domingo, 23 de julho de 2006


Encerrou-se ontem a XXX Cúpula do Mercosul em Córdoba, Argentina, e o Notalatina não podia deixar de fazer comentários daquilo que “não se viu” nem a grande mídia tupinikim noticiou. Me refiro mais especificamente à visita do ditador vitalício de Cuba, Phidel Kastro, mantido vivo às custas de muito Formol, já que parece não existir em Cuba algum taxidermista competente o suficiente para empalhá-lo e deixá-lo em exposição pendurado numa prateleira qualquer, para a mórbida visitação pública de ávidos e imbecilizados turistas o que, certamente, renderia muitos euros e dólares ao governo tirano.


Depois de muito “suspense”, como gosta de fazer sempre para mostrar-se importante e bajulado, o ditador Castro chegou finalmente para participar da Cúpula, cuja presença é uma aberração ditada pelo Foro de São Paulo e idealizada desde 2004, quando ficou determinado que o Mercosul seria o portal para a conformação do Bloco de Poder Regional. Sua comitiva veio antes, em dois aviões, para certificar-se de que não haveria qualquer risco de atentado à magnânima e esperada presença.


Mas, para se compreender melhor porquê a Venezuela foi admitida como membro permanente do Mercosul e o que faziam lá Fidel e Evo Morales, o índio cocalero que está presidente da Bolívia, é necessário recuar um pouco no tempo. Em 2004, o sociólogo comunista germano-mexicano Heinz Dieterich, guru de Chávez e Fidel, explicou que a idéia de criar a “Pátria Grande” sonhada por Bolívar, só seria viável se se criasse um “bloco” com todos os países de corte comunista da América Latina (Cuba, Venezuela, Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e Equador), com pensamentos e ações coordenadas desde um líder, para o qual foi designado Chávez. Para tanto, criou o projeto do “Bloco de Poder Regional”, onde se unificariam as Forças Armadas de todos esses países para fazer frente ao inimigo externo, evidentemente, os Estados Unidos.


A partir desta concepção, foi determinado o ingresso da Venezuela no Mercosul que deixaria de atuar no campo comercial, para o qual foi criado, e passaria a atuar em outras frentes visando a unificação de todos os países membros deste tal bloco, com liderança de Chávez e sob orientação direta de Fidel. Para quem acompanha e estuda o processo de unificação da América Latina em um só país (União das Repúblicas Socialistas da América Latina - URSAL), para substituir a extinta URSS, nada disto é novidade, só que agora o processo se acelera de forma descarada, para quem queira ver, evidentemente. Quem quiser conhecer mais sobre o assunto acesse o site Mídia Sem Máscara e busque “Bloco de Poder Regional Militar”; está tudo lá, dito por eles mesmos.


Isto não foi comentado pelos jornais, como também não foi comentado que, ao desembarcar em Córdoba, uma multidão esperava o velho ditador (ninguém mais acreditava que ainda estivesse vivo e eu, particularmente, tenho dúvidas de que a “figura” que apareceu era mesmo Fidel, pois alguma coisa em sua fala e em seu rosto contradiziam a imagem que vi no documentário “As torturas de Castro” feito recentemente), dentre eles muitos jornalistas.


Foi então que o jornalista cubano-americano Juan Manuel Cao, da “América TV Canal 41, de Miami, aproximou-se da escada onde estava o mega-assassino e fez a pergunta que todos queriam saber: por quê o ditador não permitia que a Drª Hilda Molina viajasse de Cuba com sua mãe, velha e doente, para visitar o filho e os netos residentes na Argentina? O velho irritou-se e disse que não era da conta do repórter. Este insistiu e, perguntado sobre sua nacionalidade, disse que era cubano e que desejava uma resposta do ditador. Furioso, Fidel disse que ele não era cubano mas um traidor, chamou-o de “mercenário pago por Bush”, esperneou, xingou, ficou brabo.


Tudo isso está documentado neste vídeo que o Notalatina apresenta com exclusividade para o Brasil. Mas, por que tanta polêmica e irritação em torno da saída do país de uma médica e sua velha mãe, quando há milhares de outros casos semelhantes de pessoas dignas e decentes que não têm o direito sequer de viajar de uma para outra cidade, dentro da mesma Cuba? Esses desejos frustrados acontecem diariamente naquela Ilha-cárcere e, malgrado a indignação, não são sequer conhecidos do mundo...


Bem, a Drª Hilda Molina é uma neurocirurgiã que pertencia, até fins de 2004, ao Centro Internacional de Restauração Neurológica (CIREN), uma instituição de propriedade do Governo e que descobriu a chamada “substância negra fetal”, constituída por células espinhais e tecido neuronal de embriões humanos. Esta substância, para conseguir os efeitos regenerativos no tecido nervoso de adultos, deve ser transplantada de um embrião vivo.


A denúncia foi feita pelo diretor da instituição, Dr. Julián Alvarez, em um livro intitulado “Artesão da vida”, onde ele afirma que “atualmente realizam-se uns 100 mil abortos anuais com o consentimento e o estímulo do próprio Governo. O CIREN encontra-se capacitado, por isso, para obter com relativa facilidade o tecido embrionário para seu emprego nestes tratamentos. O governo cubano, ao mesmo tempo, utiliza estes 100 abortos para suas estatísticas de “baixa mortalidade infantil em Cuba”.


Aí está explicado o crime pelo qual o maldito ditador não deixa a Drª Molina sair do país e que tem dois desdobramentos: 1. medo de que o mundo tome conhecimento de que em Cuba o aborto é oficializado e estimulado, para extrair desses embriões VIVOS o material que se reverterá em tratamento de gente cheia dos “odientos” dólares que engordam seus cofres e 2., a velha história do “roubo de cérebros” pois, segundo sua doutrina, TUDO pertence ao Partido-Estado Comunista, à Revolução, sobretudo o conhecimento científico encarnado nos próprios cientistas que deixam de ter vida própria, identidade, vontade.


Existe alguma coisa mais perversa e abominável do que isso? São 100 MIL VIDAS INOCENTES ASSASSINADAS POR ANO, sem terem cometido qualquer crime ou direito de defender-se de seus assassinos! São 100 mil vidas acrescidas às já tantas milhares assassinadas no paredón; nos mares, em fuga nas frágeis balsas; por suicídios, em decorrência do desespero (onde Cuba ocupa o “honroso” 2º lugar no mundo); na falta de assistência médica; nos maltratos nos cárceres; de fome e miséria.

Segundo informou um jornal argentino, Kirchner entregou uma carta a Fidel pedindo a liberação da Drª Molina em que diz: “Como você bem conhece, é de meu maior interesse possibilitar o reencontro entre a Doutora Hilda Molina e sua família residente em nosso país” e mais adiante, “Permitir a chegada da Doutora Hilda Molina e sua mãe à Argentina seria a forma mais efetiva para concretizá-la, atendendo às razões humanitárias do caso e o desejo de uma família cubano-argentina. Estimo que você compreenderá, analisará e dará uma pronta e positiva resposta”. Partindo de um “ex” montonero, essas “razões humanitárias” soam falsas, demagógicas, hipócritas, eleitoreiras.


Entretanto, a Drª Molina faz uma denúncia grave (e que parece ter passado tão despercebida à Radio 10 que a entrevistou que foi publicado sem cortes), vejam: “Há milhares de famílias reféns que atravessam uma situação similar à minha” E novamente solicitou que deixem sua mãe, de 87 anos, sair de Cuba com urgência, pois há dois meses sofreu um acidente e quebrou um braço. “Desde o dia 16 de maio passado não conseguimos que minha mãe possa sair da Ilha para receber uma atenção médica adequada. Ela está prostrada em uma cadeira de rodas e com o braço quebrado”.


Mas a saúde e a educação não são os maiores logros da Revolução, cantados em verso e prosa nos quatro cantos do mundo? Também não é espalhado pelo mundo inteiro que tanto as crianças quanto os velhos são muito bem tratados e cuidados pelo “governo”? Se a Drª Molina ainda pertencesse ao Partido e servisse à Ditadura, certamente sua mãe já teria sido medicada e prontamente atendida nos melhores hospitais da Ilha. Isto serve para mostrar que, ao cubano “a pé”, aquele que não pertence à Nomenklatura, TUDO lhe é negado, tirado, recusado; até a própria vida.


Outra mentira que tenho o prazer de desmascarar, embora lamentando sinceramente pelas vítimas, é o “sucesso” das “Missões Milagre”, formado por falsos médicos cubanos que servem como mercadoria de troca entre Cuba e Venezuela. Esses “médicos”, que são enviados aos países latino-americanos em troca de alguma mercadoria que tal país possa oferecer ao ditador, em vez de tratar e curar as doenças estão causando danos severos e até mesmo óbito nos pobres que a eles se submetem.


Os Conselhos de Medicina de vários países já denunciaram o engodo, entretanto estes charlatões continuam destruindo a vida e a saúde de quem a eles se submetem. A “Missão Milagre” tem como objetivo operar de catarata e pterígio 600 pessoas por ano em toda a América Latina. Desses, há uma infinidade severamente lesionados, como um caso que eu soube pessoalmente de um senhor pobre na Venezuela que, sentindo um comichão na vista operada, procurou um oftalmologista venezuelano e este constatou que o olho operado estava cheio de vermes, resultante de infecção severa e falta de higiene durante a cirurgia.


O diretor médico da Fundação Oftalmológica Los Andes, Dr. José Miguel Ried, afirmou que tem antecedentes de que na Jamaica, na Bolívia e no Brasil os resultados da “Missão Milagre” não foram os desejados. Segundo o Dr. Ried foi informado, através do chefe de Oftalmologia do Hospital de Kingston na Jamaica, foi pedida a suspensão imediata das operações com esses médicos cubanos, porque “o número de complicações pós-operatórias é alarmante. De 60 pessoas operadas, 3 ficaram cegas e 14 com danos severos”. O médico afirmou ainda que muitas doenças oculares necessitam de controles periódicos e estrito acompanhamento após a cirurgia, o que não era feito pelos médicos da “Missão Milagre”.


Também no Chile, ontem seriam enviados 90 pacientes à Venezuela num avião próprio da “Missão” mas, segundo o embaixador da Venezuela naquele país, houve um atraso porque o Boing teve de fazer uma parada na Argentina onde deixaria os pacientes já operados. Entretanto, a Ministra da Saúde chilena, María Soledad Barría afirma que não vê qualquer motivo para esses pacientes se submeterem a cirurgias com os médicos cubanos, uma vez que todos os chilenos são atendidos pelo “Plano AUGE”.


Ela negou que tivesse aprovado tal missão, informando que em abril reuniu-se com o embaixador da Venezuela no Chile, Víctor Delgado, mas disse que foi apenas “mais um encontro” com representantes de outras nações assim que começou este novo governo. Para se perceber a diferença do tratamento feito no Chile, com seriedade profissional, e essas tais “missões”, a oftalmologia chilena trabalha com equipamentos de alta tecnologia e os pacientes são operados com laser, em quatro centros em todo o país que realizam 120 operações diárias de catarata e pterígio. Na Venezuela, as pessoas são operadas 48 horas após chegarem de viagem e permanecem lá apenas 11 dias.


Por todos estes exemplos, da falta de atendimento ou de um atendimento insatisfatório e criminoso, é que venho denunciando há tempo a invasão quase que silenciosa em nosso país destes agentes castristas disfarçados de “médicos”, “desportistas” ou “afalbetizadores”. E para que se tenha uma idéia precisa de como são tratados os velhos em Cuba, desfazendo mais este mito da excelência da saúde e do “cuidado preferencial” a esta pobre gente, é que sugiro que se acesse este link (http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=2761), de uma reportagem antiga e com fotos extremamente chocantes (uma das quais ilustra a edição de hoje), sobre um abrigo de velhos em Cuba que foi censurado e divulgado apenas numa revista sueca, que o Mídia Sem Máscara publicou com exclusividade em outubro de 2004 intitulada “A verdade proibida sobre Cuba”.


Amigos, quando eu falo sobre todos estes crimes que estão ocorrendo em Cuba há malditos 47 anos e na Venezuela há 7, é tentando alertar para o que este governo comuno-petista pretende para nosso país. Por favor, não subestimem estes avisos porque desde 2002 que bato na mesma tecla do Foro de São Paulo determinando o rumo da política dos países latino-americanos e, se alguém se der ao trabalho de ler desde os primeiros anos, vai comprovar que muito do que vemos hoje, no Brasil, já foi denunciado aqui, no Notalatina. Fiquem com Deus e até a próxima!


Agradecimentos especiais à Marisol Toraño que remeteu o vídeo da Argentina à organização NetforCuba Internacional - http://www.netforcuba.org/ – e à minha amiga Lou Pagani que gentilmente me brindou com esta exclusividade.


Comentários: G. Salgueiro

segunda-feira, 12 de junho de 2006


É com prazer que trago hoje textos de dois bravos e queridos amigos venezuelanos: Alejandro Peña Esclusa, e Aleksander Boyd que, coincidentemente, falam de esperança e incutem coragem aos seus compatriotas neste ano difícil em que vão se realizar eleições presidenciais. E por que chamo de “coincidência”? Porque foram escritos em momentos e circunstância diversas mas, entretanto, casam-se perfeitamente bem e servem como uma luva para nós brasileiros, posto que estamos entrando em situação semelhante à da Venezuela.


O artigo do Aleksander, para quem não acompanhou o processo, diz respeito a acusações que ele sofreu no mês de maio em decorrência de quatro entrevistas que ele deu a rádios e tvs de Londres, ocasião em que Chávez visitou a Inglaterra. Por ter falado abertamente quais eram os planos políticos de Chávez, de transformar a Venezuela numa sucursal de Cuba, foi rotulado de “terrorista” e outras sandices do gênero.


Além desses dois artigos o Notalatina traz hoje mais um vídeo, EXCLUSIVO E INÉDITO NO BRASIL da entrevista feita por uma televisão espanhola com o General-de-Divisão Néstor González González desde um ponto clandestino na Venezuela, em que ele fala sobre todo o processo de comunização de seu país através dos acordos entre Chávez e Fidel Castro, da penetração e cobertura de chefões e guerrilheiros das FARC em território nacional, da sua situação atual tendo que viver na clandestinidade e longe da família mas, o mais importante, sobre as fraudes eleitorais e as eleições presidenciais que se realizam em dezembro deste ano.


Com relação a essas eleições ele faz um alerta muito grave, afirmando que há candidatos da oposição que estão recebendo dinheiro do Governo para candidatar-se, para dar a impressão ao povo que a disputa é legítima e demovê-los da abstenção como houve no ano passado. Com isso, legitima-se o processo eleitoral e mostra-se ao mundo uma falsa realidade, sobretudo aos observadores que sempre participam desses eventos e para as televisões mostrarem ao mundo uma “democracia consolidada”.


Mas não quero me alongar muito descrevendo o vídeo. Convido-os a assistirem porque há muita correlação com a nossa vivência atual, considerando que tanto Chávez quanto Lula pertencem ao Foro de São Paulo, cujas determinações são seguidas a risca, coisa que denuncio praticamente desde o primeiro dia em que criei o Notalatina.


Não sei explicar porquê mas o link para baixar o vídeo está dando problema quando clicado, portanto, sugiro que copiem e colem no seu navegador porque assim não dá qualquer erro; eu tive o cuidado de testar antes de publicar: http://www.epoca.es/video/videoh.html.


Não deixem de assistir! Fiquem com Deus e até a próxima!


A importância do intangível


Alejandro Peña Esclusa


Nesta hora difícil que a Venezuela vive, quando está em jogo a sobrevivência mesma da Nação, é hora de falar de assuntos transcendentes, de temas intangíveis, porém de grande valor moral, justamente os que se requerem para enfrentar os duros momentos que se avizinham.


Tenho a obrigação de dizer aos venezuelanos, como muitos já se deram conta, de que não existe saída eleitoral para a crise; que Chávez jamais entregará o poder pacificamente; e que – mais triste ainda – a oposição não se porá de acordo em uma estratégia comum porque, lamentavelmente, os interesses pessoais estão acima dos interesses da nação.


Entretanto, como expliquei em um recente artigo, Chávez cairá inexoravelmente pelo fracasso moral e ideológico de seu projeto, infestado de ineficiência, corrupção, enfrentamentos internos e o rechaço nacional e internacional. Esta queda não será o resultado de uma estratégia eleitoral, mas de uma rebelião generalizada do povo venezuelano, cansado de ter como governante um homem ao qual o país não interessa, senão exportar a revolução cubana ao resto do continente.


Quando isso ocorrer, Chávez tentará reprimir a população com o uso cruel e desmedido da violência. Para tal, os venezuelanos devem estar preparados psicologicamente para resistir, defender seus direitos e salvar a democracia.


E essa preparação psicológica, de vital importância para obter a vitória, não se consegue falando de primárias, de candidato único, de táticas eleitorais e de outros temas parecidos. Consegue-se falando de assuntos transcendentes como, por exemplo, o sentido da vida, o amor a Deus e à pátria, a missão da Venezuela como nação, a importância de lutar pelas futuras gerações, embora a custa de arriscar a própria vida, quer dizer, de temas que transmitam um sentido de grandeza e de vitória, de temas que levantem o moral dos venezuelanos.


Querido compatriota: se avizinha um desenlace, porém tem fé em tua Pátria, nas tradições dos venezuelanos, nas virtudes que sempre nos adornaram como nação. Tem fé em que, apesar dos erros cometidos, temos um coração grande; tem fé que merecemos algo melhor.


São estas reflexões – de caráter intangível, porém de uma força enorme – as que te darão as ferramentas para defender a Venezuela e para construir um futuro melhor.


Venezuela, não tenha medo!


Aleksander Boyd


Londres, 09.06.06 – Há um par de dias lhes comentava sobre a petição que encaminhei contra o prefeito de Londres por haver-me acusado de terrorista. As respostas de muitos de vocês me enchem de coragem e abastecem meu espírito. Devo, todavia, fazer uma reflexão sobre o que percebo como o temor generalizado que se instalou na psique dos venezuelanos, pois me parece que o chavismo já teria conseguido seu principal intento, que não é outro senão paralizá-los, inoculando-lhes medo em doses homeopáticas.


Não temam meus queridos compatriotas, pois aqueles assistidos pela razão e pela justiça nada têm a temer. Nada nem ninguém se interporá em nossa vereda libertadora; não há chavismo capaz de tal empreendimento, pois eles não são movidos pela absoluta convicção e disposição de lutar por sua liberdade, senão mais precisamente pelo desejo ruim e mundano de rapina, de destruição, de desrespeito, em suma, não há lealdade entre o atalho de assassinos que momentaneamente controla o poder.


Por isso é mister convencer-se de que aquele que trabalha com maldade, a paga nesta vida ou na outra. Vejam por exemplo o caso do diz-que-diz do magistrado Alvaray; notem como entre eles a coisa é mais feroz do que jamais foi contra a nobre e digna sociedade venezuelana. E sabem por que? Porque a fome de poder e ódio acumulados por várias décadas é mais forte que o senso comum e a decência. O produto da fome endêmica, desestabilidade familiar e emocional são os ressentidos sociais que hoje se auto-denominam bolivarianos. Para muitos deles a revolução representou a oportunidade jamais conseguida por méritos e esforço próprios. Porém, isso não deve compungir-nos ou intimidar-nos; não! Ao contrário, indivíduos tão deficientes não representam uma ameaça. Não estamos em presença de seres educados que decidiram tornar-se figuras de dominação mundial (a esses deve-se temer), mas lidando com ladrões, com malandros de esquina, com bêbadozinhos de botequim barato, com cadetezinhos medíocres de província, com párias que são valentões apenas ante suas pobres mulheres na segurança de suas casas.


Não temas, Venezuela; não há motivo. Não ouses baixar a cabeça ao apátrida e seu chulo cubano. Se for necessário desvia o olhar, recobra as forças e adota, consciente de todo o teu poder, postura firme ante o compromisso. Tua liberdade e a de teus filhos valem a pena o sacrifício.


E não se preocupem comigo, uma vez que nesta sociedade as leis não estão presas aos desígnios autoritários de políticos indginos.


Traduções e comentários: G. Salgueiro

terça-feira, 30 de maio de 2006


Na última edição do Notalatina eu havia prometido que a próxima seria a apresentação de um vídeo do General de Divisão venezuelano Néstor González González, hoje na clandestinidade forçada pelo regime castro-chavista, que dá uma entrevista bastante grave a uma televisão espanhola. Entretanto, dei prioridade a outros vídeos que já estavam preparados para a divulgação desde abril e que, em decorrência do Seminário sobre Democracia e Liberdade ocorrido recentemente e no qual estive bastante envolvida, ficaram aguardando uma oportunidade mais amena para serem divulgados.


Trago hoje, com exclusividade no Brasil, dois vídeos sobre Cuba apresentados no programa “A Mano Limpia” que é conduzido pelo jornalista dominicano Oscar Haza, no Canal 41 AméricaTeVe dos Estados Unidos.


Quero primeiro comentar o mais recente desses programas que foi exibido no dia 11 de abril pp., cujo vídeo comentado foi lançado no domingo de Páscoa, em Miami. Trata-se do documentário “As torturas de Castro”, com direção de Luis Guardia e produção de Pedro Corzo, em que ex-presos políticos, vítimas sobreviventes da ditadura castrista relatam as torturas que sofreram nas masmorras cubanas, com 1 hora de duração e que pode-se ver aqui: www.canf.org/2006/video/2006-abr-12-las-torturas-de-castro.htm.


Este vídeo foi também apresentado na Conferência sobre Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o que rendeu mais uma condenação (pró forma, a bem da verdade) a Cuba, ato que se repete ano após ano sem que nada de concreto aconteça ao velho ditador, tampouco àquele povo escravizado e amordaçado da Ilha-cárcere.


Este trabalho de resgate e vivificação dos crimes da ditadura comunista implantado na ilha há 47 anos, deve-se ao “Instituto de la Memoria Historica Cubana contra el Totalitarismo” (http://www.cubamemoria.com/ – visitem-no!), cujo presidente é o estimado amigo Pedro Corzo e que conta em seu acervo com vários documentários, um dos quais “Guevara: anatomia de um mito” que o Notalatina apresentou com exclusividade em 01 de novembro de 2005.


Há ainda dois outros documentários produzidos por esta equipe: “Tributo a papá”, traz depoimentos comoventes e dolorosos de mulheres que cresceram sob a discriminação e o estigma de serem filhas de fuzilados – e, portanto, inimigos da revolução -, a dificuldade de compreender por quê seus pais foram assassinados, a falta que eles fizeram em acompanhar o crescimento e desenvolvimento de cada uma e as marcas psicológicas irreversíveis que esta perda ocasionou em suas vidas. E, “Yo los he visto partir”, traz também depoimentos de ex-presos políticos que viram companheiros de luta e de prisão, alguns que até compartilhavam a mesma cela, amigos queridos serem levados para o fuzilamento, alguns porque eram cristãos, outros porque se negaram a apoiar uma ditadura comunista. Eu os tenho em DVD e afirmo: vale a pena ver porque não se trata de ficção mas uma realidade cruenta e pungente que me assusta em pensar que pode um dia se concretizar entre nós.


No vídeo do programa “A Mano Limpia”, apresentado no último dia 11 de abril, estiveram presentes Luis Guardia e Pedro Corzo, autores do documentário, a senhora Anette Escandón, o senhor Evelio Ancheta e o Dr. Gerardo Rodríguez Capote, hoje psicólogo, todos ex-presos-políticos que relataram suas experiências com os verdugos da tirania castrista submetidos a torturas físicas e psicológicas diárias, durante os anos em que estiveram presos.


Existe um projeto para que todos estes vídeos produzidos pelo Instituto da Memória Histórica Cubana contra o Totalitarismo sejam reproduzidos e comercializados pelo Mídia Sem Máscara em um futuro próximo; estamos torcendo para que isto se concretize o mais rápido possível, pois creio e insisto que é muito importante que se conheça a realidade daquela ilha que de paradisíaca só tem mesmo aquilo que foi obra do CRIADOR, e não do ditador.


O primeiro vídeo é centrado no programa “A Mano Limpia” onde os painelistas comentam sobre os vídeos produzidos pelo IMHCT, sobretudo o mais recente, “As torturas de Castro”; este, entretanto, além das exposições e comentários, apresenta o citado vídeo mesmo, na íntegra. Traz como convidados José Antonio Evora, crítico de cinema de “El Neuvo Herald”, Alejandro Ríos, também critico de cinema e Emilio Ichikawa, filósofo e ensaísta que discutem e apresentam o curta “De Buzos, Leones e Tanqueros” realizado em Cuba, por Daniel Vera, que foi apresentado na Quinta Mostra de Jovens Realizadores, em Havana. Vejam em http://www.canf.org/2006/video/transit/pobreza.wmv.


A qualidade do vídeo não é muito boa e creio que deve-se à dificuldade em realizar tal filmagem num ambiente severamente policiado mas, mesmo curto e com muitas falhas técnicas vale a pena ser visto, pois é como se fosse uma radiografia da situação miserável em que vive o povo cubano “a pé”, contrastante com as informações filtradas pelo regime castro-comunista e que são repassadas para o mundo.


“De buzos, leones e tanqueros” mostra o dia-a-dia de pessoas comuns, que tentam sobreviver catando coisas em depósitos de lixo, daí os neologismos criados após a revolução “buzo” (literalmente mergulhador) e “tanquero” (tanque ou depósito de lixo, também denominado “basurero”) que, em suma, reflete a “profissão” de “catador de lixo”.


Ok, eu sei que muitas pessoas podem alegar que pobreza, miséria e pessoas catando lixo existem em qualquer lugar do mundo e, de modo especial, aqui no Brasil. Entretanto, o que não encontramos aqui é pessoas cultas, com com nível intelectual e cultural refinado e formação universitária, catando lixo. Também nunca tivemos uma revolução que prometia acabar com a miséria e dar uma qualidade de vida invejável igualmente para todos os cidadãos do país mas o mega-assassino e multi-milionário Fidel Castro prometeu isso a seu povo e, como todo comunista, jamais cumpriu!


As imagens são tão fortes e chocantes que, mesmo com uma audição e legenda muitas vezes incompreensíveis, falam por si sós, como a tristeza, que dispensa qualquer palavra, estampada naqueles rostos desgastados e sem qualquer vislumbre de esperança de dias melhores, de modo especial nos olhos azul-claros de um jovem de feições finas que buscava livros de literatura nos “basureros”, por estar desempregado e não ter como nem onde comprá-los. Confesso que chorei vendo esta cena...


E no final do vídeo a revelação clara da violação estúpida às liberdades individuais de expressão e de ir e vir dos cidadãos cubanos, quando aproxima-se uma “guarnição” de CDRs (Comitê de Defesa da Revolução) que “dispersa” os catadores por estarem dando informações proibidas. Além de dispersar os entrevistados, eles põem a mão sobre a câmera para não serem filmados e não sei como não impedem a filmagem...


Este é um filme impressionante e que deveria ser do conhecimento de todo brasileiro que ainda acredita nas propostas deste governo comunista do Sr. Lula da Silva e sua gang, fiéis adoradores do criminoso Castro e seu regime tirânico, e que aos poucos vão transformando nosso país numa Cuba continental. Vejam com seus próprios olhos o que faz um regime comunista escravocrata e não permitam que transformem nosso belo e rico país em algo semelhante.


Na próxima edição prometo trazer outros vídeos impactantes e exclusivos que me são graciosamente ofertados pela querida amiga e guerreira cubana Lou Pagani, a quem sou muitíssimo grata.


Fiquem com Deus e até a próxima!


Fonte: http://www.canf.org/


Comentários: G. Salgueiro

quarta-feira, 24 de maio de 2006



O Notalatina ficou praticamente o mês todo sem atualização mas é com enorme alegria que hoje volto a atualizá-lo, e numa edição especial. E esta edição torna-se especial porque quero falar de um evento ocorrido nos dias 15 e 16 de maio em São Paulo, Brasil, o Seminário Internacional sobre Democracia, Liberdade e o Império das Leis promovido pelo Mídia Sem Máscara, onde pudemos assistir palestras de altíssimo nível proferidas por personalidades do mundo liberal da América Latina, Estados Unidos e Europa.


Coube-me a honra de convidar para proferir a palestra O futuro da democracia na América Latina, ninguém menos que Alejandro Peña Esclusa, grande guerreiro venezuelano, meu amigo pessoal e autor dos livros 350 – Como salvar a Venezuela do castro-comunismo e O continente da esperança lançado recentemente na Venezuela e brevemente aqui no Brasil, com tradução minha para o português.


Antes de falar sobre a palestra do Alejandro, quero contar como foi a sua vinda para o evento. Como todos sabem, Peña Esclusa é mais uma das incontáveis vítimas da perseguição insana do delinqüente Chávez, e tem contra si três processos por “incitação à desordem”, “desobediência civil” e “promoção à rebelião no país”, todas elas forjadas tal como nos casos de outros opositores ao regime castro-chavista, sejam militares, jornalistas, clérigos e ex-funcionários do Estado.


Bem. A “saga” começa quando envio um e-mail convidando Alejandro para participar do Seminário que ele de imediato aceita mas conta que, apesar de sua condenação de 1 ano e meio sem poder sair do país ter expirado há três meses, a Procuradoria ainda não havia dado baixa no processo, de modo que, para viajar ao Brasil seria necessário que enviássemos uma carta-convite explicitando que a promotora do evento se responsabilizaria por todos os custos durante sua estada aqui, para que através de seu advogado a solicitação fosse encaminhada ao Tribunal a fim de liberarem sua saída do país.


Foi providenciado o solicitado mas não satisfez à “zelosa” Justiça venezuelana. Agora eles pediam que fossem enviados os mesmos documentos com a assinatura do responsável pelos custos da viagem, com as reservas do hotel e dos vôos, ambos com data e horário. Providenciado isto, também não foi suficiente; pediram então que tais documentos fossem enviados no original, porém escrito em espanhol. Tudo fizeram para dificultar a saída do país de um homem decente, sem qualquer mácula em seu currículo, porém tratado como um reles criminoso que necessitava ser “vigiado” em todos os seus passos.


O tempo passava e a aflição crescia até que, na sexta-feira 12, já no fm da tarde, veio a confirmação de que fora liberada sua viagem.


Desde o sábado que antecedeu o Seminário em São Paulo, a cidade que o abrigava vinha sendo abalada por rebeliões nos presídios, culminando com a libertação pelo indulto do “Dia das Mães” de 12 mil criminosos, muitos deles pertencentes ao PCC (Primeiro Comando da Capital) que, organizados e treinados pelo MST (Movimento dos Tabalhadores Rurais Sem-Terra), atacaram impiedosamente a Polícia Militar de São Paulo, incendiaram ônibus e levaram o pânico à capital paulista.


Não sei se chame de “coincidência” ou “obra da Providência Divina” o fato de termos Peña Esculsa dentre os palestrantes nesta ocasião, porque o que São Paulo vivia naqueles dias era do conhecimento deste venezuelano, não teoricamente mas na prática de anos da “revolução bolivariana”, onde assassinatos, depredações, saques, incêndios criminosos por bandos de delinqüentes venezuelanos (lá, as “milícias bolivarianas”, os “carapaica” e os “tupamaros”, TODOS sob a proteção governamental) ou mercenários cubanos disfarçados de “técnicos”, “professores” e “desportistas”.


O que se discutia no recinto daquele auditório era a defesa da liberdade e o império das leis, enquanto lá fora São Paulo ardia em chamas, numa clara demonstração de que os inimigos da liberdade – os comunistas de todos os matizes - não querem paz, nem ordem e muito menos progresso.

Reinava no auditório um silêncio sepulcral e respeitoso, quando Alejandro iniciou sua palestra. Através de um Power Point ele foi discorrendo todo o processo de comunização da América Latina, planejado e executado desde o Foro de São Paulo (do qual falo desde que criei o Notalatina), sobretudo em relação a seu país, a Venezuela.


Na primeira página ele mostra como são os planos para a destruição da Democracia na Venezuela:


1. Subordinação a Fidel Castro e invasão cubana - (já existem 20.000 cubanos em solo venezuelano, espalhados em TODOS os setores da vida nacional, sobretudo na PDVSA, em altos postos das Forças Armadas e da guarda pessoal do delinqüente Chávez);2. Assembléia Constituinte para controlar os Poderes - hoje quase que 100% nas mãos de aliados de Chávez;3. O terror seletivo como mecanismo de dominação – neste caso, a perseguição política a pessoas isoladas como o General Néstor González González (de quem na próxima edição divulgarei mais um vídeo exclusivo), por ter denunciado a invasão e o acobertamento pelo governo a terroristas das FARC; à jornalista Patricia Poleo, por ter denunciado que também foi obra do governo, como queima de arquivo, o assassinato do procurador Danilo Anderson e do próprio Peña Esclusa, por tantar abrir os olhos do povo venezuelano para a implantação do castro-comunismo na Venezuela;3. Propaganda para manipular a opinião pública – com as tais “missões” cubanas que em verdade NADA de produtivo trouxeram ao país, senão a doutrinação castro-comunista e,4. A oposição atua com mecanismos tradicionais.


Sobre o futuro da Venezuela, Alejandro diz o seguinte: “Não há saída eleitoral para a crise. O regime castro-chavista radicalizará em 2007”, caso vença as eleições de 4 de dezembro deste ano, pondo em prática a “segunda fase de expansão internacional”. A única solução constitucional é aplicar o Artigo 350”, cujo teor é claro:


Artigo 350“O povo da Venezuela, fiel à sua tradição republicana, à sua luta pela independência, à paz e à liberdade, desconhecerá qualquer regime, legislação ou autoridade que contrarie os valores, princípios e garantias democráticas ou menospreze os direitos humanos”.Constituição da República Bolivariana da Venezuela


Quanto à expansão Continental, ela se dará através do Foro de São Paulo, inicialmente, e depois através do Fórum Social Mundial. Já tive oportunidade de comentar isto aqui, e agora o Alejandro reforça minha teoria com um novo argumento. Segundo ele, o Foro de São Paulo foi criado com o objetivo de reunir em torno de uma única organização partidos de esquerda e agremiações terroristas, com o intuito de colocar no poder de governos latino-americanos políticos comprometidos com o castro-comunismo, em decorrência do fim do “socialismo real”.


Isto tornou-se concreto na Venezuela, no Brasil, na Argentina, no Uruguai, na Bolívia, no Chile e marcha para concretizar-se no Peru, no México, na Guatemala e na Nicarágua. Os objetivos delineados no Foro de São Paulo são postos em prática através dos encontros anuais do Fórum Social Mundial, que opera através de redes em torno de todos os Continentes, não só latino-americanos. Para Esclusa, agora o que prevalece são as ações coordenadas desses FSM pela repercução mais abrangente e imediata que podem dar aos planos do Foro de São Paulo.


Ainda com relação à expansão Continental, o Foro de São Paulo – e particularmente Chávez - apóia as candidaturas de López Obrador e dirigentes locais do PRD no México; a Frente Farabundo Martí em El Salvador (tendo apoiado anos atrás a candiatura de Chafik Handal que perdeu, hoje falecido);na Nicarágua, apóia Daniel Ortega, candiato à presidência cuja eleição ocorre ainda este ano, e seu partido terrorista a Frente Sandinista; na Guatemala apóia sindicalistas e o candidato indígena (a maior massa de manobra atualmente na América Latina, que acabou dando a vitória ao cocalero Evo Morales na Bolívia) e a Cuba (sempre Cuba!), uma oxigenação na falida economia, com os petrodólares venezuelanos, além de vários tipos de acordos e investimentos.



Continuando, ele aponta o apoio às FARC na Colômbia e a candidatos contrários ao presidene Uribe; à Confederação de Nacionalidades Indígenas, no Equador; mais que apoio, a proteção paternalista ao cocalero Evo Morales, na Bolívia; apoio descarado à candidatura de Ollanta Humala, no Peru, inclusive com um projeto de cidadania aos peruanos ilegais na Venezuela como modo disfarçado de “compra de voto” e no Uruguai, financiando a Frente Amplio que deu vitória ao atual presidente Tabaré Vázquez.


Peña Esclusa abordou ainda o caso do ex-presidente Lucio Gutiérrez, da Bolívia, que era o candidato do Foro de São Paulo (está escrito numa das atas a disposição de quem quiser ler) mas que foi logo defenestrado por não ser tão radicalmente esquerdista. Para ele, alguns desses candiatos são meras peças de transição para a passagem a um governo mais radical.


E com relação a isso ele fez uma crítica sobre o artigo do jornalista Andrés Oppenheimer, em que este dizia haver no nosso continente duas esquerdas: uma “boa” e moderada, onde se incluíam Lula, Mchelle Bachelet, Vázquez e Kirchner, e outra mais radical onde se situavam Chávez, Morales e Fidel. E sobre isto Peña Esclusa fez uma ponderação com a qual concordo plenamente, de que essa “esquerda moderada” o é só na aparência (talvez estratégica, digo eu), pois não podemos esquecer todos os apoios incondicionais que Lula ofereceu a Chávez: em 11 de abril, com a renúncia de Chávez e posterior retomada do Poder; na greve geral de dezembro de 2002, dando apoio a Chávez e não aos grevistas petroleiros e finalmente, na farsa do Referendum Revocatório em 2004. Não podemos esquecer também, das verbas milionárias oferecidas pelo “governo brasileiro” para suprir as necessidades da Venezuela, sobretudo para a construção do metrô de Caracas, enquanto negava o mesmo ao de São Paulo.


E qual o objetivo continental de tudo isso? Para Peña Esclusa, os objetivos são destruir os sistemas democráticos da região; destruir as instituições já existentes como o CAN (do qual Chávez já se desligou), o MERCOSUL, o G-3, e substituí-las por instituições castro-comunistas como a ALBA (e acrescento eu), a Integração Regional das Forças Armadas, tudo isto com a intenção de exportar a Revolução cubana ao resto do mundo.


Qual a defesa que temos frente ao avanço do castro-comunismo? Criação de uma aliança continental pela democracia, a conformação de um foro com sinal contrário, que Peña Esclusa lançou como sugestão ser o “Anti-Foro de São Paulo”, e a inclusão de todas as correntes democráticas neste processo.


Ao terminar sua exposição, Peña Esclusa foi aplaudido de pé, por um bom tempo, enquanto se viam nos rostos dos presentes a certeza de que ali não estava um demagogo revolucionário mas um homem seguro de suas convicções, um guerreiro com coragem e honestidade, que expõe sua vida todos os dias por uma questão de consciência e de amor ao próximo, sobretudo seus compatriotas venezuelanos. Não é tarefa fácil o que temos pela frente mas é preciso começar JÁ (como bem observou Olavo de Carvalho em sua exposição), pois “eles” estão nessa luta há décadas e não há mais um só minuto a perder; eu acredito que as sementes plantadas neste Seminário e nesta exposição particularmente, darão frutos, desde que arregacemos as mangas e nos ponhamos a trabalhar.


Fiquem com Deus e até a próxima!


Comentários: G. Salgueiro

segunda-feira, 1 de maio de 2006


Quando decidi criar o Notalatina, em setembro de 2002, fazia-o movida pela necessidade imperiosa de revelar as atrocidades que o ditador Fidel Castro cometia contra os cubanos que não pertenciam ao regime, considerando que a imagem que chegava até nós (naquela época, ainda de forma discreta; hoje escancarada) sobre a ilha caribenha era a de um “paraíso”, que o modelo “socialista” adotado pela revolução oferecia um excelente padrão de vida aos seus habitantes, sobretudo no que se refere à saúde e educação.


Isto, entretanto, contrastava enormemente com as informações que eu recebia em quantidade incalculável, de modo especial com relação aos presos políticos que na altura ultrapasavam os 300 (que se tinha registro), bem como a vida miserável que levavam aqueles cidadãos não pertencentes à Nomenklatura.


Estávamos no auge da campanha presidencial e o atual ocupante da cadeira planaltina crescia nas pesquisas, sempre exaltando os “logros da revolução cubana”. Minha preocupação era, tanto naquela época quanto hoje, tentar alertar as pessoas do quão maligno seria para o Brasil a vitória deste infeliz que pretendia “importar” a revolução, mas o que consegui foi apenas o desgaste pessoal e pechas nada delicadas a respeito de minha insistência em denunciar crimes ocorridos numa ilha que “nada tinha a ver conosco”.


Das denúncias sobre os presos políticos cubanos passei a denunciar a fonte e raiz de todo o mal, uma agremiação comuno-terrorista chamada Foro de São Paulo, que só era mencionada pelo filósofo e jornalista Olavo de Carvalho e por alguns articulistas Mídia Sem Máscara, inaugurado um mês antes do Notalatina. Ninguém dava crédito sequer à existência do Foro, muito menos às denúncias que fazíamos a respeito de seus projetos de dominação do Poder total do comunismo na América Latina.


Mas, o tempo é o senhor da razão e, desde a posse do sr. da Silva as coisas começaram a mostrar sua real feição, quando o mundo viu o Abutre do Caribe (Fidel Castro) ser recebido com pompa e circunstância no mega-espetáculo. À posse veio também aquele que integraria o Eixo do Mal, que estas mesmas pessoas denunciavam, o golpista assassino Hugo Chávez, presidente da Venezuela e que, do mesmo modo, era visto apenas como um “bobão”, um “bufão”, um “sargentão sem modos”, um “populista inofensivo”.


Continuei minha cruzada de denúncias, agora acrescentando notícias de uma Venezuela convulsionada pelo caos que o comunista Chávez havia criado, divulgando, inclusive, uma carta de alerta ao povo brasileiro do venezuelano Alejandro Peña Esclusa (quem quiser lê-la é só buscar nos arquivos do Notalatina constantes ao lado, nas primeiras inserções do ano 2002), sobre o risco de se eleger o sr. da Silva, cuja candidatura era parte das diretrizes do Foro de São Paulo.


Durante todos esses anos não fiz outra coisa que denunciar a situação calamitosa e desumana que padece o povo cubano “a pé” e os crimes cometidos contra os presos políticos que não recebem a mais mínima atenção ou denúncia, sobretudo dos órgãos de imprensa brasileiros, mas passei a dar mais ênfase à situação da Venezuela que a cada dia se cubanizava mais, mais direitos eram cerceados do povo, mais leis restringindo as liberdades individuais, mais assassinatos, perseguições e prisões de jornalistas e opositores, expropriações abusivas no campo e na cidade, desemprego e miséria em escala jamais vista, principalmente num país rico como aquele nosso vizinho.


E o nosso povo envolvido com os escândalos de “mensalões” e “corrupção” no governo petista, não relacionava nada disso às estratégias do Foro de São Paulo, até que a ficha começou a cair, muito suavemente, quando uma escola de samba do Rio homenageou Simón Bolivar, herói venezuelano, regada a petrodólares bolivarianos e, por pura “coincidência”, saiu-se vencedora. Em seguida, Chávez começa a aparecer em eventos promovidos pelos “movimentos sociais” fazendo escancarada campanha para reeleger o sr. da Silva; isto parece ter sido “a gota d’água” para tirar da letargia uma certa parcela da população de que “assim já é demais!”.


Ok; vamos aos fatos. Nada do que se está assistindo hoje, no Barsil, é novidade. Tudo isto vem sendo implementado ao longo dos 15 anos de existência do Foro de São Paulo que o PT e “seu” Lula sempre negaram a existência, mas que agora começa a dar seus frutos de “conquistar na América Latina o que perdeu-se no Leste Europeu”, com as “vitórias” de vários comunistas aos governos de países da América Latina. O primeiro foi Chávez, seguido de Lula; veio depois Néstor Kirchner, Tabaré Vázquez, Evo Morales, Michele Bachellet e em breve teremos Ollanta Humala (Peru) e Daniel Ortega (Nicarágua). Desde o ano passado que anuncio estas vitórias como certas, (bem como a de Lula, em 2002 e muito provavelmente à reeleição), porque tudo isto estava determinado pelo Foro de São Paulo!


As estratégias do PT confudem-se com as do Foro de São Paulo, até porque o PT foi o seu criador, e isto fica muito claro, até mesmo para leigos, quando comparamos os documentos sobre estratégia de um com o de outro. Portanto, que ninguém se espante com a afrontosa intromissão do gopista Chávez nas eleições presidenciais brasileiras, peruanas, mexicanas ou nicaragüenses, pois TODOS eles farão isto uns pelos outros.


Nesse último fim-de-semana o PT teve o seu 13º Encontro Nacional, onde foram debatidos vários assuntos de ordem interna mas o tema principal foi a reeleição do atual ocupante da cadeira palaciana. E para demonstrar mais uma vez, com total clareza, aquilo que sempre afirmei e jamais me omiti de qualificar, exponho aqui as provas de que o PT é um partido comunista (eles usam o termo socialista por ser menos “agressivo”), internacionalista, (portanto apátrida e que não pensa no bem da Nação mas em cumprir os objetivos do partido), que o Foro de São Paulo existe e é quem dita as regras para a tomada do PODER na América Latina.


As citações que agora exponho fazem parte dos vários documentos elaborados para este encontro, trechos do discurso de Lula na abertura do evento e das decisões finais. Penso que esta edição talvez seja a mais séria desde que criei o Notalatina e, portanto, peço aos que o lerem que o façam com a atenção e a seriedade que o caso requer e, se quiserem conferir o que aqui transcrevo, busquem diretamente na home page do PT que vão encontrar lá, o que foi deliberado por eles para o futuro do nosso país


Mas, antes de fazer as transcrições, quero convidá-los a assistir um vídeo, com exclusividade do Notalatina que me foi enviado por “NetforCuba Internacional”, sobre a situação da Venezuela sob a ditadura de Chávez. Vejam com atenção como se encontra aquele rico país depois da implantação do castro-comunismo, de como este abjeto ditador esbanja o dinheiro do povo ofertando a outros governos comunistas como a Evo Morales, que foi “presenteado” com 30 mil dólares, ou a Cuba, que hoje recebe 53 mil barris diários de cru e, incoerentemente, a Venezuela está tendo que importar da Rússia 100 mil barris de petróleo para suprir as necessidades do país, quando a Venezuela é o 5º país maior produtor de petróleo do mundo.


Comunismo é isto. E é isto que quer o PT de “seu” Lula para nós. Vocês vão deixar? É uma miséria como a de Cuba e da Venezuela que vocês vão permitir implantar no nosso belo e rico Brasil? Acessem este link http://www.noticierodigital.com/forum/viewtopic.php?t=73334&
e assistam o vídeo “A Venezuela é uma ameaça real” em 5 etapas consecutivas, reflitam e façam a sua parte. Eu estou fazendo a minha. Fiquem com Deus e até a próxima!


Comentários: G. Salgueiro


Fontes: http://www.netforcuba.org/ e http://www.pt.org.br/


“Enquanto partido socialista, o PT almeja que esta superação se dê num sentido anti-capitalista. Mas a luta contra o neoliberalismo assume múltiplas formas, responde a diferentes estratégias e assume ritmos ditados não por nossa vontade, mas sim pela correlação de forças em âmbito nacional e internacional”.

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“Um dos desafios das forças progressistas, democráticas, populares e socialistas na América Latina está justamente em ampliar sua força e cooperação política, social e institucional, utilizando a presença no governo para construir um modelo alternativo, que nos liberte da ditadura do capital financeiro e das ameaças políticas e militares dos Estados Unidos”.

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“Este desafio estará sendo enfrentado em vários terrenos: na construção da integração continental, em oposição aos acordos bilaterais com os Estados Unidos; na atuação dos governos de esquerda e progressistas; nas eleições que vão ocorrer em vários países latino-americanos; na mobilização e nas lutas sociais; na elaboração de uma política de segurança para a região, que impeça a militarização dos conflitos, bem como a instalação de bases militares dos EUA; no apoio a Cuba contra o bloqueio norte-americano; e também no acompanhamento da situação interna dos Estados Unidos, onde o fundamentalismo político e religioso precisa ser derrotado”.


“A existência e as ações desenvolvidas pelos governos da Argentina, Brasil, Cuba, Venezuela, Uruguai, Bolívia, bem como a força que a esquerda socialista, setores progressistas e anti-neoliberais demonstram ter em países como Chile, Peru, El Salvador, México e Nicarágua, mostram que estão se criando as condições para impor uma derrota de conjunto ao neoliberalismo em nosso continente”.


“Por isto mesmo, o PT deve ampliar sua atuação na América Latina, sem que isso impeça nossa presença ativa na África, Europa e Ásia, nem tampouco nossa participação ativa junto ao chamado movimento altermundista, expresso principalmente no Fórum Social Mundial”.

“No caso da Nicarágua (eleições presidenciais em novembro), o PT presta apoio decidido à Frente Sandinista. Esta última tem condições de eleger Daniel Ortega para a presidência do país e vem sendo brutalmente atacada pela direita local e pelo governo norte-americano”.


“No caso da Colômbia, com eleições marcadas para maio, ao mesmo tempo em que prossegue a confrontação armada (entre o governo, o narcotráfico, os paramilitares e diversas organizações guerrilheiras), cresce a resistência política e social civil, que esperamos se traduza na votação de uma candidatura de centro-esquerda, contra a candidatura do atual presidente Álvaro Uribe”.


“Outro país com eleição prevista para 2006 (junho) é o México, onde há três candidaturas disputando com chances a presidência do país: uma do PAN, outra do PRI e outra do PRD, Lopez Obrador, apoiada pelo PT”.


“Os grandes problemas que enfrentamos, bem como as soluções que propomos para eles, têm uma clara implicação internacional. Se isto já era verdade quando o PT foi criado, em 1980, tornou-se ainda mais verdadeiro hoje em dia”.


“Isto impõe ao nosso Partido um duplo movimento. Por um lado, aprofundar nosso conhecimento e análise teórica acerca do capitalismo moderno, tanto no sentido econômico quanto político-social. Por outro lado, aprofundar a prática internacionalista do Partido, nos vários sentidos desta palavra: a solidariedade, as relações com organizações comprometidas com o socialismo e com outra ordem internacional, a mobilização interna e externa em torno de temas de nosso interesse, a ação parlamentar e de governos no plano internacional”.


Diretrizes de Programa do Governo:


“8. Estabelecemos diálogo importante com e do mundo árabe. Impulsionamos um eixo Sul-Sul, ao definir fortes relações com a África do Sul, Índia, China e Rússia. Mas, sobretudo, levamos adiante consistente processo de integração na América do Sul, reforçando o Mercosul, participando ativamente da criação da Comunidade Sul-americana de Nações e estendendo nossa presença em toda a América Latina e Caribe”.


“10. ... O socialismo petista – nosso horizonte estratégico – é uma construção histórica e não um objetivo abstrato a ser atingido”.


Trecho do discurso de Lula:


“Hoje digo sem medo de errar a qualquer economista, a qualquer crítico de direita ou de esquerda: precisamos preparar um caminha sem volta, que não tenha retorno”.


“Nós não podemos errar. Se tem um lugar no mundo com experiência de golpe, é na América Latina”.


“Nós não representamos nós. Não estou na política por mim”.


Plano de trabalho da Secretaria de Relações Internacionais:


“Item 8: aprofundar a prática internacionalista do Partido, nos vários sentidos desta palavra: a solidariedade, as relações com organizações comprometidas com o socialismo e com outra ordem internacional, a mobilização interna e externa em torno de temas de nosso interesse, a ação parlamentar e de governos no plano internacional.


Ítem 28: Este é o motivo principal pelo qual o PT seguirá investindo suas energias na existência e consolidação do Foro de São Paulo, organização criada em 1990.

terça-feira, 11 de abril de 2006


O Notalatina de hoje presta uma homengem às vítimas barbaramente assassinadas dos 11 de abril: de 2002, pelas milícias chavistas e polícia política na Venezuela do ditador Chávez e de 2003, pela tibieza do mega-assassino do Caribe, Fidel Castro, crimes até hoje IMPUNES.


Apesar das hipócritas declarações do “ex”-terrorista Jesse Chacón e do deliqüente Chávez, a respeito dos últimos 5 assassinatos que chocaram não só a Venezuela mas o mundo, de que “os culpados fossem localizados e punidos”, ontem esta mesma Justiça (que se assemelha muito à nossa, pelos conchavos e apadrinhamentos de criminosos e não pela defesa do cidadão de bem) “inocentou” por falta de provas os assassinos da senhora Maritza Ron, ocorrido em agosto de 2004, deixando a todos que tomaram conhecimento a perplexidade e a certeza de que esses novos governos comunistas perderam completamente o “pudor” em cometer crimes e acobertar aqueles cometidos por sua gente, pois a certeza da impunidade lhes faculta este comportamento.

Encontraram os “autores” do seqüestro, tortura e assassinato dos irmãos Faddoul e de seu motorista Mario Rivas, entretanto, as famílias dos acusados e eles próprios afirmam que “se entregaram depois que a polícia invadiu suas residências à cata de provas, os intimidaram e ameaçaram”, mas eles são inocentes, tanto que antes de se entregarem passaram pela Polícia Técnica para fazer exame de corpo de delito, para provar que estavam sãos, temendo torturas ou maus tratos por parte da Polícia.


Os exemplos que o Brasil tem dado nesse sentido, com as absolvições descaradamente sem-vergonha de parlamentares ladrões, cínicos e mentirosos, são uma mostra ainda muito pequena do que vem ocorrendo na Venezuela e que o nosso des-governo tem como modelo. Tudo sob a poderosa batuta do maldito Foro de São Paulo que muita gente boa, aqui no Brasil, “não agüenta mais ouvir falar”; só eu, o Olavo e uma meia dúzia de “malucos” do Mídia Sem Máscara, of course!


Mas, dentro desta homenagem que presto aos assassinados pelas ditaduras comunistas de Cuba e Venezuela nos 11 de abril, trago um artigo em memória dos três jovens cubanos fuzilados após serem apreendidos numa lancha que “seqüestraram” pacificamente, tentando fugir do “paraíso caribenho”. Lembro bem das reportagens havidas na época e da perplexidade de duas jovens turistas francesas que, chorando, relatavam que os rapazes não molestaram ninguém e que Fidel Castro lhes havia prometido que “não faria qualquer mal aos ‘seqüestradores’”; no mesmo dia, todos foram sumariamente fuzilados, sem julgamento e suas famílias sequer tiveram o direito de saber onde foram sepultados, para levar-lhes flores e fazer uma prece. O abjeto monstro do Caribe chamou o caso de “os três negrinhos terroristas”, como se eles não fossem seres humanos com identidades próprias, com famílias, sonhos e esperanças, e tudo o que desejavam era liberdade.


Na próxima edição falo a respeito de um vídeo feito em Cuba, que seria divulgado hoje, mas preferi aproveitar esta data para prestar homenagem aos assassinados do dia 11 de abril. A foto é dos assassinados na Venezuela; gostaria de ter publicado a dos três jovens cubanos mas as que recebi eram um tanto escuras e não dava para ver seus rostos com nitidez. Fiquem com Deus e até a próxima!



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Oração para os mortos de Abril
Ramón Colás



(Em memória de Bárbaro Castillo, Lorenzo Castillo e Jorge Luís Martínez Isaac, fuzilados em 11 de abril de 2003, por ordens de Fidel Castro)

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Eram três jovens negros como as noites de apagões. Haviam vivido sob vigilância e golpes. Fome e prisões. Na confusão de uma cidade gigante que os engasgava como roedores nocivos, sem espaço preciso na urbe. Eram chocantes ao estrangeiro e perigosos ao policial. Inadaptados aos CDR. Descarrilados para UJC. Inimigos do povo, para o Partido. Bandoleiros sem salário, para os vizinhos.


Eles não eram o reflexo do “homem novo” e poucas vezes foram à praça. Preferiam a algaravia das ruas e a cobertura pálida de Havana Velha ou os rincões perversos do solar e das longas filas de uma cervejaria. Talvez, o mau cheiro dos esgotos perfurados na esquina do bairro ou uma xícara de café misturado com ervas


Porém, tinham o sonho de ser livres do horror e do cativeiro. Da intriga e do medo, da adulação e do cansaço. Desejavam renunciar ao coro e desceram os bancos de areia em silêncio acumpliciados com o mar, o bom tempo e um barco. Ocuparam a praia e a baía. Tomaram o rumo de suas mortes ansiando cruzar o golfo e alcançar a outra borda para secar sua sede na areia, caminhar sem temer a polícia e mudar suas vidas no trabalho. Seriam heróis deles mesmos. Novos navegantes no século dos computadores. Comandantes do mar e da bitácula. Aventureiros do trópico e da desgraça.


No caminho sonhavam em enviar dólares a suas mães. Cartas aos amigos. Presentes às noivas. Blasfêmias ao tirano e aos cúmplices do bairro. Fotos em restaurantes famosos e praias livres do sul da Flórida ou de seus carros do ano (quem sabe...).


Porém, o infortúnio flagrou seus sonhos. A lancha, doutrinada a navegar suas poucas milhas consumiu o combustível na pior hora. Tinha que regressar e regressaram. Já estavam ditadas suas condenações. Em 11 de abril de 2003 lhes descarregaram rajadas curtas de fuzis AK em seus peitos púberes, cobrindo de sangue a cor ébano de seus corpos jovens.


Morriam para evitar uma guerra com os Estados Unidos, disse o Comandante e o ratificava em poucas horas o chanceler. Morreram por ditamem de palácio e suas mortes eram as partes do pastel que mereciam, segundo palavras do próprio ditador que se reuniu com eles antes de linchá-los.


A mãe de Bárbaro Castillo, de apenas 21 anos de idade, chorava enlouquecida pelas ruas de Francisco Guayabal, sua cidade natal, e gritava com dor: “Fidel assassino!” até perder a voz. As autoridades do partido da zona lhe fecharam as portas e lhe chamavam de “louca”. Os amigos colocaram uma foto do rapaz e choraram durante vinte e quatro horas, enquanto os mestiços de Castro vigiavam a casa e sua pobreza.


Também a mãe de Lorenzo Copello, uma negra obesa e cansada, mostrou seu desconsolo, negando a acreditar que seu filho houvesse morrido nas mãos de uma revolução na qual havia acreditado. Este crime contra três inocentes, incluindo o seu rebento, lhe permitiu conhecer a natureza assassina do castrismo e o disse mil vezes arrependida: “Maldito Fidel, assassino, és tu quem mereces morrer”!


Que horror! Que crime! Onde estavam os amigos da vida? Esses, que nas tribunas de Havana carcomem nosso idioma com palavras de ordem a favor do homem e de um mundo melhor? Que pena! Certo, “trata-se de três negrinhos condenados pela fúria do velho tirano”. “Nosso amigo”. “Meu amigo”. “Calemos agora”. “Façamos silêncio”, disseram Lucio Walker e García Marquez. Também Benedetti e Galeano. A esquerda mundial militante e frustrada. José Saramago, o escritor ganhador de um Nobel, comoveu-se no princípio com a condenação, mas depois se retratou, como uma donzela temerosa do castigo certo que viria do regime de Havana.


Que horror! Que crime! E o silêncio cúmplice de sempre, sepultou três jovens em uma fossa até hoje desconhecida pelas famílias, enquanto o mundo continua igual. Se estes mortos fossem vítimas de Pinochet, seria outra coisa. A imprensa mundial o destacaria em suas manchetes e as condenações ao tirano seriam em massa. Castro, este “ditador cômodo”, pode assassinar que depois é aplaudido. Afundar navios com crianças em seu interior e ser absolvido do julgamento dos povos. Derrubar aviões civis em pleno vôo e depois ser considerado inocente.


Que horror! Que crime!!!


CAMPANHA CUBANA PELA LIBERDADE DOS PRISIONEIROS POLÍTICOS


Fonte: http://www.payolibre.com/


Comentários e tradução: G. Salgueiro


quinta-feira, 6 de abril de 2006



A Venezuela amanheceu ontem em luto e dor, após a descoberta dos corpos dos três irmãos da família Faddoul, John, Kevin e Jason e do seu motorista Miguel Rivas, assassinados após 40 dias de seqüestro por supostos policiais. Eram pouco mais que crianças com 17, 13 e 12 anos de idade, um dos quais paralítico.


Segundo informações, os corpos foram encontrados alinhados um ao lado do outro (conforme foto) e apresentavam disparos na nuca e zona occipital; seus rostos estavam desfigurados. O que permitiu a identificação foi o uniforme escolar, do Colégio Nossa Senhora del Valle, que eles usavam e para onde se dirigiam quando foram seqüestrados.


O que teria motivado tão bárbaro e hediondo crime é algo que não encontro resposta, tampouco o próprio povo venezuelano. Entretanto, este não é um fato novo, isolado, por mais chocante que seja aos olhos das pessoas normais e de bem. Basta que para isso se observem as cifras macabras de assassinatos na Venezuela depois que se instalou no poder um ditador comunista, com passado de crimes e impunidades e que conta no seu ministério com indivíduos cujo passado é marcado por atos de terrorismo, crimes de assassinato, todos, absolutamente todos, impunes.


Acrescente-se a isso que este regime castro-chavista vem ao longo destes 7 anos formando suas “milícias bolivarianas”, composta pela escória de delinqüentes pagos pelo povo para agir contra aqueles que estejam “desconformes” com a “revolução bonita”.


Ontem, no fim da tarde, houve manifestações de pesar e desagravo pelo trágico ocorrido, em vários locais e, como sempre ocorre nessas manifestações legitimas contra o governo, suas milícias macabras, os carapaicas, os tupamaros, os agentes da DISIP ou qualquer outro bando de malfeitores desses pagos com o dinheiro do povo, resolveu impedir que um repórter fotográfico do jornal Últimas Notícias, Jorge Aguirre, registrasse a manifestação. Um homem numa moto tentou parar o carro da redação disparando vários tiros, conforme explica o motorista: “Ele não estava de uniforme mas me mandou parar à direita e disse: ‘é a autoridade’. Eu me neguei a parar e continuei; o vi me seguindo, quando cruzou para a auto-pista passou e começou a disparar”.


Os disparos atingiram a porta traseira do carro e quando Aguirre, que ia no lado do carona, desceu, o homem da moto disparou a queima-roupa. Mesmo caído no chão, Aguirre pôde resgistrar o seu assassino fugindo. O repórter fotográfico foi socorrido mas não resistiu e faleceu. Segundo a descrição dada pelo motorista do jornal, a arma usada no crime foi uma pistola calibre 9 mm, ‘parecia’ policial porque estava numa moto 250, sem placas, usava jaqueta preta, capacete azul e óculos escuros.


Na semana passada houve outro assassinato brutal, também atribuído a homens da DISIP. Fillipo Sindoni, um ítalo-venezuelano proprietário do jornal El Aragüeño e da rede de televisão TVS foi seqüestrado, torturado e assassinado. O quê estas pessoas fizeram para merecer tamanha bestialidade? O sr. Sindoni era proprietário de meios de comunicação contrário ao regime; o fotógrafo, um inconveniente abelhudo que registrava manifestações anti-revolucionárias; Miguel Rivas, queima de arquivo mas, e as crianças Faddoul? Me parte o coração imaginar o sofrimento infligido a estas crianças, bem como o sofrimento de uma mãe ver seus três filhos serem seqüestrados de uma vez e violentamente assassinados, depois de 40 dias de cativeiro.


Há quase cinco anos estudo e acompanho esse processo de expansão do comunismo na América Latina e, apesar das críticas, piadas e agressões que tenho recebido por me preocupar com o que ocorre com os nossos vizinhos, em vez de olhar para o nosso próprio quintal, cada vez mais me convenço de que tudo o que temos visto em termos de desumanização, violência, crimes hediondos, desestruturação dos valores morais e religiosos, extorções, expropriações, invasões e depredações, são fruto de uma maquiavélica orquestração do maldito Foro de São Paulo com o único objetivo de expandir e fortalecer o Comunismo no mundo.


Não é possível dissociar os crimes cometidos em Cuba, de toda a espécie, com o que vem ocorrendo na Venezuela desde que Chávez assumiu o poder, em 1999, ou o que temos assistido aqui no Brasil desde que o PT tornou-se o Partido-Estado. A criminalidade aumentou exponencialmente (bem como a defesa dos criminosos, não das vítimas) e agora já sem qualquer pudor; aí está o caso do assassinato do prefeito Celso Daniel e suas prováveis 8 vítimas. Compra-se consciências, “elimina-se da foto”, no bom e velho estilo stalinista, todo aquele que se atravessar no caminho dessas revoluções; perseguem-se Militares (e aqui incluo Chile, Bolívia, Equador mas sobretudo a Argentina), desmoralizam e planejam desmontar as FFAA. Em seu lugar, criam-se “milícias”, formadas por desordeiros sedentos de sangue, armados e sem qualquer resquício de peso na consciência porque lhes falta moral ou caráter.


O que restará de nossos países se se confirmarem as re-eleições de Lula e Chávez, e a eleição de Ollanta Humala (que já afirmou que “não permitirá” Cecilia Flores governar caso ela vença as eleições de domingo próximo, no Peru) e de Daniel Ortega, na Nicarágua? Será a consagração de Fidel Castro e seu Foro de São Paulo, agremiação comuno-narco-terrorista que vem há 16 anos trabalhando para reinstalar e fortalecer o comunismo na América Latina e está conseguindo, pois já possuem governantes comunistas: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Uruguai, Venezuela, Equador, as FARC e o ELN dominando tudo na Colômbia e Cuba, como epicentro do controle total das ações coordenadas entre estes países.


Mas, apesar de muita gente fechar os olhos para esta realidade – Foro de São Paulo – e tentar minimizar seu grau de malignidade e influência, vou continuar batendo nesta mesma tecla. Sei que não vou esclarecer os crimes sem punição da Venezuela, tampouco os daqui do Brasil mas não vou parar de denunciar a fonte, a raiz de todo este mal que se abateu sobre nosso continente.


E para encerrar a edição de hoje transcrevo um artigo que se assemelha à nossa realidade, para que sirva de reflexão para nós brasileiros, da jornalista Patricia Poleo, hoje exilada nos Estados Unidos, alguém que conhece e experimentou na carne o que é a perseguição comuno-chavista, que sofreu ameaça de morte e teve seu guarda-costas assassinado barbaramente. À mãe dos irmãos Faddoul, srª Gladys Diab, minha mais emocionada solidariedade e preces; aos jovenzinhos, colhidos no frescor de sua juventude, que Deus os cubra com Seu manto protetor e permita que seus assassinos paguem por tanta hediondez. Às famílias do fotógrafo Jorge Aguirre e do motorista da família Faddoul, Miguel Rivas meus sentimentos; que a Providência Divina os receba com amor e conforte os que ficaram.


Na próxima edição do Notalatina vou apresentar, com exclusividade, um vídeo feito em Cuba e que mostra qual a perspectiva de vida futura daquela gente escrava há quase 50 anos. Fiquem com Deus e até a próxima!

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Fatores de Poder


Patricia Poleo


As cifras de mortes violentas são aterradoras e crescem a cada ano desde que Chávez tomou o poder. Seu ministro do Interior e Justiça põe gravata vermelha para ordenar que não se politize o tema, enquanto aproveita a tragédia dos Faddoul para impor uma Polícia Nacional como as recomendou Vladimiro Montesinos.


Escrevo de madrugada, aturdida pela indignação que une a todos os venezuelanos depois de tomar conhecimento do espantoso crime do qual foram vítimas os irmãozinhos Faddoul e seu chofer, o senhor Miguel Rivas.


O cúmulo é a aparição, quase a uma hora da manhã, de Jesse Chacón, ministro do Interior e Justiça, engravatado de vermelho, para ratificar ante o país a identidade dos quatro cadáveres. Chacón não teve a delicadeza de trocar a alegre gravata, cuja cor converteu-se em símbolo político, para pedir (ou ordenar?) ao país a “não politizar o assunto”.


Chacón refere-se ao tema como se não fosse de sua responsabilidade. Falou como se ele não fosse parte de tudo isto: “Queremos trabalhar, unidos, sem diferenças políticas, na solução deste tipo de crime que não é parte da cultura venezuelana, que nos foi exportada (sic), que não a queremos e que a rechaçamos”. E quem foi o grande “exportador” deste tipo de crime que, certamente, não é parte da cultura venezuelana?


A responsabilidade da colombianização da Venezuela é absolutamente de Hugo Chávez. Quem forneceu documento de identidade como venezuelanos a guerrilheiros colombianos e sicários foi o atual governo. Nossas Forças Armadas Nacionais – quando se chamavam assim – souberam manter nos limites os irregulares que sempre pretenderam penetrar nosso erritório. A Força Armada Nacional de Hugo Chávez lhes deu passagem e anuência para atuar.


Neste governo em que oito soldados foram queimados em Fuerte Mara e dois em Cumaná. Sob a égide de Jesse Chacón foram assassinados por efetivos militares e policiais: Evangelina Carrizo, o indigente Juan Carlos Zambrano, arrastado pelos seus genitais antes de ser assassinado. Germán Delgado, escolta do General González González e meu, foi torturado até morrer – segundo determinou o Ministério Público -, pelos efetivos da DISIP José Raga, Franklin Sequera, Ovidio Dávila, Deivis Román, Javier González e Alexis González. Foi a DISIP de Jesse Chacón que deixou escapar o narco-traficante “El Boyaco”. Foi a CICPC de Jesse quem, em vez de preservar uma testemunha supostamente importante, como era Antonio López Castillo, o assassinaram em um suposto enfrentamento rematando-o com um tiro de graça no queixo.


É a DISIP deste ministro a assinalada por tortura a Juan Carlos Sánchez, de assassiná-lo e depois levá-lo a um motel de Baquisimeto onde se simula um enfrentamento.


É durante a gestão de Jesse Chacón e do governo de Hugo Chávez que efetivos adscritos na DIM massacram três estudantes da Universidade Santa Maria. O chefe dos assassinos, major José Baldomero Peña, havia sido denunciado nesta coluna antes do crime. E não aconteceu nada!


Mariítas Ron caiu assassinada na Praça Altamira enquanto Chacón celebrava a trampa do referendum. É na gestão de Jesse Chacón que as mortes nos cárceres venezuelanos alcançam todos os récords, e as cifras de insegurança aumentam a cada dia enlutando um país que permanecia anestesiado.


Recentemente foi assassinado o empresário Felippo Sindoni, que ao que parece lutou com seus raptores até morrer.


Em um país em guerra como o Iraque, as cifras oficiais são estas: Mortos, 18.000; feridos, 50.000; jornalistas mortos, 30. O conflito pedura desde 2003. Desde esse mesmo ano na Venezuela, segundo a UNESCO: Mortos, 22.15 por cada cem mil TODOS OS DIAS. A Venezuela se situa como o primeiro país em mortes por armas de fogo, comparando com 57 países. Desde abril de 2004 estão suspensos os portes de armas das mãos de particulares. Então, quem dispara?


O fornecimento de cifras exatas foi bloqueado na Venezuela desde o ministério de Jesse Chacón, ao fechar-se em janeiro de 2003 a sala de imprensa do CICPC, lugar de onde se centralizava a data em nível nacional. Em janeiro de 2006 o presidente Chávez intimou, segundo declarações públicas, um milhão de venezuelanos armados. Adicionalmente, foram juramentados e armados 2.300.000 reservistas no lapso de um ano, quase a metade dos soldados que operam em território iraquiano.


Na Venezuela há 422.329 menores de 15 anos vagando nas ruas. Entre 2004 e 2005 ocorreram 2.534 manifestações públicas, 74% delas exigindo direitos sociais. Desde 1999 até esta data, há 6.207 processos por corrupção sem resposta no Ministério Público.


Durante os 18 anos da ditadura Pinochet, no Chile, foram assassinadas 3.000 pessoas. Desde 1998 até 2003, segundo cifras oficiais venezuelanas, em fatos violentos. Isto dá uma média anual de 7.843 mortos. Em 2004 salta para 12.000 e em 2005 chega a 13.000. Em 2006 promete superar amplamente essa margem de crescimento.


6.127 venezuelanos morreram em “execuções” extra-judiciais; entre estes chamados “justiçamentos”, 634 mortes foram atribuídos a polícias municipais. Entretanto, Jesse persegue com julgamentos a jornalistas e defende um irmão cuja fortuna é injustificável.


A Venezuela está ardendo em dor e em protestos. A resposta do Governo já assomada no editorial da Venezuelana de Televisão – será a conformação de uma Polícia Nacional, a semente que Vladimiro Montesinos deixou em sua passagem pela Venezuela e que seriu no Peru para perseguir e assassinar em nome da Lei. A centralização do crime em mãos do Reime. Isso e não outra coisa é a Polícia Nacional que agora o regime tirará da cartola.


Fonte: http://www.venezolanosenlinea.com/


Comentários e tradução: G. Salgueiro