sexta-feira, 15 de novembro de 2002

Me dou ao luxo de sair um pouco da brutal realidade que nos cerca escutando a monumental Missa Longa – k 141, fechando o CD com a belíssima “Ave Verum Corpus” de Wolfgang Amadeus Mozart, meu tão amado, enquanto deito no Notalatina as desgraças e o sangue que escorre mundo afora. Isso é fuga, dirão os mais críticos, mas eu digo que é uma tentativa de preservação da saúde mental e fortalecimento do intelecto e do espírito.



Acabei de receber do amigo Nahum Sirotski, lá de Israel um artigo medonho e doloroso, mas encheu-me de uma estranha e inefável ternura, ao constatar que o que mantém aquele homem vivo, lá no olho do furacão, é uma fé indiscutível. No fim, ele faz um “apelo” para que as pessoas leiam as Sagradas Escrituras. Tanto quanto eu, ele reconhece a riqueza das histórias ali relatadas com uma simplicidade ímpar, um verdadeiro elixir revigorante dessa coisa tão fora de moda hoje em dia, que é a preservação da integridade do espírito, a fé e a busca do Deus de nossos pais.



Mas vamos ao que interessa. Hoje ficamos sabendo que o Monsenhor Jimenez foi resgatado pelas Forças Militares da Colômbia, das mãos sangrentas dos guerrilheiros das FARC. Soubemos também que o tirano senil do Caribe não compareceu à XII Cúpula Iberoamericana, preferindo mandar seus capachos em seu lugar. A pressão de cubanos molestados por ele, no exílio ou em outras situações, como o caso do Dr. Juan López Linares, cuja carta publicamos ontem, foi motivo para que a covardia se manifestasse e ele fugisse, mais uma vez, à responsabilidade de assumir que nega os direitos humanos mais elementares a seu povo. Além dessas notícias, temos ainda as famosas notinhas do meu amigo e colaborador Carlos Reis.



CASTRO NÃO VIAJA À CÚPULA IBEROAMERICANA



HAVANA – (AFP) – O líder cubano Fidel Castro não assistirá à Cúpula Iberoamericana que se inaugura nesta sexta-feira e a delegação será encabeçada pelo vice-presidente Carlos Lage Dávila, segundo informou uma nota oficial publicada nesta sexta-feira na primeira página do diário Granma.



O Granma assinalou que a comitiva presidida por Lage participará da “cerimônia inaugural, das sessões plenárias e do ato de encerramento marcado para sábado 16, e participará também de encontros bilaterais com outras delegações que estarão presentes ao evento”.



Lage encabeçou também a delegação cubana na XII Cúpula, realizado no ano passado em Lima, na qual Castro esteve ausente pela primeira vez desde o início deste tipo de encontros.



Completam a comitiva cubana à XII Cúpula Iberoamerican, o chanceler Felipe Pérez Roque, o vice-ministro de Relações Exteriores Pedro Núñez Mosquera, coordenador nacional iberoamericano; Raúl Taladrid, vice-ministro de Inversão Estrangeira e Colaboração, assim como Omar Córdova, embaixador cubano na República Dominicana.



A notícia surpreendeu os correspondentes e diplomatas estrangeiros em Havana, pois o dispositivo da imprensa cubana enviada à dominicana e a ampla cobertura sobre a Cúpula, parecia confirmar a assistência do presidente. Por razões de segurança, as viagens de Castro são mantidas no mais estrito silêncio, considerando que sobre mandatário pesam mais de 600 planos de atentados, segundo fontes oficiais cubanas. (Isso dá a medida do quanto ele é “amado”. Notalatina)



Esta será a segunda ausência do mandatário cubano a uma reunião presidencial este ano, pois tampouco assistiu à II Cúpula da União Européia (EU), América Latina e o Caribe de Madri, realizada em maio, quando Lage encabeçou também a delegação de seu país. A mais recente saída de Castro neste ano foi uma viagem relâmpago em 20 e 21 de março para assistir à Cúpula Mundial contra a pobreza, realizada em Monterrey, México. Depois de falar ante os plenários de Monterrey, Castro anunciou sua saída “devido a uma situação especial criada por minha participação”.



Segundo soube-se depois, o mandatário cubano havia recebido um pedido de seu anfitrião mexicano, Vicente Fox, para que se retirasse da reunião cedo, de modo a não coincidir com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.



Ante a negativa mexicana de reconhecer o pedido, Castro revelou o conteúdo e a gravação de sua conversa pessoal com Fox, o que azedou ainda mais o desencontro entre os dois países. A diferença bilateral havia começado com declarações sobre a ilha, do chanceler Jorge Castañeda e o voto mexicano na Comissão de Direitos Humanos nas Nações Unidas em Genebra, em favor de uma resolução contra o governo de Havana.



Representantes de grupos anti-castristas radicais com base na cidade norte-americana de Miami, se haviam deslocado até a República Dominicana para repudiar a presença do mandatário cubano, entre eles Alina Fernández Revuelta, filha de Castro que reside nos Estados Unidos. Também organizações da dissidência interna na ilha, como a “Assembléia para promover a Sociedade Civil”, encabeçada por Marta Beatriz Roque e o grupo “Todos Unidos”, presidido por Oswaldo Payá, enviaram mensagens à Cúpula, denunciando a situação dos direitos humanos na ilha.



Payá, recente ganhador dos prêmio Sakarov de Direitos Humanos, outorgado pelo Parlamento Europeu, é o promotor do Projeto Varela, uma iniciativa que reclama um referendum para modificar leis eleitorais e a anistia dos presos políticos.



Fonte: El Nuevo Herald



EXÉRCITO RESGATA MONSENHOR JIMENEZ

FORÇAS MILITARES DA COLÔMBIA EXÉRCITO NACIONAL



Bogotá, 15 de novembro de 2002



COMUNICADO À IMPRENSA



Como resultado de operações ofensivas, o Exército Nacional resgatou na manhã de hoje, sãos e salvos, o Bispo de Zipaquira, Monsenhor Jorge Enrique Jiménez e o pároco do município de Pacho, Desiderio Orjuela, sequestrados por terroristas da quadrilha Policarpa Salavarrieta das FARC, na segunda-feira passada à tarde.



O resgate do alto prelado da Igreja Católica e Presidente do Conselho Episcopal Latinoamericano (CELAM), produziu-se no setor de Pisco Grande, zona rural do município de Topaiti, no norte do departamento de Cundinamarca.



Neste setor, efetivos do Batalhão de Contra-guerrilhas 16, unidade da Brigada Móvel 2 que está agregada operacionalmente à 5ª Divisão do Exército, travou intensos combates com o reduto terrorista que conduzia Monsenhor Jiménez a pé.



Durante os enfrentamentos, que todavia registram-se na zona com vistas a resgatar outros cidadãos em poder das FARC, as tropas deram baixa em um terrorista, confiscaram um fuzil e imobilizaram um veículo. Minutos antes do resgate do alto prelado da Igreja Católica, os efetivos castrenses capturaram um terrorista identificado como Jose Hernando Anzola.



Neste momento, Monsenhor Jiménez e o padre Orjuela são levados à Bogotá num helicóptero. Os dois sacerdotes viajam em companhia do senhor Brigadeiro General Reinaldo Castellanos Trujillo, Comandante da Quinta Divisão, que dirigiu pessoalmente a operação resgate.



A operação militar avançou com o apoio de efetivos da Polícia Nacional. Para o êxito da mesma, também foi fundamental a informação fornecida pela comunidade e as informações que foram recolhidas como parte do programa de recompensas.



Major General Carlos Alberto Ospina Ovalle

Comandante do Exército



HISTORINHAS



O Bush, desculpem a intimidade, encontrar-se-á com Lula em 10 de dezembro na Casa Branca. Com tanta coisa importante, a primeira preocupação dos analistas é a de saber qual língua eles falarão. Dizem que o inglês do Bush é muito ruim. Mas poucos sabem que o espanhol dele es muy bueno. Já o espanhol do Lula é o mais próximo que se pode ter da língua de Castela. É caribenho, aprimorado em muitas reuniões do Fórum de São Paulo. Dizem as más línguas brasileiras que tem um sotaque cubano. Vamos ver e ouvir.



A controvérsia sobre a data de posse do Fidel Castro, digo, do Lula, parece estar terminando. O Ramez Tebet, presidente do Congresso, que poderia passar a faixa ao Lula, porque FHC se recusa a invadir o mandato constitucional do eleito, finge não gostar da idéia que o faria presidente por alguns dias. Isso estragaria a cerimônia da transição democrática tão bem ensaiada nesse ano eleitoral. Afinal de contas, quem como FHC, se dedicou tanto a fazer de Lula o presidente de vocês (eu ainda estou negando freudianamente o “nosso”), não poderia deixar de sair na foto oficial. Aquela que vai para os anais, os nossos!



Enquanto isso, lá na democracia de Iraque, onde o parlamento é unanimemente soberano para deixar a última palavra para o Big al Brother, caracterizando-se como instituição igualzinha àquela de Cuba ( dirigida pelo Alarcón, estrela do Fórum Social Mundial), mixou a guerra, pelo menos por enquanto. Saddan deu uma de magnânimo, primeiro mandando o seu parlamento de araque negar as inspeções, para depois se apresentar como salvador da pátria. E ainda tem bobo que escreve na imprensa: “Decisão de Saddan surpreende o mundo!”.



Pegaram o Enéas já na primeira curva! A Globo ParTicipações está dando 10 minutos diários para a destruição da reputação do Dr. Enéas Carneiro. Bem feito, para ele! Quem mandou fazer tanto voto assim sendo dono de um partido minúsculo, a ainda por cima não socialista, sem ter uma TV só para si, e sem receber ajuda do narco-comunismo e da mídia internacional! Será que esse Enéas não se enxerga? Amanhã ou depois o seu partido será chamado de fascista! De Le Pen brasileiro e corrupto ele já foi!



Carlos Reis





quinta-feira, 14 de novembro de 2002

O Notalatina publica hoje apenas uma carta que o físico cubano Dr. Juan López Linares enviou aos participantes da XII Cúpula Iberoamericana, que acontece na República Dominicana a partir de amanhã. Com relação à queixa justíssima do físico cubano, vale salientar que o Ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, havia se comprometido em tentar resolver o caso. Entretanto, ao invés de cumprir o que prometeu, esteve na ilha em fins de setembro para “ofertar uma ajuda” bilionária ao sanguinário tirano. Quanto ao caso do Dr. Linares nada fez quando pode e agora, acho que nem lembra mais...



Segundo informes colhidos do jornal “El Nuevo Herald”, essa carta já começa a dar mostras de inquietação entre os participantes do Congresso, pois sua contundência não dá muita margem para desculpas. Agora é pedir a Deus que esses presidentes se sensibilizem com o caso e que o Dr. Linares possa, enfim, conhecer seu filhinho Juan Paolo.



Campinas, Brasil, 7 de novembro de 200



Sr.



Presidente da República Dominicana



Dr. Rafael Hipólito Mejía Domínguez



Organizador da XII Cúpula Iberoamerica



E-mail: prensa@presidencia.gov.do



Srs.



Presidentes Dr. Eduardo Duhalde (Argentina), Dr.

Gonzalo Sánches (Bolívia), Dr. Fernando Henrique

Cardoso (Brasil), Dr. Ricardo Lagos (Chile), Dr.

Alvaro Uribe (Colômbia), Dr. Abel Pacheco (Costa

Rica), Dr. Gustavo Noboa (Equador), Dr. José María

Aznar (Espanha), Dr. Francisco Flores (El Salvador),

Dr. Alfonso Portillo (Guatemala), Dr. Ricardo Maduro

(Honduras), Dr. Vicente Fox (México), Dr. Enrique

Bolaños (Nicarágua), Drª Mireya Elisa Moscoso

(Panamá), Dr. Luis Angel González (Paraguai), Dr.

Alejandro Toledo (Peru), Dr. Jorge Fernando Branco

(Portugal), Dr. Jorge Batle (Uruguai), Dr. Hugo Chávez

(Venezuela)



Com cópia para o Presidente eleito do Brasil, Sr. Luis

Inácio Lula da Silva e para os Chanceleres

iberoamericanos



Senhores Presidentes:



Além de desejar-lhes os maiores êxitos na próxima XII Cúpula Iberoamericana de chefes de Estado e de Governo (República Dominicana, 15 e 16 de novembro de 2002),

em meu caráter de iberoamericano e de cidadão cubano, solicito vossa atenção para um grave problema familiar que me afeta.



Sou um físico cubano de 31 anos que atualmente cursa um pós-doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp), no estado de São Paulo, Brasil. Tenho em Cuba um filho de quase 4 anos, Juan Paolo López Fiallo, a quem não conheço pois o governo cubano me impede de fazê-lo. Essa separação é a mais cruel humilhação que se pode infligir a um pai, e deve-se a que sou considerado pelo governo cubano como um "desertor", pelo simples fato de haver optado por estudar no grande e acolhedor Brasil.



Em fins de junho de 2002, esgotados três longos anos de recursos ante as autoridades consulares cubanas no Brasil, me vi obrigado a tornar público meu drama familiar (cfr. Documento I). Desde então, recebi reconfortantes adesões do mundo inteiro. Me permito destacar a do presidente da Comissão Européia, Prof. Romano Prodi, transmitida pelo Dr. Luis Ritto, chefe da unidade da seção Caribe da Comissão Européia, que afirmou também: "Desejo realçar que concordo com o senhor em que a separação forçada de pais e filhos é uma violência que vai de encontro a natureza humana e contra as convenções das Nações Unidas sobre direitos humanos".



O senador brasileiro Eduardo Suplicy, do Partido dos Trabalhadores (PT), manifestou louvável interesse pelo meu caso ante o embaixador cubano em Brasília, Sr. Jorge Lezcano Pérez. Em sua resposta à tal autoridade legislativa, o sr. Lezcano não só mostrou-se cego e surdo ante o meu pedido de entrar em Cuba para conhecer meu filhinho Juan Paolo, como também me acusou de "caluniar" o povo cubano e até de colaborar com organizações que teriam um "histórico" de "ações terroristas". Diante de tão graves acusações, em defesa de minha honra de cubano e de pai de família, me vi obrigado a solicitar-lhe publicamente que apresentasse as provas, ou que se retratasse; e a lembrar que, na falta de provas, a acusação passa a recair sobre o acusador (cfr. Documento II). Até o momento, o embaixador cubano guardou um silêncio que fala por si só.



Senhores Presidentes, Cuba é o único país no Hemisfério que proíbe seus cidadãos de entrar e sair livremente de sua própria Pátria, configurando-se assim uma situação incompreensível, inumana e degradante, que vai muito além do meu drama pessoal, pois é uma tragédia que afeta a milhões de meus compatriotas. Tal situação viola frontalmente o art. 13 (2) da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que expressa que "Todo homem tem direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar".



Em meu caso familiar, também viola-se a Convenção dos Direitos da Criança, assinada pelo governo cubano, que em seu artigo 10 (1) expressa: "Os pedidos de uma criança ou de seus pais para entrar ou sair de um Estado-parte, no propósito de reunificação familiar, serão considerados pelos Estados-partes de modo positivo, humanitário e rápido. Os Estados-partes assegurarão ademais que a apresentação de tal pedido não acarrete quaisquer conseqüências adversas para os solicitantes ou para seus familiares."

.

O inédito e prolongado bloqueio que o governo impõe a seus próprios cidadãos, torna cada vez mais enigmático o silêncio que mantêm a esse respeito tantas entidades

e personalidades que elegem defender os direitos da pessoa humana.



A anunciada presença na XII Cúpula Iberoamericana do Dr. Fidel Castro, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros de Cuba, é uma imemorável oportunidade

para que Vªs. Sªs. possam manifestar-se com a firmeza necessária em favor de uma solução favorável, não só para meu drama pessoal, como para o de milhões de meus

compatriotas.



Saúda-lhes atenciosamente,



Dr. Juan López Linares



LMBT, DFMC, I. de Física G. W., UNICAMP

CEP 13083-970 Campinas, SP

BRASIL

Tel.: (55-19) 3788.5504 (Lab.) Fax: (55-19) 3289.3137

E-mail: jlopezlbr@yahoo.com.br



quarta-feira, 13 de novembro de 2002

A ilha do Dr. Castro encontra-se em polvorosa, depois que um pequeno escândalo foi armado em torno da “família real”. Ocorre que uma das ex-noras do monstro do Caribe tinha sob seu poder uma fita de vídeo, que revela os “segredos de alcova” da nobre família e resolveu, após romper com um dos filhos de Castro, revelar ao mundo o que ninguém seria capaz de supor ocorrer por trás dos muros daquela mansão.



As autoridades estão feito baratas tontas tentando evitar que o povo descubra que por trás de um discurso que exige o sacrifício de todos e jogando a culpa da miséria em que se encontra o país, no “inimigo do Norte”, o tirano e sua família vivem como nababos. Pura perda de tempo; a informação se espalhou como rastilho de pólvora e vai ser muito difícil, daqui para a frente, tentar tapar o sol com peneira.



CENTENAS DE PESSOAS EM CUBA VIRAM A REPORTAGEM DE COMO VIVE O COMANDANTE EM CHEFE



Por Rafael M. Esteves, WA4ZZG, ex-CO2ZQ



Várias pessoas de inteira confiança nos confirmaram que ontem e hoje (11 e 12) viram em Havana, as duas primeiras reportagens sobre a vida íntima do déspota cubano que foi transmitido pelo Canal 23-WLTV, da cadeia Univisión, o qual é conduzido pelo jornalista Mario Vallejo.



Há vários dias Vallejo vinha anunciando na rádio e na televisão esta série de 10 capítulos que pode-se ver às 6 PM e 11 PM no mencionado canal do Sul da Flórida.



Este anúncio prévio da série mobilizou vários amigos e técnicos em televisão, os quais se deram a tarefa de preparar antenas de alta potência em várias sacadas e varandas de Havana, Cojímar, Guanabo, Santa Fé, Bacuranao e em outras áreas que não vamos divulgar.



As autoridades repressivas cubanas também escutam diariamente a rádio e a tv de Miami, e tomaram medidas de precaução, do mesmo modo que fizeram quando os lançadores (de beisebol) cubanos que escaparam do regime, jogaram na Série Mundial. Porém desta vez, sabendo que há muitas antenas parabólicas e pequenos discos escondidos e camuflados, foram um pouco drásticos e, em várias zonas da capital e bairros, o serviço de eletricidade foi suspenso por uns 15 minutos antes da série.



Nossas fontes informativas confirmaram que muitos estão gravando a série para depois passá-la em privado a outras pessoas. Isto é muito normal na ilha, uma vez que a maioria dos programas de Miami e outras cadeias são gravados, e depois são alugados entre amigos ou exibidos em casas particulares.



Se a famosa firma “Arbitrón” permitisse fazer uma pesquisa na capital cubana e seus bairros adjacentes, os resultados seriam uma grande surpresa para o regime e para os anunciantes dos Estados Unidos.



Fonte: La Voz de Cuba Libre – www.lavozdecubalibre.com



NAS TELAS DE HOJE A FACE OCULTA DE CASTRO



Ketty Rodrigez – El Nuevo Herald



O mundo inteiro verá pela primeira vez um Fidel Castro de pijama e pantuflas, um homem cansado e decrépito, através de um vídeo doméstico que revela a vida íntima e familiar do governante cubano, dentro de sua impenetrável mansão. “Veremos um Castro desmitificado, além de seu traje verde-oliva”, disse Mario Vallejo, o jovem repórter da WLTV Univisión/Canal 23, que saíra de Cuba em princípios dos anos 90 e que realizou entrevistas sobre a vida privada do mandatário, incluidas na série sobre um vídeo secreto que a cadeia de televisão levará ao ar desde hoje, até a próxima sexta-feira, em dez segmentos de cinco minutos cada um.



”Se mostrará a face oculta de um homem que embora rodeado de sua esposa, filhos e netos, mostra-se distante”, assegurou o jornalista para negar as críticas que indicam que o vídeo poderia mostrar uma imagem mais “humana” do governante. “Tudo ao contrário”. “Afinal, às pessoas ficará um sabor de que está em frente a um ser que é como uma múmia, indeiferente ao que se passa ao seu redor, e que não tem nada a ver com sua família”, enfatizou Vallejo. O vídeo mostra, além disso, os rostos nunca vistos de quatro dos filhos de Castro com Dalia Soto del Valle – a mulher com quem se casou em 1980, após a morte de Celia Sánches – e três de seus netos. “Saberemos quem é a verdadeira Dalia, uma mulher dominante com seus filhos e que sempre manteve relações com Castro, mesmo quando Celia estava viva”, acrescentou o repórter.



A vida luxuosa dentro da residência saltará aos olhos, quando os espectadores observarem que durante a refeição familiar – em um domingo qualquer – há vinhos que custam U$ 700 a garrafa. A mansão de Castro, denominada Punto Cero, é um local fechado, composto por várias propriedades estritamente vigiadas – nas quais antes viviam milionários – e às quais só têm acesso os filhos, netos e algumas noras de Fidel. “Nem sequer o próprio Raúl Castro, irmão do mandatário, pode entrar alí”, indicou Vallejo.



Foi precisamente através de Dashiell Torralba, ex-noiva de Antonio Castro Soto del Valle, um dos filhos do governante, que o vídeo saiu de Cuba. Ela o guardou zelozamente quando Antonio o deixou esquecido em sua casa, e uma vez que terminou a relação sentimental, decidiu utilizá-lo como “instrumento de vingança” contra a família. Torralba, cuja vida corre perigo e é procurada por agentes de segurança de Castro, foi entrevistada por Vallejo na América Latina, em um lugar que não pode ser revelado. A mulher desenhou um mapa da mansão de Castro, que coincide com umas fotos de satélite, tiradas pela NASA, e que provam sua exatidão.



O controverso vídeo trará à luz negócios ilícitos, como a compra e a venda de vistos na Espanha, nos quais um filho de Castro ganha U$ 30.000, e a conexão com um assassinato ocorrido em Miami e nunca resolvido. Para Alina Fernández, filha natural de Castro, este vídeo servirá para destruir a imagem de um homem que “predica austeridade, porém não a aplica”. “Tudo o que seja para desmistificá-lo, é útil para a causa cubana (no exílio), acrecentou Fernández.



terça-feira, 12 de novembro de 2002

Antes de editar os informes de hoje, quero registrar aqui minhas desculpas pela ausência de ontem, justificando o motivo. A empresa Cabo Mais que me fornece o acesso cable de conexão, simplesmente retirou-me do ar por 24 horas, sem aviso de qualquer espécie. Ao questionar tal empresa sobre o ocorrido, foi-me alegado, pela enésima vez, bloqueio por falta de pagamento.



Ocorre que essa tem sido uma prática constante dessa empresa, desde setembro, cobrando-me faturas pagas (quase um mês depois de efetuadas) e reiteradas vezes provadas, através de fax e telefonemas que desconheço o destino que tomam, pois voltam a cobrar-me o que efetivamente não devo. Não sei se atribua isso a desorganização empresarial, pura e simples, ou um modo velado e disfarçado de censura, prática que vem sendo adotada (e negada) constantemente sobre quem ousa sair do informativo convencional, do “politicamente correto”. Sou cliente dessa empresa há mais de um ano e, curiosamente, só depois de inaugurado este blog, passei a ter problemas dessa natureza e uma conexão intermitente diariamente.



Após ameaçar ir aos jornais denunciar tal abuso, normalizaram minha conexão; entretanto, isso não os livra de um processo por constrangimento ilegal, cobrança indevida e otras cositas más que a justiça deverá providenciar. Paciência tem limite e a minha acabou. Fica, desta forma, justificado o motivo da ausência de ontem que espero contar com a compreensão de todos.



Hoje havia muitas denúncias sobre a América Latina (Venezuela, Colômbia, Argentina e porque não, Cuba) mas resolvi selecionar duas da ilha-cárcere, que achei mais relevantes. A primeira delas dá conta das alianças entre Cuba e Irã, fato que a imprensa nacional omite sistematicamente, como se isso não oferecesse perigo para a humanidade inteira. A outra mostra a exploração que o tirano do Caribe faz aos estudantes, deixando muito claro o preço (real) pago pelo tão propalado “ensino gratuito” do regime comunista.



A ALIANÇA CUBA/IRÃ



Por Manuel Cereijo



Em fevereiro deste ano, o Ministro iraniano de Ciências, Investigações e Tecnologia, Motafa Mo’in reuniu-se com a Ministra cubana, da mesma pasta, Rosa Elena Simeon, e assinaram um acordo de cooperação entre os dois países que amplia enormemente os tratados bilaterais entre ambas as nações, nos ramos de biotecnologia, cibernética e nanotecnologia.



Os acordos e cooperação entre Cuba e Iran começaram em 1990, depois do grande terremoto desse ano no Irã. Uma aliança conseguida pelo Dr. Miyar Barruecos, conhecido por El Chomi, médico, muito próximo a Castro e com a cooperação dos Drs. cubanos Manuel Limonta e Luis Herrera. Limonta e Herrera foram os principais fundadores da biotecnologia em Cuba.



Desde 1986 Herrera ocupa o cargo de Diretor do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB), e Limonta o de Vice-Diretor, até sua destiuição em 1999. Atualmente, mais de 30.000 pessoas trabalham em Cuba no ramo da biotecnologia, em mais de 200 centros e institutos dedicados à investigação biológica.



O CIGB é o maior, com um custo inicial de U$ 150 milhões dólares, com 1.200 empregados, 43.000 metros quadrados de área. Já em 1999 o governo cubano havia investido U$ 1.000 milhões de dólares neste centro. O desenvolvimento comercial destes centros, tanto doméstico como de exportação, tem sido mínimo, comparado a mais de U$ 3.500 milhões de dólares investidos nos mesmos.



Em 1998 Cuba começou a construção de um enorme Centro de Biotecnologia e Engenharia Genética em Teerã, Irã, sob a supervisão de Luis Herrera, que praticamente passava de 9 a 10 meses do ano em Teerã, até a inauguração do Centro em maio de 2001. À inauguração do Centro assistiram Castro e Carlos Lage.



Há que se destacar que o Irã se auto-abastece de medicamentos tendo a maior indústria farmacêutica dessa região, porém foi Cuba que lhe construiu este Centro, o maior no mundo árabe, provendo os equipamentos como fermentadores, purificadores de ar e centrífugas especiais para a fabricação de armas biológicas, que está proibido ao Irã comprar no mercado mundial, que Cuba produz há anos, uma vez que são similares, porém mais especializadas, às usadas nas indústrias de fabricação do licor e do açúcar.



Cuba teve a seu cargo a construção e equipamento completo do Centro, assim como a transferência de tecnologia e treinamento dos engenheiros e cientistas iranianos. Cuba tem dado ao Irã, com este Centro, a tecnologia e os equipamentos para produzir proteína recombinada, assim como o Escherichia coli, a sintetização de proteínas solúveis e insolúveis. Estas tecnologias permitem a fabricação de armas biológicas.



Desde maio de 1997, mais de duzentos engenheiros e cientistas russos e cubanos, dos centros russos de Vector e Obolensk e do Biocen e CIGB de Cuba, reunem-se anualmente em Teerã, Moscou, ou em Havana durante várias semanas, não só compartilhando seminários e conferências, como intercambiando resultados e tecnologias com seus colegas iranianos.



Cuba é o denominador comum entre Irã e Iraque, servindo de ligação entre ambos os países. É indubitável que as alianças Cuba/Iraque e Cuba/Irã são fatos e muito preocupantes para a segurança nacional dos Estados Unidos.



ESTUDANTES DE LOS PALACIOS DEVEM AJUDAR A PAGAR OS GUARDAS DA ESCOLA



Os estudantes que não pagam a cota, recebem um sinal negativo em seus boletins escolares.



PINAR DEL RÍO, 4 de novembro (Víctor Rolando Arroyo, UPECI – www.cubanet.org) – Os estudantes do ensino primário e secundário básico de Los Palacios, devem fazer uma doação de cinquenta centavos mensais, para pagar os guardas dos colégios, ou do contrário serão qualificados de “descumpridores” em seus boletins escolares acumulativos.



Supostamente a entrega do dinheiro para pagar os guardas é voluntária, porém um sinal considerado como “má atitude política” em seu boletim, pode comprometer os futuros estudos superiores do estudante. Desde que a criança começa na escola, se lhe abre um boletim que registra sua atitude política e o acompanhará durante todos os seus anos de estudo e sua vida laborativa.



Desde que o governo iniciou o Programa Audiovisual, que consiste em dotar as escolas de televisores, vídeo-cassetes (VCR) e computadores, incrementou-se o roubo nas instalações do Ministério da Educação (MINED), com o propósito de subtrair tais aparelhos, os quais são muito bem cotados no mercado ilegal ou câmbio negro, devido a que as disposições legais tornam impossível comprá-los legalmente. Portanto, as escolas necessitam de constante vigilância por parte de guardas. Por seu lado, os professores também contribuem com a vigilância das escolas, e devem pagar cinco pesos de seus salários para o salário dos guardas, cuja retribuição o Ministério da educação não assume, alegando que é tarefa dos professores proteger os meios (audio-visuais) entregues. Esta carga econômica é o motivo de que os professores exijam dos menores a cota mensal de 50 centavos, sob pena de manchar o boletim daquele que se negue a isto, com o qualificativo de “má conduta política”. Se nas escolas roubam algum dos recursos audio-visuais, os professores pagarão por isto e ainda perderão a possibilidade de comprar bicicletas, televisores ou planos de férias que o governo lhes oferece periodicamente.



NOTA DE LA VOS DE CUBA LIBRE: Desde a implantação da educação socialista, “o ensino gratuito” era pago só com o trabalho dos estudantes de acordo com sua idade. Os menores de 15 anos em hortas, produtoras de flores e outros trabalhos menores. Os maiores de 15 em todo tipo de trabalho, incluindo, muito especialmente, o corte da cana e a colheita de café. Hoje já têm que pagar o salário dos “security guards”; amanhã, possivelmente a eletricidade, a limpeza, os reparos e finalmente o salário dos mestres.



Fontes: La Voz de Cuba Libre – www.lavozdecubalibre.com e CubaNet – www.cubanet.org



domingo, 10 de novembro de 2002

O Notalatina traz hoje duas notícias sobre a ilha-cárcere e uma sobre o delinquente mental da Venezuela. O Dr. Castro, com uma nítida síndrome de Pinóquio anuncia ao mundo que vai pagar suas dívidas. A foto da matéria era horripilante: mostrava a cara de um homem acuado e cheio de ódio. Tanto pior para ele; os credores não são bobos e tudo tem um limite. Só na grande taba brasilis é que os exemplos não funcionam; cada vez mais empresários fazem acordos comerciais com esse decrépito senil. Depois não digam que foi por falta de aviso...



Há ainda um artigo do correspondente do jornal “El Nuevo Herald”, Pablo Alfonso em que ele mostra a crueldade da múmia caribenha com relação a opositores do seu criminoso regime e as incoerências resultantes do somatório maldade + senilidade + mentiras. E o delinquente venezuelano quer mudar as leis eleitorais, para tentar bloquear o referendum entregue ao CNE no início da semana passada. A tirania despótica desses loucos parece provir mesmo de um pacto com Satã. Confiram.



O VELHO CONTINENTE QUER SIM, OXIGÊNIO PARA A DISSIDÊNCIA



Pablo Alfonso



A oposição cubana tem sido ameaçada de morte. A ditadura castrista a quer eliminar por asfixia.



”A contra-revolução não tem oxigênio e terá cada vez menos”, afirmou o ditador Fidel Castro ao falar na semana passada ante a Assembléia Nacional do Poder Popular. “Aqui não há oxigênio para a contra-revolução, que tentam alimentar desde fora”, acrescentou.



Essas ameaças de Castro, pronunciadas durante o IX período ordinário de sessões do chamado Parlamento cubano, parecem contradizer alguns critérios que o próprio ditador verteu no mesmo discurso quando afirmou rotundo que “o inimigo está derrotado ideologicamente pela Revolução”.



Ante esta evidente incoerência discursiva do Comandante, não há outro remédio a não ser perguntar: Para que é necessário negar oxigênio a um inimigo que está derrotado ideologicamente?



As ameças, certamente parecem ser a resposta mais contundente de Castro ao Projeto Varela e aos que alimentam a possibilidade de mudanças democráticas pacíficas na ilha, com o ditador ainda vivo.



Todavia, o mais signifcativo é que esta manifesta falta de reconhecimento e respeito à pluralidade de idéias e posições políticas dos cubanos, se produz num momento em que o regime reclama para si esse mesmo respeito e reconhecimento na arena internacional.



Acaba sendo até certo ponto paradoxal, que a ditadura reclame dos governos e organismos internacionais um trato que ela não é capaz de outorgar a seus opositores na ilha.



Enquanto Castro proclama em Havana que não há oxigênio para os opositores, o vice-chanceler cubano Angel Dalmau tratava de reiniciar em Copenhagen o denominado diálogo político com a União Européia (EU). O regime cubano participou nesse econtro – com o que busca beneficiar-se da ajuda econômica européia – enaltecendo o critério de que se respeitem as diferenças políticas.



”Estamos dispostos a receber conselhos na condição de que não venham de encontro ao sistema político e econômico que o povo cubano elegeu por si mesmo”, declarou Dalmau, ao concluir a reunião com a troika européia, e acrescentou: “Cuba e a União Européia têm uma percepção diferente da democracia. Quando a EU diz que quer ver transformações políticas em Cuba que levem ao pluralismo, é que quer mudar nosso sistema político e isso é uma interferência em nosso sistema”, afirmou Dalmau, referindo-se à posição comum sobre Cuba, adotada pela UE desde 1996



O texto dessa posição comum, que se renova desde então a cada seis meses, assinala que a UE “considera que uma plena cooperação com Cuba dependerá das melhoras com respeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais”, e que “na medida em que as autoridades cubanas avancem para a democracia, a UE prestará seu apoio ao processo e estudará o uso adequado dos meios à sua disposição com este fim”.



Certamente nada disso é possível enquanto um Castro enfurecido proclame a morte por asfixia de seus opositores. Por isso, uma vez mais, o encontro de Copenhagen terminou em fracasso e Dalmau voltou para Havana com as mãos vazias.



CASTRO SE LANÇA CONTRA A EUROPA E PROMETE PAGAR TODA A DÍVIDA



HAVANA – Associated Press



Castro assegurou que a ilha pagará até “o último centavo” aos seus credores europeus e latinoamericanos.



Cuba pagará até “o último centavo” a seus provedores europeus e latinoamericanos, alguns dos quais vêm tendo “dificuldades” para cobrar suas vendas a crédito, assegurou o governante cubano Fidel Castro.



Ante os representantes de umas 900 empresas estrangeiras reunidas aqui, Castro tentou sexta-feira acalmar as “inquietações” de seus vendedores habituais, alguns incomodados pelo seu favoritismo para com as companhias norte-americanas, as quais compra a prazo.



”A ilha não se constitui de um grande mercado [porém] é um país que atua com seriedade e boa fé”, indicou Castro no encerramento da Feira Internacional de Havana.



Castro, que falou durante três horas, reconheceu que nos “círculos de opinião” e “diplomáticos” havia desconforto pela demora nos pagamentos e rumores de que Cuba não cumprirá suas obrigações, devido a suas compras reais aos produtores norte-americanos.



Desde janeiro até a presente data, adquiriram-se várias toneladas de comestíveis, sobretudo grãos e carnes congeladas, no valor de quase U$ 200 milhões, abonados no contrato como exigem as leis norteamericanas.



Além disso, 280 firmas na nação vizinha compareceram aqui em setembro para uma exibição de produtos agrícolas, um setor com um potencial de compra de U$ 1.000 milhões.



Castro reconheceu que “há dificuldades [com os pagamentos a] alguns países e empresas no ramo de alimentos. Lhes expressamos nossa disposição em negociar e fazer o que seja necessário para que até o último centavo seja pago”, assegurou Castro, ao indicar que a ilha não cometeria o erro de ter só um provedor de comestíveis.



Castro aproveitou a ocasião para reclamar a seus velhos sócios os excessos, como o pagamento de lucros de até 20% em créditos a médio prazo ou os sobrepreços que se pagam por certos produtos.



”E que haja certa competência, é bom que o diga com franqueza. Conhecemos casos em que compravam mercadorias nos Estados Unidos e nos vendiam mais caras. Casos em que nos amarravam porque não tínhamos alternativas”, manifestou.



Sentados na primeira fila, alguns membros do corpo diplomático credenciados nesta capital, escutaram também as queixas políticas do governante.



”Seria hipócrita de minha parte afirmar que a Europa vem tendo uma atitude consequente com relação à Cuba. Eu digo a verdade porque é meu dever, sem o mais mínimo interesse de me lastimar a ninguém”, afirmou.



Segundo o governante, os governos do Velho Continente fizeram um “pacto de conveniência” com os Estados Unidos sobre a ilha para poder comercializar aqui, porém apoiando as moções contra Havana, em matéria de direitos humanos.



CHÁVEZ PEDE PARA MUDAR A LEI ELEITORAL



Associated Press – CARACAS



O presidente Hugo Chávez pediu à Assembléia Nacional que modifique a Lei do Poder Eleitoral há poucas horas de se esgotar o prazo que tinha para aprová-la, o que muitos venezuelanos qualificam como nova manobra para bloquear o referendum que busca eleições antecipadas na Venezuela.



Chávez devolveu o texto legal à Assembléia na sexta-feira, antes que o Tribunal Supremo de Justiça rechassasse a ação que introduziu e pela qual pretendia que se declarasse inconstiucional uma disposição na nova lei, que contempla a permanência temporal das atuais autoridades eleitorais até que a Assembléia designe os novos diretores.



A ação judicial empreendida pelo presidente Chávez motivou as maiores organizações empresariais e sindicais do país a ameaçarem com uma greve geral indefinida, na quarta-feira, se o governo detivesse a consulta.



Se o tribunal sentenciasse em favor de Chávez, não haveria autoridade disponível para decidir sobre uma petição de dois milhões de assinaturas que exige a realização de um referendum que busca pressionar o governo a ir a uma consulta popular.



Chávez justificou a devolução da lei, argumentando que era necessário que a Assembléia modificasse uma série de artigos que o executivo considera “inaplicáveis”.



Rafael Simón Jiménez, vice-presidente da Assembléia Nacional, reconheceu ontem que o mandatário está em todo o seu direito de “objetar a lei”, porém o que se impõe é que na “Assembléia ratifiquemos o conteúdo da lei e a mandemos de volta ao presidente para que a promulgue” a fim de acelerar a eleição dos diretores do Conselho Nacional Eleitoral.



”Me parece que estas dilações não contribuem ao que o país está demandando, que é, com celeridade e prontidão, eleger um CNE que se constitua em um árbitro confiável e que seja garantia do que todo mundo sabe que está no caminho democrático do pais, que é um processo eleitoral”, indicou.



Fonte: Todas as informações foram retiradas do jornal "El Nuevo Herald"



sábado, 9 de novembro de 2002

O Notalatina sai hoje um pouco de sua temática (América Latina) para divulgar um discurso proferido pelo presidente da República Tcheca, Vaclav Ravel, em 19 de setembro deste ano, no Centro para Licenciados da City University, em Nova York, na sua despedida à última visita feita aos Estados Unidos.



Observem a lição de humildade e simplicidade que este homem dá. Coisa de sábio... Deveria ser apreendida por muitos dirigentes que conhecemos. Lendo esse discurso, não posso deixar de emocionar-me até às lágrimas, pensando em todo o sofrimento dos povos que viveram e ainda vivem sob o tacão do comunismo, e não posso deixar, também, de lamentar o retrocesso do nosso país. Enquanto povos lutam para livrar-se desse inferno vermelho, os brasileiros regozijam-se em recuar 100 anos no tempo e na História.



ADEUS À POLÍTICA



VACLAV RAVEL



Ainda conservo vivas lembranças do concerto de quase 13 anos, em fevereiro de 1990, quando Nova York me acolheu como presidente eleito da Tchecoslováquia. Naturalmente, não celebrou-se só para honrar-me pessoalmente. Foi uma forma de honrar, através de minha pessoa, a todos os meus compatriotas que tinham sido capazes de derrotar sem violência o corrompido regime que governava o país. E também foi para honrar a todos os que, antes de mim, ou comigo, haviam resistido a este regime, de novo sem violência. Muitos amantes da liberdade de todo o mundo viram a vitória da Revolução de Veludo da Tchecoslováquia como estandarte da esperança em um mundo mais humano, um mundo em que os poetas possam ter uma voz tão poderosa quanto os banqueiros.



Nossa reunião de hoje, não menos cálida e impressionante, me leva de um modo quase natural à questão de se mudei ou não nestes quase 13 anos, que têm feito de mim nessa permanência incompreensivelmente longa como presidente, e como tenho me modificado nas inumeráveis experiências que tenho vivido nestes tempos tumultuados.



E descobri algo assombroso: embora devesse esperar que esta riqueza de experiências me tivesse dado mais tranquilidade, mais rodagem e confiança em mim mesmo, o certo é que aconteceu tudo ao contrário. Neste tempo perdi muita segurança em mim mesmo, e sou muito mais humilde. Pode ser que não acreditem, porém cada dia padeço mais e mais de medo do público; cada dia tenho mais medo de não estar à altura de minha tarefa, ou de estropiar tudo. Cada vez mais, me resulta mais difícil escrever meus discursos e quando os escrevo, tenho mais medo do que nunca de repetir-me uma ou outra vez. Cada vez tenho mais medo de ficar lamentavelmente sem expectativas, de que, de alguma forma tornarei manifesta minha falta de preparo para este trabalho, de cometer erros ainda maiores, apesar da minha boa fé, de deixar de ser alguém em quem se possa confiar e, por conseguinte, perder a legitimidade para fazer o que faço.



E enquanto outros presidentes mais jovens que eu, em termos de tempo de permanência no cargo, desfrutam de cada oportunidade de conhecer-se, ou de conhecer gente importante, ou de aparecer na televisão ou fazer um discurso, a mim tudo isto cada vez produz mais temor. Às vezes ocorrem situações em que deveria agradecer por ser uma grande oportunidade, e deliberadamente tento evitá-las pelo medo quase irracional em desperdiçar a oportunidade de uma ou outra forma, e talvez inclusive prejudicar uma boa causa. Em poucas palavras, parece que cada vez tenho mais dúvidas, inclusive de mim mesmo. E quantos mais inimigos tenho, mais me ponho do seu lado mentalmente, com o que me converto no meu pior inimigo.



Como poderia explicar esta evolução completamente imprevisível de minha pesonalidade?



Talvez reflita mais detidamente sobre isto quando já não for mais presidente, coisa que ocorrerá em princípios de fevereiro próximo, quando tenha tempo para afastar-me um pouco, para distanciar-me um pouco da política e quando, como homem completamente livre outra vez, comece a escrever coisas que não sejam discursos políticos.



Porém, no momento permitam-me sugerir uma das muitas possíveis explicações para esta situação. Conforme vou envelhecendo, à medida em que amadureço e adquiro experiência e razão, me vou dando conta plenamente do alcance de minha responsabilidade e das estranhamente diversas obrigações derivadas do trabalho que aceitei. Além disso, vai-se aproximando inexoravelmente o momento em que os que me rodeiam, o mundo – o que é pior –, minha própria consciência, já não me perguntam quais são meus ideiais e objetivos, nem o que é que desejo conseguir, nem como quero mudar o mundo, senão que começaram a perguntar-me o quê efetivamente consegui, quais dos meus propósitos tornei realidade e com quais resultados, qual gostaria que fosse meu legado e que tipo de mundo gostaria de deixar atrás de mim. E de repente sinto que a mesma intranquilidade espiritual e intelectual que uma vez me levou a fazer frente ao regime totalitário e ir preso por isso, agora me faz duvidar completamente do valor de meu próprio trabalho, ou do trabalho daqueles que apoiei, ou daqueles cuja influência eu tenho possibilitado.



Antes, quando recebia títulos honoríficos e escutava discursos laudatórios que se pronunciavam em ocasiões assim, muitas vezes ria ao ver que em muitas dessas homenagens me descreviam como um herói de conto de fadas, um rapaz que, em nome do bem, saiu dando cabeçadas contra o muro de um castelo habitado por reis malvados, até que o muro caiu e o mesmo se converteu em rei e governou sabiamente durante muitos longos anos. Não é minha intenção obstaculizar a importância dessas ocasiões: valorizo profundamente todos os meus doutorandos e sempre me comove recebê-los.



Todavia, meciono este outro aspecto das coisas, em certo sentido cômico, porque estou começando a entender que, na realidade, tudo tem sido uma trama diabólica que o destino me impôs. Porque efetivamente me vi catapultado de um dia para o outro em um mundo de conto de fadas e depois, nos anos posteriores tive que voltar ao mundo real para dar-me conta de que os contos de fadas são só uma projeção dos arquétipos humanos, e que o mundo não está absolutamente estruturado como um conto de fadas. E assim, sem nem sequer haver tentado converter-me em um rei de conto de fadas, e apesar de encontrar-me praticamente obrigado a ocupar este cargo por um acidente da história, não recebi nenhuma imunidade diplomática por essa dura queda à terra, do estimulante mundo de emoção revolucionária, ao mundo terreno da rotina burocrática.



Por favor, entendam-me: não estou dizendo que tenha perdido minha luta, nem que tudo foi em vão. Pelo contrário, nosso mundo, a humanidade, e nossa civilização, encontram-se atualmente no que talvez seja a encruzilhada mais importante de sua história. Temos mais oportunidades do que nunca nos últimos tempos, de compreender nossa situação e a ambivalência do rumo que levamos, e escolher o caminho da razão, da paz e da justiça, não o que nos leve à nossa própria destruição.



Só digo isto: seguir o rumo da razão, da paz e da justiça exige muito trabalho, abnegação, paciência e conhecimento, uma análise geral sossegada, a vontade de arriscar-se em não ser compreendido. Ao mesmo tempo, significa que todos deveríamos poder julgar nossa própria capacidade e operar, em consequência, com a expectativa de que nossas próprias forças cresçam com as novas tarefas a que nos destinamos, ou se esgotem. Em outras palavras, já não vale confiar em contos de fadas nem em heróis de contos de fadas. Já não vale confiar nos acidentes da história , que levam os poetas a lugares onde caem impérios e alianças militares. Deve-se escutar detidamente as vozes de alarme dos poetas e levar-lhes muito a sério, talvez muito mais a sério do que as vozes dos banqueiros e dos agentes da bolsa. Porém, ao mesmo tempo, não podemos esperar que o mundo se transforme em um poema da mão dos poetas.



Seja como for, de uma coisa estou seguro sim: independentemente da forma com que tenha desempenhado o papel que se me foi concedido, independetemente de se o queria desempenhar, ou de se o merecia ou não, e independentemente do muito ou pouco satisfeito que esteja de meus esforços, entendo que minha presidência tem sido um magnífico presente do destino. Ao fim e ao cabo, tive a oportunidade de participar de uns acontecimentos históricos que verdadeiramente mudaram o mundo. E isso, como experiência vital e oportunidade criativa, valeu a pena apesar de todas as armadilhas que jazem ocultas.



E agora, se me permitem, tentarei finalmente distanciar-me um tanto de minha pessoa e formular três idéias que sempre têm dado certo ou , melhor, três velhas observações que minha passagem no mundo da alta política não tem feito senão confirmar:



1. Se a humanidade quer sobreviver e evitar novas catástrofes, a ordem política mundial tem que ir acompanhada de um respeito mútuo e sincero entre as diversas esferas da civilização, da cultura, das nações ou dos continentes, e por um esforço sincero de sua parte para buscar e encontrar os valores ou imperativos morais básicos que têm em comum, em transformá-los nos cimentos de sua coexistência neste mundo globalmente conectado.



2. Há que fazer frente ao mal em seu próprio seio e, se não há outra forma, terá que fazê-lo mediante o uso da força. Se é necessário utilizar-se o incrivelmente sofisticado e caro armamento moderno, que se use de uma forma que não prejudique as populações civis. Se isto não é possível, terão desperdiçado os milhares de milhões gastos nessas armas.



3. Se examinarmos todos os problemas que o mundo enfrenta hoje em dia, quer sejam econômicos, sociais, ecológicos ou os problemas gerais da civilização, queiramos ou não sempre nos encontraremos com o problema de se um determinado roteiro é ou não adequado, ou se é responsável desde o ponto de vista planetário a longo prazo. A ordem moral e suas fontes, os direitos humanos e as fontes de legitimação desses direitos humanos, a responsabilidade humana e suas origens, a consciência humana e a penetrante visão daquele no qual nada pode ocultar-se com um manto de nobres palavras, são segundo minhas mais profundas convicções e experiência, os temas políticos mais importantes do nosso tempo.



Queridos amigos, ao olhar ao meu redor e ver tantas pessoas famosas que parecem haver descido de algum lugar dali de cima, do firmemento estrelado, não posso evitar de sentir que no final de minha longa queda de um mundo de conto de fadas à realidade crua, de repente me encontro novamente num conto de fadas. Talvez só haja uma diferença: agora posso valorizar esta sensação mais do que quando, há 13 anos me encontrava em circunstâncias similares.



sexta-feira, 8 de novembro de 2002

A América Latina está parecendo um paiol de pólvora prestes a estourar, tantos são os acontecimentos que diariamente temos a oportunidade de tomar conhecimento. A situação da Venezuela ultrapassou o limite do crítico e, sinceramente, não creio que seja resolvida de forma pacífica e sem derramar muito sangue.



Na segunda-feira passada foi entregue ao presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), uma pergunta que acompanhava a relação de assinaturas dos cidadãos que pediam a deposição do presidente Hugo Chávez e um plebiscito convocando novas eleições. O sr. Roberto Ruiz então presidente do CNE, segundo os noticiários, acatou com respeito a petição, dando mesmo a entender que também era favorável a esta medida. Dois dias depois este senhor misteriosamente “renuncia ao cargo”, o que levantou, entre os opositores de Chávez, a suspeita de que essa demissão fora induzida ou que não partira dele. A estranheza e o desapontamento é geral, obviamente.



A desobediência civil desses militares e demais cidadãos que lotam a praça Altamira desde 22 de outubro está assegurada na Constituição, entretanto, o secretário geral da OEA, César Gaviria que se encontra em Caracas para “facilitar” a negociação entre o presidente e os opositores, simplesmente pediu aos militares que “se quiserem se dedicar à política, tirem os uniformes e abandonem a carreira”. Comenta-se, a respeito deste secretário, que ele “vê com simpatia” (para não dizer que é conivente) os guerrilheiros das FARC e as alianças de Chávez com Fidel Castro. Onde ficaria então, a imparcialidade desse “mediador”, em caso tão grave e explosivo como o que está ocorrendo na Venezuela? No jornal “La Nacion” de hoje há uma extensa matéria analisando vários aspectos da tensão venezuelana, muito boa. Não a reproduzo aqui por ser muito longa, mas os interessados podem conhecê-la acessando o site: http://www.el-nacional.com/Articulos/Articulo.asp?Plantilla=3&Id=16552&IdSeccion=121



Ainda nesta edição, notinhas reflexivas do meu amigo e colaborador Carlos Reis, em “Como o Diabo gosta”.



POUCAS E BOAS – COMO O DIABO GOSTA



Tenho estado em silêncio olhando a conjuntura. Mas agora chega! Já é hora de restabelecer algumas verdades, aliás, algumas delas já comentadas pelos amigos.



Em primeiro lugar, pacto social, uma ova! Social-democracia petista, bullshit! Diabo, que é diabo, não se converte! O Paulo Zambonni matou a pau! Lula está construindo a teia – ou a Rede, como a chama o pessoal da 5a Internacional Socialista -, do pacto social; uma artimanha que colocará toda a oposição, ou o que restar dela, contra o Brasil e o povo brasileiro. Quem for contra será chamado de traidor! No “Pato Social”, quem piar contra é galinha frita!



Além disso, o projeto de Segurança que está sendo gestado na Lulolândia é de arrepiar os cabelos! Vem aí o mais moderno e democrático regime policial e totalitário que alguém já elegeu. Em breve, em cada rua, em cada quarteirão desse Brasil, um espião, um informante de plantão, a serviço do “guia genial do povo” tupiniquim. Voltarei ao assunto de forma séria assim que juntar mais elementos.



Por aqui (Zero Hora) já se fala em um Ministério das Cidades no governo Lula. Não sei se essa patifaria saiu nos jornais do centro do país, mas é certo que o nome dela é Tarso Genro. Um ministério ad hoc para quem ficou desempregado pelo povo. Deve ser o de bedel empoado e finório da 5a Internacional.



Boa notícia. Por falar em 5a Internacional, a 3a edição do Fórum Social Mundial – a 5a Internacional -, não sai mais, pelo menos em Porto Alegre. Se sair, não vai ser com o dinheiro do governo do Rigotto! O Rigotto não é galinha. A confirmar no ano que vem.



O PMDB, a continuar babando e chocando ovos petistas como já está fazendo, se inscreverá como forte candidato a campeão da Taça Prostituição Política do Annus. Do Tudo pelo Social de Sarney, ao Topa Tudo por Dinheiro desses governadores. É de dar inveja aos parasitas dos anos 20 e 30. Triste safra essa de políticos que chegaram ao poder. Como diz o personagem do Chico Anísio, seu Rolando Lero, “foi o que deu para arranjar”.



Aqui em Porto Alegre, 14 anos de influência petista no pensamento dos gaúchos produziu a pérola de que a “obra” mais vendida na Feira do Livro, ora em realização na cidade, é sobre culinária. O Brasil acaba de eleger um regime totalitário para nos liquidar, e aqui em Porto Alegre, é bom dizer, no preciso momento em que nos livramos dos totalitários gaudérios, o povão é levado a consumir ninharias e amenidades. Acho que não deu tempo. Espero que no ano que vem...



E, para encerrar:

A. O toque do Heitor de Paola é precioso: nenhuma palavra na mídia sobre el comandante en jefe, Fidel, cumprimentando seu funcionário, Lula, pela vitória da causa (deles). Como dizia um amigo meu: vocês acham que eu não sou bobo?



B. Eles perderam! Lá. Dá-lhe Bush!



C. O presidente da FIESP (antigamente uma instituição liberal), Laffer Piva, anda falando em congelamento de preços e salários! Remember “ekipeconômica” do Sarney! São os mesmos canalhas! Não admira que elegeram o Lula!



D. Vem aí: “Gramsci não é isso tudo que andam falando”.



Carlos Reis