sexta-feira, 20 de dezembro de 2002

O Notalatina traz mais informações sobre a dramática situação da Venezuela, hoje um pouco mais longo do que o normal, considerando o volume de notícias que me chegam dos correspondentes daquele país vizinho. Curiosamente, os canais de televisão e jornais brasileiros nada informam, parecendo não dar-se conta da gravidade do que ocorre com nossos irmãos aqui do lado. O governo venezuelano já deu ordens às Forças Armadas para que sejam retirados os sinais das emissoras de rádio e televisão que não retransmitirem notícias favoráveis a Chávez. Há um projeto meticulosamente elaborado para este fim e já deve estar sendo posto em prática nos próximos dias. Não sei se a imprensa brasileira sabe disso e acautela-se, ou se é mesmo por descaso e conivência com o presidente daquele país, que tem feito um silêncio tão eloquente em torno do assunto.



É nítido o desespero de Chávez porque sabe que perdeu mas não quer render-se aos fatos. Apoia-se no seu mentor Fidel Castro que, por sua vez, estimula e orienta seu pupilo a manter acesa a chama do ódio e da violência. Fidel não quer ver Chávez fora do poder, porque depende do petróleo venezuelano que recebe em troca do treinamento e adestramento das “milícias bolivarianas”.



Enquanto isso, o presidente eleito, Sr. da Silva, enviou ontem um emissário de seu futuro governo à Venezuela, mesmo antes de ser empossado, com a intenção de inteirar-se da situação e “colaborar” nas negociações para resolver o conflito. O enviado foi Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência para Assuntos Internacionais. Em declarações ao jornal La Nacion de Caracas, Garcia foi diplomático com relação ao governo de FHC, afirmando apenas que “Pode haver uma mudança de estilo, embora saibamos que as relações de Chávez com Cardoso são boas. Porém não é o momento de fazer críticas à forma com que a diplomacia deste governo tratou a Venezuela, inclusive porque não teríamos nada importante para criticar.” Disse ainda que o presidente Lula tomou a decisão após uma conversa por telefone com Chávez, de quem é amigo e que, independente disso, ”Tem que haver respeito por um governo constitucional eleito, e vamos oferecer tudo o que o presidente Chávez julgar que for necessário”. Vale lembrar aqui que tanto o presidente Chávez, quanto o presidente Lula são membros participantes do Foro de São Paulo. Ficou, entretanto uma dúvida, e vou aguardar a opinião dos jornalistas e amigos correspondentes venezuelanos, acerca de uma declaração muito estranha do emissário brasileiro, sobre a situação da imprensa daquele país, quando ele declara: ”Nós não estamos aderindo a uma pessoa mas a um governo constitucional. Sei que pode haver excessos populares. Porém o comportamento da imprensa venezuelana... Dizem que a imprensa venezuelana transformou-se num partido político”. Não precisa de muito esforço mental para entender aonde ele quis chegar, mas, ainda assim vou aguardar o parecer dos venezuelanos.



Hoje além dos informativos, há um artigo muito interessante de Alfredo Anzola Méndez que vale a pena ser lido.



A GREVE CONTRA CHÁVEZ COMPLETOU 17 DIAS

A oposição voltou a paralizar Caracas

Pela segunda vez em uma semana, houve bloqueio à passagem das principais autopistas e ruas da cidade; houve incidentes isolados.

O Governo advertiu que não permitirá que as marchas cheguem até a sede presidencial.



CARACAS – Pela segunda vez em menos de uma semana a oposição bloqueou ontem as autopistas e avenidas da capital venezuelana para pressionar a renúncia do presidente Hugo Chávez, enquanto a greve que paraliza a vital indústria petroleira entrou em sua décima sétima jornada; vários países europeus exortaram seus cidadãos a não viajarem para a Venezuela.



Desde às 6 da manhã e até o meio-dia de ontem, milhares de adversários de Chávez colocaram veículos, peneumáticos encendiados e pedras nas autopistas, tal como sucedeu há três dias com o primeiro “trancaço”.



Em vários pontos da cidade houve princípio de enfrentamentos entre opositores do mandatário e seus seguidores, que tentavam retomar as vias de acesso para brí-las, enquanto em duas avenidas próximas ao centro de Caracas os manifestantes foram dispersados por policiais com bombas lacrimogênias e balas de borracha.



Não obstante, na autopista Francisco Fajardo, a principal de Caracas, os grupos enfrentados encontraram uma maneira de resolver seu conflito: armaram uma barra de futebol que serviu para aliviar a tensão reinante que ameaçava com um desenlace violento.



O Ministro do Interior, Diosdado Cabello, criticou o “trancaço” alegando que violentava direitos civis como o da livre circulação, e advertiu que o governo se reserva o poder de atuar para preservar a calma nas proximas horas.



”Grande tomada” da capital



A oposição já anunciou uma “grande tomada de Caracas" para estes dias, e não descarta incluir uma marcha que chegue até o palácio presidencial de Miraflores.



Neste sentido, Cabello sentenciou que impedirá qualquer tentativa de desviar as marchas opositoras até a sede governamental, como ocorreu terça-feira.



”O palácio é uma área de segurança, em nenhum lugar do mundo se aceita que uma marcha opositora chegue ao palácio do governo”, declarou o ministro, um dos homens fortes do governo e próximo a Chávez.



No entanto, as chancelarias da Grã Bretanha, Alemanha e Hungria emitiram ontem vários comunicados em que aconselham aos cidadãos de seus respectivos países que não viagem à Venezuela. “Não temos notícias de ameaças específicas, porém a atmosfera política em Caracas e em outras cidades é muito tensa”, lê-se em um comunicado da chacelaria britânica.



A chancelaria de Relações Exteriores da Grã Bretanha geralmente não emite esses alertas, porém, foi muito criticada quando não advertiu seus cidadãos sobre o perigo de visitar Bali, na Indonésia, antes dos devastadores atentados de outubro, em que pese possuir informação da inteligência sobre possíveis ataques.



Por seu turno, o Ministério do Exterior alemão recomendou a seus cidadãos que não viagem à Venezuela “a menos que seja estritamente necessário”, enquanto que o ministério húngaro precisou: “Os que não possam adiar sua viagem à Venezuela, devem contactar imediatamente nosso consulado em Carcas”.



O governo venezuelano admitiu ontem a queda “em um terço” de seus níveis de produção petroleira, enquanto faz tentativas desesperadas para reativar a indústria com pessoal não qualificado e toma medidas para o racionamento de nafta nas transbordadas estações de serviço do país. “Conseguiram abater a produção até um terço dos níveis que havíamos alcançado e pretendem paralizar totalmente”, disse o presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), Alí Rodríguez, aludindo aos gerentes petroleiros que se uniram à parada.



Até agora, a greve causou a redução da produção do petróleo bruto de quase 3 milhões de barrís diários a menos de 400.000 barrís, o que ocasiona perdas de 40 milhões de dólares por dia.



Fonte: EFE, AP, AFP e ANSA. Diário “La Nacion”



PERU ADVOGA PELO DIÁLOGO E A CONCILIAÇÃO NA VENEZUELA



O Peru considera que a “única via” para que a Venezuela solucione sua grave crise política “é o diálogo e a conciliação”, disse hoje o ministro peruano de Relações Exteriores, Allan Wagner. Da Argentina, onde conclui uma visita oficial, o chanceler destacou que o Peru liderou junto a outros quatro países “uma iniciativa diplomática no marco” da OEA, para respaldar a democracia venezuelana.



”A única via é o diálogo e a conciliação. Não há outra forma de afiançar a democracia em um país”, afirmou. Wagner disse que o Peru promoveu junto a Argentina, Bolívia, Canadá e Costa Rica a aprovação de uma resolução do Conselho Pemanente da OEA sobre a situação na Venezuela, onde a oposição reclama do presidente Hugo Chávez e a convocatória a eleições.



O objetivo “é fortalecer a mesa de diálogo que preside” o secretário geral da OEA, César Gaviria, que encontra-se em Caracas, “para alcançar uma solução pacífica, democrática, constitucional e eleitoral à crise venezuelana”.



”As fórmulas concretas de solução têm que ser analisadas pelos próprios venezuelanos. Não corresponde a um país amigo, que respeita a soberania venezuelana, adiantar um juízo sobre qual é a solução que eles devem encontrar”, esclareceu. Wagner assinalou que está certo de que “há um leque de possibilidades que estão considerando e esse é precisamente o trabalho facilitador de Gaviria na mesa de diálogo e conciliação que está em marcha” na Venezuela.



Fonte: El Nacional



DEMASIADO EGOÍSTAS



Parecerá que nós merecemos Chávez. Além disso, por longo tempo mais. É insólito que enquanto tantos venezuelanos da PDVSA, da indústria, das franquias, do comércio e de tantas outras áreas da vida nacional arrisquem suas empresas, seus postos de trabalho e que muitos deles arrisquem o todo pelo todo – já que até a vida vários lhe têm dado – para derrotar este regime fascista, autoritário e autocrático criador de ódios divisores, é incrível que, todavia, venezuelanos privilegiados economicamente, os quais com seus respectivos graus de culpabilidade do que hoje nos passa – no menor dos casos, culpados por omissão –, lhes resvale o sacrifício natalino de tantos outros e assumam para eles esta época como se tudo estivesse normal. Olimpicamente se vão de caracas em férias, muitos de viagem ao exterior somente para desfrutar a liberar-se deste pesadelo em um grotesco e imenso ato de superior egoísmo patriótico e insensibilidade solidária.



O que está se passando na Venezuela não é uma brincadeira. É a crise mais grave que no plano político e libertário se tenha estabelecido nas últimas décadas. É uma crise que está destruindo os alicerces de nossa natureza fraternal e tradição generosa do venezuelano. Nem sequer é uma crise onde o componente ideológico tenha um piso de sustentação compatível com os lineamentos de nossa história. É uma crise onde um presidente quer, por razões autocráticas que justifica com uma salada de idéias e referências históricas torcidas, escravizar-nos a todos. Individualmente a cada um de nós venezuelanos alvejamos com seus epítetos, com suas classificações e desqualificações, com suas ameaças militares e de seus círculos do terror. Além disso, de escravizar também aos poderes institucionais republicanos como o legislativo e o judiciário. Que raios têm, senhor presidente, ordenar o desacato do ditamem de um Juíz ou de um Procurador da República? O senhor já tragou o Defensor Público, o Controlador e o Fiscal. As palavras deste último na segunda-feira, até agora, são só isso: palavras. Queremos fatos Fiscal, e o senhor tem brilhado por não contribuir com nem um só. Porém, tragar-nos a todos os venezuelanos, Presidente, aposto que não vai!



Esta luta é de todos. Dos adultos, das mães e dos pais. Dos profissionais e dos trabalhadores. Porém é sobretudo dos jovens. Dos universitários, porque deles será a Venezuela de amanhã. O exemplo do Embaixador Fernando Gerbasi ao renunciar é bom, algo sacrifica. E o de Marcel Granier na noite de segunda-feira, enfrentando diretamente a Chávez na televisão sem capuz nem disfarces com a realidade de seus feitos e o propósito de seus objetivos, é exemplo de máxima demonstração de inteireza e valor. Exemplo que devem seguir nossos jovens. Lembrem de José Félix Ribas. Averiguem quem era. Como disse um amigo cubano: se em Cuba houvesse venezuelanos, Fidel não estaria mandando. Por isso a Pátria necessita de todos: aqui e agora.



Alfredo Anzola Méndez



terça-feira, 17 de dezembro de 2002

Ontem, infelizmente, não foi possível editar o Notalatina mas hoje trazemos uma análise interessante sobre a situação venezuelana, pela pena de William Butler Salazar, enviado por uma correspondente, que sintetiza tudo que vem ocorrendo por lá. Apesar de ter sido escrita no passado dia 09, continua atual porque nada mudou, desde então. Ele faz sérias e graves denúncias, mas com um certo amargor, como quem já cansou de lutar. Graças a Deus não é essa a postura da grande maioria dos opositores que continuam suas gestões, com a mesma garra e coragem de quando começaram.



Há ainda uma matéria do El Nuevo Herald muito chocante, sobre os adolescentes que são recrutados por paramilitares não identificados, mas provavelmente, pela descrição dada, às Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Nessa matéria eles revelam o requinte de barbarismo e crueldade no “treinamento” que lhes é imposto, por esses sanguinários terroristas que falam, ironicamente, “em nome da paz”.



A GUERRA CIVIL VENEZUELANA EM SEU PONTO CRÍTICO



Por William Butler Salazar



A desobediência civil por parte de todos os setores da Venezuela aumenta diariamente. A paralização dos centros de trabalho, anunciada pelo diretor deles, Ortega, é quase total. A produção do petróleo caiu dramaticamante durante o mês de novembro. Os embarques de petróleo e minerais pelo rio Orinoco estão quase a zero. Abastecimento de comida, água potável e gasolina diminuem. As usinas geradoras de energia elétrica têm armazenamento para 14 a 30 dias de operação. Os mortos e feridos aumentam. O presidente Chávez não tem intenções de diminuir o poder. O momento final da crise se aproxima.



Carlos Ortega, presidente da Confederação dos Trabalhadores Venezuelanos, com uma paciência e sabedoria meritórias, consciente de que seus contrários são criminosos fortemente armados, os quais têm demonstrado sua vontade de assassinar inocentes desarmados, utilizou esses últimos meses para organizar a oposição por parte do único grupo que tem capacidade de confrontar-se com o regime de Chávez. Convenceu os seus associados a unirem-se em uma parada total da indústria venezuelana. Seguro de que manifestações pela parte trabalhadora poderia trazer um banho de sangue, solicitou a estes que ficassem em suas casas. A prioridade de Ortega é promover no país uma parada total e a entrada de dólares reduzida a zero.



O presidente Chávez e seu governo de matadores não entregarão o poder. Como revolução, o que ocorre na Venezuela é um fenômeno. Os rebeldes, e quero dizer os rebeldes de verdade, as FARC colombianas, as milícias cubanas e os militantes dos Círculos Bolivarianos, de forma não tradicional, todos respaldam o governo no poder. Estes grupos estão fortemente armados, igual a James Bond; foram licenciados para matar. Seu objetivo é manter Chávez no poder, custe o que custar.



O team Castro/Chávez/CNN unir-se-ão de novo para desenvolver este novo drama, até que se encerre com um saborzinho bem ao gosto dos países irmãos simpatizantes. Fatos serão distorcidos igualmente ao que houve no suposto “Golpe” de 11 de abril. Sem exceção, a imprensa mundial continua expondo a tese absurda de que o Exército derrubou Chávez durante esses dois dias de abril. Mentira total e absurda. Chávez saiu do seu gabinete acompanhado de dois militares, associados intimamente a ele. Enquanto Chávez descansava no Fuerte Tiuna e na Ilha Orchila, o governo identificou com detalhe a oposição. Ao voltar, eliminou todos do processo opositor sem um disparo. Ortega, com um sexto sentido incrível, se havia distanciado desta farsa a tempo.



A oposição continua hoje armada unicamente com suas caçarolas. Trinta pessoas, destas, quatorze mulheres, receberam tiros no dia 6 em Carcacas. Os acusados como autores deste crime são ajudantes do prefeito chavista. Na medida em que as paradas trabalhistas reduzirem o controle de Chávez sobre a situação no país que governa, não lhe restará outro remédio que promulgar a Lei Marcial. O Exército cumprirá suas ordens ao pé da letra. A oposição, incapaz de defender-se sem armas, se encontrará em um beco sem saída. As Forças Armadas foram guilhotinadas desde o General mais alto, ao soldado mais raso. Todo alto oficial não considerado revolucionário foi despedido. Oficiais de grau baixo, não pertencentes ao grupo revolucionário de Chávez, foram redistribuídos. Durante os últimos dois anos, novos inscritos foram doutrinados por instrutores cubanos.



O secretário da OEA, César Gaviria, ganhou o primeiro prêmio do bobo da corte quando declarou, durante sua recente visita à Venezuela, que não se atrevia a fazer frente a Chávez porque “não podia tolerar suas gritarias e alterações”. Hoje em dia, a OEA está a ponto de converter-se em cúmplice de Chávez. O presidente Toledo, do Peru, novo amigo de Hugo Chávez, solicitará à OEA a imposição do artigo 17 de sua constituição, o qual permite a uma nação solicitar ajuda de fora, se considera que não pode continuar “exercendo o poder de forma legítima”. Aprovada a resolução, chegarão voando as Forças Armadas cubanas. Os grupos revolucionários já estabelecidos no país receberão legitimidade. Uma análise do voto na OEA identificará de perto os afiliados ao Foro de São Paulo, inimigos declarados dos países democráticos da América.



Otto Reich, sub-secretário de Estado para assuntos latino americanos dos Estados Unidos*, seguiu a problemática da Venezuela de perto conjuntamente com seu embaixador em Caracas, Charles Shapiro. Têm as mãos atadas. Neste momento, qualquer interferência por parte dos Estados Unidos nos assuntos internos da Venezuela contra seu governo legítimo, traria um rebote político fatal para a administração Bush.



Agentes de inteligência cubanos já têm identificada a maioria dos opositores. O mesmo plano que Castro utilizou, antes da invasão da Baía dos Porcos, está preparado. Tão logo dêem a ordem, que mais provavelmente virá de Havana, as tropas de Chávez prenderão a oposição, igual como foi em Cuba, durante abril de 1961, dias antes da invasão da Baía dos Porcos. Quando as prisões não aguentarem nem um a mais, encherão todos os lugares públicos, como cinemas, com detidos. Todo homem entre 18 e 50 anos, não declarado em favor da revolução bolivariana, perderá sua liberdade. Uma vez terminada a crise estes serão soltos, porém, fichados.



A oposição na Venezuela, armada de caçarolas, ficará neutralizada. Todo aquele que desejar sair do país, lhe será permitido. Uma vez que conclua a conquista da oposição, o país sairá com ímpeto com pessoal importado de países pertencentes ao Foro de São Paulo: cubanos, brasileiros, peruanos, equatorianos e todo simpatizante esquerdista. Aqueles trabalhadores venezuelanos sem saída, quer dizer, as pessoas fichadas como da oposição porém sem possibilidade de mobilizar-se para o exterior, ficarão como escravos do estado bolivariano



Com o tempo a produção voltará e o país começará a funcionar de novo. Chávez terá controle total, igualmente a Fidel, e ao povo não restará outro remédio a não ser, tragar seu novo déspota. A revolução bolivariana terá realizado seu objetivo. Um povo a mais se converterá em escravo de outro líder malvado.



Em forma dolorosa os cidadãos pagarão pelos pecados de seus ancestrais, que não cuidaram das riquezas e das belezas que lhes repartiu o Senhor.



William Butler Salazar é engenheiro, autor e navegante.



* Quando o autor escreveu esse artigo, Otto Reich ainda não havia sido deposto do seu cargo.



MENINOS REVELAM AS ATROCIDADES DA GUERRA



Agência France Press – Bogotá



Os testemunhos de 13 menores que fizeram parte de um grupo paramilitar de extrema direita na Colômbia, evidenciam a crueldade com que são treinados estes meninos combatentes, em especial para acostumá-los à morte, segundo um dramático informe publicado ontem pelo diário El Tiempo.



”A mim me deram uma mão de (o cadáver de ) um homem, para que me acostumasse ao cheiro da morte. Me cumpria carregá-la no bornal até que apodrecesse”, assinalou um dos menores de 17 anos, dos que foram entregues por paramilitares às autoridades, como gesto de boa vontade a um eventual processo de paz.



Outro menor, da mesma idade, assinalou que viu vários de seus companheiros morrerem em combate. ”Isso faz a pessoa mais forte e o faz treinar mais para vingá-los”, disse. Recordou que o lema dentro do seu grupo era: ” o treinamento deve ser duro para que a guerra seja um descanço”.



Também disse que tinha aulas onde os doutrinavam: ”Autodefesas são um grupo político, anti-subversivo, que busca a paz do país. As autodefesas não matam gente inocente; só guerrilheiros”, lhes diziam.



Segundo testemunho de outro dos menores, uma vez como castigo lhe coube esquartejar um companheiro que havia morrido: “Me tremiam as pernas e as mãos. Nessa noite me banhei mais de uma vez, porém não podia livrar-me do cheiro do sangue”.



Os menores foram acolhidos pela estatal Instituto Colombiano de Bem-estar Familiar (ICBF), entidade encarregada da situação da infância na Colômbia.



Na sede do ICBF, estes menores que saíram dos paramilitares unem-se a outros que desertaram da guerrilha e que foram seus inimigos por algum momento. O diário entrevistou igualmente a uma jovem, próxima de completar os 18 anos, que pertenceu às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(FARC).



Fonte: El Nuevo Herald



domingo, 15 de dezembro de 2002

Hoje eu estava com várias notícias de Cuba para informar, acerca dos presos de consciência, mas uma correspondência vinda da Venezuela vai ocupar, sozinha, todo o espaço da edição de hoje.



Trata-se de uma carta preciosa, porque informa aquilo que a imprensa jamais revela ao mundo, escrita por um psicanalista venezuelano de reconhecido prestígio e seriedade profissional, o Dr. Rómulo Lander. Enquanto leio a mensagem, constato muitas coisas das quais suspeitava mas não tinha como confirmar, pois apesar de pesquisar exaustivamente em vários jornais e através do canal de televisão CNN (espanhol), NADA, rigorosamente nada do que se passa de concreto nos bastidores dessa calamitosa situação é reportado, nem como uma discreta nota de rodapé.



Fica a certeza, após ler a carta, de que a população (sobretudo de fora da Venezuela) continua sendo enganada e manipulada a crer naquilo que é do interesse da “inteligentzia”. À semelhança do que ocorre em Cuba, muitas das práticas adotadas pelo regime do nefasto ditador comunista já são realidade na Venezuela, como os tais “tribunais populares”. Vieram ainda, em anexo, declarações de Sociedades Psicanalíticas, Psiquiátricas e de Escritores venezuelanos, que infelizmente não vou poder publicar hoje. Mas a carta do referido Dr. Lander já é suficientemente contundente e reveladora, para nos saciar a sede de informações sobre a real situação vivida por nossos irmãos venezuelanos.



Caracas, 14 de dezembro de 2002 – 11:00 AM



Na sexta-feira dez de dezembro, enviei a meus amigos e conhecidos do mundo psicanalítico uma reportagem pessoal atualizada, da grave situação em que se encontra a nação venezuelana. Me motivou a fazer isto, a seguinte situação: A imprensa e as notícias televisivas do estrangeiro não reportavam, ou reportavam insuficientemente, ou distorcidamente, o que considero ser uma terrível realidade na Venezuela. Se o mundo conhece a versão difundida pelas agências nacionais afins com o governo, é justo e saudável, ao menos estar informado da outra versão. Muitos intelectuais de diversos gêneros, preocupados por este ponto, nos reunimos e ante este visível estado de desinformação, decidimos difundir a outra realidade ao mundo, tal como a estamos vivendo.



É natural que outros analistas pensem de uma maneira diferente da minha. Para mim e para muitos colegas psicanalistas da Venezuela, de distintas escolas e filiações psicanalíticas, estamos convencidos de que esta luta é pela sobrevivência das liberdades cívicas e democráticas. A todos eles os encontro nas marchas diárias pela liberdade.



Afirmei que o Chavismo trata de impôr um regime castro-comunista na Venezuela. Está muito além do meu propósito dar-lhes argumentos irrefutáveis. Não sou um homem de direita. Sempre me considerei e me considero de centro-esquerda, preocupado e sensível às dificuldades do povo humilde. Nunca fui ativista político. Uma coisa é um governo democrático de esquerda e outra coisa é um regime totalitário, seja de extrema direita ou de extrema esquerda, aos quais repudio. Poderia ficar calado com a informação que tenho como cidadão comum, que vive em um país em crise. A hora chama a não mais calar-me. Estamos a beira de uma guerra civil. Utilizando somente o que se vê no canal do Estado e em notícias locais, posso dizer-lhes o seguinte: O presidente refere-se constantemente a seu governo como o processo revolucionário. Sua saudação a seus partidários é um gesto de levantar as mãos e golpear os punhos, uma e outra vez, incitando a violência em nome da revolução e com o grito de acabar com a oligarquia. Seus partidários vestem camisetas de Fidel e Che Guevara. Seus encontros televisados mostram os auditórios cheios de cartazes pró-Fidel e com enormes fotos de Che Guavara nas paredes. O Presidente visita com muita frequência (duas ou três vezes ao mês) Fidel Castro, em uma hora e trinta minutos de vôo desde Caracas. Seis mil milicianos cubanos já estão na Venezuela. O Comitê Tático da Revolução (segundo aparece no canal do Estado e na imprensa) inclui dois importantes membros do Partido Comunista venezuelano. A guarda pessoal do Presidente não está formada por militares venezuelanos. Vários meses atrás instalaram-se tribunais populares nas praças, para julgar e sentenciar (em ausência), e pela televisão (do Estado) os que eles consideravam contra-revolucionários. Alí foram sentenciados militares, jornalistas, canais de televisão e de rádio, jornais, intelectuais e políticos. Logo apareceram as listas dos objetivos militares da revolução. Os nomes das pessoas marcadas, como objetivos militares. Os nomes das instituições informativas marcadas como objetivos militares. Hoje em dia alguns repórteres de televisão ao iniciar seu trabalho, identificam-se como marcados nas listas. Estes tribunais foram suspensos pelo mesmo regime. Chávez, tal e qual Fidel, defendeu publicamente (com cartas e documentos) o terrorista internacional conhecido como o Chacal. Segundo o Embaixador (destituído) da Venezuela, em Paris, Chávez pagava com dinheiro do Estado a defesa legal do Chacal. Há vários meses, Freddy Bernal (lugar-tenente civil) de Chávez, foi descoberto acidentalmente no Iraque, comprando armas clandestinas para as milícias da revolução. Isto foi notícia internacional. A estratégia da revolução desenhou um sistema celular paramilitar em todas as cidades e povoados chamados “círculos bolivarianos”. Estes círculos estão armados pelo governo. Tanto assim, que em sua visita de abril, a OEA pediu a Chávez que desarmasse os Círculos, coisa que foi ignorada. O escritório central destes círculos encontra-se no Palácio do Governo. Isso pode ser visto na página Web dos círculos bolivarianos, cujo endereço de seu escritório central está no Palácio de Miraflores (do governo). Seu chefe máximo (segundo aparece na página) é o Ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello.



Sinto-me envergonhado de ter que dizer-lhes tudo isto. É minha pátria e me doi. Hoje é sábado, 14 de dezembro; em uma hora estarei marchando de novo nas ruas. Não sei se em dois ou três dias teremos uma guerra civil. Não vejo que nenhuma das duas partes em conflito tenha a possibilidade real de retroceder. Para ambos os lados a sorte está lançada. A parada total do setor petroleiro põe o governo contra a parede. E cedo ou tarde terá que estourar. A oposição não tem nenhum poder de fogo, todavia está cerceada e não tem volta atrás (atrás está o cárcere e o exílio). O mais grave é que já não é somente Chávez, agora; tudo está nas mãos do Comitê Tático da Revolução. Para ambos os lados, não vejo que haja espaço político para retroceder.



Meu desejo é que ao menos vocês conheçam o outro lado da notícia. Não digo que eu tenha a verdade, é só a outra face da situação, a outra face do que vocês vêem todos os dias na imprensa. Se me preocupo tanto pela causa de Freud, como não vou preocupar-me com o que está ocorrendo em meu País?



Saudações de um colega em dificuldades,

Rómulo Lander



sábado, 14 de dezembro de 2002

Muita gente anda se encantando com a postura do presidente eleito, acreditando mesmo na mudança radical do PT, para uma postura mais moderada e conciliadora. Após a visita recém feita aos Estados Unidos, muitas foram as matérias elogiosas à conversa do Sr. da Silva com o presidente Bush, antes um notório inimigo, agora “felizes companheiros”.



Eu não sou pessimista e torço, do fundo do coração, para que as inúmeras promessas feitas antes da eleição e agora nas tantas declarações nos encontros com chefes de Estado se realizem, para o bem do nosso país. Mas, cada vez que recebo uma notícia escabrosa vinda de Cuba, não posso deixar de lembrar-me (e lembrar aos leitores) que esse mesmo Sr. da Silva declarou que “Cuba era um modelo e um exemplo a ser seguido”. Pois é desse “modelo” que o Notalatina apresenta hoje uma carta recebida de uma prisão de segurança máxima, onde está encarcerado sem julgamento e sem saber a causa da detenção desde o dia 28 de fevereiro, o preso de consciência José Manuel Pereira Hernández, que revela, com toda a crueza, como são desrespeitados em Cuba todos os direitos humanos mais elementares.



Outro escândalo acontecido no “paraíso caribenho” diz respeito ao preso de consciência Oscar Elías Biscet que, após passar 3 anos preso, injustamente, foi liberado em 31 de outubro deste ano e após 34 dias de liberdade já está novamente encarcerado, desde o dia 6 de dezembro. Há ainda notícias da Venezuela e da parada geral que já alcança o 13º dia sem que nada seja resolvido.



DO CÁRCERE



José Antonio Fornaris – Cuba-Verdad



HAVANA, dezembro (www.cubanet.org) – Recebi na quinta-feira passada, 5 de dezembro, uma carta escrita na prisão de Guanajay. Certamente que não me chegou pelo correio regular. A carta pertence ao preso político José Manuel Pereira Hernández. Embora a carta seja pessoal, quero compartilhá-la com os leitores de CubaNet.



Após a saudação, a carta começa: ”...saberás que no dia 28 de fevereiro deste ano me detiveram, encontrando-me em minha casa já deitado porque já passavam das 10 horas da noite. O oficial Rubén (da Segurança do Estado) em sua moto, e outro oficial em outra moto Susuki, e um (carro) Lada com outros agentes, me conduziram ao Departamento Técnico de Investigações de 100 e Aldabó. Ali me interrogavam a cada 3 ou 4 dias e só me perguntavam como estava e me ameaçavam para que eu deixasse a oposição. A comida é péssima e pouca, dormia em uma prancha de metal e o colchão era um pedaço de espuma que media aproximadamente 150 por 75 centímetros.



Estive nesse lugar horrível por um mês, até que me conduziram, sem sequer dizer-me por quê estava detido, na prisão de Guanajay. Desde abril me encontro em Guanajay, prisão de segurança máxima, onde não existe separação para detidos nem para presos pendentes (reclusos a espera de serem sancionados) como sou eu. Todos os presos que há aqui estão condenados entre 20 e 60 anos por assassinatos, violações e outras causas perigosas. Aqui sempre há problemas entre presos. Entre eles existem muitos que estão armados com arma branca que fabricam para defenderem-se uns dos outros. É um risco encontrar-se aqui, pelo perigo em que se permanece constantemente. Aqui eu sou o único preso político, sou o único que tem a correspondência bloqueada, isso eu pude confirmar. Não me entregam cartas que amigos e familiares me escrevem, as visitas me são dadas em separado, independente dos demais presos, custodiado por oficiais que escutam as conversas dos familiares que vêm me ver. Me confiscaram livros e me revistam mais do que aos outros. Durmo em um colchonete que me deram os que dirigem a prisão, de saco de nylon e em seu interior pedaços de esponja do mar com terra, pedras e areia.



Os direitos humanos são violados aqui, constantemente, maltratam os presos e os enganam. Já transcorreram 9 meses de minha detenção e todavia não sei nada, igualmente a minha família, também nada sabe. Minha advogada tentou investigar, porém o expediente é secreto. O que mais me doi são meus pais, que são idosos e sofrem pelo encarceramento injusto a que estou submetido. Eu estou orgulhoso de minha luta, não me humilharei jamais, não vou trair jamais minhas idéias e meus princípios. Estou convencido de que Castro se desmorona dia a dia por sua forma de atuar e a constante violação dos direitos humanos. Não obstante, me pergunto: se existem as Nações Unidas e as leis internacionais, por que Cuba continua submetida a uma ditadura militar por tantos anos? Até quando, Fornaris, meu amigo, pessoas devem morrer tentando abandonar o país, arriscando a vida a cada dia, fugindo deste sistema? Irmãos de luta são obrigados a emigrar como refugiados políticos devido às perseguições contínuas. Nosso povo sofre pela falta de liberdade e direitos que nos roubam. Estamos atrasados no mundo, não temos propriedades, estamos isolados sem conhecer o mundo por uma ditadura que obriga o povo a participar em todas as suas campanhas, com ameaças e chantagens. Já estou concluindo, não desejo que minha carta o canse. Te expliquei por alto o que tem se passado comigo. Te desejo bem; cuida-te muito. Aqui tens um irmão, um amigo. Te quero porque me dá gana.



José Manuel Pereira é um homem humilde, um trabalhador, para ser mais claro, um pedreiro. Porém, é sobretudo uma pessoa honesta e qualquer pessoa se sente bem de que uma pessoa assim lhe queira bem, apenas “porque lhe dá gana”. Após a despedida e sua assinatura, Pereira conclui a carta com este pensamento de José Martí, Apóstolo da independência de Cuba: Me parece que matam a um filho, cada vez que privam a um homem do direito de pensar”.



SERÁ PROCESSADO NOVAMENTE O EX-PRESO DE CONSCIÊNCIA OSCAR ELÍAS BISCET



HAVANA, 11 de dezembro (Ernesto Roque, CPI – www.cubanet.org) – O ex-prisioneiro de consciência Oscar Elías Biscet será processado novamente, junto a outros três desobedientes civis, que permanecem presos desde o dia 06 de dezembro na delegacia policial localizada na Avenida de Acosta, no município Dez de Outubro da capital cubana.



Agora as acusações serão alteração da ordem pública, segundo informou ontem a familiares e amigos dos detidos, o instrutor policial José Angel Aguilera. O oficial informou que após uma reunião com seus chefes, havia-se determinado não conceder a visita de cinco minutos que fora prometido aos familiares de Biscet e dos demais ativistas presos.



O instrutor policial informou, além disso, que os ativistas que residem na província Matanzas seriam transferidos para essa região. São eles: Enrique Pérez Hernández e os irmãos Guido e Ariel Sigler Amaya. Porém, na madrugada de hoje se confirmou que os três foram libertados.



Todavia, Virgílio Marante Guelmes, Orlando Zapata Tamayo e Raúl Arencibia Fajardo, que residem em Havana, serão julgados junto com Biscet. Estes quatro presos receberão a visita de seus familiares no dia 13 de dezembro, de acordo com o exposto pelo instrutor Aguilera.



Este oficial assegurou que a polícia política não tem nada a ver com a prisão de Biscet e dos outros 16 ativistas, pois o problema era de competência da Polícia Nacional Revolucionária, declaração que é interpretada por familiares e amigos dos detidos como uma burla das autoridades.



CAMPANHA CUBANA PELA LIBERDADE DOS PRISIONEIROS DE CONSCIÊNCIA – http://www.payolibre.com/presos.htm



”Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos também estivésseis”. Hb. 13, 3



Estas informações foram transmitidas por telefone, uma vez que o governo de Cuba não permite ao cidadão cubano o acesso à internet. CubaNet não reclama exclusividade de seus colaboradores e autoriza a reprodução deste material, desde que se lhe reconheça como fonte.

Fonte: La Voz de Cuba Libre – www.lavozdecubalibre.com



Informações de um correspondente venezuelano:



O povo da Venezuela pede e a razão da Parada Geral é para exigir eleições livres e confiáveis. Ninguém quer dar um golpe militar, mas sim, eleições livres para a escolha de outro presidente. A mesa de negociações trata de chegar a um acordo sobre a data (esforço que considero inútil).



Aqui vai um resumo esquemático dos resultados eleitorais passados. Vale a pena examiná-los para nos darmos conta da realidade percentual dos chavistas. Não há dúvida (pelas pesquisas) que hoje em dia, o resultado favorável a Chávez não chegaria nem a 15%. Por isso é que Chávez não pode, nem deseja medir-se em umas eleições gerais. Seu “projeto revolucionário”, como ele diz, e que eu entendo como um “projeto comunista”, que já está muito avançado, não contempla, nem necessita das eleições. Esse projeto se impôs ao povo, porque para eles, é uma verdade indiscutível.

Aqueles que não pensam assim, são considerados: “contra-revolucionários” e como tal, são perseguidos.



Rómulo Lander



NEM UM PASSO ATRÁS!



O COMANDANTE MORTE



Eleonora Bruzual – El Universal



A Venezuela guardará para sempre o horror de haver padecido em uma balbúrdia ambiciosa que passou de populista a carniceira e ganhou com vanatgem o título de Comandante Morte.



Hugo Chávez e os vândalos que o seguem não soltarão a presa sem antes inundar de sangue esta terra sofrida que desde 11 de abril começou a chorar os mortos, e sabe muito bem que lida com assassinos sem consciência, capazes de tudo para manterem-se usufruindo das riquezas de um país que é refém e vítima.



Desde o chacal de Sabaneta, passando pelos abjetos José Vicente Rangel, Diosdado Cabello, Aristóbulo Istúriz, Freddy Bernal, García Carneiro, descarados chefes dos círculos homicidas, protetores do “Senhor Gouveia” como chamam a um dos assassinos de Altamira. Sobram as provas para responsabilizar-lhes de crimes de lesa-humanidade. Eles e personagenzinhos medíocres como Chaderton e José Luis Prieto, dois figurões histéricos, barulhentos, desesperados ante o iminente final, tratando de buscar defensores que inaceitavelmente lhes protegem, alegando antigas proximidades com um venezuelano de exceção como o foi Aristide Calvani, e a quem estes comissários políticos sem dignidade, revolvem em sua tumba. Figuras de recheio ampliam a distribuição de uma tragédia cujo último capítulo ainda não se escreveu.



Rafael Poleo me altera quando o escuto dizer que não devemos perseguir o passado e temos que garantir a uns assassinos e desfalcadores a impunidade. Que nada lhes acontecerá, que poderão continuar como se nada tivesse acontecido, enquanto os mortos inocentes nos obrigam a rechaçar tal senvergonhice. Os vândalos arranjam defensores, enquanto as vítimas clamam justiça.



Uma noite chavista descreve tudo: um homem de olhar frio, tanto quanto seu nome Adel El Zabayar Samara deputado do oficialismo, graduado na Ucrânia comunista como sua atitude violenta, trazem a minha memória imagens de morte e terror do Oriente Médio. Este homem incita as ordas assassinas prometendo não paraísos islâmicos, mas castro-chavistas... Com ele, nas mesmas andanças, Luis Tascón, Iris Varela e Julio Montes embaixador em Cuba que voltou, como no fatídico 11 de abril, a transferir-se para Caracas, para mobilizar as quadrilhas assassinas. Pela tv vejo Guillermo Zuloaga dar as boas-vindas ao “seu amigo” Nicolás Maduro por estar presente também “na noite das câmaras rotas”, talvez pensando que assim o compromete com a decência... Não entendo. Não entendo muitas coisas. Só entendo que há e haverá muitos mortos antes de ver o final dessa maldita revolução.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2002

O Notalatina volta a informar as últimas notícias vindas da Venezuela. Hoje, além de divulgar como andam as negociações, trazemos também um “manifesto” do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), em solidariedade ao movimento chavista e, claro, culpando os Estados Unidos pela situação atual com a mesma velha e carcomida alegação de que são os americanos que pretendem desestabilizar o país. Essa gente ou é cega, ou burra, ou portadora de uma má-fé imensurável, ou tudo isso junto.



MOVIMENTO SEM TERRA DO BRASIL SOLIDARIZA-SE COM A “REVOLUÇÃO BOLIVARIANA”



Confirmando-se, mais uma vez, a manipulação da Internacional Socialista. O Movimento dos Sem Terra, do Brasil; As Mães da Praça de Maio, da Argentina; os Macheteiros, de Porto Rico; as Organizações Mapuche, Tupamaros, Zapatistas, etc., se pronunciam continuamente a favor das tiranias como a de Castro, os aspirantes a tiranos como Chávez, assim como os terroristas ETA, IRA e todos os demais ao redor do mundo, incluindo de quem a presidenta das “Mães da Praça de Maio”, Hebe Bonafide declarou a alegria que encheu seu coração quando viu a destruição do World Trade Center, que causou a morte de milhares de trabalhadores.



O MST se solidarizou hoje com a “revolução” que apregoa o chefe de Estado, Hugo Chávez, e denunciou que uma elite “inescrupulosa” e os Estados Unidos estão propiciando um golpe de Estado nesse país.



O movimento conhecido por suas siglas MST, divulgou uma nota na qual assinalou que ”os acontecimentos evidenciam a incapacidade da elite venezuelana para aceitar mudanças sociais, políticas e econômicas, por menores que sejam, em benefício dos pobres e excluídos”.



Fazendo suas, as palavras de Chávez, o MST disse que ”essa elite quer manter a qualquer preço seus privilégios e não duvida em usar de todos os instrumentos que possui na intenção de destituir um governo legitimamente eleito pela imensa maioria do povo”. (Situação e discurso igual ao que o PT e sua militância aguerrida dizia, antes de chegar ao poder. Notalatina)



A mensagem do MST, um velho aliado do socialista Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual pertence o presidente eleito do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, foi divulgada quando na Venezuela a greve geral convocada pela oposição chegou ao seu nono dia, e afetava com força especial a estratégica indústria petroleira.



Em alusão às distintas eleições ganhas por Chávez ou seus partidários nos últimos quatro anos, o MST lembrou que ”nunca na história da Venezuela um governo consultou tantas vezes o seu povo, mediante plebiscitos ou comícios”.



Coincidindo com Chávez, a nota afirma que a oposição venezuelana ”não respeita a Constituição, manipula inescrupulosamente a informação através de um monopólio midiático, utiliza falsas organizações de trabalhadores, sacrifica vidas humanas e busca, a qualquer custo, um golpe de Estado”.



O MST acusou o governo dos Estados Unidos de estar por trás das intenções “desestabilizadoras” na Venezuela, com o objetivo de “passar a controlar o acesso ao petróleo” desse país sul-americano, um dos principais abastecedores do mundo.



”A história de nosso continente está repleta de exemplos e de tragédias resultantes da política imperial dos Estados Unidos”, acrescenta a nota.



Os camponeses sem terra advertiram, além disso, que ”o que está se passando na Venezuela pode repetir-se na Bolívia, Brasil ou Equador, que votaram contra o neo-liberalismo, contra os interesses das multinacionais americanas e contra a ALCA”, pela Área de Livre Comércio das Américas, promovida por Washington.



Fonte: Efe/www.el-nacional.com



JOÃO DE GOVEIA

Especial para La Voz de Cuba Libre – por Rafael Coutin



João de Goveia, um português de 39 anos (naturalizado venezuelano) é até agora o principal implicado na matança de civis na Praça França, em Altamira (Caracas). Este indivíduo apresenta todo um rosário de estranhos aspectos em sua vida. Antes de tudo, chama a atenção que em um país onde os emigrantes portugueses são uma colônia florescente, dedicados principalmente ao comércio, exista um indivíduo como este de profissão supostamente: TAXISTA.



Parece que este personagem que vive há 22 anos na Venezuela não tenha encontrado melhor residência que um hotel, abrigo temporário que geralmente é usado por pessoas em trânsito no país. Estas residências são bastante caras para uma pessoa de classe média, como é sem dúvida o negócio de taxista, mas que parece prover a João de fundos suficientes para pagar um lugar confortável para viver...



Nos chegaram informes de que o sr. Goveia dirigia um taxi moderno, não desses velhos transportes que constituem três quartas partes do serviço de taxis na Veenzuela, onde João havia conseguido um taxi subvencionado pelo governo, através de um programa que existe para ajudar os taxistas, porém que as filas de espera são muito maiores do que as disponibilidades.



Porém, não termina aqui a sorte deste estranho “emigrante”, que aparentemente foi vítima da malandragem comum e roubaram seu veículo. Para qualquer venezuelano no negócio, isto teria significado o final de sua carreira, porém, ah!, sorte louca do lusitano, no dia seguinte o governo venezuelano, em um gesto inusitado lhe substituiu o taxi roubado!



Por alguma estranha causa paranormal, o supracitado foi captado por uma câmera de vídeo quando caminhava ao lado do líder das hordas oficialistas; o prefeito do município de Libertador, Freddy Bernal, é bem sabido de todos que tem um denso cordão de segurança em torno de si, de maneira que João, inadvertidamente pode aproximar-se sem que nenhum dos numerosos guarda-costas pudessem notá-lo e, o mais estranho é que, segundo o presidente venezuelano em defesa pública do réu, explicou que Goveia se encontrava, nesse momento em... Portugal!



Há demasiadas coincidências, a mais humilhante é um informe de que a oposição venezuelana obteve de mãos amigas no estrangeiro, onde se identifica João de Goveia como um ativista e ligado ao... IRA! Que tal? Parece que tudo o que foi dito anteriormente é pura coincidência, tanto quanto o segundo estrangeiro implicado neste assunto; Frank Pieterzs é de nacionalidade inglesa! Coincidências?



Rafael Coutin é co-editor de La Voz de Cuba Libre e Chefe do Birô de Notícias em Miami.



EMBAIXADA DOS ESTADOS UNIDOS NA VENEZUELA AUTORIZA A SAÍDA DE PESSOAL NÃO-ESSENCIAL



O Departamento de Estado norte-americano autorizou nesta terça-feira a saída de sua embaixada em Caracas de todos os empregados não-essenciais que desejem sair da Venezuela, por causa do recrudescimento da crise.



A chancelaria emitiu uma nova advertência aos cidadãos americanos que residem na Venezuela, ou têm planos de viajar para esse país, sobre “a deterioração da situação política e de segurança”.



O “travel warning” do Departamento de Estado também “alertou” os norte-americanos sobre sua decisão de autorizar “a partida voluntária de familiares elegíveis e pessoal não de emergência da embaixada na Venezuela”. Aos cidadãos estadunidenses recomendou-se “adiar todas as viagens à Venezuela neste momento ”e àqueles que já se encontram no país caribenho, foi solicitado “urgir” em “considerar a partida”. O novo aviso do Departamento de Estado substitui o emitido apenas na última sexta-feira.



ANÁLISE



Governo se apoia na Força Armada

Alfredo Rojas – El Universal



Miraflores ontem parecia o despacho de um poder que não sofre uma greve. O Governo não duvida que exerce o comando supremo da Força Armada, e considera que a CTV, Fedecâmaras e a Coordenadoria Democrática dominam os meios de comunicação, porém não a instituição armada, cujo controle mantém Chavez no poder. O chefe do Estado não viajou ontem à Aragua ao ato da Aviação militar. Ficou em um encontro com os generais Jorge García Carneiro, Eugênio Gutiérrez Ramos e Jesús Villegas Solarte.



O Governo manobra para controlar a emergência na PDVSA, porém estima que a greve não o afeta politicamente, nem obriga Chávez a abandonar seu cargo, e que pode aguentar até dois meses com esta circunstância, inclusive percebe que na inatividade dos bancos e do comércio afeta o público da oposição, e não os partidários do Governo. O Executico sabe – e sente – que a greve chegou a PDVSA e que o ataque foi duro, porém vê que que a emergência é econômica e não política, e que não é uma circunstância que ponha o Governo contra a parede, para aceitar uma convocação eleitoral em alguns meses. O ex-Ministro do Interior e Justiça, Ramón Rodrígeuz Chacín, e o ex-diretor da DISIP, Eliézer Otaiza, que é assessor da Contrainteligência da Casa Militar, são os que mais se vêem em Miraflores.



Fontes de confiança, segundo foi descrito por WQBA 1140 em Miami, revelaram a esta emissora que na madrugada de hoje, quarta-feira, o Alto Comando conjunto das Forças Armadas Nacionais da Venezuela, pediu a renúncia do Presidente Hugo Chávez; se esta não se produziu de imediato foi, aparentemente, pelas pressões dos talibãs do regime chavista, principalmente Diosdado Cabello e José Vicente Rangel. Até esta hora em que se produz esta notícia, Caracas amanhece sacudida por uma parada continuada e crescente, que abarca 90% da atividade nacional, a sociedade civil marcha nas ruas pedindo em voz forte a renúncia de Chávez, enquanto que a crise alcança o que parece ser o pináculo, pela retirada do pessoal não-essencial da Embaixada dos Estados Unidos e um ultimatum que provavelmente foi dado pele Secretário da OEA, César Gaviria, estabelecendo a data de hoje como limite para chegar a um acordo. Se esta tarde não se chegar a ele, o secretário Gaviria partirá amanhã para Washngton.



Dada a gravidade esses eventos, muitos estimam que a saída do presidente Chávez nas próximas horas é iminente.



De Miami, para La Voz de Cuba Libre, Rafael Coutin, Birô de Notícias Miami.



terça-feira, 10 de dezembro de 2002

Voltamos a falar sobre a Venezuela, hoje com uma grave denúncia. O termômetro esquenta, mais grupos aderem ao movimento dos opositores, as negociações arrastam-se como lesmas e Chávez, intransigente como sempre, segue empurrando com a barriga uma situação insustentável, onde 5 pessoas já morreram e 30 ficaram feridas pela ação criminosa de franco-atiradores.



O Notalatina de hoje traz ainda a notícia de mais um cubano que fugiu da Ilha do Inferno, de uma maneira inusitada e perigosíssima. Todos os dias pessoas tentam escapar de Cuba, o que sempre me leva a perguntar: se aquilo lá é mesmo um “paraíso” como pregam os adoradores do monstro do Caribe, por que tanta gente se expõe e prefere arriscar morrer, a continuar vivendo lá? Será que as estatísticas não falam por si sós? Para um país de 11 milhões de habitantes, ter 2 mil de seus filhos vivendo exilados fora de sua pátria, não é um número bastante expressivo para que se questione onde reside o erro? Além disso, todos os dias chegam notícias de pessoas que fugiram, ou pelo menos tentaram buscar a liberdade, arriscando a vida de todas as formas possíveis. Por que?



O exílio quase nunca é uma escolha voluntária, a não ser, aquele do espírito, ao qual poucos se aventuram. Quem sai do seu país deixando para trás toda uma história de vida, família, costumes, idioma e se aventura como esse homem de quem trago o relato hoje, tem que ter um motivo muito forte e concreto. É preciso ter afinidade e cumplicidade com um tirano assassino e um regime genocida e infame como o socialismo, para mentir e transmutar o horror em beldade, fazendo de Cuba, “o paraíso aqui na terra”.



MAIS UM CUBANO FOGE DA ILHA E DA ESCRAVIDÃO



O canal LCN do Canadá acaba de anunciar que, no dia de hoje (09.12), chegou um cubano no trem de pouso de um avião de Cuba. Segundo os analistas, o caso é surpreendente porque a altura em que o aparelho voa, registram-se temperaturas de até 57 graus abaixo de zero! Entretanto, o cubano encontra-se bem.



Informação enviada por Esteban Casañas Lostal, de Montreal – Canadá, para La Voz de Cuba Libre



CONTRA-ALMIRANTE DA ARMADA SE PRONUNCIA CONTRA O GOVERNO



Unión Radio



Um novo pronunciamento militar contra o primeiro mandatário foi divulgado nesta segunda-feira. Desta vez, falou o contra-almirante Carlos Julio García Vásquez que disse de modo categórico à Força Armada Nacional que “as decisões que tomem hoje, serão de caráter histórico e transcedental”.



”De forma responsável, cívica e pacífica, armado com meus princípios e com a Constituição, envio uma mensagem institucional. A Armada está dedicada à defesa da soberania da Nação; os homens de branco não somos golpistas. Homens e mulheres de branco rechaçamos os atos violentos que têm ocorrido no país”.



”A Armada está com o povo; lamentavelmente chegou o momento de dizer não, e à Constituição nos dá a permissão para fazê-lo. Os militares não estamos aqui para tirar ou pôr presidentes, porém não estamos para mantê-los à força. É minha esperança que os senhores digam não a quem querem convertê-los no braço armado de uma revolução e nos assassinos do povo”, disse o contra-almirante.



OS BANCOS DA VENEZUELA JUNTAM-SE À GREVE GERAL



Governo e oposição retomam o diálogo

A situação se complica na Venezuela e Chávez continua sem pronunciar-se



CARACAS – O Conselho Bancário e a Associação Bancária da Venezuela asseguraram que os bancos uniram-se ao combate nacional declarado por setores da oposição, após as mortes registradas na sexta-feira passada, motivo pelo qual não abrirão seus estabelecimentos. Através de um comunicado e após intensas reuniões, os banqueiros decidiram somar-se à parada, segundo informou o jornal “El Universal”. Assim o farão em sinal de luto ativo, porém analisarão a situação para decidir se na terça-feira (10.12) voltam a parar as operações.



Desta maneira, as entidades financeiras manterão fechadas suas portas, embora os serviços automáticos externos ficarão abertos para qualquer transação. Ficou-se sabendo que os bancos espanhóis também decidiram somar-se a esta iniciativa. Por outro lado, o presidente da Confederação de Trabalhadoras da Venezuela (CTV), Carlos Ortega, assegurou queo presidente do país, Hugo Chávez, está ludibriando a Mesa de Negociações e, especialmente , as gestões mediadoras do secretário geral da OEA, César Gaviria, uma vez que o primeiro mandatário não deseja encontrar uma saída democrática para a crise que vive o país. Chávez se equivocou; terminou o tempo da burla. A parada cívico-nacional ativa é ininterrupta e triunfadora”, acrescentou em uma coletiva à imprensa, depois de pedir à comunidade internacional que vigie qualquer ação do Governo contra os integrantes da sociedade civil que apoiam a greve.



Assim mesmo, o representante da CTV destacou que Chávez continua sem respeitar os membros da Mesa de Negociação com o discurso violento que mantém ante seus seguidores. Todavia, apontou que os encontros que acontecem no Hotel Meliá Caracas continuarão, para encontrar uma saída eleitoral e democrática.



A RADIO EMISSORA UNION RÁDIO ACABA DE INFORMAR DE CARACAS



1. Todos os detidos nos acontecimentos da sexta-feira passada na praça França, Altamira, eram empregados do Departamento de Recreação do Instituto de Desportos, sob a jurisdição de Aristobulo Izturiz, um dos principais colaboradores de Chávez, e Ministro da Educação (que recebeu, certamente, grande ajuda em assessoria por parte do seu similar INDER cubano. N.da R.).



2. Três unidades das FARC colombianas cruzaram a fronteira para a Venezuela, há três dias. Uma delas encontra-se no estado de Aragua, a caminho da capital, com o objetivo aparente de prestar “colaboração” irregular ao governo chavista, contra a oposição.



3. Um contingente armado de militares cubanos já encontra-se em território venezuelano, pronto para socorrer o presidente bolivariano, em caso de agravar-se o conflito que alcança já o nono dia.



Estas três informações, não foram confirmadas a esta redação, embora tenham sido divulgadas no ar pela citada estação comercial de rádio. Pela gravidade desses argumentos a difundimos, esperando que, se confirmadas, sua publicação contribua para deter os atos que em consequência poderiam ter lugar nas próximas horas na Venezuela.



Para La Voz de Cuba Libre, de Miami, informou Rafael Coutin.



Notícias de um correspondente venezuelano acabam de chagar, me confirmando sobre a identificação dos franco-atiradores. Entretanto, e o mais chocante nisso tudo é que esses assassinos foram detidos, identificados, confirmadas sua identidades mas já foram soltos! O advogado desses assassinos disse que o Juiz sequer esperou o resultado dos exames de balística, que comprovariam resíduos de pólvora nas mãos e roupas dessas pessoas.



Por outro lado, o Tribunal Supremo de Justiça decidiu que os julgamentos por violação dos direitos humanos seriam levados à Procuradoria, que até o momento é completamente favorável à Chávez. 95% da Venezuela está parada e pede que Chávez renuncie, como última medida para acabar com a parada cívica, considerando que as eleições são uma promessa que não se cumprirá.



As últimas notícias dão conta de que grupos chavistas ocuparam a emissora de televisão TVS de Maracay, porém foram retirados pela polícia do estado de Aragua. Grupos chavistas estão em massa em frente da Globovisión e Rádio Caracas e o governo não faz nada, protegendo essas hordas de desordeiros. As turbas se colocam em frente a todas as emissoras de tv do país, e só saem com a intervenção da polícia depois de várias horas e, mesmo assim, deixando as paredes dos edifícios riscadas. Foi aconselhado aos jornalistas abandonarem o local e voltarem para suas casas, porque as hordas de marginais gritavam: ”Morram os donos das mídias!”



Em seu programa “Alô Presidente” do domingo passado, Chávez disse que o português nacionalizado venezuelano chegou ao país 30 horas antes da matança em Altamira. Não explicou, entretanto, como ele fez nesse tempo para mudar o cabelo de negro para louro, adquirir uma pistola, balas e ter a idéia de sair matando gente em Altamira. Tudo isso tem clara intenção de maquiar provas e omitir a verdade, e para que se creia que esse indivíduo que foi fotografado ao lado do prefeito Freddy Bernal não é o mesmo assassino.



Comenta-se que o assassino foi enviado à Cuba por Bernal para um tratamento anti-drogas. Não há provas disso, apenas declarações de membros da colônia portuguesa, que um elemento com o mesmo nome Gobeia, que é muito comum, foi enviado à Cuba por Bernal.



E finalmente, a TV GLOBO foi tomada e saqueada pelas turbas de Chávez nessa madrugada. Ainda não temos detalhes sobre esse episódio, mas continuaremos informando, tão logo nos cheguem mais notícias.



domingo, 8 de dezembro de 2002

Hoje eu senti muita dificuldade em selecionar as informações que iria editar no Notalatina, daí porque ele estar sendo divulgado com tanto atraso. São muitas as informações que me chegam da Venezuela através de correspondentes e amigos; nenhuma alentadora. Fotos do massacre de ontem chegam aos montões, cada uma mais cruel, sofrida e dolorosa que a outra. Não contenho as lágrimas, sobretudo porque temo por nós e penso nos que se foram, sonhando com seu país livre da opressão do comunismo já francamente implantado e arrasando tudo com seu efeito devastador, como um furacão.



A missão de divulgar o horror, não nos isenta de nossas fraquezas, nem nos imuniza ao sofrimento. Quanto mais sei, quanto mais vejo, mais sofro, mais choro e mais tenho pena daqueles que não sabem o que virá pela frente...



Meses atrás, ainda em tempo de campanha, divulguei uma carta de Alejandro Peña Esclusa intitulada Lula: o candidato do PT e das FARC, e que foi reproduzida no site Midia Sem Máscara – www.midiasemmascara.org dada sua importância. Nessa carta Esclusa relatava que anos antes da eleição de Chávez, ele alertou os venezuelanos sobre o que poderia acontecer com esse homem no governo. Ninguém quis acreditar. Hoje o povo está nas ruas lutando com bravura para derrubá-lo. São pessoas de todas as classes sociais, homens, mulheres, crianças, empresários, militares, funcionários públicos, a maioria que deu seu voto e confiou nas promessas de campanha. O preço a pagar está sendo muito alto; já é quase uma guerra declarada. A situação se assemelha ao 11 de abril e creio, embora não desejasse ter a certeza, que muito sangue inocente ainda vai correr porque o delinquente e tirano Chávez, em sua insanidade, não abre mão do Poder, mesmo que isso custe o sacrificio de vidas humanas.



Aqui vai uma carta enviada por uma correspondente ao mediador da OEA, César Gaviria, na verdade um desabafo, e que por questão de segurança omito o nome; vai também uma denúncia grave sobre o prefeito Freddy Bernal, que, segundo uma gravação, foi quem autorizou os disparos na multidão que acampava pacificamente na Praça Altamira.



Dr. Gaviria, o Dr. Otto Reich disse muito antes que o senhor iniciasse sua ineficaz mediação, que primeiro desarmasse os grupos de choque, inclusive a guerrilha (com estes não há eleições possíveis, pois nos massacrariam) e o senhor estabeleceu uma agenda na ordem equivocada. Chegou, passou o 04 de dezembro e NÃO CONSEGUIU NADA, nem sequer TEVE O VALOR E A DIGNIDADE DE ATIVAR A CARTA INTERAMERICANA (que o senhor tinha poderes para isso); para que nos serviu sua mediação, senão para gastar o dinheiro do nosso Erário?



Sinceramente, lhe doi seus compatriotas mortos pelas FARC e ELN, que deixou que as coisas chegassem a esse ponto sem retorno, por velhos favores? Alguma vez se perguntou quem maquinou o seqüestro do seu parente ou o comparou com o caso de Richard Boulton, onde se evidenciou que a mesma pessoa que ordenou o sequestro, levou as glórias por sua liberação? Recorda-se das mentiras de Chávez sobre Montesinos? Quão ingênuo pode ser para propor discutir primeiro eleições antes do desarmamento, ou crer em uma palavra sequer de um comprovado mentiroso crônico e cínico?



E se não se recorda, hoje completam-se 4 anos que este assassino foi eleito sob enganos como presidente democrático, transfomado em um governante terrorista. SELVAGEM FORMA DE CELEBRAR SEU ANIVERSÁRIO! Ou o senhor não se previniu dessa mensagem? PRAÇA TIANAMEN VERSÃO CHÁVEZ. Já desde terça-feira temos um Estado de Exceção disfarçado, porque não pode oficializá-lo, uma vez que isso impediria que seus adeptos se manifestassem e se juntassem para atacar-nos; além disso, é uma forma indireta de violar-nos o direito ao livre trânsito: Ou ficas trancado em tua casa, ou te matamos!



E por favor, deixe de perder tempo em repetir o mesmo discurso, reacomodando a ordem das palavras ou dos parágrafos, mas com a mesma essência; não só não nos adiantou como estamos retrocedindo e perdendo um tempo valioso.



Até quando o senhor vai permitir que José Vicente Rangel continue lhe desqualificando, não só violando a norma de que só o senhor seria o porta-voz, como de insistir em “mesa de diálogo”, em conversações banais, em lugar de “mesa de negociação” para chegar a acordos com condições de parte a parte? Isto não é mais do que uma grande palhaçada de José Vicente Rangel.



Sua pátria, a nossa, a História o julgarão. Lamento que nos tenhamos deixado iludir com sua mediação para perder um mês mais, antes de iniciar a Parada Cívica, a Desobediência Civil e Tributária.

PS. A autora dessa carta foi agredida pela Guarda Nacional em 20.09.2002 e pela polícia de Freddy Bernal em 05.12.2002.



INFILTRADO O SISTEMA DE COMUNICAÇÕES DE POLICARACAS



Na transcrição das comuniações por rádio da Polícia Municipal, sob o comando do prefeito Bernal, é possível escutar como ele ordena atacar os membros da oposição, impedir seu avanço até Miraflores, prevenir uma provável retomada de La Campiña, além de proteger encapuzados armados que operavam na 23 de Janeiro, durante o caçarolaço da terça-feira passada à noite.



Freddy Bernal é “Castillo”

Roberto Giusti – El Universal



O prefeito Freddy Bernal é o protagonista em uma gravação das comunicações de Policaracas, nas quais ordena “furar” a quem se manifeste contra o governo e proteger os encapuzados armados, ligados ao oficialismo, que operam na 23 de Janeiro.



Na interceptação, que se produziu na noite da terça-feira passada e foi difundida ontem (6ª feira) pela Rádio Caracas Rádio (RCR 750), Bernal ordenava aos efetivos da Polícia Municipal manterem-se alertas ante uma “eventual” retomada de La Campiña, adjacente à sede central da PDVSA, por parte da oposição, e verificar o suposto avanço de grupos da oposição até Miraflores.



Da gravação se deduz que a “Rede Tabuleiro” configura uma espécie de jogo de xadrez, no qual o vocábulo ”Castillo” equivale a Bernal, as Torres aos chefes das zonas geográficas em que se divide a jurisdição da prefeitura e os animais (felinos, unicórnios, coiotes, etc...), aos agentes que operam na rua



A gíria, tipicamente policial, é regida por chaves também provenientes do xadrez. ”Xeque” é executar. Dama, quartéis ou lugares de encontro. Os peões brancos são os bolivarianos e os peões negros os da oposição.



O que segue é a reprodução textual do diálogo entre Bernal e seus subordinados.



CASTILLO (Bernal): Há supostos deslocamentos. Igualmente grupos sedeslocando pela Candelária até Miraflores e diversas partes. Informe sobre quantidade de pessoas e o que é que está ocorrendo.



VOZ NÃO IDENTIFICADA: Ok, copiado, Castillo. Atento, atento Tabuleiro, todo o pessoal em suas respectivas áreas, vamos verificar os pontos críticos que foram mencionados quanto ao centro da cidade, a Candelária e os pontos críticos que foram formulados através da rede.



TORRE PARA TABULEIRO: Instrução a todo o Tabuleiro, para todo aquele peão negro que se encontre em nossa jurisdição, a instrução é furar, furar... alfa, iniciar alfa sem importar o xeque.



UNICÓRNIOTenho conhecimento de que o caçarolaço na zona é bastante positivo e tenham conhecimento, se há funcionários nossos aqui, na paróquia, os companheiros da Coordenadoria e as pessoas de outros setores vão estar encapuzados e com armas para que saibam que são peões nossos, peões brancos na zona.



VOZ NÃO IDENTIFICADA:Ok, reporte novamente 21, reporte novamente 21.



VOZ NÃO IDENTIFICADA: os camaradas que vão presenciar aqui, na 23 de Janeiro, encapuzados e portando armas de fogo, são peçoes nossos, para que tenham o devido conhecimento.



VOZ NÃO IDENTIFICADA: (Ruído, recepção confusa) Vamos usar a chave. A idéia não é tampouco converter isto em uma espécie de auto-falante para qualquer um que esteja escutando.



VOZ NÃO IDENTIFICADA: Copiado. Positivo.



TORRE: Ok. Copiado Castillo. Copiou, Tabuleiro?