pelo qual o maldito ditador não deixa a Drª Molina sair do país e que tem dois desdobramentos: 1. medo de que o mundo tome conhecimento de que em Cuba o aborto é oficializado e estimulado, para extrair desses embriões VIVOS o material que se reverterá em tratamento de gente cheia dos “odientos” dólares que engordam seus cofres e 2., a velha história do “roubo de cérebros” pois, segundo sua doutrina, TUDO pertence ao Partido-Estado Comunista, à Revolução, sobretudo o conhecimento científico encarnado nos próprios cientistas que deixam de ter vida própria, identidade, vontade.


Existe alguma coisa mais perversa e abominável do que isso? São 100 MIL VIDAS INOCENTES ASSASSINADAS POR ANO, sem terem cometido qualquer crime ou direito de defender-se de seus assassinos! São 100 mil vidas acrescidas às já tantas milhares assassinadas no paredón; nos mares, em fuga nas frágeis balsas; por suicídios, em decorrência do desespero (onde Cuba ocupa o “honroso” 2º lugar no mundo); na falta de assistência médica; nos maltratos nos cárceres; de fome e miséria.

Segundo informou um jornal argentino, Kirchner entregou uma carta a Fidel pedindo a liberação da Drª Molina em que diz: “Como você bem conhece, é de meu maior interesse possibilitar o reencontro entre a Doutora Hilda Molina e sua família residente em nosso país” e mais adiante, “Permitir a chegada da Doutora Hilda Molina e sua mãe à Argentina seria a forma mais efetiva para concretizá-la, atendendo às razões humanitárias do caso e o desejo de uma família cubano-argentina. Estimo que você compreenderá, analisará e dará uma pronta e positiva resposta”. Partindo de um “ex” montonero, essas “razões humanitárias” soam falsas, demagógicas, hipócritas, eleitoreiras.


Entretanto, a Drª Molina faz uma denúncia grave (e que parece ter passado tão despercebida à Radio 10 que a entrevistou que foi publicado sem cortes), vejam: “Há milhares de famílias reféns que atravessam uma situação similar à minha” E novamente solicitou que deixem sua mãe, de 87 anos, sair de Cuba com urgência, pois há dois meses sofreu um acidente e quebrou um braço. “Desde o dia 16 de maio passado não conseguimos que minha mãe possa sair da Ilha para receber uma atenção médica adequada. Ela está prostrada em uma cadeira de rodas e com o braço quebrado”.


Mas a saúde e a educação não são os maiores logros da Revolução, cantados em verso e prosa nos quatro cantos do mundo? Também não é espalhado pelo mundo inteiro que tanto as crianças quanto os velhos são muito bem tratados e cuidados pelo “governo”? Se a Drª Molina ainda pertencesse ao Partido e servisse à Ditadura, certamente sua mãe já teria sido medicada e prontamente atendida nos melhores hospitais da Ilha. Isto serve para mostrar que, ao cubano “a pé”, aquele que não pertence à Nomenklatura, TUDO lhe é negado, tirado, recusado; até a própria vida.


Outra mentira que tenho o prazer de desmascarar, embora lamentando sinceramente pelas vítimas, é o “sucesso” das “Missões Milagre”, formado por falsos médicos cubanos que servem como mercadoria de troca entre Cuba e Venezuela. Esses “médicos”, que são enviados aos países latino-americanos em troca de alguma mercadoria que tal país possa oferecer ao ditador, em vez de tratar e curar as doenças estão causando danos severos e até mesmo óbito nos pobres que a eles se submetem.


Os Conselhos de Medicina de vários países já denunciaram o engodo, entretanto estes charlatões continuam destruindo a vida e a saúde de quem a eles se submetem. A “Missão Milagre” tem como objetivo operar de catarata e pterígio 600 pessoas por ano em toda a América Latina. Desses, há uma infinidade severamente lesionados, como um caso que eu soube pessoalmente de um senhor pobre na Venezuela que, sentindo um comichão na vista operada, procurou um oftalmologista venezuelano e este constatou que o olho operado estava cheio de vermes, resultante de infecção severa e falta de higiene durante a cirurgia.


O diretor médico da Fundação Oftalmológica Los Andes, Dr. José Miguel Ried, afirmou que tem antecedentes de que na Jamaica, na Bolívia e no Brasil os resultados da “Missão Milagre” não foram os desejados. Segundo o Dr. Ried foi informado, através do chefe de Oftalmologia do Hospital de Kingston na Jamaica, foi pedida a suspensão imediata das operações com esses médicos cubanos, porque “o número de complicações pós-operatórias é alarmante. De 60 pessoas operadas, 3 ficaram cegas e 14 com danos severos”. O médico afirmou ainda que muitas doenças oculares necessitam de controles periódicos e estrito acompanhamento após a cirurgia, o que não era feito pelos médicos da “Missão Milagre”.


Também no Chile, ontem seriam enviados 90 pacientes à Venezuela num avião próprio da “Missão” mas, segundo o embaixador da Venezuela naquele país, houve um atraso porque o Boing teve de fazer uma parada na Argentina onde deixaria os pacientes já operados. Entretanto, a Ministra da Saúde chilena, María Soledad Barría afirma que não vê qualquer motivo para esses pacientes se submeterem a cirurgias com os médicos cubanos, uma vez que todos os chilenos são atendidos pelo “Plano AUGE”.


Ela negou que tivesse aprovado tal missão, informando que em abril reuniu-se com o embaixador da Venezuela no Chile, Víctor Delgado, mas disse que foi apenas “mais um encontro” com representantes de outras nações assim que começou este novo governo. Para se perceber a diferença do tratamento feito no Chile, com seriedade profissional, e essas tais “missões”, a oftalmologia chilena trabalha com equipamentos de alta tecnologia e os pacientes são operados com laser, em quatro centros em todo o país que realizam 120 operações diárias de catarata e pterígio. Na Venezuela, as pessoas são operadas 48 horas após chegarem de viagem e permanecem lá apenas 11 dias.


Por todos estes exemplos, da falta de atendimento ou de um atendimento insatisfatório e criminoso, é que venho denunciando há tempo a invasão quase que silenciosa em nosso país destes agentes castristas disfarçados de “médicos”, “desportistas” ou “afalbetizadores”. E para que se tenha uma idéia precisa de como são tratados os velhos em Cuba, desfazendo mais este mito da excelência da saúde e do “cuidado preferencial” a esta pobre gente, é que sugiro que se acesse este link (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2761), de uma reportagem antiga e com fotos extremamente chocantes (uma das quais ilustra a edição de hoje), sobre um abrigo de velhos em Cuba que foi censurado e divulgado apenas numa revista sueca, que o Mídia Sem Máscara publicou com exclusividade em outubro de 2004 intitulada “A verdade proibida sobre Cuba”.


Amigos, quando eu falo sobre todos estes crimes que estão ocorrendo em Cuba há malditos 47 anos e na Venezuela há 7, é tentando alertar para o que este governo comuno-petista pretende para nosso país. Por favor, não subestimem estes avisos porque desde 2002 que bato na mesma tecla do Foro de São Paulo determinando o rumo da política dos países latino-americanos e, se alguém se der ao trabalho de ler desde os primeiros anos, vai comprovar que muito do que vemos hoje, no Brasil, já foi denunciado aqui, no Notalatina. Fiquem com Deus e até a próxima!


Agradecimentos especiais à Marisol Toraño que remeteu o vídeo da Argentina à organização NetforCuba Internacional - http://www.netforcuba.org/ – e à minha amiga Lou Pagani que gentilmente me brindou com esta exclusividade.


Comentários: G. Salgueiro

segunda-feira, 12 de junho de 2006


É com prazer que trago hoje textos de dois bravos e queridos amigos venezuelanos: Alejandro Peña Esclusa, e Aleksander Boyd que, coincidentemente, falam de esperança e incutem coragem aos seus compatriotas neste ano difícil em que vão se realizar eleições presidenciais. E por que chamo de “coincidência”? Porque foram escritos em momentos e circunstância diversas mas, entretanto, casam-se perfeitamente bem e servem como uma luva para nós brasileiros, posto que estamos entrando em situação semelhante à da Venezuela.


O artigo do Aleksander, para quem não acompanhou o processo, diz respeito a acusações que ele sofreu no mês de maio em decorrência de quatro entrevistas que ele deu a rádios e tvs de Londres, ocasião em que Chávez visitou a Inglaterra. Por ter falado abertamente quais eram os planos políticos de Chávez, de transformar a Venezuela numa sucursal de Cuba, foi rotulado de “terrorista” e outras sandices do gênero.


Além desses dois artigos o Notalatina traz hoje mais um vídeo, EXCLUSIVO E INÉDITO NO BRASIL da entrevista feita por uma televisão espanhola com o General-de-Divisão Néstor González González desde um ponto clandestino na Venezuela, em que ele fala sobre todo o processo de comunização de seu país através dos acordos entre Chávez e Fidel Castro, da penetração e cobertura de chefões e guerrilheiros das FARC em território nacional, da sua situação atual tendo que viver na clandestinidade e longe da família mas, o mais importante, sobre as fraudes eleitorais e as eleições presidenciais que se realizam em dezembro deste ano.


Com relação a essas eleições ele faz um alerta muito grave, afirmando que há candidatos da oposição que estão recebendo dinheiro do Governo para candidatar-se, para dar a impressão ao povo que a disputa é legítima e demovê-los da abstenção como houve no ano passado. Com isso, legitima-se o processo eleitoral e mostra-se ao mundo uma falsa realidade, sobretudo aos observadores que sempre participam desses eventos e para as televisões mostrarem ao mundo uma “democracia consolidada”.


Mas não quero me alongar muito descrevendo o vídeo. Convido-os a assistirem porque há muita correlação com a nossa vivência atual, considerando que tanto Chávez quanto Lula pertencem ao Foro de São Paulo, cujas determinações são seguidas a risca, coisa que denuncio praticamente desde o primeiro dia em que criei o Notalatina.


Não sei explicar porquê mas o link para baixar o vídeo está dando problema quando clicado, portanto, sugiro que copiem e colem no seu navegador porque assim não dá qualquer erro; eu tive o cuidado de testar antes de publicar: http://www.epoca.es/video/videoh.html.


Não deixem de assistir! Fiquem com Deus e até a próxima!


A importância do intangível


Alejandro Peña Esclusa


Nesta hora difícil que a Venezuela vive, quando está em jogo a sobrevivência mesma da Nação, é hora de falar de assuntos transcendentes, de temas intangíveis, porém de grande valor moral, justamente os que se requerem para enfrentar os duros momentos que se avizinham.


Tenho a obrigação de dizer aos venezuelanos, como muitos já se deram conta, de que não existe saída eleitoral para a crise; que Chávez jamais entregará o poder pacificamente; e que – mais triste ainda – a oposição não se porá de acordo em uma estratégia comum porque, lamentavelmente, os interesses pessoais estão acima dos interesses da nação.


Entretanto, como expliquei em um recente artigo, Chávez cairá inexoravelmente pelo fracasso moral e ideológico de seu projeto, infestado de ineficiência, corrupção, enfrentamentos internos e o rechaço nacional e internacional. Esta queda não será o resultado de uma estratégia eleitoral, mas de uma rebelião generalizada do povo venezuelano, cansado de ter como governante um homem ao qual o país não interessa, senão exportar a revolução cubana ao resto do continente.


Quando isso ocorrer, Chávez tentará reprimir a população com o uso cruel e desmedido da violência. Para tal, os venezuelanos devem estar preparados psicologicamente para resistir, defender seus direitos e salvar a democracia.


E essa preparação psicológica, de vital importância para obter a vitória, não se consegue falando de primárias, de candidato único, de táticas eleitorais e de outros temas parecidos. Consegue-se falando de assuntos transcendentes como, por exemplo, o sentido da vida, o amor a Deus e à pátria, a missão da Venezuela como nação, a importância de lutar pelas futuras gerações, embora a custa de arriscar a própria vida, quer dizer, de temas que transmitam um sentido de grandeza e de vitória, de temas que levantem o moral dos venezuelanos.


Querido compatriota: se avizinha um desenlace, porém tem fé em tua Pátria, nas tradições dos venezuelanos, nas virtudes que sempre nos adornaram como nação. Tem fé em que, apesar dos erros cometidos, temos um coração grande; tem fé que merecemos algo melhor.


São estas reflexões – de caráter intangível, porém de uma força enorme – as que te darão as ferramentas para defender a Venezuela e para construir um futuro melhor.


Venezuela, não tenha medo!


Aleksander Boyd


Londres, 09.06.06 – Há um par de dias lhes comentava sobre a petição que encaminhei contra o prefeito de Londres por haver-me acusado de terrorista. As respostas de muitos de vocês me enchem de coragem e abastecem meu espírito. Devo, todavia, fazer uma reflexão sobre o que percebo como o temor generalizado que se instalou na psique dos venezuelanos, pois me parece que o chavismo já teria conseguido seu principal intento, que não é outro senão paralizá-los, inoculando-lhes medo em doses homeopáticas.


Não temam meus queridos compatriotas, pois aqueles assistidos pela razão e pela justiça nada têm a temer. Nada nem ninguém se interporá em nossa vereda libertadora; não há chavismo capaz de tal empreendimento, pois eles não são movidos pela absoluta convicção e disposição de lutar por sua liberdade, senão mais precisamente pelo desejo ruim e mundano de rapina, de destruição, de desrespeito, em suma, não há lealdade entre o atalho de assassinos que momentaneamente controla o poder.


Por isso é mister convencer-se de que aquele que trabalha com maldade, a paga nesta vida ou na outra. Vejam por exemplo o caso do diz-que-diz do magistrado Alvaray; notem como entre eles a coisa é mais feroz do que jamais foi contra a nobre e digna sociedade venezuelana. E sabem por que? Porque a fome de poder e ódio acumulados por várias décadas é mais forte que o senso comum e a decência. O produto da fome endêmica, desestabilidade familiar e emocional são os ressentidos sociais que hoje se auto-denominam bolivarianos. Para muitos deles a revolução representou a oportunidade jamais conseguida por méritos e esforço próprios. Porém, isso não deve compungir-nos ou intimidar-nos; não! Ao contrário, indivíduos tão deficientes não representam uma ameaça. Não estamos em presença de seres educados que decidiram tornar-se figuras de dominação mundial (a esses deve-se temer), mas lidando com ladrões, com malandros de esquina, com bêbadozinhos de botequim barato, com cadetezinhos medíocres de província, com párias que são valentões apenas ante suas pobres mulheres na segurança de suas casas.


Não temas, Venezuela; não há motivo. Não ouses baixar a cabeça ao apátrida e seu chulo cubano. Se for necessário desvia o olhar, recobra as forças e adota, consciente de todo o teu poder, postura firme ante o compromisso. Tua liberdade e a de teus filhos valem a pena o sacrifício.


E não se preocupem comigo, uma vez que nesta sociedade as leis não estão presas aos desígnios autoritários de políticos indginos.


Traduções e comentários: G. Salgueiro

terça-feira, 30 de maio de 2006


Na última edição do Notalatina eu havia prometido que a próxima seria a apresentação de um vídeo do General de Divisão venezuelano Néstor González González, hoje na clandestinidade forçada pelo regime castro-chavista, que dá uma entrevista bastante grave a uma televisão espanhola. Entretanto, dei prioridade a outros vídeos que já estavam preparados para a divulgação desde abril e que, em decorrência do Seminário sobre Democracia e Liberdade ocorrido recentemente e no qual estive bastante envolvida, ficaram aguardando uma oportunidade mais amena para serem divulgados.


Trago hoje, com exclusividade no Brasil, dois vídeos sobre Cuba apresentados no programa “A Mano Limpia” que é conduzido pelo jornalista dominicano Oscar Haza, no Canal 41 AméricaTeVe dos Estados Unidos.


Quero primeiro comentar o mais recente desses programas que foi exibido no dia 11 de abril pp., cujo vídeo comentado foi lançado no domingo de Páscoa, em Miami. Trata-se do documentário “As torturas de Castro”, com direção de Luis Guardia e produção de Pedro Corzo, em que ex-presos políticos, vítimas sobreviventes da ditadura castrista relatam as torturas que sofreram nas masmorras cubanas, com 1 hora de duração e que pode-se ver aqui: www.canf.org/2006/video/2006-abr-12-las-torturas-de-castro.htm.


Este vídeo foi também apresentado na Conferência sobre Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o que rendeu mais uma condenação (pró forma, a bem da verdade) a Cuba, ato que se repete ano após ano sem que nada de concreto aconteça ao velho ditador, tampouco àquele povo escravizado e amordaçado da Ilha-cárcere.


Este trabalho de resgate e vivificação dos crimes da ditadura comunista implantado na ilha há 47 anos, deve-se ao “Instituto de la Memoria Historica Cubana contra el Totalitarismo” (http://www.cubamemoria.com/ – visitem-no!), cujo presidente é o estimado amigo Pedro Corzo e que conta em seu acervo com vários documentários, um dos quais “Guevara: anatomia de um mito” que o Notalatina apresentou com exclusividade em 01 de novembro de 2005.


Há ainda dois outros documentários produzidos por esta equipe: “Tributo a papá”, traz depoimentos comoventes e dolorosos de mulheres que cresceram sob a discriminação e o estigma de serem filhas de fuzilados – e, portanto, inimigos da revolução -, a dificuldade de compreender por quê seus pais foram assassinados, a falta que eles fizeram em acompanhar o crescimento e desenvolvimento de cada uma e as marcas psicológicas irreversíveis que esta perda ocasionou em suas vidas. E, “Yo los he visto partir”, traz também depoimentos de ex-presos políticos que viram companheiros de luta e de prisão, alguns que até compartilhavam a mesma cela, amigos queridos serem levados para o fuzilamento, alguns porque eram cristãos, outros porque se negaram a apoiar uma ditadura comunista. Eu os tenho em DVD e afirmo: vale a pena ver porque não se trata de ficção mas uma realidade cruenta e pungente que me assusta em pensar que pode um dia se concretizar entre nós.


No vídeo do programa “A Mano Limpia”, apresentado no último dia 11 de abril, estiveram presentes Luis Guardia e Pedro Corzo, autores do documentário, a senhora Anette Escandón, o senhor Evelio Ancheta e o Dr. Gerardo Rodríguez Capote, hoje psicólogo, todos ex-presos-políticos que relataram suas experiências com os verdugos da tirania castrista submetidos a torturas físicas e psicológicas diárias, durante os anos em que estiveram presos.


Existe um projeto para que todos estes vídeos produzidos pelo Instituto da Memória Histórica Cubana contra o Totalitarismo sejam reproduzidos e comercializados pelo Mídia Sem Máscara em um futuro próximo; estamos torcendo para que isto se concretize o mais rápido possível, pois creio e insisto que é muito importante que se conheça a realidade daquela ilha que de paradisíaca só tem mesmo aquilo que foi obra do CRIADOR, e não do ditador.


O primeiro vídeo é centrado no programa “A Mano Limpia” onde os painelistas comentam sobre os vídeos produzidos pelo IMHCT, sobretudo o mais recente, “As torturas de Castro”; este, entretanto, além das exposições e comentários, apresenta o citado vídeo mesmo, na íntegra. Traz como convidados José Antonio Evora, crítico de cinema de “El Neuvo Herald”, Alejandro Ríos, também critico de cinema e Emilio Ichikawa, filósofo e ensaísta que discutem e apresentam o curta “De Buzos, Leones e Tanqueros” realizado em Cuba, por Daniel Vera, que foi apresentado na Quinta Mostra de Jovens Realizadores, em Havana. Vejam em http://www.canf.org/2006/video/transit/pobreza.wmv.


A qualidade do vídeo não é muito boa e creio que deve-se à dificuldade em realizar tal filmagem num ambiente severamente policiado mas, mesmo curto e com muitas falhas técnicas vale a pena ser visto, pois é como se fosse uma radiografia da situação miserável em que vive o povo cubano “a pé”, contrastante com as informações filtradas pelo regime castro-comunista e que são repassadas para o mundo.


“De buzos, leones e tanqueros” mostra o dia-a-dia de pessoas comuns, que tentam sobreviver catando coisas em depósitos de lixo, daí os neologismos criados após a revolução “buzo” (literalmente mergulhador) e “tanquero” (tanque ou depósito de lixo, também denominado “basurero”) que, em suma, reflete a “profissão” de “catador de lixo”.


Ok, eu sei que muitas pessoas podem alegar que pobreza, miséria e pessoas catando lixo existem em qualquer lugar do mundo e, de modo especial, aqui no Brasil. Entretanto, o que não encontramos aqui é pessoas cultas, com com nível intelectual e cultural refinado e formação universitária, catando lixo. Também nunca tivemos uma revolução que prometia acabar com a miséria e dar uma qualidade de vida invejável igualmente para todos os cidadãos do país mas o mega-assassino e multi-milionário Fidel Castro prometeu isso a seu povo e, como todo comunista, jamais cumpriu!


As imagens são tão fortes e chocantes que, mesmo com uma audição e legenda muitas vezes incompreensíveis, falam por si sós, como a tristeza, que dispensa qualquer palavra, estampada naqueles rostos desgastados e sem qualquer vislumbre de esperança de dias melhores, de modo especial nos olhos azul-claros de um jovem de feições finas que buscava livros de literatura nos “basureros”, por estar desempregado e não ter como nem onde comprá-los. Confesso que chorei vendo esta cena...


E no final do vídeo a revelação clara da violação estúpida às liberdades individuais de expressão e de ir e vir dos cidadãos cubanos, quando aproxima-se uma “guarnição” de CDRs (Comitê de Defesa da Revolução) que “dispersa” os catadores por estarem dando informações proibidas. Além de dispersar os entrevistados, eles põem a mão sobre a câmera para não serem filmados e não sei como não impedem a filmagem...


Este é um filme impressionante e que deveria ser do conhecimento de todo brasileiro que ainda acredita nas propostas deste governo comunista do Sr. Lula da Silva e sua gang, fiéis adoradores do criminoso Castro e seu regime tirânico, e que aos poucos vão transformando nosso país numa Cuba continental. Vejam com seus próprios olhos o que faz um regime comunista escravocrata e não permitam que transformem nosso belo e rico país em algo semelhante.


Na próxima edição prometo trazer outros vídeos impactantes e exclusivos que me são graciosamente ofertados pela querida amiga e guerreira cubana Lou Pagani, a quem sou muitíssimo grata.


Fiquem com Deus e até a próxima!


Fonte: http://www.canf.org/


Comentários: G. Salgueiro