sábado, 5 de agosto de 2006


As cobras já começaram a se picar em Cuba. Há muito boato misturado com verdades que nunca chegaram ao conhecimento do grande público, sobretudo os cubanos e há, mais do que isso, informações omitidas, silêncios injustificados, “mistérios” inalcansáveis.


Especula-se muito na imprensa acerca da real situação do velho tirano: há quem diga que ele já está morto e o regime estica a mentira da convalescença até que se ajeite a nova estrutura de poder – disputada a tapa; outros, afirmam que sequer aquela declaração passando o comando ao seu irmão Raúl foi escrita por ele, e que a assinatura constante no documento é falsa. A verdade é que há mais mistérios do que supõe nossa vã filosofia, não entre o céu e a terra, mas num ponto específico do Caribe, em torno de um monstro assassino que tem em seu haver milhares de mortes de gente inocente.


Nada se sabe de concreto a respeito desta situação tão ansiada por milhares de pessoas no mundo todo. Ninguém sabe em qual hospital internou-se o tirano; ninguém sabe “quem” o operou; ninguém tem sequer o direito de perguntar como estão as coisas e jornalistas não credenciados à Ilha estão sendo mandados de volta ao seu país do aeroporto mesmo, sem permissão de entrar sequer como turista, coisa que em países livres e civilizados jamais aconteceria. Apenas todos esperam calados e pacientes que as notícias sejam dadas do modo que o regime acha conveniente. Nos jornais oficiais, Granma e Juventud Rebelde, só há evasivas, como se faltasse o que falar. O ministro da Saúde cubano, José Ramón Balaguer, diz que “o comandante passa bem”, e quem quiser que acredite e se contente com esta “esclarecedora” informação.


Por outro lado, é estarrecedora a comoção que tomou conta de alguns setores da Igreja Católica. No Peru, foi oficiada uma missa na Basílica de Nossa Senhora das Mercês, pelo padre Marcial Tejada, que exortou as centenas de participantes a pedir pela saúde do “lider revolucionário” para que ele se levante são e salvo. Segundo palavras do tal “padre”: “Nos alegramos de nos unir para oferecer nossas preces com carinho e afeto para Fidel Castro”, após revelar sua admiração pelo “estadista que conduziu os destinos dos cubanos durante os últimos 47 anos”. Que meigo, que terno!...


Já a Conferência dos Bispos Católicos de Cuba (COCC) (seria uma sucursal da CNB do B?) emitiu uma nota aos fiéis católicos que dizia: “Os Bispos de Cuba pedimos a todas as nossas comunidades que ofereçam orações para que Deus acompanhe em sua enfermidade o Presidente Fidel Castro e ilumine aos que receberam provisoriamente as responsabilidade de Governo” e mais adiante, “o delicado estado de saúde de Castro é um momento especialmente significativo para o povo cubano”, e que a Igreja Católica “compartilha desta preocupação e das súplicas de todos os crentes”.


Não posso me calar diante de tamanha afronta! Quantas vezes esses “bispos” se preocuparam com o destino daqueles miseráveis encarcerados injustamente nas masmorras infectas, por ordem deste amaldiçoado que ora agoniza? Quantas vezes esses malditos “bispos” rezaram uma ave-maria pelos fuzilados por este mesmo abjeto assassino, justo por serem Cristãos? Quantas vezes estes “pastores” comunistas lembraram de pedir que se rezasse pela saúde do Dr. Guillermo Fariñas que agoniza por uma greve de fome desde 31 de janeiro, para que este ditador moribundo permitisse a todos os cubanos o direito de acesso à Internet? Quantas noites insones de vigília passaram estes abomináveis “bispos”, orando pelos milhares de bebês abortados por ordem deste maldito regime ditatorial, presidido por este verme que se ultima? Quantas vezes eles “exortaram” os fiéis para unir-se em preces pelos que morrem a míngua, de fome, perseguidos, torturados, escravizados, sem assistência médica e carentes de tudo nesta mesma Cuba oprimida pelo quase-defunto Castro? E o Vaticano, quando emitirá nota unindo-se às preces deste clero sinistro e nefando, que cospe sem pudor sobre a Cruz de Cristo, para “seu irmão” enfermo?


Os que lerem este ato de repúdio que registro aqui que julguem quem está com a razão. São 47 anos de sangue inocente derramado que agora o mundo inteiro esquece e apaga da História, aliás, que cuidou-se sempre e muito zelozamente de negar ao conhecimento público, como se não fossem vidas humanas que sofreram sob o jugo de um homem só, perverso até a mais ínfima parcela de seu ser.


Ontem à noite recebi uma informação que dizia ser “de fonte confiável”, que repasso sem confirmação, dando conta de que Castro já estaria morto e Raúl havia sido baleado numa disputa pelo poder com outros generais. Como nenhuma informação oficial é fornecida, nem para os cubanos da ilha nem para o mundo, é difícil saber o que de fato está ocorrendo nos bastidores deste teatro do absurdo. Acho pouco provável que esta notícia seja verdadeira mas também não posso descartá-la totalmente; só o tempo dirá se confere com a realidade.


Como se sabe, Raúl Castro não é bem quisto, nem nas Forças Armadas nem no PCC e sua ascenção não deve estar sendo bem digerida, embora todos sempre soubessem que está escrito na Constituição que ele seria o substituto de Fidel após sua morte. Todavia, saber não significa “aceitar” e não creio que os que ficaram de fora do butim estejam aceitando tudo isso pacificamente. Um deles, que sempre andou colado ao velho abutre e que defende a “revolução” com unhas e dentes é o ministro das Relações Exteriores Felipe Pérez Roque; outro que não creio que fique quieto sendo solenemente ignorado, como foi, é o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, um sujeito ambicioso que se acha mais competente que Raúl e com desenvoltura suficiente para tomar as rédeas do país.


De qualquer modo, tudo o que temos são especulações, fantasias, boatos e previsões; nada além disso. Não creio que este mega-assasino sobreviva ao aniversário dos 80 anos, em 13 de agosto, tão alardeado mundo afora mas penso que a notícia de sua morte – se ocorreu ou ocorrer - será guardada para depois desta data, a fim de não estragar a festa e manter-se o mito de sua boa saúde e longevidade. Como faço aniversário dois dias antes deste ser abominável, agradeceria infinitamente a Deus se Ele me presenteasse com a partida definitiva deste ser nefasto da face da terra.


E para encerrar o Notalatina de hoje, publico abaixo uma análise da situação de Cuba feita pelo jornalista Nelson Rubio em que ele aborda alguns aspectos desta luta pelo poder na Ilha. Tenham um ótimo final se semana, fiquem com Deus e até a próxima (que pode ser a qualquer momento em edição extra).

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Cuba: a luta pelo poder


Nelson Rubio, jornalista de Noticias 1140 AM


Raúl Castro tem as rédeas do poder em Cuba, porém permanece invisível para os cubanos, alimentando uma grande incerteza sobre o futuro da ilha que continua pendente da saúde do ditador cubano Fidel Castro, enquanto se detectou uma discreta mobilização de seguranças e efetivos das Forças Armadas.


Informações fidedignas divergentes em Havana apontam para um crescente protagonismo do general Julio Casas Regueiro, presidente do Grupo de Administração Empresarial (GAESA), ante a resistência que Raúl Castro está encontrando para ser admitido como pleno sucessor de Fidel Castro, cuja situação e paradeiro são um mistério total.


Alarcón não admite ser marginalizado


Várias fontes assinalaram que em Cuba se está vivendo nestes momentos uma pimeira luta política entre Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento cubano e Raúl Castro. Informações contrastadas apontam Raúl Castro como autor do “testamento político” de Fidel Castro, o Proclama lido através da televisão, que ratificou máximos poderes para Raúl, porém eliminou do novo núcleo duro da Revolução Ricardo Alarcón, de 69 anos, defensor intransigente do sistema de partido único.


Os eixos que Raúl Castro busca


Nestas primeiras horas de confusão, a primeira luta política se perfilaria entre Alarcón e Raúl Castro, que quer consolidar uma transição pacífica sobre vários eixos: José Ramón Balaguer (direção de programas de saúde); José Ramón Machado Ventura, Esteban Lazo (educação) e Carlos Lage (planos energéticos). Porém, Alarcón teria ameaçado de frustrar esses planos ao assinalar que tem vídeos do desdobramento da operação de Fidel Castro para rebater o rumor difundido em Cuba de que ele morreu na operação.


Vizinhos de bairros da capital comentaram à Agência AFP que as Brigadas de Resposta Rápida e grupos de partidários mobilizados nos centros de trabalho, permanecem ativados para repelir eventuais ações da oposição interna.


Uma bomba no meio do folhetim brasileiro


Em Havana se mantém um estado de preocupação ante o vazio de poder aberto desde a noite de segunda-feira, no momento em que todas as casas de Cuba com televisão estavam dependentes do folhetim popular brasileiro “Senhora do Destino”. Na quarta-feira pela manhã, as únicas notícias nos diários Granma e Juventud Rebelde remetiam ao Proclama de Fidel Castro. Ante este silêncio e a opacidade de Raúl Castro, Ricardo Alarcón irrompeu de novo declarando à Agência Prensa Latina que Fidel Castro se recupera bem e está com bom ânimo.


Casas e Rodríguez, em primeiro plano


Esta declaração surpreendente de Ricardo Alarcón, um homem que fala inglês fluente e que atuou como porta-voz durante sua etapa nas Nações Unidas, como posteriormente ante as principais cadeias de televisão dos Estados Unidos, aumentou a incerteza sobre o poder de Raúl Castro no momento em que parece produzir-se a primeira controvérsia entre o sistema de partido único ou um cenário que abra oportunidade aos movimentos opositores.


O general Julio Casas Regueiro e o major Luis Alberto Rodríguez López-Calleja (genro de Raúl Castro) teriam rechaçado o chamamento de Ricardo Alarcón à mobilização das Brigadas de Resposta Rápida. O general Casas mantém o apoio do Exército e Raúl Castro como sucessor legítimo de Fidel Castro, com o primeiro objetivo de garantir uma tranqüilidade econômica que não colapse o setor turístico.


A prova da Cúpula dos Não-Alinhados


Várias fontes indicam que Raúl Castro fixou em 2 de dezembro a data limite para concluir esta primeira transição. Raúl Castro esperaria até a celebração da Cúpula dos Não-Alinhados, pautada entre 11 e 16 de setembro, para aparecer como o novo líder da revolução cubana.


Porém, antes da trasmissão da Mesa Redonda, onde Fidel Castro supostamente enviou uma segunda mensagem, Alarcón teria ameaçado em frustrar eses planos ao assinalar que tem vídeos das radiografias e do desenrolar da cirurgia de Fidel Castro, para rebater o rumor difundido em Cuba de que ele havia morrido na operação. O que está ocorrendo em Cuba corrobora de forma paradoxal o chiste bobo que um dia Raúl Castro utilizou, sobre o que se passaria no dia do desaparecimento de Fidel Castro. “É impossível sabê-lo porque não se pode substituir um elefante por cem coelhos”, disse então. Deu, naquele momento, as pistas do que parece agora se viver na Ilha.


Comentários e tradução: G. Salgueiro

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Está causando muito rebuliço a notícia veiculada ontem à noite sobre o afastamento oficial do ditador Fidel Castro, e a passagem do bastão para seu irmão Raúl, seu sucessor à ditadura hereditária na desventurada Cuba.


A notícia espalhou-se como rastilho de pólvora dando conta de que o senil criminoso havia tido uma hemorragia intestinal e que fora necessário um intervenção cirúrgica. Fui informada ontem mesmo, por uma amiga cubana residente em Miami que falava do anúncio feito pela televisão, e que pode ser conferido aqui, onde o sanguinário ditador alega que a última viagem feita à Córdoba, para participar da Cúpula do MERCOSUL, tinha sido um esforço “muito grande” para a sua debilitada saúde. As pessoas ficaram estupefatas, num primeiro momento, mas em seguida foram às ruas comemorar, conforme se pode ver na foto que ilustra a edição de hoje e através destes vídeos tomados em Fort Lauderdale, Sul da Flórida e Miami-Dade.


A reação à notícia nos Estados Unidos, onde se concentra a maior comunidade de exilados cubanos, foi controvertida: alguns já comemoram a morte de Fidel, outros vêem com ceticismo e chegam mesmo a declarar que esse afastamento pode ter sido mais uma trampa mas o fato é que todos, de algum modo, sentem-se felizes e aliviados ao saber que pelo menos por um dia, Cuba saiu oficialmente das mãos de seu carrasco que a mantém sob controle férreo há mais de 47 anos.


Dezenas de pessoas da comunidade cubana em Miami se encontraram ontem à noite na “Pequena Havana”, mesmo local onde o presidente Bush tomou o café da manhã nesta segunda-feira, em um ambiente festivo, tocando buzinas e gritando “Viva Cuba!” e “Liberdade!”, após o anúncio de que Castro havia delegado o poder “provisoriamente”. Pouco depois do anúncio, difundido pela televisão cubana, os manifestantes começaram a se reunir. “Isto nos pegou de surpresa. Ninguém imaginava que isto poderia acontecer depois do 26 de julho à hoje”, disse desde Cuba, a economista dissidente cubana Martha Beatriz Roque, na cadeia de televisão Univisión.


Também no âmbito político o cenário visto, sobretudo nos Estados Unidos, é de apreensão e cautela. Conforme referi em edições passadas, percebo que esta “transição” vem se dando gradualmente, pois o “sucessor” oficial (escrever isto sempre me soa mal, pois como é que um mísero homem pode dominar um país inteiro por quase meio século e ainda impor que depois de sua morte seu irmão dê continuidade a essa auto-imposta “dinastia sangrenta”? E o restante da população, não é nada?), Raúl Castro, que atuava como eminência parda do regime e jamais dava entrevistas, passou a se expor mais e o próprio Fidel vinha fazendo referências a ele, como se esta passagem de bastão estivesse próxima.


É possível que o velho Abutre já tenha morrido e a Nomenklatura esteja elaborando a forma como dará a notícia ao mundo, além de como será a transição. Há muita gente desejosa de assumir o poder da Ilha e um outro tanto que quer ver Raúl, o irmão sem sal e nada carismático, pelas costas. Há “dissidentes” na Ilha que almejam este poder, como Oswaldo Payá, e que continua sendo para mim uma figura esquisitíssima pelas regalias que mantém até hoje, bem como membros do governo como o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, o vice-presidente Ricardo Lages e o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque.


Pelo Projeto Varela, elaborado pelo sr. Payá, a dissidência externa não teria direito a concorrer a qualquer cargo no novo governo, bem como ele oferece um perdão absoluto aos milhares de crimes do sanguinário ditador, como se ele, Payá, fosse Deus. Quando não se foi jamais molestado, como é o caso deste senhor, é fácil, escorando-se num pseudo-cristianismo, perdoar os crimes alheios.


E da dissidência começam a surgir Notas e Declarações que deixam muito claras as posições dos cubanos desterrados que amam sua Pátria tanto quanto os que lá ainda permanecem. Abaixo reproduzo uma Declaração da Associação Cubanos pela Liberdade, pois me parece refletir o pensamento da maioria dos dissidentes e o meu modo pessoal de ver também, que acabo de receber de NetforCuba.


“Hoje, ante a notícia da passagem “eventual” do poder de um criminoso para outro na Cuba de todos, queremos fixar nossa posição ante os possíveis cenários que se vislumbram no horizonte político e que passam pela recuperação, desaparecimento ou invalidez do tirano Castro; daí que:


1. Rechaçamos, condenamos e denunciamos qualquer tentativa de continuidade do regime mediante supostas negociações, impulsionadas desde os hierarcas do sistema e com o beneplácito de alguns “dissidentes” e instituições dentro e fora do país.


2. Exigimos a liberdade imediata e incondicional de nossos companheiros encarcerados – que são todos e cada um dos presos políticos -, partindo de nossa oposição a qualquer tentativa de classificá-los segundo os interesses de determinados grupos, instituições ou personalidades.


3. Apoiamos todo tipo de ajuda aos opositores em Cuba, e especialmente a designada pelo Governo dos Estados Unidos, para manter a luta cívica que se avizinha, embora rechacemos os favoritismos aos que se erijam Uni-líderes com Uni-projetos para uma Cuba que é de todos.


4. Solicitamos à União Européia, aos Estados Unidos e à Opinião Internacional que, como seres humanos, os cubanos e nossos direitos à liberdade sejam respeitados, com a mesma dignidade da qual desfrutam seus cidadãos. Qualquer apoio e/ou gestão que não seja neste sentido, o catalogaremos como cumplicidade com os vitimários dos governo Castrista.


5. Fazemos um chamamento aos militares que não mancharam suas mãos de sangue para que, com a honra que até agora não tiveram, detenham quantos assassinos governam em Cuba; derroguem a pseudo-Constituição de 1976 e entreguem o poder a um Governo Civil de transição que possa instaurar as garantias fundamentais para todos os cubanos, enquanto se convocam eleições livres e uma nova constituinte. Senhores do verde-oliva, não é possível que diante de tanta ignomínia, atropelo e injustiças contra vossos semelhantes, continuem justificando sua covardia com as migalhas que lhes oferece o tirano.


6. Convidamos a todos os cubanos – à margem de ideologia ou tendência política -, nos reunirmos no esforço para uma Cuba livre, sem matizes, sem ambigüidades, onde a Pátria seja casa e abrigo de todos mediante a lei e a justiça, para que nunca mais seja incubada uma Revolução Criminosa.


Por todos os que caíram, pelos prisioneiros, pelos desterrados, por nosso filhos e familiares, expulsemos do poder os covardes assassinos que vivem na opulência enquanto nossa sociedade se desgasta no dia-a-dia.


CUBA SIM, DITADORES NÃO!


Eduardo Vidal Franco – Presidente da Associação Cubanos pela Liberdade (ACPL).


Espanha, 1º de agosto de 2006.


Nota: A esta Declaração até agora se lhe somaram o apoio de: Lázaro González Valdés, Diretor Geral de SOS JUSTIÇA; Engº César Alarcón, Presidente do Movimento Cubano Unidade e Democracia. Todo aquele que deseje demonstrar sua conformidade com esta declaração, pode fazê-lo através de um e-mail para: cubanospl@yahoo.es”.


E o Notalatina fica por aqui, podendo fazer uma edição extraordinária, caso se confirme (e que Deus escute as nossas preces!) que o tirano enfim, desinfectou aquela bela ilha caribenha. Fiquem com Deus e até a próxima”


Agradecimentos a www.NetforCuba.org e ao site www.therealcuba.com que disponibilizou estes vídeos que o Notalatina apresenta com EXCLUSIVIDADE para o Brasil.


Tradução e comentários: G. Salgueiro

domingo, 23 de julho de 2006


Encerrou-se ontem a XXX Cúpula do Mercosul em Córdoba, Argentina, e o Notalatina não podia deixar de fazer comentários daquilo que “não se viu” nem a grande mídia tupinikim noticiou. Me refiro mais especificamente à visita do ditador vitalício de Cuba, Phidel Kastro, mantido vivo às custas de muito Formol, já que parece não existir em Cuba algum taxidermista competente o suficiente para empalhá-lo e deixá-lo em exposição pendurado numa prateleira qualquer, para a mórbida visitação pública de ávidos e imbecilizados turistas o que, certamente, renderia muitos euros e dólares ao governo tirano.


Depois de muito “suspense”, como gosta de fazer sempre para mostrar-se importante e bajulado, o ditador Castro chegou finalmente para participar da Cúpula, cuja presença é uma aberração ditada pelo Foro de São Paulo e idealizada desde 2004, quando ficou determinado que o Mercosul seria o portal para a conformação do Bloco de Poder Regional. Sua comitiva veio antes, em dois aviões, para certificar-se de que não haveria qualquer risco de atentado à magnânima e esperada presença.


Mas, para se compreender melhor porquê a Venezuela foi admitida como membro permanente do Mercosul e o que faziam lá Fidel e Evo Morales, o índio cocalero que está presidente da Bolívia, é necessário recuar um pouco no tempo. Em 2004, o sociólogo comunista germano-mexicano Heinz Dieterich, guru de Chávez e Fidel, explicou que a idéia de criar a “Pátria Grande” sonhada por Bolívar, só seria viável se se criasse um “bloco” com todos os países de corte comunista da América Latina (Cuba, Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e Equador), com pensamentos e ações coordenadas desde um líder, para o qual foi designado Chávez. Para tanto, criou o projeto do “Bloco de Poder Regional”, onde se unificariam as Forças Armadas de todos esses países para fazer frente ao inimigo externo, evidentemente, os Estados Unidos.


A partir desta concepção, foi determinado o ingresso da Venezuela no Mercosul que deixaria de atuar no campo comercial, para o qual foi criado, e passaria a atuar em outras frentes visando a unificação de todos os países membros deste tal bloco, com liderança de Chávez e sob orientação direta de Fidel. Para quem acompanha e estuda o processo de unificação da América Latina em um só país (União das Repúblicas Socialistas da América Latina - URSAL), para substituir a extinta URSS, nada disto é novidade, só que agora o processo se acelera de forma descarada, para quem queira ver, evidentemente. Quem quiser conhecer mais sobre o assunto acesse o site Mídia Sem Máscara e busque “Bloco de Poder Regional Militar”; está tudo lá, dito por eles mesmos.


Isto não foi comentado pelos jornais, como também não foi comentado que, ao desembarcar em Córdoba, uma multidão esperava o velho ditador (ninguém mais acreditava que ainda estivesse vivo e eu, particularmente, tenho dúvidas de que a “figura” que apareceu era mesmo Fidel, pois alguma coisa em sua fala e em seu rosto contradiziam a imagem que vi no documentário “As torturas de Castro” feito recentemente), dentre eles muitos jornalistas.


Foi então que o jornalista cubano-americano Juan Manuel Cao, da “América TV Canal 41, de Miami, aproximou-se da escada onde estava o mega-assassino e fez a pergunta que todos queriam saber: por quê o ditador não permitia que a Drª Hilda Molina viajasse de Cuba com sua mãe, velha e doente, para visitar o filho e os netos residentes na Argentina? O velho irritou-se e disse que não era da conta do repórter. Este insistiu e, perguntado sobre sua nacionalidade, disse que era cubano e que desejava uma resposta do ditador. Furioso, Fidel disse que ele não era cubano mas um traidor, chamou-o de “mercenário pago por Bush”, esperneou, xingou, ficou brabo.


Tudo isso está documentado neste vídeo que o Notalatina apresenta com exclusividade para o Brasil. Mas, por que tanta polêmica e irritação em torno da saída do país de uma médica e sua velha mãe, quando há milhares de outros casos semelhantes de pessoas dignas e decentes que não têm o direito sequer de viajar de uma para outra cidade, dentro da mesma Cuba? Esses desejos frustrados acontecem diariamente naquela Ilha-cárcere e, malgrado a indignação, não são sequer conhecidos do mundo...


Bem, a Drª Hilda Molina é uma neurocirurgiã que pertencia, até fins de 2004, ao Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), uma instituição de propriedade do Governo e que descobriu a chamada “substância negra fetal”, constituída por células espinhais e tecido neuronal de embriões humanos. Esta substância, para conseguir os efeitos regenerativos no tecido nervoso de adultos, deve ser transplantada de um embrião vivo.


A denúncia foi feita pelo diretor da instituição, Dr. Julián Alvarez, em um livro intitulado “Artesão da vida”, onde ele afirma que “atualmente realizam-se uns 100 mil abortos anuais com o consentimento e o estímulo do próprio Governo. O CIREN encontra-se capacitado, por isso, para obter com relativa facilidade o tecido embrionário para seu emprego nestes tratamentos. O governo cubano, ao mesmo tempo, utiliza estes 100 abortos para suas estatísticas de “baixa mortalidade infantil em Cuba”.


Aí está explicado o crime pelo qual o maldito ditador não deixa a Drª Molina sair do país e que tem dois desdobramentos: 1. medo de que o mundo tome conhecimento de que em Cuba o aborto é oficializado e estimulado, para extrair desses embriões VIVOS o material que se reverterá em tratamento de gente cheia dos “odientos” dólares que engordam seus cofres e 2., a velha história do “roubo de cérebros” pois, segundo sua doutrina, TUDO pertence ao Partido-Estado Comunista, à Revolução, sobretudo o conhecimento científico encarnado nos próprios cientistas que deixam de ter vida própria, identidade, vontade.


Existe alguma coisa mais perversa e abominável do que isso? São 100 MIL VIDAS INOCENTES ASSASSINADAS POR ANO, sem terem cometido qualquer crime ou direito de defender-se de seus assassinos! São 100 mil vidas acrescidas às já tantas milhares assassinadas no paredón; nos mares, em fuga nas frágeis balsas; por suicídios, em decorrência do desespero (onde Cuba ocupa o “honroso” 2º lugar no mundo); na falta de assistência médica; nos maltratos nos cárceres; de fome e miséria.

Segundo informou um jornal argentino, Kirchner entregou uma carta a Fidel pedindo a liberação da Drª Molina em que diz: “Como você bem conhece, é de meu maior interesse possibilitar o reencontro entre a Doutora Hilda Molina e sua família residente em nosso país” e mais adiante, “Permitir a chegada da Doutora Hilda Molina e sua mãe à Argentina seria a forma mais efetiva para concretizá-la, atendendo às razões humanitárias do caso e o desejo de uma família cubano-argentina. Estimo que você compreenderá, analisará e dará uma pronta e positiva resposta”. Partindo de um “ex” montonero, essas “razões humanitárias” soam falsas, demagógicas, hipócritas, eleitoreiras.


Entretanto, a Drª Molina faz uma denúncia grave (e que parece ter passado tão despercebida à Radio 10 que a entrevistou que foi publicado sem cortes), vejam: “Há milhares de famílias reféns que atravessam uma situação similar à minha” E novamente solicitou que deixem sua mãe, de 87 anos, sair de Cuba com urgência, pois há dois meses sofreu um acidente e quebrou um braço. “Desde o dia 16 de maio passado não conseguimos que minha mãe possa sair da Ilha para receber uma atenção médica adequada. Ela está prostrada em uma cadeira de rodas e com o braço quebrado”.


Mas a saúde e a educação não são os maiores logros da Revolução, cantados em verso e prosa nos quatro cantos do mundo? Também não é espalhado pelo mundo inteiro que tanto as crianças quanto os velhos são muito bem tratados e cuidados pelo “governo”? Se a Drª Molina ainda pertencesse ao Partido e servisse à Ditadura, certamente sua mãe já teria sido medicada e prontamente atendida nos melhores hospitais da Ilha. Isto serve para mostrar que, ao cubano “a pé”, aquele que não pertence à Nomenklatura, TUDO lhe é negado, tirado, recusado; até a própria vida.


Outra mentira que tenho o prazer de desmascarar, embora lamentando sinceramente pelas vítimas, é o “sucesso” das “Missões Milagre”, formado por falsos médicos cubanos que servem como mercadoria de troca entre Cuba e Venezuela. Esses “médicos”, que são enviados aos países latino-americanos em troca de alguma mercadoria que tal país possa oferecer ao ditador, em vez de tratar e curar as doenças estão causando danos severos e até mesmo óbito nos pobres que a eles se submetem.


Os Conselhos de Medicina de vários países já denunciaram o engodo, entretanto estes charlatões continuam destruindo a vida e a saúde de quem a eles se submetem. A “Missão Milagre” tem como objetivo operar de catarata e pterígio 600 pessoas por ano em toda a América Latina. Desses, há uma infinidade severamente lesionados, como um caso que eu soube pessoalmente de um senhor pobre na Venezuela que, sentindo um comichão na vista operada, procurou um oftalmologista venezuelano e este constatou que o olho operado estava cheio de vermes, resultante de infecção severa e falta de higiene durante a cirurgia.


O diretor médico da Fundação Oftalmológica Los Andes, Dr. José Miguel Ried, afirmou que tem antecedentes de que na Jamaica, na Bolívia e no Brasil os resultados da “Missão Milagre” não foram os desejados. Segundo o Dr. Ried foi informado, através do chefe de Oftalmologia do Hospital de Kingston na Jamaica, foi pedida a suspensão imediata das operações com esses médicos cubanos, porque “o número de complicações pós-operatórias é alarmante. De 60 pessoas operadas, 3 ficaram cegas e 14 com danos severos”. O médico afirmou ainda que muitas doenças oculares necessitam de controles periódicos e estrito acompanhamento após a cirurgia, o que não era feito pelos médicos da “Missão Milagre”.


Também no Chile, ontem seriam enviados 90 pacientes à Venezuela num avião próprio da “Missão” mas, segundo o embaixador da Venezuela naquele país, houve um atraso porque o Boing teve de fazer uma parada na Argentina onde deixaria os pacientes já operados. Entretanto, a Ministra da Saúde chilena, María Soledad Barría afirma que não vê qualquer motivo para esses pacientes se submeterem a cirurgias com os médicos cubanos, uma vez que todos os chilenos são atendidos pelo “Plano AUGE”.


Ela negou que tivesse aprovado tal missão, informando que em abril reuniu-se com o embaixador da Venezuela no Chile, Víctor Delgado, mas disse que foi apenas “mais um encontro” com representantes de outras nações assim que começou este novo governo. Para se perceber a diferença do tratamento feito no Chile, com seriedade profissional, e essas tais “missões”, a oftalmologia chilena trabalha com equipamentos de alta tecnologia e os pacientes são operados com laser, em quatro centros em todo o país que realizam 120 operações diárias de catarata e pterígio. Na Venezuela, as pessoas são operadas 48 horas após chegarem de viagem e permanecem lá apenas 11 dias.


Por todos estes exemplos, da falta de atendimento ou de um atendimento insatisfatório e criminoso, é que venho denunciando há tempo a invasão quase que silenciosa em nosso país destes agentes castristas disfarçados de “médicos”, “desportistas” ou “afalbetizadores”. E para que se tenha uma idéia precisa de como são tratados os velhos em Cuba, desfazendo mais este mito da excelência da saúde e do “cuidado preferencial” a esta pobre gente, é que sugiro que se acesse este link (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2761), de uma reportagem antiga e com fotos extremamente chocantes (uma das quais ilustra a edição de hoje), sobre um abrigo de velhos em Cuba que foi censurado e divulgado apenas numa revista sueca, que o Mídia Sem Máscara publicou com exclusividade em outubro de 2004 intitulada “A verdade proibida sobre Cuba”.


Amigos, quando eu falo sobre todos estes crimes que estão ocorrendo em Cuba há malditos 47 anos e na Venezuela há 7, é tentando alertar para o que este governo comuno-petista pretende para nosso país. Por favor, não subestimem estes avisos porque desde 2002 que bato na mesma tecla do Foro de São Paulo determinando o rumo da política dos países latino-americanos e, se alguém se der ao trabalho de ler desde os primeiros anos, vai comprovar que muito do que vemos hoje, no Brasil, já foi denunciado aqui, no Notalatina. Fiquem com Deus e até a próxima!


Agradecimentos especiais à Marisol Toraño que remeteu o vídeo da Argentina à organização NetforCuba Internacional - http://www.netforcuba.org/ – e à minha amiga Lou Pagani que gentilmente me brindou com esta exclusividade.


Comentários: G. Salgueiro

segunda-feira, 12 de junho de 2006


É com prazer que trago hoje textos de dois bravos e queridos amigos venezuelanos: Alejandro Peña Esclusa, e Aleksander Boyd que, coincidentemente, falam de esperança e incutem coragem aos seus compatriotas neste ano difícil em que vão se realizar eleições presidenciais. E por que chamo de “coincidência”? Porque foram escritos em momentos e circunstância diversas mas, entretanto, casam-se perfeitamente bem e servem como uma luva para nós brasileiros, posto que estamos entrando em situação semelhante à da Venezuela.


O artigo do Aleksander, para quem não acompanhou o processo, diz respeito a acusações que ele sofreu no mês de maio em decorrência de quatro entrevistas que ele deu a rádios e tvs de Londres, ocasião em que Chávez visitou a Inglaterra. Por ter falado abertamente quais eram os planos políticos de Chávez, de transformar a Venezuela numa sucursal de Cuba, foi rotulado de “terrorista” e outras sandices do gênero.


Além desses dois artigos o Notalatina traz hoje mais um vídeo, EXCLUSIVO E INÉDITO NO BRASIL da entrevista feita por uma televisão espanhola com o General-de-Divisão Néstor González González desde um ponto clandestino na Venezuela, em que ele fala sobre todo o processo de comunização de seu país através dos acordos entre Chávez e Fidel Castro, da penetração e cobertura de chefões e guerrilheiros das FARC em território nacional, da sua situação atual tendo que viver na clandestinidade e longe da família mas, o mais importante, sobre as fraudes eleitorais e as eleições presidenciais que se realizam em dezembro deste ano.


Com relação a essas eleições ele faz um alerta muito grave, afirmando que há candidatos da oposição que estão recebendo dinheiro do Governo para candidatar-se, para dar a impressão ao povo que a disputa é legítima e demovê-los da abstenção como houve no ano passado. Com isso, legitima-se o processo eleitoral e mostra-se ao mundo uma falsa realidade, sobretudo aos observadores que sempre participam desses eventos e para as televisões mostrarem ao mundo uma “democracia consolidada”.


Mas não quero me alongar muito descrevendo o vídeo. Convido-os a assistirem porque há muita correlação com a nossa vivência atual, considerando que tanto Chávez quanto Lula pertencem ao Foro de São Paulo, cujas determinações são seguidas a risca, coisa que denuncio praticamente desde o primeiro dia em que criei o Notalatina.


Não sei explicar porquê mas o link para baixar o vídeo está dando problema quando clicado, portanto, sugiro que copiem e colem no seu navegador porque assim não dá qualquer erro; eu tive o cuidado de testar antes de publicar: http://www.epoca.es/video/videoh.html.


Não deixem de assistir! Fiquem com Deus e até a próxima!


A importância do intangível


Alejandro Peña Esclusa


Nesta hora difícil que a Venezuela vive, quando está em jogo a sobrevivência mesma da Nação, é hora de falar de assuntos transcendentes, de temas intangíveis, porém de grande valor moral, justamente os que se requerem para enfrentar os duros momentos que se avizinham.


Tenho a obrigação de dizer aos venezuelanos, como muitos já se deram conta, de que não existe saída eleitoral para a crise; que Chávez jamais entregará o poder pacificamente; e que – mais triste ainda – a oposição não se porá de acordo em uma estratégia comum porque, lamentavelmente, os interesses pessoais estão acima dos interesses da nação.


Entretanto, como expliquei em um recente artigo, Chávez cairá inexoravelmente pelo fracasso moral e ideológico de seu projeto, infestado de ineficiência, corrupção, enfrentamentos internos e o rechaço nacional e internacional. Esta queda não será o resultado de uma estratégia eleitoral, mas de uma rebelião generalizada do povo venezuelano, cansado de ter como governante um homem ao qual o país não interessa, senão exportar a revolução cubana ao resto do continente.


Quando isso ocorrer, Chávez tentará reprimir a população com o uso cruel e desmedido da violência. Para tal, os venezuelanos devem estar preparados psicologicamente para resistir, defender seus direitos e salvar a democracia.


E essa preparação psicológica, de vital importância para obter a vitória, não se consegue falando de primárias, de candidato único, de táticas eleitorais e de outros temas parecidos. Consegue-se falando de assuntos transcendentes como, por exemplo, o sentido da vida, o amor a Deus e à pátria, a missão da Venezuela como nação, a importância de lutar pelas futuras gerações, embora a custa de arriscar a própria vida, quer dizer, de temas que transmitam um sentido de grandeza e de vitória, de temas que levantem o moral dos venezuelanos.


Querido compatriota: se avizinha um desenlace, porém tem fé em tua Pátria, nas tradições dos venezuelanos, nas virtudes que sempre nos adornaram como nação. Tem fé em que, apesar dos erros cometidos, temos um coração grande; tem fé que merecemos algo melhor.


São estas reflexões – de caráter intangível, porém de uma força enorme – as que te darão as ferramentas para defender a Venezuela e para construir um futuro melhor.


Venezuela, não tenha medo!


Aleksander Boyd


Londres, 09.06.06 – Há um par de dias lhes comentava sobre a petição que encaminhei contra o prefeito de Londres por haver-me acusado de terrorista. As respostas de muitos de vocês me enchem de coragem e abastecem meu espírito. Devo, todavia, fazer uma reflexão sobre o que percebo como o temor generalizado que se instalou na psique dos venezuelanos, pois me parece que o chavismo já teria conseguido seu principal intento, que não é outro senão paralizá-los, inoculando-lhes medo em doses homeopáticas.


Não temam meus queridos compatriotas, pois aqueles assistidos pela razão e pela justiça nada têm a temer. Nada nem ninguém se interporá em nossa vereda libertadora; não há chavismo capaz de tal empreendimento, pois eles não são movidos pela absoluta convicção e disposição de lutar por sua liberdade, senão mais precisamente pelo desejo ruim e mundano de rapina, de destruição, de desrespeito, em suma, não há lealdade entre o atalho de assassinos que momentaneamente controla o poder.


Por isso é mister convencer-se de que aquele que trabalha com maldade, a paga nesta vida ou na outra. Vejam por exemplo o caso do diz-que-diz do magistrado Alvaray; notem como entre eles a coisa é mais feroz do que jamais foi contra a nobre e digna sociedade venezuelana. E sabem por que? Porque a fome de poder e ódio acumulados por várias décadas é mais forte que o senso comum e a decência. O produto da fome endêmica, desestabilidade familiar e emocional são os ressentidos sociais que hoje se auto-denominam bolivarianos. Para muitos deles a revolução representou a oportunidade jamais conseguida por méritos e esforço próprios. Porém, isso não deve compungir-nos ou intimidar-nos; não! Ao contrário, indivíduos tão deficientes não representam uma ameaça. Não estamos em presença de seres educados que decidiram tornar-se figuras de dominação mundial (a esses deve-se temer), mas lidando com ladrões, com malandros de esquina, com bêbadozinhos de botequim barato, com cadetezinhos medíocres de província, com párias que são valentões apenas ante suas pobres mulheres na segurança de suas casas.


Não temas, Venezuela; não há motivo. Não ouses baixar a cabeça ao apátrida e seu chulo cubano. Se for necessário desvia o olhar, recobra as forças e adota, consciente de todo o teu poder, postura firme ante o compromisso. Tua liberdade e a de teus filhos valem a pena o sacrifício.


E não se preocupem comigo, uma vez que nesta sociedade as leis não estão presas aos desígnios autoritários de políticos indginos.


Traduções e comentários: G. Salgueiro

terça-feira, 30 de maio de 2006


Na última edição do Notalatina eu havia prometido que a próxima seria a apresentação de um vídeo do General de Divisão venezuelano Néstor González González, hoje na clandestinidade forçada pelo regime castro-chavista, que dá uma entrevista bastante grave a uma televisão espanhola. Entretanto, dei prioridade a outros vídeos que já estavam preparados para a divulgação desde abril e que, em decorrência do Seminário sobre Democracia e Liberdade ocorrido recentemente e no qual estive bastante envolvida, ficaram aguardando uma oportunidade mais amena para serem divulgados.


Trago hoje, com exclusividade no Brasil, dois vídeos sobre Cuba apresentados no programa “A Mano Limpia” que é conduzido pelo jornalista dominicano Oscar Haza, no Canal 41 AméricaTeVe dos Estados Unidos.


Quero primeiro comentar o mais recente desses programas que foi exibido no dia 11 de abril pp., cujo vídeo comentado foi lançado no domingo de Páscoa, em Miami. Trata-se do documentário “As torturas de Castro”, com direção de Luis Guardia e produção de Pedro Corzo, em que ex-presos políticos, vítimas sobreviventes da ditadura castrista relatam as torturas que sofreram nas masmorras cubanas, com 1 hora de duração e que pode-se ver aqui: www.canf.org/2006/video/2006-abr-12-las-torturas-de-castro.htm.


Este vídeo foi também apresentado na Conferência sobre Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o que rendeu mais uma condenação (pró forma, a bem da verdade) a Cuba, ato que se repete ano após ano sem que nada de concreto aconteça ao velho ditador, tampouco àquele povo escravizado e amordaçado da Ilha-cárcere.


Este trabalho de resgate e vivificação dos crimes da ditadura comunista implantado na ilha há 47 anos, deve-se ao “Instituto de la Memoria Historica Cubana contra el Totalitarismo” (http://www.cubamemoria.com/ – visitem-no!), cujo presidente é o estimado amigo Pedro Corzo e que conta em seu acervo com vários documentários, um dos quais “Guevara: anatomia de um mito” que o Notalatina apresentou com exclusividade em 01 de novembro de 2005.


Há ainda dois outros documentários produzidos por esta equipe: “Tributo a papá”, traz depoimentos comoventes e dolorosos de mulheres que cresceram sob a discriminação e o estigma de serem filhas de fuzilados – e, portanto, inimigos da revolução -, a dificuldade de compreender por quê seus pais foram assassinados, a falta que eles fizeram em acompanhar o crescimento e desenvolvimento de cada uma e as marcas psicológicas irreversíveis que esta perda ocasionou em suas vidas. E, “Yo los he visto partir”, traz também depoimentos de ex-presos políticos que viram companheiros de luta e de prisão, alguns que até compartilhavam a mesma cela, amigos queridos serem levados para o fuzilamento, alguns porque eram cristãos, outros porque se negaram a apoiar uma ditadura comunista. Eu os tenho em DVD e afirmo: vale a pena ver porque não se trata de ficção mas uma realidade cruenta e pungente que me assusta em pensar que pode um dia se concretizar entre nós.


No vídeo do programa “A Mano Limpia”, apresentado no último dia 11 de abril, estiveram presentes Luis Guardia e Pedro Corzo, autores do documentário, a senhora Anette Escandón, o senhor Evelio Ancheta e o Dr. Gerardo Rodríguez Capote, hoje psicólogo, todos ex-presos-políticos que relataram suas experiências com os verdugos da tirania castrista submetidos a torturas físicas e psicológicas diárias, durante os anos em que estiveram presos.


Existe um projeto para que todos estes vídeos produzidos pelo Instituto da Memória Histórica Cubana contra o Totalitarismo sejam reproduzidos e comercializados pelo Mídia Sem Máscara em um futuro próximo; estamos torcendo para que isto se concretize o mais rápido possível, pois creio e insisto que é muito importante que se conheça a realidade daquela ilha que de paradisíaca só tem mesmo aquilo que foi obra do CRIADOR, e não do ditador.


O primeiro vídeo é centrado no programa “A Mano Limpia” onde os painelistas comentam sobre os vídeos produzidos pelo IMHCT, sobretudo o mais recente, “As torturas de Castro”; este, entretanto, além das exposições e comentários, apresenta o citado vídeo mesmo, na íntegra. Traz como convidados José Antonio Evora, crítico de cinema de “El Neuvo Herald”, Alejandro Ríos, também critico de cinema e Emilio Ichikawa, filósofo e ensaísta que discutem e apresentam o curta “De Buzos, Leones e Tanqueros” realizado em Cuba, por Daniel Vera, que foi apresentado na Quinta Mostra de Jovens Realizadores, em Havana. Vejam em http://www.canf.org/2006/video/transit/pobreza.wmv.


A qualidade do vídeo não é muito boa e creio que deve-se à dificuldade em realizar tal filmagem num ambiente severamente policiado mas, mesmo curto e com muitas falhas técnicas vale a pena ser visto, pois é como se fosse uma radiografia da situação miserável em que vive o povo cubano “a pé”, contrastante com as informações filtradas pelo regime castro-comunista e que são repassadas para o mundo.


“De buzos, leones e tanqueros” mostra o dia-a-dia de pessoas comuns, que tentam sobreviver catando coisas em depósitos de lixo, daí os neologismos criados após a revolução “buzo” (literalmente mergulhador) e “tanquero” (tanque ou depósito de lixo, também denominado “basurero”) que, em suma, reflete a “profissão” de “catador de lixo”.


Ok, eu sei que muitas pessoas podem alegar que pobreza, miséria e pessoas catando lixo existem em qualquer lugar do mundo e, de modo especial, aqui no Brasil. Entretanto, o que não encontramos aqui é pessoas cultas, com com nível intelectual e cultural refinado e formação universitária, catando lixo. Também nunca tivemos uma revolução que prometia acabar com a miséria e dar uma qualidade de vida invejável igualmente para todos os cidadãos do país mas o mega-assassino e multi-milionário Fidel Castro prometeu isso a seu povo e, como todo comunista, jamais cumpriu!


As imagens são tão fortes e chocantes que, mesmo com uma audição e legenda muitas vezes incompreensíveis, falam por si sós, como a tristeza, que dispensa qualquer palavra, estampada naqueles rostos desgastados e sem qualquer vislumbre de esperança de dias melhores, de modo especial nos olhos azul-claros de um jovem de feições finas que buscava livros de literatura nos “basureros”, por estar desempregado e não ter como nem onde comprá-los. Confesso que chorei vendo esta cena...


E no final do vídeo a revelação clara da violação estúpida às liberdades individuais de expressão e de ir e vir dos cidadãos cubanos, quando aproxima-se uma “guarnição” de CDRs (Comitê de Defesa da Revolução) que “dispersa” os catadores por estarem dando informações proibidas. Além de dispersar os entrevistados, eles põem a mão sobre a câmera para não serem filmados e não sei como não impedem a filmagem...


Este é um filme impressionante e que deveria ser do conhecimento de todo brasileiro que ainda acredita nas propostas deste governo comunista do Sr. Lula da Silva e sua gang, fiéis adoradores do criminoso Castro e seu regime tirânico, e que aos poucos vão transformando nosso país numa Cuba continental. Vejam com seus próprios olhos o que faz um regime comunista escravocrata e não permitam que transformem nosso belo e rico país em algo semelhante.


Na próxima edição prometo trazer outros vídeos impactantes e exclusivos que me são graciosamente ofertados pela querida amiga e guerreira cubana Lou Pagani, a quem sou muitíssimo grata.


Fiquem com Deus e até a próxima!


Fonte: http://www.canf.org/


Comentários: G. Salgueiro

quarta-feira, 24 de maio de 2006



O Notalatina ficou praticamente o mês todo sem atualização mas é com enorme alegria que hoje volto a atualizá-lo, e numa edição especial. E esta edição torna-se especial porque quero falar de um evento ocorrido nos dias 15 e 16 de maio em São Paulo, Brasil, o Seminário Internacional sobre Democracia, Liberdade e o Império das Leis promovido pelo Mídia Sem Máscara, onde pudemos assistir palestras de altíssimo nível proferidas por personalidades do mundo liberal da América Latina, Estados Unidos e Europa.


Coube-me a honra de convidar para proferir a palestra O futuro da democracia na América Latina, ninguém menos que Alejandro Peña Esclusa, grande guerreiro venezuelano, meu amigo pessoal e autor dos livros 350 – Como salvar a Venezuela do castro-comunismo e O continente da esperança lançado recentemente na Venezuela e brevemente aqui no Brasil, com tradução minha para o português.


Antes de falar sobre a palestra do Alejandro, quero contar como foi a sua vinda para o evento. Como todos sabem, Peña Esclusa é mais uma das incontáveis vítimas da perseguição insana do delinqüente Chávez, e tem contra si três processos por “incitação à desordem”, “desobediência civil” e “promoção à rebelião no país”, todas elas forjadas tal como nos casos de outros opositores ao regime castro-chavista, sejam militares, jornalistas, clérigos e ex-funcionários do Estado.


Bem. A “saga” começa quando envio um e-mail convidando Alejandro para participar do Seminário que ele de imediato aceita mas conta que, apesar de sua condenação de 1 ano e meio sem poder sair do país ter expirado há três meses, a Procuradoria ainda não havia dado baixa no processo, de modo que, para viajar ao Brasil seria necessário que enviássemos uma carta-convite explicitando que a promotora do evento se responsabilizaria por todos os custos durante sua estada aqui, para que através de seu advogado a solicitação fosse encaminhada ao Tribunal a fim de liberarem sua saída do país.


Foi providenciado o solicitado mas não satisfez à “zelosa” Justiça venezuelana. Agora eles pediam que fossem enviados os mesmos documentos com a assinatura do responsável pelos custos da viagem, com as reservas do hotel e dos vôos, ambos com data e horário. Providenciado isto, também não foi suficiente; pediram então que tais documentos fossem enviados no original, porém escrito em espanhol. Tudo fizeram para dificultar a saída do país de um homem decente, sem qualquer mácula em seu currículo, porém tratado como um reles criminoso que necessitava ser “vigiado” em todos os seus passos.


O tempo passava e a aflição crescia até que, na sexta-feira 12, já no fm da tarde, veio a confirmação de que fora liberada sua viagem.


Desde o sábado que antecedeu o Seminário em São Paulo, a cidade que o abrigava vinha sendo abalada por rebeliões nos presídios, culminando com a libertação pelo indulto do “Dia das Mães” de 12 mil criminosos, muitos deles pertencentes ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que, organizados e treinados pelo MST (Movimento dos Tabalhadores Rurais Sem-Terra), atacaram impiedosamente a Polícia Militar de São Paulo, incendiaram ônibus e levaram o pânico à capital paulista.


Não sei se chame de “coincidência” ou “obra da Providência Divina” o fato de termos Peña Esculsa dentre os palestrantes nesta ocasião, porque o que São Paulo vivia naqueles dias era do conhecimento deste venezuelano, não teoricamente mas na prática de anos da “revolução bolivariana”, onde assassinatos, depredações, saques, incêndios criminosos por bandos de delinqüentes venezuelanos (lá, as “milícias bolivarianas”, os “carapaica” e os “tupamaros”, TODOS sob a proteção governamental) ou mercenários cubanos disfarçados de “técnicos”, “professores” e “desportistas”.


O que se discutia no recinto daquele auditório era a defesa da liberdade e o império das leis, enquanto lá fora São Paulo ardia em chamas, numa clara demonstração de que os inimigos da liberdade – os comunistas de todos os matizes - não querem paz, nem ordem e muito menos progresso.

Reinava no auditório um silêncio sepulcral e respeitoso, quando Alejandro iniciou sua palestra. Através de um Power Point ele foi discorrendo todo o processo de comunização da América Latina, planejado e executado desde o Foro de São Paulo (do qual falo desde que criei o Notalatina), sobretudo em relação a seu país, a Venezuela.


Na primeira página ele mostra como são os planos para a destruição da Democracia na Venezuela:


1. Subordinação a Fidel Castro e invasão cubana - (já existem 20.000 cubanos em solo venezuelano, espalhados em TODOS os setores da vida nacional, sobretudo na PDVSA, em altos postos das Forças Armadas e da guarda pessoal do delinqüente Chávez);2. Assembléia Constituinte para controlar os Poderes - hoje quase que 100% nas mãos de aliados de Chávez;3. O terror seletivo como mecanismo de dominação – neste caso, a perseguição política a pessoas isoladas como o General Néstor González González (de quem na próxima edição divulgarei mais um vídeo exclusivo), por ter denunciado a invasão e o acobertamento pelo governo a terroristas das FARC; à jornalista Patricia Poleo, por ter denunciado que também foi obra do governo, como queima de arquivo, o assassinato do procurador Danilo Anderson e do próprio Peña Esclusa, por tantar abrir os olhos do povo venezuelano para a implantação do castro-comunismo na Venezuela;3. Propaganda para manipular a opinião pública – com as tais “missões” cubanas que em verdade NADA de produtivo trouxeram ao país, senão a doutrinação castro-comunista e,4. A oposição atua com mecanismos tradicionais.


Sobre o futuro da Venezuela, Alejandro diz o seguinte: “Não há saída eleitoral para a crise. O regime castro-chavista radicalizará em 2007”, caso vença as eleições de 4 de dezembro deste ano, pondo em prática a “segunda fase de expansão internacional”. A única solução constitucional é aplicar o Artigo 350”, cujo teor é claro:


Artigo 350“O povo da Venezuela, fiel à sua tradição republicana, à sua luta pela independência, à paz e à liberdade, desconhecerá qualquer regime, legislação ou autoridade que contrarie os valores, princípios e garantias democráticas ou menospreze os direitos humanos”.Constituição da República Bolivariana da Venezuela


Quanto à expansão Continental, ela se dará através do Foro de São Paulo, inicialmente, e depois através do Fórum Social Mundial. Já tive oportunidade de comentar isto aqui, e agora o Alejandro reforça minha teoria com um novo argumento. Segundo ele, o Foro de São Paulo foi criado com o objetivo de reunir em torno de uma única organização partidos de esquerda e agremiações terroristas, com o intuito de colocar no poder de governos latino-americanos políticos comprometidos com o castro-comunismo, em decorrência do fim do “socialismo real”.


Isto tornou-se concreto na Venezuela, no Brasil, na Argentina, no Uruguai, na Bolívia, no Chile e marcha para concretizar-se no Peru, no México, na Guatemala e na Nicarágua. Os objetivos delineados no Foro de São Paulo são postos em prática através dos encontros anuais do Fórum Social Mundial, que opera através de redes em torno de todos os Continentes, não só latino-americanos. Para Esclusa, agora o que prevalece são as ações coordenadas desses FSM pela repercução mais abrangente e imediata que podem dar aos planos do Foro de São Paulo.


Ainda com relação à expansão Continental, o Foro de São Paulo – e particularmente Chávez - apóia as candidaturas de López Obrador e dirigentes locais do PRD no México; a Frente Farabundo Martí em El Salvador (tendo apoiado anos atrás a candiatura de Chafik Handal que perdeu, hoje falecido);na Nicarágua, apóia Daniel Ortega, candiato à presidência cuja eleição ocorre ainda este ano, e seu partido terrorista a Frente Sandinista; na Guatemala apóia sindicalistas e o candidato indígena (a maior massa de manobra atualmente na América Latina, que acabou dando a vitória ao cocalero Evo Morales na Bolívia) e a Cuba (sempre Cuba!), uma oxigenação na falida economia, com os petrodólares venezuelanos, além de vários tipos de acordos e investimentos.



Continuando, ele aponta o apoio às FARC na Colômbia e a candidatos contrários ao presidene Uribe; à Confederação de Nacionalidades Indígenas, no Equador; mais que apoio, a proteção paternalista ao cocalero Evo Morales, na Bolívia; apoio descarado à candidatura de Ollanta Humala, no Peru, inclusive com um projeto de cidadania aos peruanos ilegais na Venezuela como modo disfarçado de “compra de voto” e no Uruguai, financiando a Frente Amplio que deu vitória ao atual presidente Tabaré Vázquez.


Peña Esclusa abordou ainda o caso do ex-presidente Lucio Gutiérrez, da Bolívia, que era o candidato do Foro de São Paulo (está escrito numa das atas a disposição de quem quiser ler) mas que foi logo defenestrado por não ser tão radicalmente esquerdista. Para ele, alguns desses candiatos são meras peças de transição para a passagem a um governo mais radical.


E com relação a isso ele fez uma crítica sobre o artigo do jornalista Andrés Oppenheimer, em que este dizia haver no nosso continente duas esquerdas: uma “boa” e moderada, onde se incluíam Lula, Mchelle Bachelet, Vázquez e Kirchner, e outra mais radical onde se situavam Chávez, Morales e Fidel. E sobre isto Peña Esclusa fez uma ponderação com a qual concordo plenamente, de que essa “esquerda moderada” o é só na aparência (talvez estratégica, digo eu), pois não podemos esquecer todos os apoios incondicionais que Lula ofereceu a Chávez: em 11 de abril, com a renúncia de Chávez e posterior retomada do Poder; na greve geral de dezembro de 2002, dando apoio a Chávez e não aos grevistas petroleiros e finalmente, na farsa do Referendum Revocatório em 2004. Não podemos esquecer também, das verbas milionárias oferecidas pelo “governo brasileiro” para suprir as necessidades da Venezuela, sobretudo para a construção do metrô de Caracas, enquanto negava o mesmo ao de São Paulo.


E qual o objetivo continental de tudo isso? Para Peña Esclusa, os objetivos são destruir os sistemas democráticos da região; destruir as instituições já existentes como o CAN (do qual Chávez já se desligou), o MERCOSUL, o G-3, e substituí-las por instituições castro-comunistas como a ALBA (e acrescento eu), a Integração Regional das Forças Armadas, tudo isto com a intenção de exportar a Revolução cubana ao resto do mundo.


Qual a defesa que temos frente ao avanço do castro-comunismo? Criação de uma aliança continental pela democracia, a conformação de um foro com sinal contrário, que Peña Esclusa lançou como sugestão ser o “Anti-Foro de São Paulo”, e a inclusão de todas as correntes democráticas neste processo.


Ao terminar sua exposição, Peña Esclusa foi aplaudido de pé, por um bom tempo, enquanto se viam nos rostos dos presentes a certeza de que ali não estava um demagogo revolucionário mas um homem seguro de suas convicções, um guerreiro com coragem e honestidade, que expõe sua vida todos os dias por uma questão de consciência e de amor ao próximo, sobretudo seus compatriotas venezuelanos. Não é tarefa fácil o que temos pela frente mas é preciso começar JÁ (como bem observou Olavo de Carvalho em sua exposição), pois “eles” estão nessa luta há décadas e não há mais um só minuto a perder; eu acredito que as sementes plantadas neste Seminário e nesta exposição particularmente, darão frutos, desde que arregacemos as mangas e nos ponhamos a trabalhar.


Fiquem com Deus e até a próxima!


Comentários: G. Salgueiro

segunda-feira, 1 de maio de 2006


Quando decidi criar o Notalatina, em setembro de 2002, fazia-o movida pela necessidade imperiosa de revelar as atrocidades que o ditador Fidel Castro cometia contra os cubanos que não pertenciam ao regime, considerando que a imagem que chegava até nós (naquela época, ainda de forma discreta; hoje escancarada) sobre a ilha caribenha era a de um “paraíso”, que o modelo “socialista” adotado pela revolução oferecia um excelente padrão de vida aos seus habitantes, sobretudo no que se refere à saúde e educação.


Isto, entretanto, contrastava enormemente com as informações que eu recebia em quantidade incalculável, de modo especial com relação aos presos políticos que na altura ultrapasavam os 300 (que se tinha registro), bem como a vida miserável que levavam aqueles cidadãos não pertencentes à Nomenklatura.


Estávamos no auge da campanha presidencial e o atual ocupante da cadeira planaltina crescia nas pesquisas, sempre exaltando os “logros da revolução cubana”. Minha preocupação era, tanto naquela época quanto hoje, tentar alertar as pessoas do quão maligno seria para o Brasil a vitória deste infeliz que pretendia “importar” a revolução, mas o que consegui foi apenas o desgaste pessoal e pechas nada delicadas a respeito de minha insistência em denunciar crimes ocorridos numa ilha que “nada tinha a ver conosco”.


Das denúncias sobre os presos políticos cubanos passei a denunciar a fonte e raiz de todo o mal, uma agremiação comuno-terrorista chamada Foro de São Paulo, que só era mencionada pelo filósofo e jornalista Olavo de Carvalho e por alguns articulistas Mídia Sem Máscara, inaugurado um mês antes do Notalatina. Ninguém dava crédito sequer à existência do Foro, muito menos às denúncias que fazíamos a respeito de seus projetos de dominação do Poder total do comunismo na América Latina.


Mas, o tempo é o senhor da razão e, desde a posse do sr. da Silva as coisas começaram a mostrar sua real feição, quando o mundo viu o Abutre do Caribe (Fidel Castro) ser recebido com pompa e circunstância no mega-espetáculo. À posse veio também aquele que integraria o Eixo do Mal, que estas mesmas pessoas denunciavam, o golpista assassino Hugo Chávez, presidente da Venezuela e que, do mesmo modo, era visto apenas como um “bobão”, um “bufão”, um “sargentão sem modos”, um “populista inofensivo”.


Continuei minha cruzada de denúncias, agora acrescentando notícias de uma Venezuela convulsionada pelo caos que o comunista Chávez havia criado, divulgando, inclusive, uma carta de alerta ao povo brasileiro do venezuelano Alejandro Peña Esclusa (quem quiser lê-la é só buscar nos arquivos do Notalatina constantes ao lado, nas primeiras inserções do ano 2002), sobre o risco de se eleger o sr. da Silva, cuja candidatura era parte das diretrizes do Foro de São Paulo.


Durante todos esses anos não fiz outra coisa que denunciar a situação calamitosa e desumana que padece o povo cubano “a pé” e os crimes cometidos contra os presos políticos que não recebem a mais mínima atenção ou denúncia, sobretudo dos órgãos de imprensa brasileiros, mas passei a dar mais ênfase à situação da Venezuela que a cada dia se cubanizava mais, mais direitos eram cerceados do povo, mais leis restringindo as liberdades individuais, mais assassinatos, perseguições e prisões de jornalistas e opositores, expropriações abusivas no campo e na cidade, desemprego e miséria em escala jamais vista, principalmente num país rico como aquele nosso vizinho.


E o nosso povo envolvido com os escândalos de “mensalões” e “corrupção” no governo petista, não relacionava nada disso às estratégias do Foro de São Paulo, até que a ficha começou a cair, muito suavemente, quando uma escola de samba do Rio homenageou Simón Bolivar, herói venezuelano, regada a petrodólares bolivarianos e, por pura “coincidência”, saiu-se vencedora. Em seguida, Chávez começa a aparecer em eventos promovidos pelos “movimentos sociais” fazendo escancarada campanha para reeleger o sr. da Silva; isto parece ter sido “a gota d’água” para tirar da letargia uma certa parcela da população de que “assim já é demais!”.


Ok; vamos aos fatos. Nada do que se está assistindo hoje, no Barsil, é novidade. Tudo isto vem sendo implementado ao longo dos 15 anos de existência do Foro de São Paulo que o PT e “seu” Lula sempre negaram a existência, mas que agora começa a dar seus frutos de “conquistar na América Latina o que perdeu-se no Leste Europeu”, com as “vitórias” de vários comunistas aos governos de países da América Latina. O primeiro foi Chávez, seguido de Lula; veio depois Néstor Kirchner, Tabaré Vázquez, Evo Morales, Michele Bachellet e em breve teremos Ollanta Humala (Peru) e Daniel Ortega (Nicarágua). Desde o ano passado que anuncio estas vitórias como certas, (bem como a de Lula, em 2002 e muito provavelmente à reeleição), porque tudo isto estava determinado pelo Foro de São Paulo!


As estratégias do PT confudem-se com as do Foro de São Paulo, até porque o PT foi o seu criador, e isto fica muito claro, até mesmo para leigos, quando comparamos os documentos sobre estratégia de um com o de outro. Portanto, que ninguém se espante com a afrontosa intromissão do gopista Chávez nas eleições presidenciais brasileiras, peruanas, mexicanas ou nicaragüenses, pois TODOS eles farão isto uns pelos outros.


Nesse último fim-de-semana o PT teve o seu 13º Encontro Nacional, onde foram debatidos vários assuntos de ordem interna mas o tema principal foi a reeleição do atual ocupante da cadeira palaciana. E para demonstrar mais uma vez, com total clareza, aquilo que sempre afirmei e jamais me omiti de qualificar, exponho aqui as provas de que o PT é um partido comunista (eles usam o termo socialista por ser menos “agressivo”), internacionalista, (portanto apátrida e que não pensa no bem da Nação mas em cumprir os objetivos do partido), que o Foro de São Paulo existe e é quem dita as regras para a tomada do PODER na América Latina.


As citações que agora exponho fazem parte dos vários documentos elaborados para este encontro, trechos do discurso de Lula na abertura do evento e das decisões finais. Penso que esta edição talvez seja a mais séria desde que criei o Notalatina e, portanto, peço aos que o lerem que o façam com a atenção e a seriedade que o caso requer e, se quiserem conferir o que aqui transcrevo, busquem diretamente na home page do PT que vão encontrar lá, o que foi deliberado por eles para o futuro do nosso país


Mas, antes de fazer as transcrições, quero convidá-los a assistir um vídeo, com exclusividade do Notalatina que me foi enviado por “NetforCuba Internacional”, sobre a situação da Venezuela sob a ditadura de Chávez. Vejam com atenção como se encontra aquele rico país depois da implantação do castro-comunismo, de como este abjeto ditador esbanja o dinheiro do povo ofertando a outros governos comunistas como a Evo Morales, que foi “presenteado” com 30 mil dólares, ou a Cuba, que hoje recebe 53 mil barris diários de cru e, incoerentemente, a Venezuela está tendo que importar da Rússia 100 mil barris de petróleo para suprir as necessidades do país, quando a Venezuela é o 5º país maior produtor de petróleo do mundo.


Comunismo é isto. E é isto que quer o PT de “seu” Lula para nós. Vocês vão deixar? É uma miséria como a de Cuba e da Venezuela que vocês vão permitir implantar no nosso belo e rico Brasil? Acessem este link http://www.noticierodigital.com/forum/viewtopic.php?t=73334&
e assistam o vídeo “A Venezuela é uma ameaça real” em 5 etapas consecutivas, reflitam e façam a sua parte. Eu estou fazendo a minha. Fiquem com Deus e até a próxima!


Comentários: G. Salgueiro


Fontes: http://www.netforcuba.org/ e http://www.pt.org.br/


“Enquanto partido socialista, o PT almeja que esta superação se dê num sentido anti-capitalista. Mas a luta contra o neoliberalismo assume múltiplas formas, responde a diferentes estratégias e assume ritmos ditados não por nossa vontade, mas sim pela correlação de forças em âmbito nacional e internacional”.

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“Um dos desafios das forças progressistas, democráticas, populares e socialistas na América Latina está justamente em ampliar sua força e cooperação política, social e institucional, utilizando a presença no governo para construir um modelo alternativo, que nos liberte da ditadura do capital financeiro e das ameaças políticas e militares dos Estados Unidos”.

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“Este desafio estará sendo enfrentado em vários terrenos: na construção da integração continental, em oposição aos acordos bilaterais com os Estados Unidos; na atuação dos governos de esquerda e progressistas; nas eleições que vão ocorrer em vários países latino-americanos; na mobilização e nas lutas sociais; na elaboração de uma política de segurança para a região, que impeça a militarização dos conflitos, bem como a instalação de bases militares dos EUA; no apoio a Cuba contra o bloqueio norte-americano; e também no acompanhamento da situação interna dos Estados Unidos, onde o fundamentalismo político e religioso precisa ser derrotado”.


“A existência e as ações desenvolvidas pelos governos da Argentina, Brasil, Cuba, Venezuela, Uruguai, Bolívia, bem como a força que a esquerda socialista, setores progressistas e anti-neoliberais demonstram ter em países como Chile, Peru, El Salvador, México e Nicarágua, mostram que estão se criando as condições para impor uma derrota de conjunto ao neoliberalismo em nosso continente”.


“Por isto mesmo, o PT deve ampliar sua atuação na América Latina, sem que isso impeça nossa presença ativa na África, Europa e Ásia, nem tampouco nossa participação ativa junto ao chamado movimento altermundista, expresso principalmente no Fórum Social Mundial”.

“No caso da Nicarágua (eleições presidenciais em novembro), o PT presta apoio decidido à Frente Sandinista. Esta última tem condições de eleger Daniel Ortega para a presidência do país e vem sendo brutalmente atacada pela direita local e pelo governo norte-americano”.


“No caso da Colômbia, com eleições marcadas para maio, ao mesmo tempo em que prossegue a confrontação armada (entre o governo, o narcotráfico, os paramilitares e diversas organizações guerrilheiras), cresce a resistência política e social civil, que esperamos se traduza na votação de uma candidatura de centro-esquerda, contra a candidatura do atual presidente Álvaro Uribe”.


“Outro país com eleição prevista para 2006 (junho) é o México, onde há três candidaturas disputando com chances a presidência do país: uma do PAN, outra do PRI e outra do PRD, Lopez Obrador, apoiada pelo PT”.


“Os grandes problemas que enfrentamos, bem como as soluções que propomos para eles, têm uma clara implicação internacional. Se isto já era verdade quando o PT foi criado, em 1980, tornou-se ainda mais verdadeiro hoje em dia”.


“Isto impõe ao nosso Partido um duplo movimento. Por um lado, aprofundar nosso conhecimento e análise teórica acerca do capitalismo moderno, tanto no sentido econômico quanto político-social. Por outro lado, aprofundar a prática internacionalista do Partido, nos vários sentidos desta palavra: a solidariedade, as relações com organizações comprometidas com o socialismo e com outra ordem internacional, a mobilização interna e externa em torno de temas de nosso interesse, a ação parlamentar e de governos no plano internacional”.


Diretrizes de Programa do Governo:


“8. Estabelecemos diálogo importante com e do mundo árabe. Impulsionamos um eixo Sul-Sul, ao definir fortes relações com a África do Sul, Índia, China e Rússia. Mas, sobretudo, levamos adiante consistente processo de integração na América do Sul, reforçando o Mercosul, participando ativamente da criação da Comunidade Sul-americana de Nações e estendendo nossa presença em toda a América Latina e Caribe”.


“10. ... O socialismo petista – nosso horizonte estratégico – é uma construção histórica e não um objetivo abstrato a ser atingido”.


Trecho do discurso de Lula:


“Hoje digo sem medo de errar a qualquer economista, a qualquer crítico de direita ou de esquerda: precisamos preparar um caminha sem volta, que não tenha retorno”.


“Nós não podemos errar. Se tem um lugar no mundo com experiência de golpe, é na América Latina”.


“Nós não representamos nós. Não estou na política por mim”.


Plano de trabalho da Secretaria de Relações Internacionais:


“Item 8: aprofundar a prática internacionalista do Partido, nos vários sentidos desta palavra: a solidariedade, as relações com organizações comprometidas com o socialismo e com outra ordem internacional, a mobilização interna e externa em torno de temas de nosso interesse, a ação parlamentar e de governos no plano internacional.


Ítem 28: Este é o motivo principal pelo qual o PT seguirá investindo suas energias na existência e consolidação do Foro de São Paulo, organização criada em 1990.