sábado, 12 de outubro de 2002

Há coisas na vida que, por mais que queiramos, não podemos fazer de conta que não percebemos. A preocupação da mídia, por exemplo, em falar do paraíso caribenho tecendo loas não às belezas naturais, mais à vida e ao modelo político implantado em Cuba, não foi obra do acaso. Só nesse segundo semestre visitaram a ilha: a apresentadora de tv Adriane Galisteu, Márcio Moreira Alves e, recentemente, a jornalista (também do jornal O Globo), Maria Cristina Valente.



Sinceramente, não sei se classifique o que foi publicado por estas pessoas de mentira deslavada, propaganda subliminar ou se, de fato, esses profissionais acreditam no que escreveram. Deve ser pura coincidência estar próximo de se decidir quem vai governar o Brasil, e mais coincidência ainda, que o candidato das multidões seja amigo do peito do ditador "dono" da ilha.



Não pretendo me alongar muito aqui a esse respeito, porque hoje reproduzo o excelente artigo do Heitor De Paola sobre a matéria publicada no caderno de Viagens do jornal O Globo, que foi veiculado no site Offmidia (http://offmidia.blogspot.com) - e que eu recomendo como um dos meus favoritos. Apenas, acrescento ao artigo do Heitor que, para que essas pessoas maravilhosas desfrutem de uma vida paradisíaca na ilha caribenha e saiam com gosto de saudade no peito, milhares de cidadãos cubanos trabalham em campos forçados, passam fome, são espoliados, vigiados, proibidos de falar com o turista sob pena de prisão, com cortes de água e luz constantes, para que não falte ao “turista convidado” o que há de melhor em termos de civilização. Isso eles não contam; ou são proibidos de contar.



Cuba pertence aos turistas que deixam dólares no caixa do tirano e não aos seus cidadãos, servos cativos e amordaçados há quase 44 anos.



O GLOBO VAI AO PARAÍSO



Por Heitor De Paola



A Revista Boa Viagem, do Globo de hoje, 10/10/2002, dedica dezessete páginas a Havana! Nunca o suplemento de turismo do Globo dedicou tantas páginas a uma só cidade, salvo quando há algum acontecimento esportivo ou cultural de grande importância.



A reportagem, de Maria Cristina Valente e Custódio Coimbra que foi patrocinada pelo Ministério do Turismo de Cuba e pela COPA Airlines, mostra a cidade como endurecida mas sem perder a ternura , e é baseada num roteiro de Compay Segundo, do Buena Vista Social Club, 'garoto' propaganda do Fidel, uma mistura caribeña pífia de Leni Riefenstahl com Sergei Eisenstein, sem a competência de nenhum dos dois.



Mais importante que o roteiro turístico, que repete as mesmices de qualquer cidade do Caribe, é a repetição dos chavões de sempre sobre Cuba: conquistas sociais, médicos para todos, extinção do analfabetismo, tudo ameaçado de ser perdido por causa de que? Ora, do crudelíssimo bloqueio americano! A cidade é um paraíso ameaçado pelos homens maus do norte: Cuba é dança, música, esperança, luta...



A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, quando poderá ser eleito o muy leal amiguito e admirador do ditador cubano, a quem agradeceu pelo simples fato de ter nascido, isto cheira a propaganda descarada. A não ser que, por um raciocínio tortuoso, prove-se que mostrar aquela velharia suja, destruída, caindo aos pedaços, cheia de prostitutas e mendigos, que no paraíso se chamam jineteras e delicados vendedores de bugigangas, como o Londres de Orwell, seja propaganda contra o que querem implantar aqui.



Não sei se os leitores saberão tirar esta suposta lição das entrelinhas, devido ao tom de franco elogio, inclusive à rede de delatores da Polícia Política, os CDR's (Comités de Defensa de la Revolución) mostrados como exemplos de atividade 'social' e, no final, com suspeitas reticências, dizer que "alguns dizem que os CDR's exercem patrulhamento ideológico....." Ora, se esta é a única justificativa para sua existência! Temo que em breve os vejamos por aqui.



Nenhuma palavra sobre o fato da ilha estar submetida a uma ditadura cruel há 43 anos; nenhuma palavra sobre a brutal censura à imprensa nem à vida nababesca que levam os funcionários do Partido Comunista, entre os quais certamente está o cicerone, situação certamente partilhada pelos repórteres. Mas há uma esperança de que de outra vez eles abram mais os olhos, talvez sem ter que prestar contas aos patrocinadores, pois se despedem dizendo que fica uma sensação de que o melhor não foi dito nem visto . Pois é!



terça-feira, 8 de outubro de 2002

O presidente da Câmara de Representantes nos Estados Unidos faz uma advertência quanto aos acordos comerciais que estão sendo firmados, entre o ditador cubano e empresários americanos. Só os que apoiam os métodos castristas, além de não temerem perder grandes somas de dinheiro, têm-se arriscado, como ficou demonstrado há poucos dias, na feira agro-alimentícia realizada na cidade de Havana.



Mesmo sabendo disso, o Brasil fecha os olhos às evidências e deposita nas mãos do tirano do Caribe uma quantia milionária, e empresários brasileiros continuam fazendo acordos comerciais de exportação de seus produtos à ilha.



Há, da parte de muitos políticos democratas norte-americanos (a ala esquerda de lá), um interesse enorme em derrubar o embargo contra Cuba, imposto pelos Estados Unidos há mais de 30 anos, porque isso beneficiaria toda a esquerda internacional, que financia o terrorismo nos quatro cantos do planeta. Felizmente, existem os Republicanos, que cerram fileiras contra isso, embora as pressões tenham aumentado consideralvemente nos últimos anos.



Isso é o que o Notalatina mostra hoje.



RECOMENDA “MUITA CAUTELA” AO FAZER NOGÓCIOS COM FIDEL CASTRO



Ketty Rodriguez



El Nuevo HeraldPostado em 06 de outubro, 2002



O presidente da Câmara de Representantes, Dennis Hastert, lançou ontem em Miami fortes críticas contra Fidel Castro e esclareceu que se devia ter “muita cautela” na hora de fazer negócios com o ditador cubano.



O líder republicano – que deu ontem total e absoluto apoio à candidatura de Mario Díaz-Balart – disse que um homem como Castro “que exporta a tirania e promove o narcoterrorismo, não se lhe podem dar créditos para a compra de produtos norte-americanos”, a propósito da recente feira de alimentos realizada em Havana.



Explicou que apesar do embargo, existe uma legislação aprovada durante a administração de Bill Clinton, que permite empresas agro-alimentícias estadunidenses assinarem contratos com Castro. “Porém, nos asseguramos na legislação de que não houvessem créditos para ele”.



Díaz-Balart explicou que “desafortunadamente, Clinton havia tratado de ajudar a tirania”, porém, graças à liderança de Hastert, não se pode abrir o turismo norte-americano em Cuba.



”Também se conseguiu evitar que os fundos dos contribuintes norte-americanos vão para (Cuba) um dos países que apoia o terrorismo”, acrescentou o legislador estatal republicano da Flórida, que no próximo dia 5 de novembro enfrentará a também legisladora Annie Betancourt, do Partido Democrata, por um lugar no Congresso.



O evento eleitoral, realizado no restaurante La Carreta de Hialeah, reuniu dezenas de simpatizantes de Díaz-Balart, o qual esteve acompanhado de seu irmão, o legislador Lincoln Díaz-Balart e a congressista Ileana Ros-Lehtinen.



Hastert, de 60 anos, está cumprindo o segundo período como presidente da Câmara de Representantes e oito anos como congressista republicano em Illinois.



Considerado um dos homens com mais poder político no país, Hastert destacou a experiência legislativa de Díaz-Balart, como um dos pontos chave para a aprovação de projetos legislativos de prescrição médica para idosos, pendentes no Senado.



”Mario é a pessoa que o Congresso necessita”, disse o líder.



Fonte: www.lavozdecubalibre.com



segunda-feira, 7 de outubro de 2002

O Notalatina apresentou duas informações graves que saíram na mídia, de forma discretíssima, de modo a que o leitor propositalmente não as visse e, não as vendo, não fizesse as conexões necessárias ao andamento da carruagem. Elas davam conta de um "empréstimo" que o Brasil, através do Ministro Celso Lafer fazia à Cuba, no valor de 250 milhões de dólares, e a outra, mais recente, em que dirigentes do PT já se articulavam no Congresso para mudar a data de posse do novo presidente. Os petistas davam (e ainda acreditam nisso) como certa a vitória do seu candidato e, se a posse fosse no dia 1º de janeiro, a festa perderia seu brilho, pois a estrela máxima, o ditador Phidel Kastro não poderia estar presente, pois essa é também a data de comemoração dos 43 anos de escravidão e servilhismo que ele impôs ao povo cubano.



Hoje o Notalatina sai um pouco do seu estilo, divulgando uma notícia publicada no jornal O Estado de São Paulo, porque, apesar do disfarce, ela tem tudo a ver com as notícias citadas acima. Agora é o próprio presidente FHC que dá uma "mãozinha" para facilitar a vinda do "Líder Máximo", sem a qual a estrela do PT fica completamente ofuscada. Vejam aqui, a mentira com as perninhas bem curtinhas.



O Estado de S. Paulo, Segunda-feira, 7 de outubro de 2002



GOVERNO NEGOCIARÁ COM ELEITO ADIAMENTO DE POSSE

Proposta integra conjunto de medidas que FHC entende que precisam ser votadas logo após eleição.



TÂNIA MONTEIRO



BRASÍLIA - O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, defendeu ontem o adiamento das posses do próximo presidente da república para dia 6 de janeiro e dos futuros governantes para 15 de janeiro. Ele também propõe adiar, para as mesmas datas, o início dos exercícios financeiros da União e dos Estados, e conseqüentemente, da vigência da execução dos Orçamentos.



O governo já tem redigida proposta de emenda constitucional nesse sentido. A emenda, se for de interesse do presidente eleito, faria parte de um conjunto de medidas que o presidente Fernando Henrique Cardoso entende que precisam ser votadas logo depois das eleições, em um esforço concentrado do Congresso.



Parente, que é responsável pela condução do processo de transição, contou em entrevista ao Estado que a mudança de data permitiria que chefes de Estado estivessem presentes à cerimônia, dando outro peso político à posse. O ministro garantiu, no entanto, que se trata apenas de uma sugestão, que não consta da Agenda 100, a lista de medidas que precisam ser tomadas pelo próximo governo nos cem primeiros dias de sua gestão.



A mudança da posse já foi motivo até de brincadeira por parte de Fernando Henrique. O presidente comentou que não teria problema se seu sucessor não concordasse com a troca para 6 de janeiro, mas, nesse caso, preferia que antecipasse essa data, para 27 de dezembro, por exemplo.



O chefe da Casa Civil acha que a emenda que altera a data deve ser apresentada por um senador, para ter tramitação mais rápida, já que entraria direto no Senado. Assim, não ficaria parada na Câmara, onde a pauta está trancada pelo atraso na votação de diversas medidas provisórias. Parente explicou que a proposta teria de incluir tanto o adiamento da data da posse quanto do exercício financeiro, para se tornar viável.



De acordo com o ministro, com a mudança da data da posse e do início do exercício financeiro se facilitaria a questão de administração do Orçamento.



Ele disse que a medida facilitaria também na solução de questões burocráticas, como a prestação de contas dos governantes.

O candidato do PT, servo fiel e obediente ao senhor seu amo o tirano do Caribe, pregou durante toda a sua campanha eleitoral duas propostas auto-contraditórias: que iria acabar com a fome no Brasil e que seguiria o modelo de saúde e políticas públicas cubanos. E por que há contradição nessas duas afirmações? Primeiro, porque é impossível “acabar” com a fome, seja no Brasil ou em qualquer outro país do mundo. Segundo, porque se ele pretende conseguir essa façanha, espelhando-se no modelo cubano, o resultado será esse da matéria que o Notalatina apresenta hoje. Esse candidato mostra-se muito indignado com a fome que atinge milhões de brasileiros, no entanto, o que ocorre em Cuba serve de modelo, segundo ele, não só para o Brasil, como para toda a Humanidade.



Outra notícia que o Notalatina traz hoje diz respeito a um movimento que está surgindo em Cuba, em prol da liberação dos presos políticos. Como na ilha impera a lei da mordaça, e os desobedientes pagam com a perda da liberdade ao desrespeitá-la, esse fato reveste-se de uma importância extraordinária para aqueles que sem nenhum crime ou julgamento, (conforme foi denunciado aqui, ontem) encontram-se encarcerados nas masmorras da ilha-cárcere.



BATIDA POLICIAL CONTRA OS “BUZOS” DE DEPÓSITOS DE LIXO EM HAVANA



HAVANA, 27 de setembro (Victor M. Dominguez, Lux Info Press – www.cubanet.org) – Forças combinadas da Polícia Nacional Revolucionária (PNR) e do Departamento Técnico de Investigações (DTI), prenderam na semana passada mais de 300 pessoas que ingeriam alimentos recolhidos nos depósitos de lixo dos hotéis localizados na capital do país e na província Havana.



As pessoas que costumam ingerir alimentos dos recipientes onde se jogam os resíduos, são chamadas “buzos” em Cuba.*



Uma fonte confiável assegurou que a operação se justificou com o descobrimento, entre as centenas de detidos, de 15 indivíduos que eram perseguidos por diversos delitos.



O presidente da organização ecológica NATURPAZ, Osmani García, declarou ao Grupo Decoro que a operação policial começou na capital e se estendeu aos municípios havaneros Güines, Alquizar e Güira de Melena.



A precária situação econômica da maioria da população cubana que se evidencia no baixo poder aquisitivo (o salário prometido mensal não ultrapassa os 240 pesos cubanos – 9,23 dólares no câmbio vigente) e a redução dos alimentos e produtos básicos que se vendem racionados na Libreta de Abastecimento, para serem vendidos por dólares, são as causas principais do aumento de pessoas dedicadas a “mergulhar” nos depósitos de lixo.



Todavia, as autoridades não proporcionam assistência social aos “buzos”; apenas lhes aplicam medidas policiais.



”A maior parte dos que se dedicam a comer resíduos nos recipientes de lixo são casos sociais, pessoas que ultrapassam os 60 anos e se encontram desamparadas”, concluiu a fonte,



*”Buzos” significa literalmente gatuno, mergulhador, ave de rapina. Talvez pela similaridade da função com as designações gramaticais, sejam assim rotulados os “catadores de lixo alimentar” cubanos (N.T.).



INICIAM EM HAVANA JORNADA PELA LIBERDADE DOS PRESOS POLÍTICOS



HAVANA, 1 de outubro (Juan Carlos Linares, Cuba-Verdad – www.cubanet.org) – Ativistas do Movimento 24 de Fevereiro começaram na cidade de Havana uma jornada pela liberdade dos presos políticos cubanos, a qual se estenderá até o próximo dia 10 de outubro, segundo informou à Cuba-Verdad, uma porta-voz desse agremiação opositora ao governo de Fidel Castro.



A jornada inclui jejuns, vigílias e tem lugar no Centro de Informação da citada organização, situada na rua C 8216, entre Segunda e Terceira, Reparto Dolores, município de San Miguel del Padrón.



A diretora do Centro de Informação, Mayelín Cadeño Constantín, disse: “O objetivo desta jornada é promover uma ação nacional e internacional, no sentido de conseguir a liberação incondicional de todos os presos políticos cubanos”.



Dez ativistas inauguraram a jornada, porém espera-se que o número de participantes aumente nos próximos dias, na medida em que a atividade seja divulgada no universo opositor da ilha.



”Outros atos previstos para serem realizados durante a jornada são cine-debates, sobre temas relacionados com o presídio político em Cuba, e conferências que abordarão os direitos humanos como assunto central”, anunciou Cedeño.



Estas informações foram transmitidas por telefone, já que o governo de Cuba não permite ao cidadão cubano o acesso privado à Internet.



CubaNet não reclama exclusividade de seus colaboradores, e autoriza a reprodução deste material, sempre que se lhe reconheça como fonte;



sábado, 5 de outubro de 2002

NOTALATINA EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA



As FARC voltam a cometer assassinatos, sem dó nem piedade e muito menos motivo que justifique, se é que há argumentos para justificar um crime. É bom lembrar que isso poderá nos acontecer num futuro muito próximo.



Farc assassinam vereador e funcionária pública na Colômbia



Sábado, 5 de outubro de 2002, 18h48



http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,5502,OI57439-EI317,00.html



O vereador do município colombiano de San Luis José Daniel Ceballos e a funcionária da Secretaria municipal de Saúde María Magdalena Cuervo Duque foram assassinados hoje com vários disparos por supostos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), informaram as autoridades.



Uma fonte policial disse que o veículo no qual viajavam as vítimas foi interceptado pelos supostos rebeldes das Farc perto desse município, no departamento de Antioquia, noroeste do país.



A polícia disse que os assassinos são membros da IX, frente das Farc que atua nessa região.





O Notalatina volta a falar de um tema já comentado noutras oportunidades, e voltarei sempre que novas barbaridades me cheguem ao conhecimento. Trata-se da situação dos presos de consciência (como os cubanos opositores ao regime castrista denominam os presos políticos).



Essas notícias são propositalmente colocadas aqui neste espaço, porque não há nenhum interesse da mídia nacional em que elas sejam divulgadas. Peço ao leitor que julgue por si próprio o contrasenso e a hipocrisia reinante entre aqueles defensores dos “direitos humanos” de narco-traficantes, terroristas, marginais da pior espécie, e que, entretanto, fecham os olhos e calam num silêncio cúmplice, endeusando o monstro Fidel Castro e seu criminoso regime, autor de todas essas atrocidades.



Essa semana eu denunciei o caso de um cidadão que foi preso, por portar dentro da bolsa, cópia da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Hoje, mostro a situação inumana dos que permanecem presos nos cárceres cubanos.



Isso você não vai ver publicado em jornal nenhum do Brasil.



REPÓRTER INDEPENDENTE PERDE VISÃO POR ENCARCERAMENTO EM CONDIÇÕES INUMANAS



CIEGO DE ÁVILA, 2 de outubro (Mirley Delgado, APLA – www.cubanet.org) O jornalista independente cubano Léxter Téllez Castro está perdendo a visão do olho direito, como resultado das condições inumanas com que a polícia política o mantém fechado no cárcere provincial de Canaleta, situado na província Ciego de Ávila.



Téllez, diretor da Agência de Imprensa Livre Avilenha (APLA), está isolado em um local que contraria as Regras Mínimas para o Tratamento dos Reclusos, do tratado da ONU que regula o tratamento e as condições humanas em que os Estados devem manter encarcerados os prisioneiros.



“As condições de isolamento em que me disseram que se encontra Téllez, podem influir e agravar sua situação. Sobretudo a cela, pintada de branco com pouca claridade solar e pouca ventilação”, manifestou a especialista Alicia García, que recordou que na infância, o jornalista perdeu parcialmente a visão do olho direito em consequência de um descolamento traumático da retina, o qual, em sua opinião, é um antecedente a ser levado em conta.



Ao confinamento em condições inumanas, a perda da visão e a negação ao direito de assistência médica, soma-se que a alimentação que Téllez e o resto dos reclusos de Canaleta recebem, não cobre as necessidades básicas de um ser humano.



Recentemente Téllez expressou à sua mãe, Hildelisa Castro Campos, que a visão fica turva por alguns momentos. Além disso, o repórter informou sobre a perda da visão ao oficial da polícia política que se identifica como José, o qual disse que acompanha o caso de Téllez, porém até o momento nem ele nem os funcionários carcerários procuraram o devido auxílio médico.



Téllez, tanto quanto o repórter do Colegio de Jornalistas Independentes de Camagüey, Carlos Brizuela Yera, foi preso em 4 de março do presente ano, enquanto cobria a notícia de um grupo de ativistas que efetuaram um protesto pacífico em frente ao hospital provincial de Ciego de Ávila, onde atendiam o jornalista Jesús Álvarez Castillo, quando agentes do Ministério do Interior o golpearam.



Léxter Téllez Castro, 27 anos, dentro de dois dias completará sete meses de prisão, sem que o tenham julgado e poderá ser condenado a vários anos de prisão, segundo as acusações de desacato à figura do governante Fidel Castro, desordem pública, resistência e desobediência, apresentados pela promotoria de Ciego de Ávila contra ele, Brizuela e os oito ativistas que desde esse dia estão encarcerados em diferentes penitenciárias do país.



Repórteres Sem Fronteiras e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) se pronunciaram a favor da liberação de Téllez. Desconhece-se, entretanto, quando e onde ele será julgado.



NEGAM AUXÍLIO MÉDICO PARA CASTIGAR PRESOS POLÍTICOS



HAVANA, 2 de outubro (Ernesto Roque – www.cubanet.org) – A negação de auxílio médico como procedimento para castigar a vários presos políticos encarcerados na penitenciária Combinado del Este, situada na cidade de Havana, é denunciada pelo prisioneiro de consciência Francisco Chaviano González.



Em carta recolhida clandestinamente do Combinado del Este, cópia da qual encontra-se em poder deste repórter, Chaviano expressa: “Venho há dois meses com dor de ouvidos e não me levam a um especialista. Só me forneceram alguns antibióticos, que se acabam rapidamente, pelo qual a infecção volta a atacar-me. A assistência médica foi-se reduzindo progressivamente e há mais de três anos me negam a possibilidade de realizar um eletrocardiograma indicado pelos médicos”.



Em outra parte de seu escrito Chaviano assinala: “Tampouco me operaram de um tumor que pode ser canceroso, o qual é uma prática que as autoridades carcerárias nos acrescentam, para aumentar nosso sofrimento”.



Em Combinado del Este encontra-se o Hospital Nacional de Reclusos, entidade na qual supostamente a Direção Nacional de Cárceres e Prisões do Ministério do Interior de Cuba deveria atender a todos os reclusos do país que necessitem de provas diagnósticas, consultas ou tratamento que se requeira para assegurar-lhes a saúde.



Também se denuncia no informe de Chaviano que os presos políticos Rafael Ibarra Roque, presidente do Partido Democrático 30 de Novembro Frank País e Camilo Pérez Villanueva, tampouco recebem a assistência médica que necessitam.



“Pérez padece de diabetis mellitus 2, e seu estado físico se deteriora dia a dia, pois não lhe fornecem os medicamentos prescritos pelos médicos, pelo que sempre está descompensado. Em mais de uma ocasião (funcionários do penal) lhe prometeram interná-lo, porém sempre o enganam. Até parece que esperam que caia em coma diabético, para pouparem-se do trabalho”, denuncia Chaviano em sua missiva.



Chaviano, professor encarcerado por confeccionar uma listagem de cubanos mortos na tentativa de fugir do comunismo e chegar a território dos Estados Unidos da América em balsa, conclui sua reportagem com o seguinte chamamento:



“Humanidade, não nos percam de vista que nos matam!”



Francisco Chaviano González, de 49 anos, está encarcerado pela polícia política desde 7 de maio de 1994. Foi julgado em 15 de abril de 1995 por um tribunal militar, sendo ele um civil e o condenaram a 15 anos de privação de liberdade por revelar possíveis segredos de Estado.



A esposa de Chaviano, Ana Bélgica Aguililla Saladrigas, realizou inumeráveis gestões para que ele seja libertado de imediato, e sem condições, posto que nunca cometeu delito, porém o governo de Cuba sequer accedeu, sobretudo porque este reclamo foi apoiado pelo Papa João Paulo II em 1998.



A Anistia Internacional proclamou Chaviano prisioneiro de consciência.



Estas informações foram transmitidas por telefone, já que o governo de Cuba não permite ao cidadão cubano acesso privado à Internet.



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O Notalatina de hoje traz duas informações muito pertinentes a esse momento que estamos vivendo: a primeira é sobre a possível vinda do monstro do Caribe à posse de sua cria, e a segunda, um texto da jornalista independente do Grupo Decoro, Claudia Márquez Linares, sobre eleições.



Aparentemente, nossas eleições são pluripartidárias e democráticas, mas, analisando um pouco mais a fundo, podemos ver sem muito esforço que trata-se antes de um jogo, onde todos jogam no mesmo time, não diferindo muito do que nos relata a jornalista cubana.



Qualquer semelhança não é mera coincidência; é caso pensado mesmo.



O Estado de S. Paulo, Quinta-feira, 3 de outubro de 2002, Caderno 2



FIDEL OU NÃO FIDEL?



César Giobbi



Integrantes do PT, envolvidos em questões internacionais, estão

articulando a vinda de Fidel Castro, para uma eventual posse de Lula.

Tudo vai depender, porém, de a Câmara conseguir mudar a data da posse.

Se for mantido o dia 1.º de janeiro, a assessoria de Fidel informou que

ele não poderá comparecer pois, justamente nesta data, comanda o

aniversário da Revolução.



Dá para calcular o empenho do PT para que a

data seja alterada para o dia 6?



O TEATRO DAS ELEIÇÕES



Claudia Márquez Linares, Grupo Decoro



HAVANA, setembro (www.cubanet.org) - Se lhe disserem, amigo leitor, que você pode assistir a umas eleições onde todos os candidatos pertencem a um só partido, seguramente pensará que não vale a pena votar. Em Cuba, o direito de exercer o voto não brinda a oportunidade de escolher de acordo com simpatias políticas, senão que todas as pessoas propostas respondem a uma mesma linha ideológica, traçada pelo Partido Comunista de Cuba.



O medo que as pessoas expressem suas opiniões sobre possíveis mudanças políticas, está latente nas autoridades. A ansiedade por controlar tudo, conduz os funcionários políticos a situações ridículas. Uma fonte anônima de dentro do Poder Popular, afirma que o governo ordenou investigar todos os candidatos que tenham sido propostos nas assembléias: histórico revolucionário, amizades que frequenta, etc. Esta informação se canaliza através dos Comitês de Defesa da Revolução, situados em cada quadra do país.



Atuar como se verdadeiramente votasse, implica uma mobilização de todos os ramos do governo. Só para dizer ao mundo que somos o povo mais democrático, e imediatamente publicar o alto percentual de votantes que acudiu às urnas socialistas, santificando este delírio à la cubana que são as eleições. Porém, ninguém se preocupa em conhecer o histórico de nenhum candidato. Como afirma Carmen, escriturária de 43 anos: "Dá no mesmo, votar num ou noutro. São todos do mesmo bando".



Fontes anônimas do próprio Partido Comunista asseguram que através de um boletim de circulação limitada, alerta-se os militantes da organização a que durante o processo, mantenham-se alertas ante a possibilidade de que algum dissidente possa ser postulado e eleito. O boletim orienta a que saiam no encalço dos opositores, se aparecerem, e não permitam que prevaleçam seus critérios.



Diversos sucessos da política nacional demonstram que o governo se nega a realizar qualquer tipo de mudança. Quando na província de Santa Clara o opositor Guillermo Fariñas decidiu falar sobre o Projeto Varela, nas eleições de sua circunscrição, defendendo o direito do cubano a expressar-se livremente, foi agredido verbalmente por um dirigente do partido que presidia a reunião, que acusou Fariña de mercenário e contra-revolucionário. Nesta ocasião, os que assistiam à reunião saíram em defesa do opositor, alegando que estava exercendo seu direito a expressar-se livremente.



Outro sucesso acontecido que demonstra o temor das autoridades a que a população se reúna e debata sobre democracia, ocorreu no povoado de Alamar. Vários jovens debatiam sobre política nacional e o papel da juventude em Cuba. A dona da casa onde se encontravam, a senhora Yara Dominguez García, foi citada por dois membros do Departamento de Segurança do Estado, os quais a interrogaram sobre o "encontro juvenil", e trataram de pressioná-la para que aquilo não voltasse a se repetir. A senhora Dominguez manteve-se firme em sua convicção de que não estava cometendo nenhum delito, ao permitir que em sua casa se reunissem alguns jovens e se expressassem com toda liberdade.



Aparentar que tudo está tranquilo e que reina a paz e a transparência, é o objetivo do governo cubano, embora a realidade demonstre que a cúpula do poder tem medo de que o povo se una aos que clamam por mudanças na Ilha. O pior para esse poder, é que o desenvolvimento da sociedade civil independente de Cuba não tem volta atrás.



Esta informação foi transmitida por telefone, já que o governo de Cuba não permite ao cidadão cubano o acesso privado à internet. CubaNet não reclama exclusividade de seus colaboradores, e autoriza a reprodução deste material, sempre que se lhe reconheça como fonte.